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Prémio Nobel do quê?

Alfred Nobel estabeleceu claramente no seu testamento que anualmente deveria ser entregue um prémio monetário (bem substancial) à pessoa que tiver feito mais ou melhor trabalho para a fraternidade entre as nações, para a abolição ou redução de exércitos permanentes e para conservação e estímulos de congressos de paz.

Em 2009 o prémio foi atribuído ao acabado de eleger presidente Barack Obama.

Sete mortos no primeiro ataque com drone depois das eleições paquistanesas

Em 2012 foi atribuído à União Europeia.

Rebeldes sírios poderão receber armas da União Europeia a partir de Agosto

A causa da paz está, pois, tão bem entregue como a herança de Alfred Nobel.

The Ruins, C. F. VolneyAo ler estas notícias vieram-me difusamente à memória as palavras que Volney atribui à aparição em As Ruínas de Palmira*:

… Ah! it is falsely that you accuse fate and heaven! it is unjustly that you accuse God as the cause of your evils! Say, perverse and hypocritical race! if these places are desolate, if these powerful cities are reduced to solitude, is it God who has caused their ruin? Is it his hand which has overthrown these walls, destroyed these temples, mutilated these columns, or is it the hand of man? Is it the arm of God which has carried the sword into your cities, and fire into your fields, which has slaughtered the people, burned the harvests, rooted up trees, and ravaged the pastures, or is it the hand of man? And when, after the destruction of crops, famine has ensued, is it the vengeance of God which has produced it, or the mad fury of mortals? When, sinking under famine, the people have fed on impure aliments, if pestilence ensues, is it the wrath of God which sends it, or the folly of man? When war, famine and pestilence, have swept away the inhabitants, if the earth remains a desert, is it God who has depopulated it? Is it his rapacity which robs the husbandman, ravages the fruitful fields, and wastes the earth, or is it the rapacity of those who govern? Is it his pride which excites murderous wars, or the pride of kings and their ministers? Is it the venality of his decisions which overthrows the fortunes of families, or the corruption of the organs of the law? Are they his passions which, under a thousand forms, torment individuals and nations, or are they the passions of man? And if, in the anguish of their miseries, they see not the remedies, is it the ignorance of God which is to blame, or their ignorance? …

*Perdoem, mas só tenho o livro em inglês e estou demasiado cansado para traduzir. No entanto, o inglês do texto é tão correcto que a tradução automática do tradutor da Google, embora no usual “brasiloguês”,  é perfeitamente compreensível. Basta copiar daqui e colar lá.

O que impede Portugal de sair da crise económica? (2)

continuado daqui (1)

1. A cultura da fraude.
1.2. Um caso público com múltiplas ligações.

O caso de Amadeu Lima Carvalho, indiciado dos crimes de burla, falsificação de documentos e fraude fiscal, que veio a público pelos idos de Março de 2007, passou quase despercebido por causa destoutro semelhante do inenarrável ex-primeiro-ministro José Sócrates Sousa.
Ambos os escândalos têm em comum a sua ligação à Universidade Independente (UnI), mas divergem na aplicação das medidas preventivas judiciárias, pois Amadeu foi preso preventivamente e José não foi. (A igualdade perante a lei em Portugal continua a ser interpretada segundo a orweliana ideia de que uns são mais iguais do que outros.)

O caso voltou a ser noticiado brevemente já em Agosto de 2011, a propósito do decurso do julgamento do caso UnI. E, se a notícia nada permite concluir sobre a maioria das acusações de que estava indiciado Amadeu Lima Carvalho, ela é bem esclarecedora relativamente à prática do crime de falsificação de documentos:

“No nosso sistema informático nunca tivemos Amadeu Lima de Carvalho como aluno de direito”, garantiu a testemunha, (…)
Confrontado com vários certificados da licenciatura em direito de Lima de Carvalho, datados de 1996 e 1998, António Gonçalo garantiu que não rubricou nenhum, algo que fazia parte das suas funções enquanto chefe da secretaria.
A testemunha adiantou que o próprio Luís Arouca lhe disse que a assinatura no certificado de licenciatura de Lima de Carvalho também não era do ex-reitor.
Nos autos constam cópias de vários certificados de Amadeu Lima de Carvalho, (…) de uma licenciatura em direito tirada em 1996, outra em 1998, um mestrado em recursos humanos em 2004, a atribuição do grau de mestre em direito em 2004 e ainda o extrato de uma ata do Conselho científico na qual consta que este é nomeado professor da faculdade de direito da UNI, assinada pelo docente Nuno Miguel Gomes. (…)

Palavras duras mas, infelizmente, verdadeiras sobre a lusa gente de agora.

(…)
O lado trágico está aqui: as eleições não se ganham com verdades; ganham-se com mentiras porque os portugueses preferem-nas. E se existiu erro no consulado de Ferreira Leite foi o de sobrevalorizar a maturidade dos portugueses; a crença ingénua de que era possível falar para adultos. Não é. Para regressar ao poder, não basta ao PSD eleger um líder e esperar que o eng. Sócrates caia da cadeira. É preciso nivelar o discurso com a idade mental do eleitorado.

(Creche e aparece, por João Pereira Coutinho, 14 Março 2010, no CM)
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Mentira que mata
“Por causa da mentira, pessoas foram levadas às fogueiras, inocentes foram condenados à morte, países foram tiranizados, crianças foram sacrificadas, pais de família perderam seus empregos, corações foram dilacerados, casamentos foram desfeitos, pessoas enlouqueceram de dor, pobres ficaram mais pobres, ricos ficaram mais ricos… e a lista pode ir aumentando “ad nauseam”.”
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“De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.”
Teixeira de Pascoaes, in “A Saudade e o Saudosismo”
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Um sinónimo de mentira é falsidade. Falsidade é a qualidade daquilo que é falso. Aquilo que é falso não tem valor, não vale nada, como toda a gente sabe… Sabe?
Se os portugueses soubessem isto não escolhiam quem mente para conduzir o país. A apreciação do João Pereira Coutinho é, pois, justa e verdadeira. Infelizmente.
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