Category Archives: CIÊNCIA E TECNOLOGIA

O ciclone que varreu Portugal ontem visto do espaço.

Sequência de imagens de satélite*, hora a hora, entre as zero e as doze horas de sábado, 19 de Janeiro de 2012.

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*fonte: IPMA (ex INMG)

Nós, as crianças com ‘chip’ em Matosinhos e a Liberdade.

Nós é uma sátira futurista distópica, geralmente considerada o berço do género (…). O livro leva a extremos os aspectos mais totalitários e o conformismo da sociedade industrial moderna, descrevendo um Estado que acredita que o livre-arbítrio é a causa da infelicidade e que a vida dos cidadãos deve ser controlada com precisão matemática baseada nos sistemas de precisão industrial …
Nós (romance), na Wikipedia

A Junta de Matosinhos apresenta segunda-feira uma mochila escolar com um localizador de GPS dissimulado, que permite aos pais perceberem se os filhos se desviam das suas rotas normais.

O produto, que não é mais do que uma nova versão do Child Locator já comercializado, por 359 euros, pela Inosat, desde 2009 – … – estará dissimulado no saco. “Os pais só dizem aos filhos se quiserem”, assinalou ao PÚBLICO Luís Martins, da empresa de marroquinaria que o produz, …
Junta de Matosinhos quer crianças com GPS nas mochilas escolares,  01.09.2012, Abel Coentrão, no Público

“Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança”.
Benjamin Franklin, Liberdade, na Wikiquote

Deus, o bosão de Higgs e a importância das sombras.

Andam entusiasmadíssimos os cientistas, paracientistas e pseudocientistas; os jornalistas, escreventes, locutores, comentadores e paineleiros; os divulgadores, divagadores e outros basbaques porque terá sido encontrada (parece-lhes, dizem os mais prudentes)* uma «pegada» e uma «sombra» daquela que é considerada a mais elementar das partículas atómicas constitutivas do universoo bosão de Higgs ou partícula de Higgs [que] é uma partícula elementar hipotética, um bosão, o quantum do campo de Higgs. O campo e a partícula propiciam uma hipótese testável para a origem da massa nas partículas elementares. … o bosão de Higgs é também chamado a partícula de Deus …**

E do gravitão? Nem sombra dele, não é verdade?

Verdadeiramente espantoso é, no entanto, nunca eu ter topado alguém do grupo de pessoas acima descritas minimamente entusiasmado com outras sombras muito mais visíveis e efectivas, testemunhadas e descritas vai para 2 mil anos – … Formou-se, então, uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o.» … ou … traziam os doentes para as ruas e colocavam-nos em enxergas e catres, a fim de que, à passagem de Pedro, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles. … e todos eram curados. …

Como diz Abner Shimony, a ciência contemporânea é uma espécie de «metafísica experimental», mas há que constatar infelizmente que, no século XX, «a metafísica se tornou incompreensível».

*Após 48 anos e um número incontável de dinheiro gasto.
**Apesar de existir uma página da Wikipedia em português/brasileiro sobre o bosão de Higgs, o texto é tão mau que optei por traduzir um excerto da versão inglesa (os sublinhados são meus).

Gestão autárquica à portuguesa.

A Câmara Municipal de Óbidos dá ufana notícia de que prevê gastar apenas 400 euros na iluminação de Natal da vila (este ano, pressupõe-se) em vez de 3500 euros, por ter substituído todas as lâmpadas convencionais por lâmpadas LED.

Para produzir esta poupança de aproximadamente 3 mil euros a dita autarquia gastou – “investiu”, diz a notícia – 100 mil euros na aquisição das tais lâmpadas LED.

Fazendo uma conta muito simples, 1.º) pressupondo constante e igual a 3 mil euros o valor anual da poupança em consumo energético e, 2.º) não contando com prováveis juros a pagar pelos 100 mil euros gastos na compra, pode concluir-se que o “investimento” levará apenas(!) 34 anos a amortizar.

Se você ainda se questionava quanto à origem dos incomensuráveis gastos públicos neste país… bem, é só multiplicar este exemplo de “investimento” pelo número total de entidades do Estado existentes (do poder local e do central) e ficará com uma ideia do montante da conta (que lhe vão cobrar em impostos).

