Tag Archives: democracia

A ditadura ortográfica em Portugal.

O Ministério da Educação ordenou que sejam penalizados nos exames a realizar em 2015 os alunos que não usem a nova escrita acordizada, arbitrariamente e ilegalmente imposta à administração pública portuguesa pelo governo.
Esta é mais uma das muitas ordens prepotentes do governo nesta matéria.

Veja-se, por exemplo, o caso dos alunos que irão realizar exames de 12.º ano em 2015. A “nova ortografia” (como lhe chama o M.E.) foi imposta no ano lectivo de 2011-12. Os alunos referidos estariam então, na sua maioria, no 9.º ano de escolaridade. No ano em que foi imposta não existiam manuais novos para este nível, pelo que estes alunos só terão tido contacto com a escrita acordística no ano lectivo seguinte, 2012-13, e apenas em alguns (muito poucos) manuais. Isto significa que estes alunos passaram 10 anos de uma escolaridade obrigatória de 12 a escrever em português correcto (pré-acordístico). É impossível que estes alunos consigam usar a “nova ortografia” na escrita. E, se estiverem preocupados em fazê-lo, isso irá prejudicá-los na expressão dos conteúdos no tempo limitado de uma prova de exame.

ditadura ortograficaA imagem de base do cartaz foi apanhada aqui.

Nota: Não foi possível encontrar uma única notícia sobre este assunto, pois os meios de comunicação social em Portugal não são independentes e seguem, na sua maioria, as ordens do poder político e económico.

Advertisements

‘Se capitães de Abril exigem falar o problema é deles…’ Todos ao Carmo!

Os deputados afirmam pela voz da sua presidente que “Se capitães de Abril exigem falar «o problema é deles»“. Isto é assim como que uma dentada na mão que lhes deu de comer.
O primeiro-ministro vem dizer que “não quer “independentes” como deputados na Assembleia da República“. O regime recusa, portanto, reformar-se.
E o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social declara que muitos desempregados ” perderam RSI porque podiam trabalhar e não quiseram“. Assim, segundo esta criatura, os desempregados são uns masoquistas que preferem passar fome a trabalhar.

Estas são apenas algumas excelentes razões para que todos, mas mesmo todos, os portugueses que se sentem insatisfeitos, mal-tratados, espoliados e violentados por este governo e por esta legislatura subam ao Carmo hoje, 24 de Abril de 2014.
Porque desta vez não vai aparecer um cavaleiro galante montado num Chaimite para subir por eles.

E, não deve ser por acaso que o lugar se chama Carmo. Este nome é uma evocação de um lugar situado na Terra Santa, chamado Monte Carmelo: “trata-se do local onde se deu o duelo espiritual entre o profeta Elias e os profetas de Baal“.

Más notícias para quem pensasse ter cessado o activismo político por aqui.

Conforme prometido aqui atrás, eis uma das razões (há outras, porventura menos interessantes) que estão na origem da fraca actividade neste Jardim durante os últimos meses.

Certificate of Accomplishment, Democratic Development course, Stanford University

A propósito de democracia e a título de mera curiosidade, sabiam que as palavras povo/povos ocorrem menos de 60 vezes no texto de O Capital, de Karl Marx, mas mais de 2 mil vezes na Bíblia?

Dilma, you have a problem!

Rio de Janeiro, Junho 20, 2013, 'Primavera Tropical', Foto FP

Brasil, Rio de Janeiro: O povo desfila no centro do Rio de Janeiro, no dia 20 de Junho de 2013, em um protesto fazendo parte daquilo que é agora chamado a “Primavera Tropical” contra a corrupção e os altos preços. Os brasileiros ocuparam de novo as ruas em um novo dia de protestos massivos por todo o país pedindo melhores serviços públicos e lamentando a pesada despesa com a organização do Campeonato do Mundo. Mais de 1 milhão de pessoas se comprometeram através das redes sociais a marchar em 80 cidades por todo o Brasil, mostrando que a acção contestatária que dura já há 2 semanas até ao presente – a maior já vista no país nos últimos 20 anos – não dá sinais de diminuir.
(tradução expedita do texto em inglês da legenda da agência FP a que pode aceder clicando na imagem)

Turquia: as inquietantes imagens de uma revolução.

Istambul, praça Taksim, 11Jun2013, foto Kilic/France PressPolícias anti-motim entraram na praça Taksim no centro de Istambul esta terça-feira [11-Junho-2013] disparando granadas de gás lacrimogénio e canhões de água.

