Monthly Archives: September 2007

Teixeira dos Santos – o apelo?

O ministro das finanças é tão amigo dos (investidores) portugueses!

Foi com grande comoção que li esta notícia:

“Finanças apelam a investidores para avaliarem riscos
2007/09/27 18:23 Paula Gonçalves Martins
O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, fez esta quinta-feira um apelo aos investidores, para avaliarem bem os seus investimentos, antes de os fazerem.O responsável fez um «apelo aos investidores para fundamentarem as suas decisões, avaliarem os riscos e avaliarem a sua capacidade de enfrentar condições menos favoráveis no mercado».
…”

É de fazer vir as lágrimas aos olhos, tal cuidado e tanta preocupação pelo povo português pelos investidores portugueses. Um coração de ouro – literalmente.
E que abnegação, não se coibindo de vir a público com esta franqueza, sujeito à ingratidão dos investidores, que terão afirmado em resposta (segundo me contaram, que eu não sei – isto são conversas lá entre eles):
€€€: “Mas quem é este *****, para vir armar-se em paternalista a dar conselhos aos outros?”
$$$: “Deve ter a mania que é oráculo; é pena que só fale depois dos acontecimentos, o ********!”
£££: “Pois, bem pode limpar as mãos à parede, tanta ***** tem feito.”
.
Uma cambada de ingratos, pensei eu. A dizerem mal desta boa alma! Nunca ouvi ninguém do povo a dizer mal dele! O povo, que é maldicente por natureza, não fala mal dele e isso só pode ser por uma de duas razões: ou gosta mesmo do fulano, ou tem medo dele. É a primeira hipótese, de certeza! A boa justiça fiscal que ele tem mandado fazer, garante isso. Nada de perseguições aos contribuintes, nem multas exageradas, nem prepotência, nem saque repetido de importâncias já regularizadas, nem condenação com base em pressupostos e sem prova de culpa, nem execução sumária e hipotecas desproporcionadas, enfim, nada dessas coisas todas que criariam um clima de amedrontamento e injustiça legalizada.
É, também, tocante a forma como este coração generoso vem defender os trabalhadores as instituições bancárias, ciente das suas dificuldades e fragilidades económicas e sociais. Um grande bem-haja, cá do Zé!
E não ligue aos provocadores que escrevem coisas como estas:
.

“Opinião
2007-09-28 – 09:00:00
O Calcanhar de Aquiles
O círculo vicioso
Politicamente (o que significa social e economicamente) estamos numa encruzilhada sem sinalização. Quer dizer: perdidos. E não há PSD que nos salve. Sócrates combate o défice (o inimigo mais fácil de derrotar) pelo método do merceeiro, com a obstinação com que D. Quixote combatia moinhos. Mas não liga a menor atenção aos outros grandes inimigos do bem-estar social.
Em pouco mais de dois anos, o Governo agravou substancialmente as condições de vida dos Portugueses e nada se incomoda com isso. E, porque as suas preocupações foram transformadas em obsessão, promete piorar. Para quê, afinal? Sarkozy apresentou o seu 1.º orçamento de estado e mandou às malvas as regras instituídas por todos os papagaios do combate ao défice. Os impostos baixam, mas há mais crescimento económico. Com a baixa dos impostos, aumenta a confiança dos investidores e das famílias. Há mais transacções. Maior rendimento das empresas. E, surpresa das surpresas, até o défice e a dívida pública baixam.
Alguém será capaz de explicar isto a todos os Ferreira Leite e Teixeira Santos cá da terra? (continue a ler) …”

Ele há gente capaz de dizer tudo. Só com uma rolha é que eles se calam! Ou isso, ou uma sindicânciazinha da DGCI – de certeza que se consegue imputar-lhes uma falta (zinha) qualquer, mesmo que mais tarde se venha a provar incorrecta.

