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O que impede Portugal de sair da crise económica? (1)

1. A cultura da fraude.
1.1. A raiz do problema.

A Economia é uma das denominadas Ciências Sociais. Estas Ciências estudam a organização e o funcionamento da sociedade e da sua cultura. O objecto das Ciências Sociais é o Homem. A Economia é uma Ciência Social na medida em que se ocupa do comportamento humano procurando estudar o modo como os indivíduos e as organizações da sociedade se empenham na produção, troca e consumo de bens e serviços.

A Economia estuda, pois, um certo tipo de comportamentos sociais. Assim, a boa Economia, isto é, a Economia da abundância, resultará em grande parte da escolha de bons comportamentos sociais e a má Economia, isto é, a Economia da escassez, resultará também em grande parte de maus comportamentos sociais.

As relações económicas de produção, troca e consumo de bens e serviços designam-se genericamente como negócios. Todos os negócios se baseiam num pressuposto de honestidade (verdade, confiança, lealdade) entre as partes que negoceiam, assente ou não em garantias. Os bons negócios serão, então, aqueles em que as partes têm bons comportamentos sociais económicos – honestidade – e os maus negócios aqueles em que pelo menos uma das partes tem maus comportamentos sociais económicos – desonestidade (mentira, abuso de confiança, deslealdade).

Em artigos seguintes dar-se-ão uma série de exemplos (uns publicados, outros discretos) demonstrativos que a cultura da fraude (da mentira, do abuso de confiança e da deslealdade) estão entranhados profundamente na sociedade portuguesa, impedindo o seu progresso económico – e não só.

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Governo, mentiras e autocarros eléctricos.

Há pouco topei a seguinte notícia, vinda, com certeza, directamente da central noticiosa do governo:

A saída do primeiro autocarro eléctrico nacional 100 por cento eléctrico da fábrica da CaetanoBus, empresa da Salvador Caetano, cerimónia que contará com a presença do primeiro-ministro, José Sócrates, …
(Primeiro autocarro eléctrico português em testes, 2011-02-22, Agência Financeira)

Então e estes? São a vapor, não?

Autocarro eléctrico de Coimbra.

Em Coimbra circulam actualmente dezasseis (16) autocarros 100 por cento eléctricos fabricados em Portugal entre 1982 e 1986 pelas empresas Salvador Caetano e Efacec.

A mentirosa bajoujice do governo acolitada pela sandia ignorância de quem escreve a notícia. Sinceramente, não há mais paciência para suportar mentirosos e ignorantes. Há milhares de portugueses honestos e competentes desempregados ou mal empregados. Eles só precisam de compreender isso e a força do seu número. É na rua que estes porão na rua aqueles, ao contrário do que afirma com pesporrência esta pseudo-autoridade.

Desmentir o óbvio: prática corrente dos homens do regime.

festa com máscara de porcoTalvez conheçam já aquela anedota do cigano, que ia todo lampeiro com um leitão às costas quando foi mandado parar por um guarda republicano. O guarda dá-lhe ordem de prisão por furto do porco, mas o cigano responde indignado que não roubou porco nenhum. O guarda aponta-lhe, então, o bicho que traz às costas, mas o cigano não desarma e responde: Aaaiii! Senhor guarda, é mentira, é mentira. Xu, vai-te embora, miserável animal, que te puseste aí só para me comprometeres.

A questão a que não pode fugir-se – porque vemos ouvimos e lemos, não podemos ignorar – é a seguinte: – Até quando vão os portugueses tolerar isto, em face da evidência?

Limitação de responsabilidade (Disclaimer): A anedota é escrita aqui tal como é usualmente contada, utilizando as personagens do cigano e do guarda republicano. Desde já se declara que não se pretende com isso, de forma alguma, ofender ou lançar quaisquer suspeitas sobre a honestidade de nenhuma pessoa da referida etnia.

Curiosidade: Como Prender Porcos Selvagens, publicado por Morgana em 10-9-2010 no seu blogue pessoal.

A minha primeira espera*, na condição de presa.

