Category Archives: LEGISLATIVO (ABUSO)

Aprovada a adopção de crianças por pares de homossexuais – o estupro da democracia.

– Num país com mais de 1 milhão de desempregados e mais de 2 milhões pessoas a viverem em estado de extrema pobreza;
– Num país onde as desigualdades sociais e económicas continuam a crescer sem cessar;
– Num país em que grassa a precaridade laboral e campeia a corrupção;
– Num país… (esta lista podia alongar-se muito)

uma das primeiras leis que os deputados da Assembleia da República – acabados de ser eleitos para uma nova legislatura – aprovam, é uma lei que permite a adopção de crianças por pares de homossexuais.

E, chamam a isso uma “vitória da democracia”.

democracy - 2 wolves 1 lamb votingMas não é. É um abuso da democracia.
A democracia é a expressão da vontade da maioria e a maioria, a esmagadora maioria dos portugueses, não mandatou os deputados para aprovarem isto.

Esta é uma lei ‘contra naturam’. Por isso, e sem ser necessário qualquer julgamento de carácter moral, pode afirmar-se que esta é uma lei criminosa (esta é mais uma lei criminosa) contra aqueles membros da sociedade que não podem defender-se, as crianças.

Nota 1: Se quisesse fazer algum julgamento de carácter moral diria apenas que só os cobardes é que maltratam (e matam) os indefesos.

Nota 2: Se não percebem por que razão afirmo que uma acção ‘contra naturam’ é uma acção criminosa, pensem que as mesmas pessoas que fizeram e aprovaram esta lei se afirmam ecologistas e consideram criminosa qualquer acção contra a Natureza. E, são estas mesmas pessoas que fizeram e aprovaram a lei do aborto que consideram criminosas as touradas, as experiências laboratoriais em ratos e a pena de morte para os homicídas – só para dar alguns exemplos da estúpida incoerência.

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George Carlin explica como o jogo político é uma fraude.

George Carlin explains how the political game is rigged. (If you’re an English speaker just listen to the video at the end of the post.)

“Há uma razão para que a educação seja uma porcaria, que é a mesma que fará com que nunca, mas mesmo nunca, venha a ser melhorada. Nunca irá ser melhor, não vale a pena esperar outra coisa, contentem-se com esta que vos é facultada. Porque os donos deste país não querem. Refiro-me aos verdadeiros donos. Os verdadeiros donos, que são os grandes interesses milionários e mercantis que controlam tudo e tomam todas as decisões importantes – esqueçam os políticos. Os políticos estão lá só para dar ideia que existe liberdade de escolha. Não há. Não há escolha. Há donos. Eles possuem as pessoas. Eles possuem tudo. Eles são os donos todas as propriedades que contam, eles são donos das organizações; de há muito que eles compraram (e pagam) os deputados, o Parlamento, as Câmaras Municipais; eles têm os juízes no bolso e são donos de todas as empresas de comunicação social, por isso eles controlam toda as notícias e toda a informação se ouve.

Eles dominam. Gastam milhões todos os anos a fazer lóbis – lóbis para obter o que querem. E, nós sabemos o que eles querem – mais para eles e menos para os outros todos. Vou dizer-vos o que eles não querem. Eles não querem uma população de cidadãos capazes de pensamento crítico. Eles não querem gente bem informada e educada, capaz de pensar criticamente. Isso não lhes interessa mesmo nada, não os ajuda nada. Isso é contra os interesses deles. Exactamente. Eles não querem gente suficientemente inteligente para se sentar a uma mesa e entender como estão a ser prejudicados pelo sistema, que os atirou fora há 30 anos atrás.

Sabem o que eles querem? Eles querem trabalhadores obedientes. Trabalhadores obedientes. Gente que seja apenas suficientemente esperta para manobrar as máquinas e tratar da papelada, e que seja suficientemente estúpida para aceitar passivamente todos aqueles empregos cada vez mais nojentos, com menos salário e mais horas de trabalho, quase sem direitos, sem direito a horas extraordinárias e com uma pensão de velhice cada vez menor, que desaparece logo que é levantada. E agora eles andam atrás do dinheiro da segurança social. Eles querem o raio do dinheiro das reformas. Eles querem recuperá-lo, para poderem dá-lo aos seus amigos criminosos da banca e dos mercados financeiros. E, sabem? Eles vão conseguir. Eles vão tirar tudo à gente porque eles mandam nisto tudo. É um grande clube e a gente não faz parte dele. Você e eu não fazemos parte do grande clube. A propósito, este é o mesmo clube que eles usam para martelar na cabeça da gente todo o dia aquilo que que eles querem que a gente acredite. Todo o dia, martelando continuamente através dos media deles, dizendo aquilo em que se deve acreditar, o que pensar e o que comprar. A mesa está viciada. O jogo é uma fraude. E, parece que ninguém nota, que ninguém se importa.

