Category Archives: ECONOMIA (ENSINO)

A essência da estratégia.

The essence of strategy - Michael PorterThe essence of strategy is choosing what not to do (A essência da estratégia é escolher o que não fazer)
Michael Porter, What is Strategy, HBR, Nov.- Dec. 1996

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Carta a Gaspar.

Aberta, para que – não dispondo eu de alguém de confiança por quem a enviar – qualquer pessoa a possa levar.

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Senhor ministro Vítor Gaspar,

Dirijo-lhe esta porque o vejo, tal como o governo de que faz parte, tão distante dos cidadãos como estava o famoso general Garcia lá pelas montanhas do Oriente e, tal como ele, encurralado na escolha entre lutar só contra os interesses instalados ou colaborar com a potência federal.

Não tem a presente como objectivo censurar a sua governação, apesar dos seus reconhecidamente medíocres resultados, mas oferecer-lhe ajuda, pois quero acreditar nas suas boas intenções. Também sei perfeitamente que, muito provavelmente, tenderá a não levar a sério a minha oferta, o que será um erro. Mas, também nisto, o aceitar ou não é escolha sua e nada mais há que eu possa fazer, na minha insignificância, para além de oferecer e garantir que a oferta é feita com séria intenção.

Coloco-me, pois, à sua disposição para lhe propor uma inversão da actual espiral recessiva com apenas três medidas, a saber:
– Uma que trará resultados imediatos no relançamento da Economia;
– Outra, que equilibrará rapidamente as contas da Segurança Social;
– Outra ainda, que fará o refinanciamento imediato do erário público.

Nenhuma dessas medidas prevê aumento de impostos ou novos impostos sobre os cidadãos, mais confiscos de parcelas salariais, quebras contratuais nas PPP, taxas sobre capitais ou outras medidas de financiamento com efeitos negativos para o relançamento da actividade económica. Antes pelo contrário.

Gostaria de deixar muito claro que não me dirijo a si em representação de alguém, para além de mim mesmo e de Deus, que não me movem quaisquer interesses comerciais, corporativos ou ideológicos, e que não pretendo posições de poder, influência ou enriquecimento fácil.  Mas, também, que não darei conhecimento das medidas deste quadro de acção gratuitamente, que elas terão um custo, pois não seria de modo algum justo indicar caminhos capazes de resgatar um país sem qualquer compensação.

Por último, quero ainda deixar bem claro que não aceitarei falar com intermediários, qualquer que seja a sua posição no governo ou fora dele, mas apenas com o senhor ministro Vitor Gaspar, em pessoa. Para me fazer saber da sua disponibilidade use, por favor, o e-mail que consta da minha breve descrição pessoal neste blogue onde publico a carta. Fico ao dispor.

Os melhores cumprimentos.

A quaresma de Jesus Cristo e o despertar político global.

Ou, de como Jesus é o paradigma de todos aqueles que lutam pela libertação dos povos da (chamada) ordem estabelecida.

Deve ter sido mais ou menos por altura do início deste período que hoje designamos por quaresma[1] que o Sinédrio condenou Jesus à morte, transformando-o num foragido na sua própria terra.[2]

(Mas, já antes disso ele era perseguido por quase todos os poderes políticos e religiosos do seu tempo[3]. E, mesmo isso não o impediria de entrar triunfantemente em Jerusalém pouco tempo depois, no Dia de Ramos.)

Perante isto, Jesus afasta-se (uma vez mais) de Jerusalém com os discípulos e procura refúgio em Efraim, a Norte, junto ao deserto.[4] E, quando volta a Jerusalém para celebrar a sua última Páscoa tem o cuidado de não pernoitar aí mas nos arredores, em Betânia[5] ou no Monte das Oliveiras.[6]

O mais significativo, contudo, é que durante todo este período de tempo Jesus, o conjecturado fora-da-lei, apareça todos os dias em público e as alegadas autoridades tenham esperado a calada da noite para o prenderem (como fazem sempre as polícias políticas):

Então Jesus falou para aquela gente: Serei por acaso algum bandido perigoso, que vos fosse preciso armarem-se com espadas e paus para me levarem preso? Todos os dias estava convosco a ensinar no templo e não me prenderam. (Mateus 26: 55-56)


[1] A Páscoa dos judeus estava próxima, e muitos daquela província entraram em Jerusalém antes da data para poderem proceder primeiro à cerimónia da purificação. (João 11: 55)

[2] Os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o supremo conselho para discutir o caso. Que vamos fazer?, perguntavam-se uns aos outros. … Um deles, Caifás, que naquele ano era supremo sacerdote, disse: Vocês não percebem nada. Deixem este homem morrer pelo povo. Porque é que se há-de perder toda a nação? … A partir daí, começaram a planear a morte de Jesus. (João 11: 47, 49-50, 53)

