Monthly Archives: June 2009

A opacidade da transparência ou…

o armário já tem tantos esqueletos que é impossível escondê-los?

 

esqueletos no armário

Portal para a transparência das obras públicas adjudicado sem concurso
(por Luísa Pinto no Público em 29.06.2009)

Segundo o InCI, a elaboração deste portal – que funciona no endereço http://www.base.gov.ptfoi adjudicada à Microsoft a 27 de Junho de 2008, por ajuste directo, considerando, à data, a urgência de implementação do portal”.

Nas respostas enviadas ao PÚBLICO, o InCI explica que o ajuste directo foi feito por 268.800 euros, que o contrato “ainda se encontra em execução” e “prevê uma garantia de seis meses após a sua conclusão para a manutenção correctiva do sistema”.

(…) empresa (a Microsoft), que já apresentou ao InCI facturas que duplicam o valor do contrato assinado.

O portal ainda não está todo operacional e já se lhe conheceram algumas soluções de emergência. A soma das facturas que foram sendo apresentadas já significaria uma derrapagem estranha para o valor do contrato. Pelo caminho, foi pública a polémica por causa da impossibilidade de fazer pesquisas e consultas no Portal, apesar do custo irrisório dessa função, ou a necessidade de criar um regime excepcional, por causa dos concursos que iriam ser lançados, por exemplo, pela Parque Escolar. A Microsoft cobrou mais de 20 mil euros para fazer esta alteração.

(…) (a Microsoft) recusa-se a falar dos detalhes que envolveram o processo de desenvolvimento já que estes pertencem “à esfera privada da relação contratual que estabelecemos com os clientes e que não são do domínio público”.

A transparência segundo a microsoft complementa na perfeição a transparência segundo o governo sucialista socialista.

apanhado via O Insurgente

Be unto Your name – Ser pelo Teu nome:

Holy, Holy Lord God Almighty – Santo, Santo Senhor Deus Todo Poderoso.

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We are a moment, You are forever.
We are a vapour, You are eternal.
We are the broken, You are the Healer.
Jesus, Redeemer, Mighty to save.
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Eu sou fraco, Tu és forte.
Perdoa, Senhor, a minha fraqueza.
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Um cheiro a podridão no Terreiro do Paço

Será novamente o pântano ou uma enorme fossa séptica*?

corrupto

Num destes dias passei pela primeira vez, desde que o trânsito ali reabriu, num táxi, frente ao Terreiro do Paço, a caminho do Cais do Sodré. Nem queria acreditar no que estava a ver – um misto de desolação com uns bocados de plástico pacóvios pelo meio. A coisa é indescritível – no meio das obras há uma instalação, que se situa visualmente a meio caminho entre carrinhos de choque das feiras e contentores para recolha de recicláveis, com uns arbustos de árvores raquíticos a saírem lá de dentro – numa referência ecológica bacoca. (…)**

É verdadeiramente impressionante a expansão do ecologismo de pacotilha nos tempos mais recentes: um grupo de idiotas que pensam que ser ecologista é vestir roupas das lojas Natura Selection, atravessar uma ponte rodoviária a pé uma vez por ano e ir comer umas “sandochas” embrulhadas em celofane a um “Centro de Interpretação Ambiental”.

(…), o que está a ser feito na Ribeira das Naus e no Terreiro do Paço é um espelho do poder arbitrário, da falta de bom senso e, estou em crer, de uma grande dose de incompetência. Uma zona nobre da cidade de Lisboa está entregue a pinderiquices, a projectos de intervenção que causam polémica generalizada, tudo feito por obra e graça de uma Sociedade Frente do Tejo, criada pelo Governo perante a passividade de António Costa, e que, muito curiosamente, vai poder contratar empreitadas e adquirir bens e serviços por ajuste directo, sem concurso público, até 5.120 milhões de euros, um valor cinco vezes superior ao limite máximo previsto no Código dos Contratos Públicos. Não há um cheiro a podridão em tudo isto?**

Então não há? E, quando começar a destapar-se um bocadinho mais o que está por debaixo da laje do regime, então o fedor vai ser mesmo excruciante.