Esta é uma de dez imagens publicadas pelo NYT ontem, 12 de Junho de 2013. (Aviso: No momento em que escrevo o jornal tem as fotos acessíveis ao público em geral e para as ver basta ter os “cookies” abertos no navegador; mais tarde, no entanto, poderá ter que registar-se no sítio do jornal.)

Plano C – O combate da Cidadania.

Ora vejamos:

O plano A (dos Alarves) falhou e deixou os cidadãos com as calças na mão. O plano B (dos Betinhos) falhou e vai deixar os cidadãos com as cuecas na mão. Parece que já não haverá nada a perder por experimentar o plano C… O que acham?

Acordai lá (mas virados para a Luz, pá!)

Vigília quer «acordar» Cavaco e Conselho de Estado
Filipe Caetano, 20- 9- 2012, TVI 24

Os oprimidos voltarão a alegrar-se no Senhor, e os pobres exultarão no Santo de Israel. Foi eliminado o tirano e desapareceu o cínico, e todos os que buscam a iniquidade serão exterminados: os que acusam de crime os inocentes, os que procuram enganar o juiz, os que por uma coisa de nada condenam os outros.
Isaías 29, 19-21

Você acredita na democracia?

Os diabos também acreditam e tremem. Você acredita no sindicalismo? Os deputados trabalhistas [socialistas] também acreditam; e tremem como um rapa em queda. Você acredita no Estado? … Você acredita na centralização do império? … Você acredita na descentralização do império? … Você acredita na irmandade dos homens; …? … Você grita “O mundo para os trabalhadores!” …? O que nós precisamos é de uma designação que declare, não que as modernas traição e tirania são más, mas que são literalmente intoleráveis e que nós tencionamos agir de acordo com isso. Eu penso mesmo que “Os Limites” seria um nome tão bom como outro qualquer. Seja como for, algo nasceu entre nós tão forte como um pequeno Hércules e faz parte dos meus preconceitos querer baptizá-lo. Faço este anúncio a possíveis padrinhos e madrinhas.

Tradução expedita de um excerto do ensaio de G. K. Chesterton: The New Name (o texto origunal encontra-se aqui – tente descobrir onde)


Graça Moura (d)espoleta discussão sobre o (des)Acordo Ortográfico.

O novo presidente do Centro Cultural de Belém, apoiado pelo seu Conselho de Administração, conseguiu através de uma simples circular interna dando instruções aos serviços para não usarem o Acordo Ortográfico (AO), instantaneamente, aquilo que um movimento de cidadania com centenas de pessoas não havia conseguido em 3 anos de esforço: lançar a discussão pública alargada sobre a aberração linguística, legislativa e cultural a que chamaram Novo Acordo Ortográfico. Mais uma prova de que Portugal é uma falsa democracia e os portugueses sabem-no muito bem.

Os primeiros frutos desta discussão pública são já muito elucidativos. Em termos políticos, toda a bem-pensante (e bem-falante) pseudoesquerda portuguesa – que vem apelando à desobediência civil (e mesmo à insurgência violenta) desde que o presente governo tomou as primeiras medidas de restrição económica – saíu em defesa do cumprimento da resolução da Assembleia da República que impôs a aplicação do AO, acusando Graça Moura de crimideia num extraordinário exercício de duplipensar.

Por favor, dêem o vosso apoio a esta Iniciativa Legislativa de Cidadãos que pretende suspender a entrada em vigor do AO90 “para que sejam elaborados estudos complementares que atestem a sua viabilidade económica, o seu impacto social e a sua adequação ao contexto histórico, nacional e patrimonial em que se insere.” (artigo 1.º)

E, não são apenas alguns ‘doidos’ portugueses que lutam pela suspensão legal desta Aberração Ortográfica: os brasileiros também o fazem, usando instrumentos de democracia que não existem em Portugal.

1000 entradas 1000

Este é o milésimo post neste blogue desde 30 de Agosto de 2007*, estava-se então no auge da opressão do governo do José de má memória para tantos cujas vidas destruiu. Quase destruía o país também. O seu legado é isto que vivem agora os portugueses – e se verão obrigados a viver ainda por muito tempo.

Ében-Ézer (1 Samuel 7, 12). Até onde? Show me the place…

*Na verdade, havia pelo menos mais uma meia dúzia de artigos no 1.º blogue com este título, iniciado no alojamento da IOL cerca de 2 semanas antes mas que entretanto o alojador apagou.