TS: Ó Pereira, inspecciona lá aí o que é que podemos arranjar contra estes senhores que não se calam…

“O LUCRO É UM ROUBO
4. Escutem, exploradores do necessitado, opressores dos pobres do país!
5. Vocês ficam maquinando: “Quando vai passar a festa da lua nova, para podermos por à venda o nosso trigo? Quando vai passar o sábado para abrirmos o armazém, para diminuirmos as medidas, aumentarmos o peso e viciarmos a balança,
6. para comprarmos os fracos por dinheiro, o necessitado por um par de sandálias e vendermos o refugo do trigo?
…” (Amós 8 )

“O DIREITO É PARA DEFENDER OS POBRES

20. Não explorem o imigrante nem o oprimam, porque vocês também foram imigrantes.
21. Não maltratem as viúvas nem os órfãos,
22. porque se os maltratarem e eles clamarem a Mim, Eu escutarei o clamor deles.
23. A minha ira inflamar-se-á e eu vos farei perecer: as vossas mulheres ficarão viúvas e os vossos filhos órfãos.
24. Se emprestarem dinheiro a alguém do meu povo, um pobre que vive ao vosso lado, não se comportarão como agiotas: não devem cobrar juros.
…” (Êxodo 22)

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A política já não é o que era?

Longe vão os tempos da escolha fácil entre esquerda e direita, entre socialismo e capitalismo.

 

Hoje domina a promiscuidade, a confusão dos valores. Veja o que se passa, por exemplo, neste nosso jardim à beira mar plantado, onde uma espécie de falência do Estado (resultante da má gestão continuada dos recursos comuns da nação) levou a um estranha aliança entre o poder político (supostamente) socialista e o poder económico baseado no grande capital. De facto não se trata nem de socialismo, nem de capitalismo, mas de uma nova atitude política que pode denominar-se “espertismo”: cada uma das partes envolvidas está convencida que é mais esperta do que a outra e que está a usá-la ou a aproveitar-se dela.

Esquerda-direitafutebol

Para avaliar bem este novo estado de confusão das escolhas, convido-o a realizar o teste que se encontra aqui. Infelizmente não há uma opção em português, mas se tem dificuldades com o inglês pode usar a versão em espanhol (castelhano). Irá, provavelmente, surpreender-se com os seus resultados.

 

Uma nova campanha do trigo, socialista e pós-moderna?

Os homens inteligentes aprendem com os erros passados; os estúpidos repetem-nos.

 

Tese:

A propósito de inteligência e da falta dela: lamento ter que desiludir os defensores do (dito) plano tecnológico nacional, mas a verdade – nua e crua – é que os computadores nunca substituirão a inteligência. Um estúpido com um computador, continua a ser um estúpido… agora com uma ferramenta que lhe abre novas oportunidades de demonstrar a sua estupidez.

 

 

Sofisma:

Ministro vai apresentar projecto para combater crise dos cereais

24 Setembro, 2007 – 16:11

O ministro da Agricultura, Jaime Silva, mostrou-se, esta segunda-feira, preocupado com o aumento do preço dos cereais, pelo que, para fazer face à crise no sector, adiantou que vai propor à Comissão Europeia (CE) a utilização, durante um ano, das terras em pousio. A Associação do Comércio e Indústria da Panificação já anunciou que o pão vai voltar a subir, este ano, entre os 8% e os 10%.

…”

 

 

Prolepse:

Campanha do Trigo

Registo inserido e validado por: Direcção Regional de Cultura do Algarve

 

Para incentivar o cultivo do trigo o Estado Português lançou esta campanha, através da qual atribuía uma série de regalias a quem o cultivasse. No Algarve esta traduziu-se por um aproveitamento dos terrenos da zona serrana, até aí incultos. As consequências desta campanha levaram a um intenso aproveitamento agrícola dos terrenos pobres. Abandonou-se quase por completo o tradicional sistema de rotação de culturas, deixando de se cumprir os prazos mínimos de pousio. Isto provocou um esgotamento dos solos.