*Para ser mais coerente com o actual “estado de engenharia sanitária”.

**Um cheiro a podridão no Terreiro do Paço, Manuel Falcão, 23-06-2009, Meia-Hora.

A storm is coming – Aproxima-se uma (nova) tempestade…

… be prepared – estejam preparados.

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As armas do cristão

10Finalmente, tornai-vos fortes no Senhor e na sua força poderosa.

11*Revesti-vos da armadura de Deus, para terdes a capacidade de vos manterdes de pé contra as maquinações do diabo. 12*Porque não é contra os seres humanos que temos de lutar, mas contra os Principados, as Autoridades, os Dominadores deste mundo de trevas, e contra os espíritos do mal que estão nos céus. 13Por isso, tomai a armadura de Deus, para que tenhais a capacidade de resistir no dia mau e, depois de tudo terdes feito, de vos manterdes firmes.

14*Mantende-vos, portanto, firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, vestido a couraça da justiça 15e calçado os pés com a prontidão para anunciar o Evangelho da paz; 16acima de tudo, tomai o escudo da fé, com o qual tereis a capacidade de apagar todas as setas incendiadas do maligno. 17*Recebei ainda o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus.

18Servindo-vos de toda a espécie de orações e preces, orai em todo o tempo no Espírito; e, para isso, vigiai com toda a perseverança e com preces por todos os santos, 19e também por mim; que, quando abrir a minha boca, me seja dada a palavra, para que, corajosamente, dê a conhecer o mistério do Evangelho, 20de que sou embaixador em cadeias; que, nele, eu possa falar aberta e corajosamente, tal como é meu dever.

(Efésios 6)

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Guide me Lord – Guia-me Senhor.

From the Blues…

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Lord, O Lord, won’t you guide me Lord?
Lord, won’t you guide me home?
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Senhor, Ó Senhor, guias-me?
Senhor, guias-me para casa?
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… to the Spiritual.
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Guide me, O Thou great Jehovah,
[or Guide me, O Thou great Redeemer…]
Pilgrim through this barren land.
I am weak, but Thou art mighty;
Hold me with Thy powerful hand.
Bread of Heaven, Bread of Heaven,
Feed me till I want no more;
Feed me till I want no more.
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Guia-me, Ó grande Deus,
[ou Guia-me, Ó grande Redentor]
Peregrino que atravesso esta terra árida.
Eu sou fraco, mas Tu és forte;
Segura-me com a Tua mão poderosa.
Pão dos Céus, Pão dos Céus,
Alimenta-me até à saciedade;
Alimenta-me até à saciedade.
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A desvergonha personificada:

– Uma tragicomédia em acto único.

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Máscaras gregas teatrais

Entra em cena o grande líder e diz de modo melífluo:

“Os portugueses sabem que o PS e a maioria PS nunca abusou do poder que tinha”1

O povo responde em coro:

“Vimos vir uns dez ou 12. Disseram que os queijos tinham de ser presos, que os levavam para os destruir. Enervei-me de tal maneira que os desfiz eu, no chão. Desfiz 26 no valor de 150 a 200 euros. …”2

Ouve-se, vinda de fora de cena, a voz de um mecenas:

“as competências atribuídas de autoridade e órgão de polícia criminal à ASAE foram de pura iniciativa governamental, não mencionando a autorização legislativa parlamentar, quando a atribuição do seu estatuto e poderes é uma reserva da competência da Assembleia da República, que não foi respeitada”3

Volta a falar o grande líder, agora de forma insidiosa:

“Isso é um abuso, é não respeitar a democracia. A nossa legitimidade está intocável”1

Ouve-se uma voz singular saída do coro-povo:

“… Que venha o senhor ministro fazer queijos um mês e me dê o salário dele. Levaram-me 13 queijos, quero ver agora quem paga as minhas contas”2

De novo o grande líder, sibilinamente:

“Distingue-me do PSD, fundamentalmente, um ponto: as funções sociais do Estado”

“Estou muito satisfeito comigo (…) Mas não quero ser juiz em causa própria, vamos deixar esse julgamento para os portugueses”1

Vamos, pois!