A gente boa, honesta e trabalhadora – de camisa branca ou fato-macaco, não importa – a gente boa, honesta e trabalhadora – a classe média – continua a eleger estes chupistas ricos que se estão completamente nas tintas para quem os elege. Eles estão-se nas tintas para as pessoas, eles desprezam-nos. Completamente, sabiam? E, parece que ninguém nota, que ninguém se importa… Porque os donos deste país sabem a verdade – chama-se o “sonho americano”, porque é preciso estar a dormir para acreditar na coisa.” (Tradução livre da transcrição do monólogo de George Carlin no vídeo posto aí a seguir.)

Imagem do modelo do novo serviço nacional de saúde português.

Satiric illustration by John Holcroft“… Depois de analisar os dados registados entre 2002 e 2013, o INE diz que há menos camas de internamento nos hospitais públicos e mais nas unidades privadas.
Resulta ainda desta análise a conclusão de que diminuíram também os serviços de urgência básica e de atendimento permanente nos centros de saúde.
…o Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde reafirmou, ainda, a necessidade de ser repensado o modelo de financiamento da saúde pública. …”
Ministério da Saúde desvaloriza dados do INE sobre internamento, 7 ABR 15, TSF

Os cidadãos acusam o Estado de usurário e extorsionário.

Enquanto há vida há cobrança - Ditados ImpopularesA história começa assim, mas podia começar de outra maneira sem alterar o que lhe subjaz.

… a lei autorizou o Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres – e agora as Finanças – a cobrar multas de 500 por cento a quem não pagasse uma portagem ou scut dentro do prazo, e 1000 por cento a quem não pagar o processo na fase da multa dos 500 por cento. …

Ora, isto configura o crime de Usura descrito no art.º 226º do Código Penal Português*.

Quem, com intenção de alcançar um benefício patrimonial, para si ou para outra pessoa, explorando situação de necessidade, … incapacidade, inépcia, inexperiência … do devedor, ou relação de dependência deste, fizer com que ele se obrigue a conceder … vantagem pecuniária que for, segundo as circunstâncias do caso, manifestamente desproporcionada com a contraprestação é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.

No entanto, para cobrar estes valores usurários houve que ir mais longe.

O caso passa entretanto, para as Finanças, onde é elaborado um processo de execução fiscal para saldar a dívida e um processo de contraordenação. … o não pagamento irrisório de 40 ou 50 cêntimos obriga-os a pagar uma multa, que nunca será inferior a 63,25 euros, além de terem de regularizar a dívida com custas e juros de mora. Se não o fizerem, arriscam-se a ver o carro as contas bancárias ou até o salário penhorado”…
O número de ordens de penhora emitidas pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) ascendeu a 2,3 milhões nos sete primeiros meses do ano [2014], ultrapassando o total das notificações emitidas pelos serviços do fisco em todo o ano de 2013. …

Isto é, para poder perpetrar o 1.º crime, de Usura, o Estado comete um 2.º crime, mais grave, de Extorsão, conforme o art.º 223 do, já referido, Código Penal*.

Quem, com intenção de conseguir para si ou para terceiro enriquecimento ilegítimo, constranger outra pessoa, por meio de violência ou de ameaça com mal importante, a uma disposição patrimonial que acarrete, para ela ou para outrem, prejuízo é punido com pena de prisão até 5 anos.

O facto de o poder legislativo ter incluído como procedimento obrigatório, numa lei de carácter administrativo, um procedimento anteriormente apontado como criminoso na lei criminal, não retira a esse procedimento a qualidade de crime. Tal como o facto de alguém acusar outrém de devedor, sem apresentar quaisquer provas dessa acusação, não poderá transformar aquele que é acusado em culpado ou presumível culpado. (Um juiz, por exemplo, pode mandar prender alguém imediatamente sem apresentar qualquer justificação às autoridades policiais, mas isso não o isenta de apresentar posteriormente acusações fundamentadas para essa ordem de prisão sob pena de vir a ser sujeito a pesada punição.)

