A discussão(zinha) do TGV e a nova jogada ‘aeroportuária’ do (falso)engenheiro.

TGV derrailed/descarrilado“Well then”, says the Socrates of the Republic, “could we perhaps fabricate one of those very handy lies which indeed we mentioned just recently ? With the help of one single inspired white lie we may, if we are lucky, persuade even the rulers themselves – but at any rate the rest of the city”.

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Uma das coisas que qualquer mediano jogador de xadrez faz, quase sem pensar, é memorizar a posição das diversas peças numa determinada jogada do seu adversário que vem a revelar-se-lhe como muito incómoda – no sentido de lhe condicionar todos os seus movimentos a partir desse momento.
O que acontece neste momento com a discussão(zinha) do TGV* é um “já visto” (dejà vu) deste tipo.
O ministro das empreitadas públicas (mais dispensável que as toalhitas húmidas de limpeza dentro de uma casa-de-banho com água corrente e sabonete) vem à praça afirmar que a coisa se fará, infalivelmente. Este, por ser um bocadinho mais esperto que o Lino dos desertos, ou por não saber a gaulesa língua, conteve-se e já não disse que jamais (ler jamé) deixaria de se fazer.
O banqueiro (do regime) aperitivo Salgado logo veio dar o seu pomposo parecer, que não é conveniente fazer já a obra pública, que é preciso repensar e tal. Reparem que o interesse agora não é levar a grei a acreditar nas grandes vantagens de mudar o “aero-coiso” de sítio, tal como o Zel(er)oso CIPaio fez no caso OTArios, mas adiar sine die a construção do “ferro-coiso”.
Porquê? Porque o (quase)engenheiro já não lhe interessa nada fazer o TGV*. Mas… então porque não diz simplesmente isso e cala a boca a muitos críticos? Por causa dos interesses da sua imensa clientela política, of course! E estes, os das grandes obras públicas, são muito mais difíceis de sacudir (diria mesmo, muito mais perigosos) que os ambientalistas OTArios.
O (para)engenheiro está ansiosamente à procura da desculpa salvadora: não se pode fazer, pá, que é contra a vontade do povo, pá.
Bonecos Bloco CentralO que pensam vossemecês que foi fazer o Coelhito à toca do Zézito? Por favor, não me digam que acreditam que ele foi lá em defesa do interesse nacional. Eu pedi por favor… Ah! Foi lá por causa da crise, não é? Pois… Mas não da crise que estais a pensar. Foi lá por causa dos (à beira de) perdidos euro-milhões para a sua própria clientela política. Ah pois!
E o que pensam (os mesmos) vossemecês que vão os ex-ministros dos impostos cavaquear a casa do amigo Aníbal no final da semana? É que as tetas da porquinha chamada república estão a secar-se e os leitõzinhos mamões estão a ficar muito esfomeados.

Desafio, daqui deste minúsculo jardim quase a morrer de sede no meio de tanto deserto, o (meio)engenheiro a decidir seguir em frente com o tal TGV* . Mas já, sem mais delongas.

*Transporte para Grandes Vaidosos.

Limitação de responsabilidade: Qualquer analogia que alguém entenda fazer entre este texto ficcional e alguma realidade, presente, passada ou futura, será de sua inteira responsabilidade.

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