Caça de esperaNa semana passada fui mandado parar, numa certa rua de Carcavelos, por um homem armado que imediatamente me informou eu iria ser multado. Após algum tempo de espera pela minha vez, que havia muita…, muita…, clientela, o dito homem armado lá conseguiu arranjar um bocadinho para mim e começou por me acusar mentirosamente de não ter parado num determinado sinal de stop que ele nem sequer via do sítio onde estava e onde eu não poderia ter deixado de parar dado o trânsito intenso no outro sentido, aquele com prioridade. A minha perplexidade demonstrada era tão grande que talvez até tivesse conseguido escapar-me ao injusto castigo, não fora a minha, muito inconveniente, personalidade altruísta ter-me feito expressar a indignação relativamente à espera ali organizada.

Passado este acometimento inesperado tentei, insistentemente, chegar à fala com o dito homem armado ou o chefe dele, convencido que seria possível demonstrar o óbvio da insustentável acusação. Debalde.

Sei que não devia deixar-me indignar, mas antes mostrar gratidão ao meu (certamente muito cansado, com todo o trabalho que lhe dou) anjo protector: afinal, há mais de vinte anos que não era assaltado, perdão, autuado. Mas, não consigo aceitar esta “igualdade” perante a lei entre o homem armado e a minha desarmada pessoa. A falsa acusação dele já me custou cem euros – multa ou caução no mesmo valor –, sem contar com o tempo perdido em diligências vãs. Se eu vier a acusar, com verdade, o homem armado de mentiroso (ou ladrão), a mesma lei permite-lhe processar-me por difamação não consiga eu arrolar factos e testemunhas suficientes para o provar (e como poderia eu fazê-lo?).

Há muito que não pagava por uma história para contar. O elevado preço desta, não tanto em dinheiro (que já não é pouco), mas especialmente em injustiça, decidiram-me a contá-la melhor e com toda a possível informação conexa. Ficai atentos.

A discussão(zinha) do TGV e a nova jogada ‘aeroportuária’ do (falso)engenheiro.

TGV derrailed/descarrilado“Well then”, says the Socrates of the Republic, “could we perhaps fabricate one of those very handy lies which indeed we mentioned just recently ? With the help of one single inspired white lie we may, if we are lucky, persuade even the rulers themselves – but at any rate the rest of the city”.

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Uma das coisas que qualquer mediano jogador de xadrez faz, quase sem pensar, é memorizar a posição das diversas peças numa determinada jogada do seu adversário que vem a revelar-se-lhe como muito incómoda – no sentido de lhe condicionar todos os seus movimentos a partir desse momento.
O que acontece neste momento com a discussão(zinha) do TGV* é um “já visto” (dejà vu) deste tipo.
O ministro das empreitadas públicas (mais dispensável que as toalhitas húmidas de limpeza dentro de uma casa-de-banho com água corrente e sabonete) vem à praça afirmar que a coisa se fará, infalivelmente. Este, por ser um bocadinho mais esperto que o Lino dos desertos, ou por não saber a gaulesa língua, conteve-se e já não disse que jamais (ler jamé) deixaria de se fazer.
O banqueiro (do regime) aperitivo Salgado logo veio dar o seu pomposo parecer, que não é conveniente fazer já a obra pública, que é preciso repensar e tal. Reparem que o interesse agora não é levar a grei a acreditar nas grandes vantagens de mudar o “aero-coiso” de sítio, tal como o Zel(er)oso CIPaio fez no caso OTArios, mas adiar sine die a construção do “ferro-coiso”.
Porquê? Porque o (quase)engenheiro já não lhe interessa nada fazer o TGV*. Mas… então porque não diz simplesmente isso e cala a boca a muitos críticos? Por causa dos interesses da sua imensa clientela política, of course! E estes, os das grandes obras públicas, são muito mais difíceis de sacudir (diria mesmo, muito mais perigosos) que os ambientalistas OTArios.
O (para)engenheiro está ansiosamente à procura da desculpa salvadora: não se pode fazer, pá, que é contra a vontade do povo, pá.
Bonecos Bloco CentralO que pensam vossemecês que foi fazer o Coelhito à toca do Zézito? Por favor, não me digam que acreditam que ele foi lá em defesa do interesse nacional. Eu pedi por favor… Ah! Foi lá por causa da crise, não é? Pois… Mas não da crise que estais a pensar. Foi lá por causa dos (à beira de) perdidos euro-milhões para a sua própria clientela política. Ah pois!
E o que pensam (os mesmos) vossemecês que vão os ex-ministros dos impostos cavaquear a casa do amigo Aníbal no final da semana? É que as tetas da porquinha chamada república estão a secar-se e os leitõzinhos mamões estão a ficar muito esfomeados.