Actualmente, … o sistema informático de penhoras automáticas permite disparar um pedido sobre “todos os processos cujo valor seja superior a 150 euros e cujo devedor tenha bens registados”…

Mesmo Orwell não conseguiu levar a sua imaginação tão longe.

O interesse público e o interesse da Administração Pública passaram a ser antagónicos há muito tempo. O Estado, enquanto pessoa jurídica, vem-se tornando progressivamente um instrumento de extorsão ao serviço de interesses e lucros privados**.

… o grupo Mello e a Mota-Engil que conseguiram, … pôr as Finanças a fazer o que qualquer empresa privada sonharia: ter o poder de impor multas de 500 e 1000% à mais pequena falha ou a penhorar o credor logo de seguida.
… embora seja a Administração o executor da cobrança, as operadoras intervêm preliminarmente”. … “tais operadores são entidades privadas, sem quaisquer fins públicos e utilidade pública, usando meios confinados à Administração Estadual. …

*Redacção de 1995, ambos os artigos ficaram inalterados na 23.ª alteração ao Código Penal, a Lei 59/2007 de 4 de Setembro.

**A Autoridade Tributária (antiga Administração Fiscal) tornou-se já de há uns anos a esta parte o instrumento de cobrança dos credores do Estado, os bancos. Se você pensa que ainda paga impostos ao Estado, está completamente equivocado.

Dia de Portugal com a Língua assassinada, de Camões morto e das Comunidades portuguesas abandonadas.

lamento para a língua portuguesa

não és mais do que as outras, mas és nossa,
e crescemos em ti. nem se imagina
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
mas é o teu país que te destroça,
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia-a-dia te assassina.
mostras por ti o que lhe vais fazer:
vai-se por cá mingando e desistindo,
e desde ti nos deitas a perder
e fazes com que fuja o teu poder
enquanto o mundo vai de nós fugindo:
ruiu a casa que és do nosso ser
e este anda por isso desavindo
connosco, no sentir e no entender,
mas sem que a desavença nos importe
nós já falamos nem sequer fingindo
que só ruínas vamos repetindo.
talvez seja o processo ou o desnorte
que mostra como é realidade
a relação da língua com a morte,
o nó que faz com ela e que entrecorte
a corrente da vida na cidade.
mais valia que fossem de outra sorte
em cada um a força da vontade
e tão filosofais melancolias
nessa escusada busca da verdade,
e que a ti nos prendesse melhor grade.
bem que ao longo do tempo ensurdecias,
nublando-se entre nós os teus cristais,
e entre gentes remotas descobrias
o que não eram notas tropicais
mas coisas tuas que não tinhas mais,
perdidas no enredar das nossas vias
por desvairados, lúgubres sinais,
mísera sorte, estranha condição,
mas cá e lá do que eras tu te esvais,
por ser combate de armas desiguais.
matam-te a casa, a escola, a profissão,
a técnica, a ciência, a propaganda,
o discurso político, a paixão
de estranhas novidades, a ciranda
de violência alvar que não abranda
entre rádios, jornais, televisão.
e toda a gente o diz, mesmo essa que anda
por tal degradação tão mais feliz
que o repete por luxo e não comanda,
com o bafo de hienas dos covis,
mais que uma vela vã nos ventos panda
cheia do podre cheiro a que tresanda.
foste memória, música e matriz
de um áspero combate: apreender
e dominar o mundo e as mais subtis
equações em que é igual a xis
qualquer das dimensões do conhecer,
dizer de amor e morte, e a quem quis
e soube utilizar-te, do viver,
do mais simples viver quotidiano,
de ilusões e silêncios, desengano,
sombras e luz, risadas e prazer
e dor e sofrimento, e de ano a ano,
passarem aves, ceifas, estações,
o trabalho, o sossego, o tempo insano
do sobressalto a vir a todo o pano,
e bonanças também e tais razões
que no mundo costumam suceder
e deslumbram na só variedade
de seu modo, lugar e qualidade,
e coisas certas, inexactidões,
venturas, infortúnios, cativeiros,
e paisagens e luas e monções,
e os caminhos da terra a percorrer,
e arados, atrelagens e veleiros,
pedacinhos de conchas, verde jade,
doces luminescências e luzeiros,
que podias dizer e desdizer
no teu corpo de tempo e liberdade.
agora que és refugo e cicatriz
esperança nenhuma hás-de manter:
o teu próprio domínio foi proscrito,
laje de lousa gasta em que algum giz
se esborratou informe em borrões vis.
de assim acontecer, ficou-te o mito
de haver milhões que te uivam triunfantes
na raiva e na oração, no amor, no grito
de desespero, mas foi noutro atrito
que tu partiste até as próprias jantes
nos estradões da história: estava escrito
que iam desconjuntar-te os teus falantes
na terra em que nasceste, eu acredito
que te fizeram avaria grossa.
não rodarás nas rotas como dantes,
quer murmures, escrevas, fales, cantes,
mas apesar de tudo ainda és nossa,
e crescemos em ti. nem imaginas
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, vãs aspirinas,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vidas novas repentinas.
enredada em vilezas, ódios, troça,
no teu próprio país te contaminas
e é dele essa miséria que te roça.
mas com o que te resta me iluminas.

