Monthly Archives: April 2009

As ínfimas insurgências…

a que estão reduzidos os portugueses.

 

Insurgência subliminar

Hoje, 30 de Abril, um familiar foi pagar o IMI à tesouraria da repartição de finanças. Estava abatido e, por isso, acompanhei-o.

No meio da profunda revolta que lhe causa ter que pagar 55 euros por mês ao Estado pelo direito de habitar a sua própria casa, teve hoje, todavia, um fugaz lampejo de alegria redentora.

O pagamento foi efectuado em numerário, sendo a maior parte em notas. No entanto, também entregou 20 euros em moedas de 1 e 2 cêntimos, paciente e diligentemente guardadas ao longo de vários meses.

Como era de esperar, houve uma reacção muito hostil à recepção das moedas, sendo costume os contribuintes (contribuintes?) serem tratados com a maior arrogância naquela particular repartição. Deve ser por pouca sorte dele, uma excepção no meio das inúmeras repartições onde os contribuintes (contribuintes?) são bem tratados…

Como de costume também, os mangas de alpaca que estão lá a esmifrar o indígena colectar o dinheiro tentaram virar o povaréu – hoje era o último dia para pagar, calculem a quantidade de gente que lá estava – contra o pobre pagante.

Mas, espantosamente, inesperadamente, aconteceu exactamente o contrário.

A multidão atirou-se ao funcionário que ameaçava não chamar mais ninguém ao balcão até que os funcionários (todos…) contassem as moedinhas. Diziam as pessoas: “Então já não se pode pagar em dinheiro?” – “Deviam era ter uma máquina para contar as moedas!” – “Qualquer dia só recebem notas de 500!”, e outros ditos menos simpáticos que não são aqui reproduzíveis.

O parente, que estava à espera de ter que suportar a sanha popular, saiu com um sorriso, satisfeito com a sua ínfima compensação pela exploração e pelo trato de vilão que lhe tem sido dado.

O sorriso era-me extensivo, por outras razões. Pela primeira vez de há 4 anos a esta parte vi a mole dos cidadãos a defender o outro cidadão, solidários e sem expressão de egoísmo ou de inveja.

Este singelo episódio, sem valor mediático ou de resistência civil, ainda assim representa um sinal de esperança quanto à capacidade dos portugueses para construírem a cidadania e a verdadeira democracia – sem caudilhos iluminados por magalhânicos visores e faróis de veículos eléctricos de segunda categoria.

 

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Quem não deve não teme!

Não é assim têm dito os defensores da política fiscal agressiva?

Fisco penhora 22 mil reformas

Assim sendo, não podem compreender-se estes receios:

Muitos funcionários das Finanças receiam que as inspecções e outros actos de fiscalização realizados desde Janeiro sejam agora postos em causa pelos contribuintes alegando que os funcionários ‘exorbitaram as funções’. … (Finanças: Vínculo de nomeação acabou em Janeiro – Impostos retiram poderes, 16 Março 2009, Miguel A. Ganhão no Correio da Manhã)

A não ser que, inacreditavelmente(!), tenham mesmo exorbitado as funções:

Já deram entrada nos tribunais dez processos de reclamação dos contribuintes contra funcionários dos Impostos, ao abrigo da nova legislação da responsabilidade civil extracontratual do Estado. E só não entraram mais porque vários directores recuaram nos resultados das inspecções e não levaram até ao fim as correcções à matéria colectável propostas pelos inspectores. … (Confidencial – Os primeiros a reclamar, 06 Dezembro 2008, Miguel A. Ganhão no Correio da Manhã)

Nesse caso têm razão para temer. É que este povo diz proverbialmente: Quem com ferro mata, com ferro morre.

pois, conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos. (Mateus 7, 2)

BPN Alcochete? (4)

As negociações para a compra de quatro mil hectares da herdade de Rio Frio, junto ao Campo de Tiro de Alcochete, decorreram entre Agosto e o final de Dezembro de 2007, dois meses após o Governo ter pedido um estudo comparativo entre Ota e Alcochete e duas semanas antes do anúncio da nova localização do Aeroporto de Lisboa. Os terrenos, adquiridos com crédito do BPN, são propriedade indirecta da OPI 92, empresa da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) que foi apontada como uma solução para ‘tapar’ o buraco financeiro do Banco Insular (BI). …
(Aeroporto tapa buraco do Insular, 15 Fevereiro 2009, António Sérgio Azenha, no Correio da Manhã)
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BPN nacionalizado
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.Et la petite charade n’est plus petite, ni même .charade:
.Que relação poderá existir entre a nacionalização .do BPN e o caso Freeport de Alcochete?
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BPN Alcochete? (3)