A notícia é omissa quanto ao valor que o município gastou no aluguer de de uma pista de gelo da classe A e de quanto irá gastar em todas aquelas tretas, perdão, acções ecológicamente correctas anunciadas, porque isso não tem obviamente importância nenhuma em face do valor da “preocupação ecológica” da empresa organizadora do certame.

Nota: A imagem que ilustra este postal é picada de uma outra notícia do mesmo jornal que divulga uma outra iniciativa cultural de grande valia mas incomparavelmente menos dispendiosa – um exemplo de que ainda é possível fazer coisas muito interessantes com pouca despesa.

Previsões do tempo (de crise) para o Sul da União.

E alguns esclarecimentos breves sobre cartas meteorológicas.
(clique nas imagens para ver)

A tempestade tende agora a afastar-se da Grécia e a intensificar-se sobre a Itália.

Itália: Desemprego dispara para os 8,3%
31 de outubro de 2011, Expresso (Economia)

Brevemente estará, forte, sobre a Espanha.

Geopotencial

Desemprego em Espanha atinge 4,36 milhões
3 de novembro de 2011, Expresso (Economia)

E, em seguida, virá a posicionar-se sobre Portugal. Inevitavelmente.

Desemprego jovem atinge os 27,1% da população
Portugal entre os piores
01 Novembro 2011, Correio da Manhã

Agora até pode acompanhar a Irene*

usando o serviço de acompanhamento da Google.

*Cuidado, que a Irene é uma verdadeira tempestade tropical. 😉

Atenção ao medicamento Nurofen.

A notícia é sobre o Nurofen Plus, uma variante do medicamento Nurofen que aparentemente não é comercializada em Portugal, e passa-se no Reino Unido onde a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA) já havia emitido em 25 de Agosto um “alerta de classe 4“.

LONDON | Fri Aug 26, 2011 4:39pm EDT
Aug 26 (Reuters) – British consumer products group Reckitt Benckiser (RB.L) is recalling all its over-the-counter painkiller Nurofen Plus in the UK after some packs were found to contain an anti-psychotic drug or an epilepsy medicine.

(tradução expedita: O grupo britânico de produtos de consumo Reckit Beckinser está a recolher todas as embalagens do seu medicamento de venda livre Nurofen Plus por todo o Reino Unido, após ter sido descoberto que algumas embalagens continham um anti-psicótico ou um medicamento para a epilepsia.)

Todavia, se eu estivesse a tomar ou a administrar a outra pessoa o medicamento de nome Nurofen sob a forma de comprimidos, iria observar com muita atenção o conteúdo da embalagem e não largava a linha do Infarmed até obter cabal informação  sobre o assunto.

Diz o (muito sensato) provérbio popular que “cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”. Por exemplo: se o seu filho/filha precisa de tomar um analgésico/antipirético e você tem dúvidas sobre qual será a dose correcta, use este simulador posto à disposição no sítio da Deco/Proteste.

Limitação de responsabilidade: Não me move qualquer interesse contra ou a favor de quem produz ou comercializa o medicamento mencionado. Este artigo é uma mera divulgação de notícia de interesse público.

Governo, mentiras e autocarros eléctricos.

Há pouco topei a seguinte notícia, vinda, com certeza, directamente da central noticiosa do governo:

A saída do primeiro autocarro eléctrico nacional 100 por cento eléctrico da fábrica da CaetanoBus, empresa da Salvador Caetano, cerimónia que contará com a presença do primeiro-ministro, José Sócrates, …
(Primeiro autocarro eléctrico português em testes, 2011-02-22, Agência Financeira)

Então e estes? São a vapor, não?

Autocarro eléctrico de Coimbra.

Em Coimbra circulam actualmente dezasseis (16) autocarros 100 por cento eléctricos fabricados em Portugal entre 1982 e 1986 pelas empresas Salvador Caetano e Efacec.

A mentirosa bajoujice do governo acolitada pela sandia ignorância de quem escreve a notícia. Sinceramente, não há mais paciência para suportar mentirosos e ignorantes. Há milhares de portugueses honestos e competentes desempregados ou mal empregados. Eles só precisam de compreender isso e a força do seu número. É na rua que estes porão na rua aqueles, ao contrário do que afirma com pesporrência esta pseudo-autoridade.

Duas notícias aparentemente sem qualquer ligação.