[3] Então os dirigentes judaicos tornaram a pegar em pedras para o apedrejar. Jesus perguntou: Por ordem de Deus fiz muitas obras boas. Por qual dessas obras querem agora matar-me? … Uma vez mais procuravam prendê-lo. Ele, porém, afastou-se e deixou-os. Atravessou o rio Jordão até ao local onde João andara primeiro a baptizar, e muitos o seguiam. (João 10: 31-32, 39-40)

[4] Jesus já não andava manifestamente em público. Saindo de Jerusalém, dirigiu-se para a proximidade do deserto, para a localidade de Efraim, onde ficou com os discípulos. (João 11: 54)

[5] Entrou, pois, em Jerusalém e dirigiu-se para o templo. Reparou atentamente em tudo à sua volta e foi-se embora, pois a hora já ia adiantada naquela tarde, retirando-se para Betânia com os dozes discípulos. (Marcos 11, 11)

[6] Todos os dias Jesus ia ao templo ensinar, e as multidões começavam a juntar-se logo pela manhã para ouvir. E ao fim do dia voltava ao Monte das Oliveiras para aí passar a noite. (Lucas 21: 37)

Façamos o seguinte para o Natal

Divulgo aqui a seguinte mensagem que vem circulando pelo Facebook:

“Façamos o seguinte para o Natal: Compremos os presentes a pequenas empresas e artesãos: À vizinha que vende por catálogo ou pela internet, a artesãos que conheçamos, à amiga que tem uma loja no bairro, ao pasteleiro que faz os doces artesanais, ao rapaz que tem uma banca no mercado… Façamos o dinheiro chegar às pessoas comuns e não às grandes multinacionais. Assim haverá mais gente a ter um melhor Natal. Se achas que é uma boa proposta, copia e cola no teu mural. Apoiemos a nossa gente. :)”

E acrescento:

Em vez de ir às grandes superfícies comerciais comprar produtos industriais de qualidade duvidosa, vá ter com a vizinha ou conhecida que você sabe estar a passar por dificuldades – por desemprego ou falência dela e/ou do(s) familiar(es) mais próximo(s) – e peça-lhe para lhe fazer os bolos e fritos de Natal; vá a feiras de artesanato comprar os presentes – se procurar há de tudo, desde brinquedos, roupas e sapatos até livros, cadernos e enfeites natalícios.

Não dê trocos anonimamente em campanhas de “arredondamento” – que as grandes cadeias aproveitam para fazer publicidade a si mesmas, usando o seu dinheiro e a sua boa vontade – mas vá ter com pessoas suas conhecidas, inteire-se das necessidades delas e ajude-as pessoalmente a ultrapassar alguma ou algumas dessas necessidades; ou, se não tem mesmo disponibilidade para o fazer – mas não se esqueça que a dádiva mais importante é o seu cuidado pelas necessidades do seu semelhante – faça as suas doações a pessoas de confiança que dedicam o seu tempo a acções de ajuda dos mais necessitados – nas igrejas, nos centros paroquiais, lares de terceira idade, hospitais, etc.; e, por favor, saiba a verdade e não ajude a engordar o monstro.

A Economia está no estado em que está porque a maioria dos economistas se esqueceu do mais básico princípio econométrico (que são as mais básicas operações aritméticas): dar (adicionar) é crescimento e vida, tirar (subtrair) é contracção e morte.

Eis o que acontece quando se transforma o dinheiro em dívida.

Lembre-se, o dinheiro é dívida desde que o padrão ouro foi retirado. O que existe actualmente em circulação no mundo não é dinheiro mas tão só promessas de pagamento de dívida, sob a forma de notas de banco, cheques, ordens de pagamento e outras promissórias.

Visualize a monstruosidade resultante – nesta sequência de imagens apenas para o grupo de países em que somos incluídos, os GIPSI-Grécia, Itália, Portugal, Espanha (Spain) e Irlanda, mas é possível explorar o sítio para visualizar outras monstruosidades ainda maiores.

Perceba, finalmente, como é que os bancos atiraram para cima dos contribuintes (de si) a monstruosidade que eles próprios criaram.
Bailouts, stimulus packages, debt piled upon debt…Where will it all end?
How did we get into a situation where there has never been more material wealth & productivity and yet everyone is in debt to bankers?
And now, all of a sudden, the bankers have no money and we the taxpayers, have to rescue them by going even further into debt!

Só podem ser masoquistas!

(Digo isto dos portugueses porque me recuso a acreditar que sejam estúpidos.)

Então, os bancos tratam-nos assim e eles continuam a entregar-se-lhes?

Deixam-se maltratar por estes bancos manhosos, mal geridos e que não cumprem a lei?

Pois, se pensar, até uma criança de 12 anos percebe:

Manter-se no euro é manter-se no erro para países como a Grécia e Portugal.

Seguido o conselho de Morleya wise suspense in forming opinions, a wise reserve  in expressing them and a wise tardiness in realizing them –  a redacção/publicação deste artigo foi sendo adiada até ao limite do possível.