(o) PS: virá a descobrir que este grande líder e o improvável grupo de sequazes que o acompanha são uma nódoa que levará anos a sair; vai ser pior, muito pior, do que a nódoa provocada pelo cherne escapista.

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1José Sócrates quer “coligação com o país”, 2009-06-17, Jornal de Notícias.

2Acção da ASAE em Mirandela deixa comerciantes de queijo indignados, 2009-06-05, Diário de Trás-os-Montes.

3Empresário avança com acção contra a ASAE, 2008-11-16, Jornal de Notícias.

As mensagens propagandísticas pouco felizes,

têm sido uma constante neste tempo de campanhas eleitorais.

Nunca baixamos os braços

Não apetece mesmo perguntar: – Então como é que atam os sapatos?

O erro está na utilização da palavra “nunca”. Deveriam ter escrito simplesmente: “Não baixamos os braços”.

A incompetência fica sempre muito cara – e isto também se aplica à publicidade mal feita.

Os discursos de índole totalitária são semelhantes?

Uma tese apoiada em citações.

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Ditadura implícita

“Nós queremos uma maioria parlamentar que permita ao PS governar sozinho.”2

“Orgulhosamente sós!”1

“Uma maioria parlamentar é uma maioria absoluta, que eu saiba, a não ser que haja outra maioria parlamentar que permita governar sozinho.”2

“As discussões têm revelado o equívoco, mas não esclarecido o problema; já nem mesmo se sabe o que há-de entender-se por democracia.”1

” Pedimos a renovação da maioria, não porque seja um fim em si mesmo, mas porque a maioria é condição para que o Governo tenha a força e estabilidade necessárias para conduzir a recuperação da economia.”2

“Decididamente, decisivamente, pela Nação, por nós e … até por eles”.1

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Concluindo:

“Em política, o que parece é.”1

1Salazar dixit, na Wikiquote.

2Sócrates dixit, no jornal i .

O nervosismo que rodeia os voos dos aviões Airbus:

as verdadeiras causas.

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Economia Airbus

Após o recente e trágico desastre do Airbus A330-200 do voo 447 muitos têm sido os voos abortados com aparelhos desta marca europeia. Só nos últimos 6 dias terão sido 8, em conformidade com estas notícias:

Um novo problema envolvendo um Airbus, o sétimo em cinco dias com aviões daquele fabricante, obrigou ontem um A-320 da Ibéria que ia de Madrid para Copenhaga a regressar ao aeroporto de Barajas 40 minutos depois de ter descolado. …
(Airbus da Ibéria aborta voo, 14 Junho 2009, Correio da Manhã)

Um avião da Sata foi forçado a regressar ao aeroporto de Lisboa, hoje, por problemas técnicos não identificados. …
(Avião forçado a aterrar na Portela, 15 | 06 | 2009, Destak)

É-se levado a pensar que se trata de um cuidado especial com os passageiros. Como dizem os ingleses: you must think again.

As verdadeiras razões desta enorme histeria em volta dos voos com aviões da Airbus torna-se bem explícita a partir do conjunto de notícias seguinte:

Especialistas consideram que haverá um impacto negativo no curto prazo na procura por bilhetes, …
(Desaparecimento de avião da Air France deve reduzir venda de passagens, Marcio Orsolini e Gisele Cabrini, 02.06.2009, Portal Exame)

Agência Europeia para Segurança da Aviação (Easa) emite nota de segurança após queda do avião da Air France. Em plena crise da indústria de aviões, Airbus recebe ameaça de cancelamento do superavião A380. …
(Acidente da Air France acontece em plena crise da indústria de aviões, 10.06.2009, Deutsche Welle)

Nova York – Executivos da fabricante europeia de aviões Airbus disseram neste fim de semana que a produção da empresa pode cair até 25% nos próximos dois anos, devido ao ajuste da empresa às condições mais difíceis do mercado, segundo reportagem deste domingo no site do diário americano “The New York Times” …
(Produção da Airbus pode cair até 25% nos próximos dois anos, 15/06/2009, Portugal Digital – Brasil/Portugal)

Muito más notícias para a Economia europeia.