Vasco Graça Moura, in “Antologia dos Sessenta Anos”

(daqui)

A importância do seu voto (para os parasitas).

(You can read this post in English down bellow.)

“Os partidos políticos estão isentos de IRC, IVA, IMI, Imposto de Selo, Imposto de Doações e Sucessões, estão isentos de Imposto sobre Património, estão isentos do Imposto Automóvel, estão isentos de Imposto Municipal sobre Transmissões de Imóveis, entre outros. Estão ainda isentos do pagamento de taxas de justiça e de custas judiciais.

Cada voto rende aos partidos políticos, por ano, 3 euros e 10 cêntimos.

O partido vencedor nas últimas eleições, em termos de euros (€), foi o PSD, que entre as últimas eleições legislativas e as próximas irá receber 38 milhões de euros (…) seguido do PS que vai receber mais de 28 milhões, Seguido depois pelo CDS-PP que irá receber 13 milhões.

Além disso, os partidos parlamentares receberam também mais de 8,3 milhões de euros para as despesas da última campanha eleitoral (…) a dividir entre eles de acordo com os resultados obtidos.
Para além desses montantes, cada grupo parlamentar (…) terá direito a uma outra subvenção anual para encargos de assessoria aos deputados, correspondente a quatro vezes e meia o indexante de apoio social, ou seja, cerca de 2 mil euros. Assim, o PSD vai receber anualmente [mais] 203 mil euros, o PS 139 mil euros, o CDS 45 mil, o PCP 26 mil, etc.

Depois o Estado ainda dá 18 milhões e 500 mil euros, que é a verba destinada para financiar as campanhas eleitorais das eleições para a Assembleia da República, Parlamento Europeu, Assembleias Legislativas dos Açores e da Madeira e para a Presidência da República.
Depois ainda há outra verba para as autárquicas…”

The importance of your vote (to the parasites.)

“Political parties [in Portugal] are exempt of all taxes, both national and local. They don’t pay VAT, stamp duty, excise duties, corporate taxes, property taxes, motoring taxes and what so ever (examples using the names of identical taxes in UK and US.)

Each vote profits the political parties in 3 Euros (currency) and 10 cents (aprox. 4 dollars and 25 cents), every year.

The winning party on the last elections, PSD (Social Democrats), will be paid until next elections the amount of 38 million Euros (52 million dollars), followed by PS (Socialists) and CDS (Christian Democrats) that will be paid 28 million and 13 million Euros.

Political parties with parliamentary seats received also more than 8.3 million Euros to spend during the previous electoral campaign (…) to divide among themselves according the each one’s electoral outcomes.
Besides that, each parliamentary group has access to another annual subvention of 2 thousand Euros for accessory expenses of each MP. So, the four larger parties in Parliament, the Social Democrats (PSD), the Socialists (PS) the Christian Democrats (CDS), and the Communists (PCP) will receive annually more 203/ 193/ 45/ 26 thousand Euros, respectively.

Plus, the Portuguese State provides more 18.5 million Euros to support the electoral campaigns for the national parliament, the European parliament, the parliaments of the autonomous regions of Madeira and Azores, and the President of the Republic.
And that is not all. There is another public money stock to pay for the local electoral campaigns…

Quantos mais espoliados serão necessários para se atingir a massa crítica social* em Portugal?