Numa acta do Conselho Superior da SLN, entregue pelo ex-presidente Rui Machete à comissão de inquérito parlamentar, datada de 17 de Dezembro de 2007, Oliveira e Costa faz um resumo das explicações que deu junto do primeiro-ministro, durante uma reunião, sobre uma eventual entrada do grupo norte-americano Carlyle no capital d BPN/SLN para colmatar os problemas existentes com o rácio de solvabilidade da instituição. (…)
José Sócrates acolheu bem a sugestão, acrescenta-se na acta, e terá inclusive dado a indicação de que iria informar Vítor Constâncio da necessidade de uma reunião para ser o BPN a colocá-lo a par desta situação. …

(Sócrates sabia das dificuldades, 03 Abril 2009, Diana Ramos, no Correio da Manhã)
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O primeiro-ministro admitiu ontem, em comunicado, ter reunido com Oliveira e Costa, então presidente do BPN/SLN, a 15 de Novembro de 2007. José Sócrates nega, contudo, ter dado aval à abertura do capital da SLN ao grupo Carlyle, mas a acta do Conselho Superior, entregue por Rui Machete à comissão de inquérito ao BPN, contraria esta versão. …
(Acta diz que PM aprovou negócio, 04 Abril 2009, Diana Ramos, no Correio da Manhã)
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BPN nacionalizado
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.Et on continue la petite charade:
.Que relação poderá existir entre a nacionalização .do BPN e o caso Freeport de Alcochete?
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BPN Alcochete? (2)

Eduardo Capinha Lopes, o arquitecto do centro comercial Freeport, em Alcochete – e cujo ateliê foi alvo de buscas em Janeiro pela polícia -, tem um crédito de €8,3 milhões concedido pelo BPN Cayman, o banco detido pelo BPN no paraíso fiscal das Ilhas Caimão, nas Caraíbas. O crédito de que o arquitecto é o beneficiário não tem qualquer tipo de garantia e está parqueado numa empresa offshore, a Cisco Internacional LLC. …
(Arquitecto do Freeport tem €8 milhões em offshore do BPN, texto publicado na edição do Expresso de 7 de Março de 2009)
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BPN nacionalizado
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.Et encore la petite charade:
.Que relação poderá existir entre a nacionalização .do BPN e o caso Freeport de Alcochete?
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BPN Alcochete?

Numa conferência de imprensa realizada hoje no Parlamento, Nuno Melo citou dados que constam num relatório, datado de 2005, que resultou de uma inspecção do Banco de Portugal, tendo na altura sido identificada “uma série de problemas” neste banco, que foi nacionalizado em 2008.
“Esta auditoria não deixa dúvidas, sobre o que o Banco de Portugal já sabia em 2005”, refere Nuno Melo.
Segundo o mesmo responsável, que integra a comissão de inquérito à nacionalização do BPN, este documento “revela à exaustão” que o Banco de Portugal tinha conhecimento profundo de factos que exigiam uma actuação supervisor e justifica que o Banco de Portugal “não divulgue à comissão [de inquérito à nacionalização do BPN] os documentos que lhe têm sido solicitados”.

(Banco de Portugal tinha conhecimento profundo da situação do BPN em 2005, Maria  João Gago, 08 Abril 2009, no Jornal de Negócios)
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BPN nacionalizado
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.Et maintenant une petite charade:
.Que relação poderá existir entre a nacionalização .do BPN e o caso Freeport de Alcochete?

Vox Populi

A voz do povo, a voz ao povo:

25.04.2009 – 11h37 – RT, Lisboa

À porta das escolas, não há polícias. Nas ruas não se vê nenhum. A criminalidade campeia. Mas quando há manifestações, sobretudo se forem a favor do 25 de Abril, logo verão que há polícias e muitos. Onde estava a polícia quando houve o esfaqueamentro na escola do Cacém, esta semana? Nem vivalma dela. Mas para punir 3 (bons) alunos de Penacova por Desobediência Civil no âmbito de um protesto contra o Estatuto do Aluno a GNR apareceu para mostrar que existe. Que é capaz de deter 3 quem sabe se futuros “perigosos comunistas ou aparentados” e há que pô-los na ordem já. Quando são pequeninos! Isto é vergonhoso e está a passar das marcas e o 25 de Abril não merecia isto. Hoje faz anos o 25 de Abril e mais do que nunca Portugal precisa de Abril, de virar de novo a página do país. Este regrediu demasiado em direcção ao 24 de Abril e isto está a tornar-se intolerável: miséria, criminalidade, individualismo cunhas, medo, tudo para o rico e nada para o pobre, corrupção, etc.., etc…. Chega!