Desafio, daqui deste minúsculo jardim quase a morrer de sede no meio de tanto deserto, o (meio)engenheiro a decidir seguir em frente com o tal TGV* . Mas já, sem mais delongas.

*Transporte para Grandes Vaidosos.

Limitação de responsabilidade: Qualquer analogia que alguém entenda fazer entre este texto ficcional e alguma realidade, presente, passada ou futura, será de sua inteira responsabilidade.

Palavras duras mas, infelizmente, verdadeiras sobre a lusa gente de agora.

(…)
O lado trágico está aqui: as eleições não se ganham com verdades; ganham-se com mentiras porque os portugueses preferem-nas. E se existiu erro no consulado de Ferreira Leite foi o de sobrevalorizar a maturidade dos portugueses; a crença ingénua de que era possível falar para adultos. Não é. Para regressar ao poder, não basta ao PSD eleger um líder e esperar que o eng. Sócrates caia da cadeira. É preciso nivelar o discurso com a idade mental do eleitorado.

(Creche e aparece, por João Pereira Coutinho, 14 Março 2010, no CM)
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Mentira que mata
“Por causa da mentira, pessoas foram levadas às fogueiras, inocentes foram condenados à morte, países foram tiranizados, crianças foram sacrificadas, pais de família perderam seus empregos, corações foram dilacerados, casamentos foram desfeitos, pessoas enlouqueceram de dor, pobres ficaram mais pobres, ricos ficaram mais ricos… e a lista pode ir aumentando “ad nauseam”.”
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“De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.”
Teixeira de Pascoaes, in “A Saudade e o Saudosismo”
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Um sinónimo de mentira é falsidade. Falsidade é a qualidade daquilo que é falso. Aquilo que é falso não tem valor, não vale nada, como toda a gente sabe… Sabe?
Se os portugueses soubessem isto não escolhiam quem mente para conduzir o país. A apreciação do João Pereira Coutinho é, pois, justa e verdadeira. Infelizmente.
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Um retrato cru de quem (se) tem governado (em) Portugal.


Da segunda maioria absoluta ― a de José Sócrates ― saiu não já o yuppie do status económico-empresarial, mas o jovem Chico-esperto formado na juventude partidária, o Zé Carioca português, o citadino que vive de expedientes políticos, o fura-bolos, o desenrascado, o trapaceiro que não olha a meios para atingir os seus fins sem grande trabalho, o indivíduo sem escrúpulos que não enjeita uma qualquer oportunidade para se encostar a quem quer que seja para trepar na vida ― nem que tenha que fazer que conta que a humilde e analfabeta mãe “é uma parente muito afastada”.
De certa forma, aconteceu um fenómeno de Trickle-down effect segundo Georg Simmel: a moda do yuppie filho do papá rico do tempo de Cavaco Silva, descambou num yuppie que veio da merda do tempo de José Sócrates que subiu na vida à custa do chico-espertismo e do oportunismo político.
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Sócrates chico-esperto modelo


A forma de falar e de “enrolar”, a colocação e o tom de voz, os gestos do discurso e o discurso dos gestos, o ar de malandreco que tem o condão de transformar a mentira em apenas um pequeníssimo detalhe que corrobora a verdade da sua boa-fé, a personalidade de borracha que o protege de qualquer queda ético-moral ― estes são os atributos do chico-espertismo do Zé Carioca português que segue o exemplo do seu líder político.

Tirado daqui.