Critical_massO Estado português apenas atribuiu prestações de desemprego a 367 mil desempregados em Março, deixando sem estes apoios cerca de 445 mil desempregados, segundo dados divulgados pela Segurança Social. De acordo com os últimos dados disponibilizados na página da Segurança Social (www.seg-social.pt), em Março existiam 366.914 beneficiários de prestações de desemprego, menos 6.741 pessoas do que em Fevereiro e o equivalente a 45% do último número total de desempregados contabilizados pelo Eurostat.
(Prestações de desemprego deixaram de fora 445 mil desempregados em Março, 28.04.2014, SIC Notícias)

Os casos de sobreendividamento, os efeitos da austeridade e as dívidas para cobrança executiva que acabam por entrar nos tribunais levaram, em 2013, à penhora de mais de 181 mil reformas, um aumento de 24% em relação ao ano anterior, escreve o Diário Económico. (…) A crise e os cortes nas reformas são razões adicionais que acabam nos tribunais e o multiplicar de processos de penhoras que recaem sobre os pensionistas. Os processos são por dívidas relativas a serviços essenciais como água, luz, gás e telecomunicações u processos referentes a dívidas a fornecedores, fianças e arrendamentos.
(Tribunais penhoraram 181 mil reformas em 2013, 2014-04-28, TVI 24)

*Massa crítica (sociodinâmica)

Nota: Para aqueles que não compreendem como os pequenos podem derrubar os grandes fica aqui uma explicação simples de uma reacção em cadeia.

Quem tramou Portugal foram os patos.

Não pretendendo diminuir de forma alguma a responsabilidade do pato de silêncio do João Lemos Esteves*, e dos correlacionados “patos” de estabilidade e crescimento e de regime que a Madalena Homem Cardoso aqui trouxe (muito bem) à colação, mas sem recorrer a qualquer tipo de malas-artes ou à crítica de erros ortográficos de palmatória, há que dar o seu a seu dono e reconhecer que os principais responsáveis pelo nacional desastre são dois tipos de patos, mesmo patos. O primeiro tipo foi o dos patos-bravos, que proliferaram nos idos de oitenta/noventa do século passado. O segundo é o dos patos-mudos (subespécie parlamentar) que proliferam actualmente no ecossistema político nacional. Os do primeiro tipo dedicaram-se a exaurir a liquidez, então abundante, do ecossistema nacional, patrocinados por um Cavaco qualquer. Os segundos, perante a escassez do fluido recurso (provocada pelos primeiros) acantonam-se preferencialmente junto às nascentes parlamentares, caladinhos a fazer o que lhes mandam os abutres (subespécie financeira). É esta a patologia, grave e prolongada, de que a nação vem padecendo.

Pós-post: O texto anterior poderia acabar assim mesmo, porque o ponto que pretendia provar fica mais do que provado. No entanto, aquele é um final sem esperança para o pato-comum (subespécie portucalense). E, não precisa de ser. Mas, para isso, o pato-comum tem que perceber algumas coisas que podem parecer óbvias e, afinal, (parece que) não são. A 1.ª é que ele, pato-comum, é a espécie dominante, isto é, aquela que existe em (muito) maior número. A 2.ª é que não pode deixar-se ocupar com futebóis, novelas, casas dos segredos e outras tretas que os abutres lhe enfiam (aparentemente) de borla para o ter entretido, e focar a sua atenção naquilo que é importante: a realidade da sua vida. A 3.ª é que os patos-mudos podem ser de várias cores, do vermelho ao verde, passando pelo azul e pelos predominantes laranja e rosa, mas são todos da mesma espécie e não vão sair de sua vontade do lugares junto à origem da liquidez, pelo que será preciso tirá-los de lá. A 4.ª e última, é que as mudanças até podem fazer-se sem violência** mas… nunca podem fazer-se sem desobedecer à lei, porque a lei é feita pelos patos-mudos para seu benefício e o dos abutres que eles servem. Perceberam, ou precisam que vos dê música? (Pois, parece que até gostam…)

Nota: Para quem preferir a versão hardcore do vídeo posto no final, fica aqui o linque respectivo – http://youtu.be/PEyqPMai1NQ

*Estêves, sem acento circunflexo, lê-se [es-té-ves].
**Pelo caminho que isto está a levar, vai ser difícil mas (talvez) não seja impossível.

Um Estado extorsionário comandado por estúpidos.