Data inicial: 1928

Data final: 1934”

 

 

 

O Estado Novo

A Campanha do Trigo, iniciada em 1929, com os objectivos de garantir o auto-abastecimento e de “dignificar a indústria agrícola como a mais nobre e a mais importante de todas as indústrias e como primeiro factor de prosperidade económica da Nação”. Esta campanha consistiu em demonstrações técnicas do uso de adubos, assistência aos agricultores, escolha das sementes e organização de parques de material agrícola. Foi criado um subsídio de arroteia destinado a por em cultivo com trigo terrenos incultos e vinhas, bem como a garantia de aquisição da produção a preço tabelado. Embora se tenha conseguido aumentos da produção e até excedentes no ano favorável de 1932, a Campanha de Trigo é responsável pela acentuada erosão de muitos solos de encosta do nosso país. Refira-se que os acréscimos de produção foram conseguidos principalmente à custa do aumento da área cultivada e não do rendimento.

…”

(ALMEIDA, Domingos P. F. de, Evolução Histórica da Agricultura, Apontamentos de História em http://www.dalmeida.com, Agosto 2002)

Alentejo

“junho 23, 2004

ALENTEJO

GEOGRAFIA E HISTÓRIA

Na primeira metade do século passado, a imagem (mito) do Alentejo como celeiro do país consolida-se, justificando o crescimento populacional e o progressivo avanço dos campos cultivados sobre a charneca. Inspirado noutros exemplos europeus (caso de Itália), o Estado Novo retomará o mesmo rumo, lançando a partir de 1929, a Campanha do Trigo.

Embora breve – em 1937 o esforço está já terminado, sucumbindo às dificuldades de colocação externa do produto e ao rápido esgotamento dos solos mais pobres -, a Campanha do Trigo resultará num aumento ainda mais significativo das áreas cultivadas, ao mesmo tempo que revela a prazo, os limites (esgotamento) da imagem da superabundância que servia secularmente para caracterizar a região.

Invadidos pelo trigo, as regiões de solos delgados e xistosos depressa mostraram que a sua vocação não era cerealífera (vejam-se as terras da “região” campaniça). À Campanha do Trigo sucedeu, nos anos 60, outra tentativa política para, de novo, salvar, de fora, o Alentejo. Pretendia-se, como antes, reforçar a sua produção agrícola. Desta vez já não se tratava de estender a cultura tradicional do trigo, mas de substituir a cultura extensiva de sequeiro pela intensiva de regadio, ou seja, de implantar no Alentejo formas de produção que lhe eram quase completamente alheias (digo alheias, porque não houve desgraçadamente qualquer plano de formação ou de ajudas/financiamentos). Não através de obras pequenas, ao alcance de todos os agricultores, mas através de grandes empreendimentos financiados e executados pelos organismos estatais, o que implicava a sua utilização sobretudo por grandes empresas e escassas cooperativas.

Uma vez mais o Alentejo (será) seria o fornecedor explorado e não o beneficiário. O fim da Campanha do Trigo e as tentativas de regadio foram, aliás, suficientes para desmentir a vocação essencialmente cerealífera da economia Alentejana, mantida pelo Estado Novo e, até depois do 25 de Abril, tentada de certa forma, pela Reforma Agrária. Tivemos que esperar pela integração no espaço económico comunitário para se assistir à crise/falência total e aberta do sistema. Que Futuro?

…”

(Posted by dj_ac at 11:39 PM | http://albardeiro.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_06.html)

 

 

Dedução (argumentum ad judicium):

A incompetência, a ignorância, o oportunismo, o “economicismo” e a vaidade estultificante dos dirigentes continuam a ser os grandes obstáculos ao verdadeiro desenvolvimento do país.

 

 

 

 

“JUSTIÇA EM PRIMEIRO LUGAR

12. (…) Tudo isso fez com que o Senhor dos exércitos ficasse com grande ira 13. e dissesse: “Como eu chamei e eles não escutaram, agora também eles podem gritar que eu não escutarei. 14. Eu dispersei-os por todas as nações que não conheciam, e atrás deles a terra ficou vazia, sem habitantes. Eles transformaram num deserto esta terra deliciosa“…” (Zacarias 7)

Sobre a visita do Dalai Lama a Portugal

Uma transcrição de um texto magistral denunciando a hipocrisia do Governo português.

