Monthly Archives: August 2010

Patético: ‘Sócrates desafiou os empresários a investirem’

Sócrates faz apelo a investimento
2010-08-25, RTP-Notícias (vídeo)
… Sócrates desafiou os empresários a investirem e garantiu que o Estado vai continuar a apoiar quem decidir arriscar…

É uma espécie de cassete que repete  ciclicamente, talvez quando em estado de recaída alienante.
Vejamos por ordem cronológica, resumidamente:

Sócrates apela a investimento
13 Junho 2006, Correio da Manhã
… Sócrates, fez ontem em Paris um apelo ao investimento dos empresários franceses e luso-descendentes em Portugal, argumentando com os sinais de “restabelecimento da confiança” na Economia do País…

Sócrates apela à compra de painéis solares para ajudar a combater a crise
23.03.2009, Público
“Cerrar os dentes para enfrentar a crise”. Foi com esta expressão, repetida por duas vezes, que o primeiro-ministro procurou hoje incentivar os empresários nacionais…

Sócrates apela a investimento na modernização da Agricultura
18-11-2009, Diário IOL/Jornal de Negócios
… Sócrates pediu esta quarta-feira um maior esforço de investimento dos agricultores portugueses na modernização do sector…

Sócrates apela ao investimento para criar emprego
25 de Dezembro de 2009, jornal i
… Precisamos de continuar a apoiar as nossas empresas, com particular atenção às pequenas e médias empresas… (a propósito, veja aqui o resultado do apoio de Sócrates e do seu governo às PMEs)

Sei que muitos, muitíssimos, empresários gostariam, também, de fazer um apelo ao licenciadoSócrates finge ser engenheiro Sócrates: – Por favor, retire a sua enorme incompetência do cargo que ocupa para que a Economia possa recuperar.

É que já não há campanha de branqueamento da imagem que possa valer-lhe. É contraproducente: Todas reacções ouvidas a este favorzinho a fingir que é notícia lhe foram grandemente desfavoráveis – e a palavra mais repetida nos comentários foi “nojo”.

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De volta ao negócio.*

Fui só ali vestir o avental, que este “nacional sítio” parece estar cada vez mais sujo e mais abandonado. Ou será de eu vir de outros sítios mais limpos e cuidados?

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Volto já
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“Eles” já estão a “reentrar“… Este, por exemplo, não conseguiu sossegar nas férias, ‘tadinho… Nota-se que estão inquietos… Diria mesmo, nervosos. É que os plebiscitos são sempre muito incertos em tempos difíceis…Os pobres (ainda) votam.
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*Tradução mais ou menos literal da expressão inglesa: back in business.

A Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico.(2)

Logo ILC contra o AOLogo ILC contra o AOLogo ILC contra o AO

Atendendo ao que escrevia aqui o João Pedro Graça (supondo que seja ele a escrever) no passado mês de Junho, o número de assinaturas recolhido até aquela data rondaria somente as 3 mil e tal, das 35 mil necessárias para poder levar à votação no Parlamento a ILC que pretende suspender o aberrante Acordo Ortográfico imposto aos portugueses sem discussão pública.

Ora, isto causa-me uma enorme perplexidade. E levanta algumas perguntas que me incomodam:

Porque não enviaram ainda a sua assinatura na ILC as mais de 110 mil pessoas signatárias deste manifesto/petição anterior, que pretendia exactamente a mesma coisa?

Porque não assinaram já a ILC os mais de 76 mil membros  da Causa “Não queremos o Acordo Ortográfico” posta a correr no Facebook pelo João Pedro?

Por favor, alguém mais perspicaz do que eu pode explicar-me esta ocorrência que não me faz qualquer sentido?

Nota: Demora no máximo 10 minutos a descarregar, imprimir e preencher a folha de recolha de assinaturas. Custa no máximo o preço de 1 selo de correio enviar a folha preenchida para a morada de recolha – isto se não quiser digitalizá-la, após o preenchimento, e enviá-la em anexo a um e-mail para o endereço de recolha.

O Estado enquanto patrão: mau, arrogante e prepotente.

Amas da Segurança Social ameaçadas de despedimento pela própria Segurança Social
Publicada por FERVE em 20 Agosto 2010

Porque progridem os maus?
Senhor, Tu és demasiado justo para eu me queixar de ti. Mas, desejaria debater contigo sobre a justiça: Porque alcançam os maus tanto sucesso, e os pérfidos vivem tranquilos na sua malvadez?

Jeremias 12:1

Ai de mim! Os meus pés estavam quase a resvalar,
por um triz não escorreguei,
ao sentir inveja dos ímpios,
ao ver a prosperidade dos maus.


Salmo 73

O exportador de corruptos.

A propósito deste post e da notícia nele referida:

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… Se a gente conseguir exportar tudo quanto é corrupto que tem aqui, mesmo de graça vai dar um lucro que dá para pagar a dívida externa e ainda sobra. …

Como fabricar nitroglicerina social.

