A minha primeira espera*, na condição de presa.

Caça de esperaNa semana passada fui mandado parar, numa certa rua de Carcavelos, por um homem armado que imediatamente me informou eu iria ser multado. Após algum tempo de espera pela minha vez, que havia muita…, muita…, clientela, o dito homem armado lá conseguiu arranjar um bocadinho para mim e começou por me acusar mentirosamente de não ter parado num determinado sinal de stop que ele nem sequer via do sítio onde estava e onde eu não poderia ter deixado de parar dado o trânsito intenso no outro sentido, aquele com prioridade. A minha perplexidade demonstrada era tão grande que talvez até tivesse conseguido escapar-me ao injusto castigo, não fora a minha, muito inconveniente, personalidade altruísta ter-me feito expressar a indignação relativamente à espera ali organizada.

Passado este acometimento inesperado tentei, insistentemente, chegar à fala com o dito homem armado ou o chefe dele, convencido que seria possível demonstrar o óbvio da insustentável acusação. Debalde.

Sei que não devia deixar-me indignar, mas antes mostrar gratidão ao meu (certamente muito cansado, com todo o trabalho que lhe dou) anjo protector: afinal, há mais de vinte anos que não era assaltado, perdão, autuado. Mas, não consigo aceitar esta “igualdade” perante a lei entre o homem armado e a minha desarmada pessoa. A falsa acusação dele já me custou cem euros – multa ou caução no mesmo valor –, sem contar com o tempo perdido em diligências vãs. Se eu vier a acusar, com verdade, o homem armado de mentiroso (ou ladrão), a mesma lei permite-lhe processar-me por difamação não consiga eu arrolar factos e testemunhas suficientes para o provar (e como poderia eu fazê-lo?).

Há muito que não pagava por uma história para contar. O elevado preço desta, não tanto em dinheiro (que já não é pouco), mas especialmente em injustiça, decidiram-me a contá-la melhor e com toda a possível informação conexa. Ficai atentos.

4 responses to “A minha primeira espera*, na condição de presa.

  1. É a impotência no seu limite.

  2. Há pior, infelizmente. Muito pior…

  3. Sinais dos tempos?
    Nos tempos do antigamente, os viajantes tinham de precaver-se contra as emboscadas dos bandidos.
    Hoje em dia, as emboscadas continuam, mas os salteadores são antes aqueles que supostamenete estão aí para nos defenderem dos tais bandidos… os quais, aliás, agora já não têm necessidade nenhuma de se emboscarem!…

  4. Bem vinda, am.(miga)
    Tem toda a razão.
    Valores, zero. É tudo só por dinheiro – o deus desta sociedade. Quando descobrirem que o dinheiro não substitui a verdade, a honestidade e o respeito pelo outro… será provavelmente tarde demais para chegarem a saber o que é viver bem. E sentir-se-ão miseráveis, sózinhos, frustrados, deprimidos, doentes, rodeados (atulhados) de todas as coisas inúteis que compraram entretanto com todo o dinheiro que conseguiram “sacar” – como gostam de dizer.

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