A petrolífera estatal venezuela PDVSA pediu um empréstimo de 1,5 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros) ao Banco Espírito Santo (BES), no início do ano, revela um telegrama da embaixada norte-americana em Caracas, divulgado pelo site Wikileaks. …
Engrenagem(Wikileaks revela que Chávez pediu 1,1 mil milhões ao BES, Filipe Alves, 10/12/10, Económico)

Iran is planning to place medium-range missiles on Venezuelan soil, based on western information sources[1], according to an article in the German daily, Die Welt, of November 25, 2010. According to the article, an agreement between the two countries was signed during the last visit o Venezuelan President Hugo Chavez to Tehran on October19, 2010. …
(Iran Placing Medium-Range Missiles in Venezuela; Can Reach the U.S., by Anna Mahjar-Barducci, December 8, 2010, Hudson New York)

A notícia do HNY foi encontrada aqui.

Uma nova cultura de ensinar e aprender.(3)

Continuado daqui (1) e daqui (2).
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Quero supor que este artigo, colocado pelo Paulo de forma discreta, seja uma reacção – quiçá mesmo, uma bem intencionada tentativa de iniciar uma discussão? – ao 2.º postal desta série sobre a cultura do aprender e do ensinar que vem sendo publicada aqui no Jardim.
Julgo que este 3.º e último postal responderá, de certa forma, a algumas das questões levantadas pelo autor do artigo em referência, Salvador de Sousa, professor – e não ex-professor como ele diz, porque não se deixa de ser professor quando se deixa de leccionar: ou se é, sempre, ou nunca se foi.
Cá vai a 3.ª e última parte.
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15. Toda a aprendizagem é (deve ser) orientada por objectivos e não por unidades lectivas (tempos).
Isto não significa, de modo algum, que a estruturação da distribuição e dos períodos destinados às diversas actividades dentro da Escola não tenha que ser feita – senão será o caos. O que se critica aqui fica bem ilustrado, por exemplo, pelo professor(a) que logo na 1.ª aula, mesmo sem conhecer uma turma (e a sua velocidade de progressão na aprendizagem), marca os testes para todo o ano lectivo.
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16. Por outro lado, nenhum professor pode/deve ser responsabilizado pela não aprendizagem de algum ou alguns dos seus alunos.
Ninguém pode obrigar outra pessoa a aprender. O processo de aprendizagem livre (não coerciva) é auto-motivado, isto é, depende da vontade de quem aprende – querer aprender.

17. A aprendizagem em grupos (turmas) estruturada por tempos lectivos parte forçosamente do pressuposto que todos os membros do grupo podem aprender à mesma velocidade – o que é falso.
Uma forma de ultrapassar esta questão é tentar que os indivíduos funcionem mesmo em grupo – trabalhando em conjunto, auxiliando-se mutuamente. No entanto, isto é agora praticamente impossível de fazer em meio escolar, porque os actuais sistemas de avaliação académica promovem o individualismo e a competição pela (falsa) certificação, em si mesma e não como corolário do saber ou da competência.
(Sim, isto tem muito de política: é o resultado de uma sociedade “de tendência igualitária” que não premeia a competência e, principalmente, não castiga a incompetência… E, sim, estou mesmo a pensar nesses em que você está a pensar também.)
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18. Os actuais sistemas de avaliação/certificação (como diz, e muito bem, o autor do vídeo em baixo) só promovem a desonestidade no processo de aprendizagem e favorecem os desonestos nas provas.
Um dos pressupostos mais nefastos da cultura educativa portuguesa é o de que não é permitido falhar. Quem erra cria para si, da parte dos outros, um estigma de incapaz. Ora, não é possível aprender, de facto, sem errar – tal como é referido já no ponto 13. do postal anterior a este.

19. Uma nova cultura de ensinar e aprender não começa na Escola (toda a gente já sabia esta, não é?). Começa em casa, no trabalho, nas férias… qualquer lugar serve para aprender àquele que o deseja.
Aprender começa por ser uma opção e torna-se depois uma “adicção” (do inglês addiction – vício, dependência). Como diz o autor do vídeo, o conhecimento não é como um hamburguer: quando se partilha, não só não se fica com menos, como muito provavelmente acaba por se ficar com mais.

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Nota: O facto de ninguém estar disponível neste momento (ou neste lugar, ou neste contexto, ou…) para discutir este assunto não impede que ele tenha que ser discutido, mais cedo ou mais tarde. Share what you know, diz o autor do vídeo mesmo no final. I’ve shared: now it’s your turn… 😉