(pois é! parece que aos domingos me dá para as transcrições)

 

Caro Luís (quem quer que seja):

Espero que me perdoe a ousadia de transcrever, aqui no meu blogue, o texto do seu comentário, feito na caixa respeitante ao artigo Transparência e Opacidade, datado de 11 de Setembro de 2007, do blogue Do Portugal Profundo. Não consegui resistir. Gostaria de ter-lhe pedido autorização primeiro, mas não saberia como contactá-lo pois não indica qualquer endereço. Contudo, o texto é seu e eu estou à sua inteira disposição, quer para o retirar, quer para o completar com a sua assinatura – se essa for a sua vontade. Em meu nome e no nome daqueles (poucos, certamente!) que me lêem, muito obrigado.

“Dalai Lama é como todos sabemos um temível ditador, que não se coíbe de esmagar quem tenha ideias diferentes, nem que para isso tenha que enviar para as ruas os tanques de guerra para esmagar, por exemplo, estudantes seus opositores.

Dalai Lama é tão ou mais perigoso que Bin Laden, Carlos “Chacal”,etc..

Dalai Lama sempre utilizou a opressão e o terror tal como Fidel Castro, Stalin, Hitler, Kim Koreano,Mao Tsé Tung (ah! este não, este era um santinho, como a Kate etc…) para calar quem não partilha as suas ideias politicas e religiosas.

Dalai Lama ocupou selvaticamente, como todos sabemos, territórios da China democrática.

Assim sendo e porque os amigáveis, impolutos, pacíficos e democratas chineses impõem ao também amigável, impoluto, incorrupto e democrata governo do pinto de sousa, nada de figuras de estado junto desse perigoso terrorista.

E se isso acontecesse seria uma tragédia para o povo português, pois seria concerteza cancelado o envio de contentores de material feito na China, tudo original e trade mark, feito só por maiores de idade em excelentes condições de trabalho e com horários semanais do melhor que há no mundo.

Como seria para as mulheres não poderem comprar as tangas fio dental a 1€, ou os relógios de marca a 4€, como seria para os homens, impossibilitados de adquirir um jogo de chaves de parafusos a 1,50€ ou e os putos, que nunca teriam acesso àquelas interessantes bonecadas do Dragon Ball Z e mais as pistolas século XXII de néons e ruídos enervantes.

Agora receber esse tipo!…
Então?
Brincamos, ou quê?

O governo faz muito bem,…e, só gente de mente menor pode confundir isto com virar de costas e baixar as calças…aliás, nem o pinto de sousa faria isso,…nem nunca fez…acho eu…

Viva Dalai Lama
luis | 12.09.07 – 4:53 pm | #”

Sendo eu um cristão convicto, mas isento e equidistante com todas as convicções de fé diferentes da minha, jamais comentaria este assunto não fora ter dado (inadvertidamente) com o texto mais ignóbil que li nos últimos anos, postado num blogue.

“…

O Governo e a Presidência da República tomaram a atitude certa ao não receberem oficialmente esta individualidade. A nossa actual situação económica não se compadece com eventuais manifestações de solidariedade, mesmo que no âmbito da defesa dos direitos humanos, …”

Genocídio do povo tibetano

 

O asco que me provoca é tal que nem sou capaz de comentar. Nem será preciso, tão óbvia é a sua ignomínia para Portugal e para os direitos humanos.

 

Quando é que um financiador do PS e cônsul honorário do governo PS, afinal não é do PS?

Como nasce e morre no mesmo dia uma (má) notícia sobre o partido do Governo.