 

25.04.2009 – 11h25 – Resistindo à ditadura maçónica, Poor Tugal

Olhá Ditadura!!!… Na Noruega ou na Dinamarca, os deputados vão de bicicleta para o trabalho, os ministros andam de táxi. Por cá, têm que ser escoltados pela GNR!

 

25.04.2009 – 11h24 – Paulo Santos, Fundão

Hehehe! Estes senhores do poder actual estão com medo de que o povo faça agora um novo 25 de Abril e tomam precauções para não deixar! Hehehe! É muito engraçado isto! Mas o povo gostaria de fazer agora um novo 25 de Abril para correr com essa corja toda, a do poder actual, daqui para fora! Corja essa, a actual, que o povo já percebeu que é muito pior do que a que foi corrida em 1974!

 

25.04.2009 – 11h20 – joaquim horácio serra leitao, coimbra

ou será que isto é mais um passo na escalada para uma ditadura que se aproxima a passos largos? e já agora com que base legal é que não se pode ser anarquista em portugal? Recordo que também era em nome da lei e da ordem que a psp e gnr actuavam antes do 25 de Abril, atribuindo as lutas a “agitadores profissionais a soldo de moscovo” como agora já não há moscovo, a polícia aperta a vigilância a grupos radicais pois. e assim o pessoal começa a ficar em casa, com medo da repressão e dos distúrbios, com os quais não concordo, mas devo recordar que muitas vezes são causados por proibições infundadas além de estarem por detrás provocadores interessados em lançar a confusão e levar as pessoas a gritar por ordem. foi também isso que levou ao fascismo já que aconteceu o mesmo na república.estas notícias vêm mesmo a calhar para fazer com que muitas pessoas tenham receio de se manifestarem. Tantos anos a comemorar-se o 25 de abril e só de há pouco é que se começa a falar em aumento de vigilância, distúrbios etc.não é ingénuo e não é para defender as liberdades conquistadas em 25 de Abril que têm vindo a ser subrepticiamente retiradas. e os radicais de direita não precisam de ser vigiados?

 

25.04.2009 – 11h15 – Atento, Lisboa

Eles, lá sabem o porquê !! Se dessem ao POVO, o que a maioiria dos que viveram o 25 de Abril esperavam, eles agora não andavam tão preocupados com os distúrbios , pois HOJE DEVERIA SER UM DIA FESTA e não um dia de violência, mas o POVO foi enganado e continua a ser, infelizmente.(ou cada POVO tem o GOVERNO que merece!!), talvez!!

 

Estes são alguns dos comentários (públicos) à seguinte notícia (do Público):

Polícia reforça vigilância por receio de distúrbios nas comemorações do 25 de Abril

25.04.2009 – 10h32 PÚBLICO

vigilancia 25 abril 2009

24 de Abril – 35 anos depois.

Ei-los que partem, velhos e novos, buscar a sorte noutras paragens…

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ESPS – Economia suicida portuguesa socialista.

Economic suicide Ontem, 21 de Abril, na secção de Economia (em franca melhoria) do jornal Meia Hora (um gratuito muito fraquito), para além da excelente crónica do Miguel Garcês, Nova  Ordem Antigos Remédios, do blogue Mercado Puro, vêm também publicadas, lado a lado (intencionalmente?), as duas notas noticiosas seguintes:

 

PME correm em peso às linhas de crédito

 

Actividade económica com queda acentuada

 

Mas, que decisores – em seu perfeito juízo, pelo menos – fomentam a aquisição de mais crédito por parte de quem tem cada vez menos com que pagar, para (supostamente) ajudarem a resolver uma crise com origem em créditos incobráveis?

 

Será mera falta de inteligência? De competência? Ou está mesmo tudo a ficar louco?

 

O grande líder socialista à saída da entrevista.

Old pictures:Nazi Deutschland WWII