Um novo paradoxo macro económico.

O preço do petróleo mantém-se em níveis máximos de sete meses, ainda impulsionado pela queda inesperada de reservas nos EUA e também pela revisão em alta da perspectiva de consumo. …
(Petróleo mantém máximos com queda de stocks e maior procura, 11-06-2009, Portugal Diário)

Tal como aconteceu o ano passado, os preços do petróleo crescem com a aproximação do terceiro trimestre, em pleno Verão. Esta é uma situação anómala, a não ser que se estejam a comprar reservas com muito maior antecedência do que em anos passados – coisa difícil de acreditar dado que a capacidade de armazenamento/refinagem não terá aumentado. A justificação oficial para esta ocorrência em 2008 era a crise financeira, que do imobiliário já tinha alastrado aos accionistas e obrigacionistas e estaria a “empurrar” muito do investimento para este mercado, provocando a sua inflação. Bom! Então e agora? A desculpa oficial parece ser a oposta, a da (muito propalada, pouco fundamentada) recuperação económica, que estará a impulsionar o consumo. Parece que tudo pode ser verdade: qualquer coisa e o seu contrário.

As previsões em Economia valem o que valem: são meros exercícios de aplicação de um modelo anterior a uma situação nova. O problema é que desta vez não existe nenhum modelo anterior que se adapte ao figurino.

The paradox of thrift

É pacifico (pelo menos entre académicos e outra gente pensante) que se experimenta actualmente um paradoxo macro económico. Uns dizem-no paradoxo da produtividade, outros paradoxo da abundância e outros dão-lhe outras designações. O que importa reter é que existe um paradoxo novo, que ultrapassa os paradoxos clássicos “da produtividade“, “da abundância“, “da poupança” (ou de thrift, segundo Keynes) ou “de Jevon“.

O que acontece, dito de forma simples, é a demonstrada  incapacidade da Economia global manter um crescimento estável (solid growth) com base nos recursos, nas tecnologias (Know how) e nos modelos de desenvolvimento actualmente existentes.

Na prática, isto pode significar uma mundialização de uma recessão persistente do tipo daquela que tem afectado a Economia japonesa quase ininterruptamente desde 1991. Uma “recessão de crescimento“, para usar a terminologia dos economistas.

Se nenhuma das premissas acima descritas se alterar, algumas consequências a curto/médio prazo não são difíceis de prever – e aqui serão mencionadas apenas as económicas, não as sociais:

1. Continuação do aumento do preço do petróleo, que desta vez não voltará a baixar (pelo menos de forma tão significativa);

2. Incapacidade para recuperar o anterior nível de trocas comerciais internacionais (comércio mundial);

3. Diminuição da produção global e consequente aumento do desemprego;

4. Excesso de massa monetária e inflação galopante na medida em que a procura aumentar e a oferta diminuir, especialmente no que toca a bens alimentares e outros de primeira necessidade.

5. Regresso a economias de troca, proximidade e sobrevivência, que originará forte redução do volume das receitas fiscais (que já é patente) e aumento da dívida pública, seguido do inevitável aumento de impostos (já aconteceu em Espanha) e da consequente diminuição do investimento privado.

Para que possa verificar-se no futuro a validade da primeira destas previsões, respeitante ao preço do petróleo bruto, coloca-se aqui na barra lateral a partir de hoje o gráfico contínuo da variação dos preços do petróleo da oil-price.net. Arrisca-se mesmo um maior grau de pormenor na previsão, afirmando que até ao final deste ano os preços do petróleo bruto serão iguais ou superiores aos do pico ocorrido no mês de Julho de 2008, de 135,25€ por barril de Brent.

Alea jacta est.