 

No dia 15 de Setembro de 2007, pelas 9 horas e 19 minutos, o serviço Última Hora – Publico.pt noticiava, pela mão de Nuno Amaral, num artigo com o título Polícia do Brasil solicita ajuda à PJ para investigar ligações do PS à “máfia dos bingos”:

“…

O coordenador do gabinete de comunicação da Polícia Federal (PF), Bruno Ramos, disse ao PÚBLICO que, no âmbito desta acção, foi solicitada “uma cooperação judicial e policial directa” a Portugal para averiguar o “eventual envolvimento de portugueses e alguns elementos ligados ao Partido Socialista” com o caso. …

Dois dos 25 implicados nesta megaoperação são empresários portugueses. Um deles, Licínio Soares Bastos – que chegou a ser nomeado cônsul honorário pelo Governo de José Sócrates -, foi o principal financiador da campanha do PS no Brasil, em 2005, e era proprietário da sede do PS no Rio de Janeiro.

Contactado pelo PÚBLICO, Vitalino Canas, o porta-voz do PS, referiu desconhecer esta investigação. “Se existe, sobre ela vigora o segredo de justiça. A confirmar-se, o PS aguarda serenamente o resultado desse processo”, afirmou. A PJ remeteu para mais tarde esclarecimentos sobre este caso. …”.

Monkey News

No mesmo dia, pelas 15 horas, o noticioso Portugal Diário actualizava o resumo desta mesma notícia, escrevendo:

“…

No entanto, já neste sábado à tarde, o mesmo Vitalino Canas desmentiu à RTP a existência de qualquer investigação: «Quero desmentir total e energicamente que haja qualquer investigação por parte de qualquer polícia sobre o partido socialista. O PS não tem qualquer ligação a qualquer máfia». …”.

 

Ainda no mesmo dia, pelas 16 horas e 36 minutos, o já referido serviço noticioso Última Hora – Público.pt publicava um texto sobre o mesmo assunto, agora referenciado como sendo da agência Lusa e completamente alterado relativamente ao original matinal, sob o título Operação furacão: Vitalino Canas nega que PS esteja a ser investigado. Escreve-se agora o seguinte:

“…

Vitalino Canas acusou o PÚBLICO de “travar um combate político” contra os socialistas, considerando que a notícia se “insere numa linha editorial hostil que o PÚBLICO tem desenvolvido nos últimos tempos”.

“O PÚBLICO está aparentemente a entrar em combate político contra o PS e nós agimos desmentindo sempre que temos que desmentir”, sustentou.

O processo em causa – sublinhou – apenas “diz respeito a pessoas individuais”. “A justiça tem de averiguar e eventualmente condená-los”, acrescentou. …”.

 

Coitadinho do PS, hostilizado pelo jornal Público, que afinal se limita a transcrever na notícia as declarações do coordenador do gabinete de comunicação da Policia Federal (PF) do Brasil, Bruno Santos. E o PS lá tem que desmentir (que maçada…) as afirmações transcritas com verdade no jornal. Um titânico “combate político” entre o fraco partido do governo e o poderosíssimo diário! David contra Golias! O que vale é que esta liberdade de escrever, com verdade, o que outros dizem, está a acabar, com a aprovação do novo estatuto dos jornalistas… pelos verdadeiros membros do PS – e só por eles, mesmo.

Os outros, o “cônsul honorário pelo governo português -, o principal financiador da campanha do PS no Brasil e proprietário da sede do PS no Rio Janeiro”, não são do PS: são “pessoas individuais” que “a justiça tem de averiguar e eventualmente condená-los”.

E assim, num só dia, o PS liquidou uma verdade inconveniente.

 

“… 14. Por isso, o direito se retirou e a justiça se manteve longe, porque a verdade tropeçou na praça e a sinceridade não tem acesso; 15. com isso a verdade desapareceu e quem se desvia do mal acaba por ser roubado. Deus viu isso tudo e pareceu-lhe mau, pois já não existe o direito. …” (Isaías 59)

 

 

Lisboa – Novo Aeroporto ou novo “Ageitoporto”?