A fé é a substância de coisas esperadas*

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Os tempos de Sócrates estão a acabar, esgotados, encurralados, perdidos na nuvem de arrogância do “animal feroz”, na amoralidade da sua política, na mentira total em que transformou toda a actividade governativa, na impotência face a uma crise nacional que agravou e uma crise internacional que ignorou, adiou e, por isso mesmo, também agravou.

O programa para 2010 era gastar e continuar a gastar, até a crise grega e as quebras e ameaças de baixa nos ratings das agências internacionais terem exigido fazer em 2010 aquilo que era apenas para 2013. Quem viesse a seguir que pagasse a crise, e quem vem a seguir no fim da década e na próxima década já tem garantida uma vultuosa conta deixada pelo Governo actual, que faz as obras para os que vêm a seguir pagarem os custos.

E quanto mais Sócrates se enterra na negação do real, mais este lhe bate à porta. Até o próprio parece começar a aperceber-se disto, e a responder a este fim dos tempos numa fuga em frente obstinada, porque é da sua natureza, mas confusa e caótica.

Exemplos sobre exemplos desta degenerescência aparecem todos os dias. Já não são bonitos de se ver os tempos da crise do “socratismo”, mais ainda vão ser piores os tempos da queda do “socratismo”. …

(Os tempos de Sócrates estão a acabar mas a herança é pesada, por José Pacheco Pereira, em 17.1.10, no Abrupto)

A lição de Sócrates*

Escola salazarista

Hoje o “grande líder” socialista “dedicou a manhã a escolas da Região Norte”.

Às tantas, na escola António Sérgio em Vila Nova de Gaia, botou faladura, e disse (conforme pode ouvir-se aqui):

(ao minuto 00:55) Nunca, nunca, nos últimos 100 anos foi feito tamanho investimento, tamanha concentração de investimento, nas escolas públicas portuguesas.

Como? Esta criatura não terá ouvido falar do Plano dos Centenários ordenado pelo seu histórico homólogo Salazar? Os problemas que se poderiam ter evitado para o país com a simples e popular mezinha da malagueta na língua na infância do mentiroso…

(aos minutos 01:05 e 01:14) No fundo trata-se de recuperar o tempo perdido. (…) No fundo trata-se de em poucos anos fazer todo o trabalho que está para fazer.

Ah! Cá está a explicação dos actuais problemas na Educação! É preciso recuperar o tempo perdido pelo primeiro ministro anterior, fazer rapidamente todo o trabalho que esse indivíduo se mostrou incapaz de fazer…

*Por analogia com “A lição de Salazar“, uma série de sete cartazes editados em 1938 e distribuídos por todas as escolas primárias do país.

Para acabar de vez com a mentira da ‘ingovernabilidade’.

É preciso desmontar completamente a mentira da “ingovernabilidade” com que o PS e o PSD teimam em assustar os portugueses.

Vejamos, por exemplo, os resultados das últimas eleições na Bélgica (10 Junho 2007):
Nota: clique em cada uma das imagens para ver os quadros e gráficos maiores.

1. Distribuição dos votos entre os partidos concorrentes para a Câmara dos Representantes do Parlamento belga (que corresponde, aproximadamente, à Assembleia da República portuguesa) nas eleições de 2007:

Chambre de Répresentents belge 2007
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2. Comparativo do número de lugares que cada partido obteve na Câmara dos Representantes do Parlamento belga nas eleições de 2003 e nas de 2007 (vejam como os partidos socialistas, que lá são dois, perderam imensos lugares em 2007):
Chambre de Représentants belge - comparatif places 2003-2007
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3. Composição actual (multipartidária) do governo belga:
Gouvernement belge 2008 - composition ministres
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Isto sim, é democracia representativa – que é aquela em que o maior número possível de cidadãos está representado.
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Alguém acha que falta democracia na Bélgica?

Alguém ouviu os belgas queixar-se que se sentem “ingovernados”?

A taxa oficial de desemprego na Bélgica era, em Julho passado, de 8,0%.

A taxa oficial de desemprego em Portugal era, na mesma data, de 9,2%.

Qual dos dois países está melhor governado?

Nota: Este texto foi publicado primeiro aqui.