Muitos portugueses pensam ainda que são governados por bandidos. Estão equivocados. Vejamos porquê.
Como toda a gente sabe, um bandido é um indivíduo que obtém um ganho causando aos outros um prejuízo. Ora, isto não constitui explicação suficiente para os casos a seguir descritos:

Uma média de 12 milhões de vendas anuais revelavam-se insuficientes. Os 23 milhões de euros de passivo acumulado pela Throttleman e Red Oak levaram então a que, em Novembro de 2012, ambas avançassem para o “Processo Especial de Revitalização”, um mecanismo criado pelo Estado para ajudar empresas em dificuldades.

Aceite pelo tribunal o “Plano de Recuperação”, vida nova? Errado. As Finanças interpõem um recurso judicial que impediu a recuperação de arrancar. Há um ano. Apesar das Finanças e da Segurança Social terem assegurado o ressarcimento de 100% da dívida em 150 prestações, acrescidas de juros a uma média de 6,25%, as Finanças não aceitaram que os juros antigos e as coimas fossem perdoados em 80%.

A Throttleman andou 12 meses a lutar com as Finanças em recursos judiciais e depois o processo encalhou no Tribunal Constitucional. Entretanto, a gestão tornou-se impossível. Há dias anunciou o pedido de insolvência. Tinha 200 trabalhadores. As Finanças (e todos os outros) vão agora receber zero ou pouco mais. (excerto deste artigo no JN)

Nas Finanças, evidentemente, começaram a levantar problemas porque não tínhamos pago o imposto de selo tendo em conta a data de assinatura do contrato e apresentaram logo o valor da multa a pagar. À pessoa da AT que atendia o nosso colaborador, foi apresentado um e-mail dos advogados referindo que tínhamos de fazer o pagamento do imposto de selo segundo a data de início de contrato, com excertos do DL relevante – que isto para se lidar com a AT tem de se ir preparado e perder tempo e gastar recursos em inutilidades como andarmos a corresponder-nos com os advogados por ninharias. O funcionário da AT não perdeu mais tempo, não leu o que escreveu o nosso advogado, aceitou o depósito de uma das cópias do contrato, carimbou as restantes e ficou tudo tratado.
Em suma: a AT tentou aldrabar-nos exigindo o pagamento de uma multa que não deveria ser exigida, sabendo que não havia razão para a sua exigência. Como percebeu que não resultaria, deixou-nos ir e que não tornássemos a pecar. (excerto deste postal no blogue O Insurgente)

StupidityO que falta para explicar estes casos é a lei fundamental da estupidez humana, segundo o historiador de Economia Carlo Maria Cipolla: Uma pessoa [humana ou jurídica] estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer prejuízo.

Não é difícil compreender de que forma o poder político, económico ou burocrático aumenta o potencial nocivo de uma pessoa estúpida.

As acções do bandido seguem um modelo de racionalidade. Racionalidade perversa, se assim quisermos, mas sempre racionalidade.

Como está implícito na Terceira Lei Fundamental, uma criatura estúpida persegui-lo-á sem razão, sem um plano preciso, nos tempos e nos lugares mais improváveis e impensáveis.

Com um sorriso nos lábios, como se fizesse a coisa mais natural do mundo, [digam lá se ao ler isto não vos vem ainda à ideia esta imagem?] o estúpido surgirá inopinadamente para lhe dar cabo dos seus planos, destruir a sua paz, complicar-lhe a vida e o trabalho, fazer-lhe perder dinheiro, tempo, bom humor, apetite e produtividade – e tudo isto sem malícia, sem remorsos e sem razão. Estupidamente.
(in As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, Carlo Cipolla, Padrões Culturais Editora)

Nisto, também, o Pedro se revela, cada vez mais, um continuador e imitador do José.

Criar revolta nos polícias neste momento?

Uma ideia interessante. Mas, há que admitir, muito pouco inteligente.

Os cortes detectados ontem nos recibos dos vencimentos a pagar este mês estão a revoltar os polícias. “Em média cada um vai receber menos 200 euros, num salário de mil. Ultrapassaram-se os limites. O Governo quer destruir as polícias e, por isso, há um clima de revolta.

“Outra manifestação igual à de 21 de Novembro é possível. Não queremos incitar a nada, mas já não é possível reprimir a revolta. …”
(Polícias em “revolta” contra cortes admitem nova manifestação e “fazer de tudo” contra o Governo, Pedro Sales Dias, 10/01/2014, PÙBLICO)