(Parte 2)

Que poderosos interesses financeiros se movem por detrás desta decisão?

 

O problema da escolha da localização do novo aeroporto é que esta já estava enferma – de uma grave falta de democraticidade – mesmo antes de começar a colocar-se. Num país onde se praticasse a democracia, o(s) governo(s) teriam procedido do seguinte modo:

1º. Recepção do diagnóstico da necessidade da construção de um novo aeroporto, feito por entidade pública competente e isenta de outros interesses na questão;
2º. Condução do assunto perante a assembleia de representantes eleitos (a Assembleia da República, no caso português) para discussão e deliberação de execução;
3º. Encomenda de estudos aprofundados – não apenas económicos ou de construção – a entidades técnicas, públicas ou privadas, isentas de outros interesses na questão;

 

O Novo Aeroporto de Lisboa e a escassez de petróleo
por Demétrio Carlos Alves

1- INTRODUÇÃO
A questão do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) tem sido muito discutida, mas estas discussões têm incidido quase exclusivamente nas questões: 1) da localização; 2) da oportunidade do investimento face a restrições económicas e orçamentais; 3) da problemática ambiental no próprio sítio da sua implantação.
Contudo, há outras vertentes que têm estado praticamente ausentes do debate público. Uma delas é absolutamente fundamental: trata-se da questão energética no mundo pós Pico Petrolífero (peak oil). A outra é a questão ambiental no que respeita ao impacte atmosférico dos gases de escape dos aviões.

2- INFLUÊNCIA DO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS NA PROCURA DO TRANSPORTE AÉREO
A procura de transportes aéreos está intimamente ligada ao nível das tarifas, à frequência e à diversidade de ligações.

4- OS CUSTOS DO PETRÓLEO E SEUS DERIVADOS – IMPACTES SOBRE O TRANSPORTE AÉREO E INFRA-ESTRUTURAS AEROPORTUÁRIAS
As linhas aéreas americanas consumiram 18,5 mil milhões de galões [5] (84,1 mil milhões de litros) em 2004. Daqui pode-se deduzir que aproximadamente 20% da produção de refinados é constituída por jet fuel para a aviação civil.

Em Portugal, e de uma forma muito intensa, os custos da factura energética são já tremendos, como se poderá constatar no Quadro 4.

Quadro 4
Se seguíssemos a tendência apontada pelo Gráfico 1, embora esta ilação não seja rigorosa, teríamos o petróleo a US$ 80 por barril daqui por doze meses…”

 

4º. Publicação e discussão pública desses estudos, contendo várias hipóteses e sem designação de preferências por parte do poder para evitar movimentos especulativos;
5º. Consulta popular, provavelmente restringida ao conjunto dos municípios envolvidos nas hipóteses de localização, porque seriam esses os cidadãos directamente afectados pela escolha e não outros – cujos interesses passarão até pela melhoria de serviço nos outros aeroportos existentes na sua região;
6º. Finalmente, com todas as consultas feitas, todas as preferências manifestadas, o executivo tomaria uma decisão única, preparando nesse momento todas as acções legais respeitantes ao interesse público dos terrenos necessários para a infra-estrutura, por forma a não ficar na dependência da vontade e propriedade de terceiros.

Agora é tarde. O poder e o interesse público estão completamente à mercê do interesse privado, da especulação, das pressões institucionais (e outras) e de toda a espécie de tentativas de corrupção – ou jeitinhos, falando à portuguesa.

Jornal PÚBLICO
Associação Comercial do Porto vai avançar com estudo sobre Portela+1
19.06.2007 – 10h13m, Margarida Gomes, Filomena Fontes

O presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira, aproveitou ontem a brecha aberta pelo ministro das Obras Públicas, Mário Lino, para anunciar que já encetou contactos, junto da universidade e de empresas da região, para pôr em marcha um estudo alternativo à Ota e a Alcochete do novo aeroporto de Lisboa, que passa pela solução Portela+1.”