Acreditava que viria entretanto algum homem de visão, algum economista não comprometido com o poder, denunciar o verdadeiro acto de masoquismo que é para os países como a Grécia e Portugal manterem-se na moeda única. Senhores! Passados 11 e 13 anos das respectivas entradas na dita união económica e monetária, após milhões e milhões de euros enterrados em betão de estádios e parques imobiliários, em betuminoso de autoestradas, estradas e rotundas, e em moínhos de vento*, o único sector onde estes dois pequenos países continuam a ter uma extensa oferta procurada/apreciada é o do turismo –  na sua variante sol-mar (mais as gastronomias correspondentes). O problema é que, espartilhados pelo elevado valor da moeda única, esta oferta deixou de ser concorrencial – agora,  até os gregos e os portugueses optam por comprar férias mais baratas em destinos mais exóticos.

Parece-vos exagerado o que afirmo? Então façam como eu, leiam gente que deve saber mais, ou melhor, tem obrigação de saber muito mais. Como, por exemplo, o presidente do grupo dos Conservadores e Reformistas no Parlamento Europeu, Martin Callanan:

Greece has bought itself only a little more time
20.06.12 (EUobserver)

The Greek people bought themselves a bit more time at the weekend. However, I fear that we are still kicking the now infamous can a little further down the road.

Given the current situation, it is still my opinion that it would be in the best interests of Greece, the euro zone, and national democracy if Greece were to leave the euro in as orderly a fashion as possible.

Greece continues to stare into the abyss. The last bailout was based on such optimistic projections that a third bailout will eventually become a distinct possibility given the worsening growth figures.

We cannot go on with policies that seek to buy a bit more time and prolong the inevitable. The tough decisions are going to have to be made. They can be made today, or they can be made further down the line. But the longer we wait, the worse the political, social and democratic consequences of this crisis will become.

E, como complemento, não deixem de ler também o diplomata, banqueiro e executivo (e  comentador de economia em 6  cadeias televisivas), Edward Harrison:

The euro zone is one giant vendor financing scheme
4 November 2011 (Credit Writedowns)

In a fixed exchange rate environment like the euro area, you don’t have currency fluctuation issues. So persistent current account imbalances as we see within the euro zone are really a form of vendor financing. …

Vendor financing works successfully as long as the lender makes sure the customer can pay back the loans. …

The lurid Telegraph story about German-made Porsches bought in Greece shows you an extreme example of how this works. The reality is you can’t have Germany and Spain both running current account surpluses with each other at the same time. Unless the euro zone as a whole runs a current account surplus as large as Germany and the Netherlands, then you are automatically going to have a sort of vendor financing relationship going.

The most important is that Germany’s or the Netherlands’ current account surplus matched current account deficits in Spain, Portugal, and Greece. That’s how it works. You sell more to me than I do to you and I get more cash than you do. There are always two sides to every transaction (chart from the FT below).


The large euro-area internal current account imbalances should be seen as a form of vendor financing, whereby the creditors, principally Germany, forward their customers, the debtors, trade finance in order to sell their wares.

*e nos bolsos de muitos e espertos empreiteiros, autarcas, oportunos empresários, seus familiares, amigalhaços, compadres e companheiros de… variadíssimas coisas.

Where the Spirit of the Lord is

Quando chegou o dia do Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. De repente, ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles se encontravam. Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem.
Actos 2: 1-4

esforçando-vos por manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos.
Efésios 4: 3-6

Quer explicar, doutor Gaspar, porque é que as exportações crescem e o PIB contrai?

Exportações aumentam 15,1% e importações caem 3,6%
Publicado em 2012-01-09 (Jornal de Notícias)

Exportações aumentam mais de 10%
Por Redacção, 2012-04-09 (Agência Financeira)

Fitch. PIB português vai cair 3,7% em 2012, mais austeridade é “provável”
Por Agência Lusa, publicado em 27 Mar 2012 (jornal i)

OCDE: Portugal tem maior queda do PIB em 34 países
Por Redacção, 2012-04-05 (Agência Financeira)

Ou então, dado vossência estar provavelmente muito ocupado a fazer demagogia, digo, política, talvez possa pedir ao seu amigo e colega doutor Catroga – homem a quem não escapam os mais ínfimos pêlos, digo, pormenores – que venha fazê-lo em seu lugar?

Nota: Caso não dê jeito a nenhuma de vossências vir a público esclarecer esta pilosa, digo, delicada questão, eu tenho cá uma teoria… Acham que diga?

Poderá o pastel de nata enfrentar a bola de berlim na Economia global?

O Antero costuma ter graça, mas desta vez excedeu-se*.

Uma pergunta pertinente que não pode deixar de fazer-se ao sr. ministro do pastel, perdão, da economia: O pastel de bacalhau não produziria uma afirmação mais genuína e emblemática da “marca Portugal” (using your own words)?

* A si mesmo, claro. Cuidado Antero, que isso é capaz de estar sujeito a algum imposto especial.