 

o-2-aeroporto-de-lisboa-no-montijo-4752_s.jpg

 

Blog CABALAS
“Segunda-feira, Junho 4
Novo aeroporto de Lisboa, onde?

E, o que é estranho em toda esta discussão é que aparentemente se deitaram fora algumas soluções aparentemente muito mais vantajosas, a de manter a Portela associando-lhe a pista de Alverca.

Aeródromo de Alverca

 

 

Tudo isto tem custos, enormes custos. Uma coisa que os portugueses – não todos, felizmente, mas a maioria, infelizmente, governantes incluídos – parecem não conseguir perceber, é que a esperteza é uma forma muito degradada e distorcida da inteligência, cujas consequências a médio ou longo prazo são onerosas e penosas.

Camelos

E assim, lenta mas seguramente, nestes novos tempos (ao contrário de outros cuja glória ainda nos é dado recordar), vamos construindo um futuro cada vez pior para Portugal.

 

“UMA CIDADE ALICERÇADA NA INJUSTIÇA

9. Ouçam isto, chefes … ; prestem atenção, governantes … , vocês que têm horror ao direito e entortam tudo o que é recto;

10. constróem (as cidades) … com perversidade.

11. Os vossos chefes proferem sentença a troco de suborno; os vossos sacerdotes ensinam a troco de lucro e os vossos profetas fazem oráculos a troco de dinheiro. E ainda ousam apoiar-se em Deus, dizendo: Por acaso, Deus não está no meio de nós? Nada de mau nos pode acontecer!” Miqueias 3

Mendes elogia Sócrates?


Porque, afinal, os amigos são para as ocasiões!

Uma amiga de há longa data, admirada com a minha recente improdutividade neste blogue, decidiu enviar-me um artigo muito interessante publicado no boletim municipal de Oeiras (Oeiras Actual, pág. 18) de Abril de 2001. É com o maior prazer que aqui o transcrevo parcialmente, enquanto estou a preparar um outro texto que requer uma pesquisa mais demorada.

“O Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, Engº José Sócrates, foi o orador convidado em mais uma conferência promovida pela Universidade Atlântica, no âmbito da iniciativa denominada “Conferências da Atlântica”, na Fábrica da Pólvora de Barcarena… Com o auditório daquele estabelecimento de ensino superior a apresentar a sua lotação esgotada, constituída, maioritariamente, por professores, alunos e diversos convidados, a dissertação de José Sócrates caracterizou-se pela sua postura na defesa intransigente de posições e de convicções muito próprias de quem, para além de ser membro do Governo, se assume como sendo, para além de defensor do meio ambiente, um defensor da qualidade de vida do Homem – duas “nuances”, que segundo o mesmo, estão interligadas. Aliás, o próprio Director da Universidade Atlântica, Dr. Luís Marques Mendes, ao apresentar o convidado, teve oportunidade de tecer elogios ao mesmo, sobretudo pelo seu idealismo e convicção “qualidades que enriquecem o debate”…”*

Ah! Mas afinal eles já eram amigos antes: Mendes, Sócrates, Durão, Isaltino, … De facto, isso explica muita coisa!

É sempre com uma pontinha de emoção que constato esta preocupação do ilustre conferencista convidado, o Eng.º (corrijo: segundo as mais recentes informações, o licenciado em engenheiria), com o ambiente e com a qualidade de vida do Homem, bem como as manifestações de estima e apreço destes senhores uns para com os outros. Isto é uma lição para o povo aprender!

Sem mais comentários, que o texto fala por si. E a imagem também: obrigado ao talentoso kaus do blogue wehavekaosinthegarden.

“O INÍCIO DA SABEDORIA

14.Quem teme ao Senhor aceita a correcção e aqueles que o buscam encontram o Seu favor. 15.Quem investiga a Lei, dela ficará saciado, mas para o hipócrita ela é motivo de queda. …” (Eclesiástico 32)

*Sublinhados do transcritor.