(método “socratialista”)

1. Ingredientes:
Juntar o maior número possível de pessoas sem ocupação laboral.

Para atingir este objectivo o mais rapidamente possível deve proceder-se da forma seguinte:

a) Tornar o mais difícil possível a entrada na vida activa aos que querem começar a trabalhar, de preferência insistindo até que eles desistam para que não venham, eventualmente, a ganhar o hábito.

Desempregados e deprimidos: jovens fogem em massa do mercado laboral
por Luís Reis Ribeiro, publicado em 18 de Agosto de 2010 no jornal i
Desemprego estabilizou em 10,6% porque o mercado de trabalho tem cada vez menos gente. Jovens, sobretudo.

b) Dificultar ao máximo a vida dos que, teimosamente ainda, insistem em trabalhar, usando para isso todos os métodos dissuasores à disposição da administração pública.*

Governo deixa de cobrar dívidas a falsos recibos verdes
Medida será aplicada com duas condições: contribuintes têm de prestar uma garantia sobre valores em dívida e interpor uma acção para provar que são trabalhadores por conta de outrem.
Por: Redacção / VC  |  11- 08- 2010 no Agência Financeira

2. Preparação:
Misturar os ingredientes no menor espaço possível (de preferência em meio urbano denso) e ir diminuindo sucessivamente todas as prestações de apoio social que existam ainda.

O processo completo compõe-se das seguintes acções:

a) Eliminar, administrativamente, milhares de desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego todos os meses (sem divulgar as razões).

Gráfico: Desempregados eliminados das listas do INE - Janeiro a Junho de 2010

b) Diminuir o número de desempregados que recebem subsídio de desemprego e ir obrigando os que ainda têm direito a recebê-lo a aceitar a passagem sucessiva para prestações de valor cada vez mais baixo com nomes cada vez mais compridos.**

Gráfico: Desempregados inscritos sem subsídio - Janeiro a Junho de 2010

Nota: clique nas imagens para aceder a sua fonte.

Quando a mistura começar a dar sinais claros de instabilidade, juntar algumas doses de repressão policial e afastar-se o mais possível fingindo que se não tem nada que ver com aquilo.

*Para tal, é indispensável produzir legislação que iniba quaisquer direitos para quem trabalha, aumente ao máximo as obrigações e encargos, e que simultaneamente imponha a “discricionariedade imprópria” em matéria fiscal (em especial a chamada “liberdade probatória“).

**Subsidio social de desemprego: 322,51€; Subsidio social de desemprego subsequente: 343,14€; Prolongamento do subsidio social de desemprego: 299,21€.

A revisão constitucional e a ditadura da estupidez.(3)

(em conclusão do iniciado aqui e continuado aqui)

2. A questão da substituição da declaração “tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito” por “não podendo, em caso algum, o acesso ser recusado por insuficiência de meios económicos” na redacção da alínea a), do n.º2 do artigo 64.º (Saúde), quanto ao direito de protecção da saúde.

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Estava em preparação este texto quando foi dada a notícia de que o PSD de PPC abandonava o projecto de revisão constitucional. Foi de pouca dura esta fonte de verdadeira discussão política com alguma profundidade neste país, única desde há muito.

Já questionava a seriedade de intenções de quem promove coisa tão efémera quando se me deparou esta chamada de atenção do José Manuel Fernandes, no Blasfémias, para um artigo do jornal i intitulado Peso das despesas com saúde em Portugal é o mais alto da UE. Depois do furioso rasgar das vestes que originou  no partido socialista a proposta mudança de redacção no constitucional artigo SNS morte64.º acima enunciada, os dados referidos na peça jornalística mostraram, com toda a clareza, que esta não é, não foi nem nunca pretendeu ser uma discussão séria.

Dito de outra forma, é apenas mais um faz-de-conta: a gente vai continuar a fazer de conta que tudo está bem por cá. Assim de repente, sem saber como, veio-me à memória a letra de uma velhinha canção festivaleira (1974, salvo erro) do José Cid intitulada No dia em que o Rei fez anos.

Quando ainda pensava que isto era uma discussão séria pretendia mencionar-vos o facto que qualquer definição num texto constitucional, por limitada que possa ser, é sempre preferível a qualquer indefinição, por grande que possa parecer. Cogitava também mostrar-vos o que refere a Constituição do país onde experimentei a melhor, mais rápida e mais eficiente protecção gratuita na doença, de entre os poucos (vita brevis) onde permaneci o tempo suficiente para poder fazer tal afirmação: a Suíça. Em apenas dois artigos, quatro parágrafos e duas alíneas:

Art. 41º
1 A Confederação e os cantões empenham-se, de forma complementar à responsabilidade individual e à iniciativa privada, para que:
a. todos disponham de segurança social;
b. todos recebam a assistência necessária para sua saúde;

Art. 117º Seguro contra doença e acidentes
1 A Confederação prescreve disposições sobre o seguro contra doença e acidentes.
2 Pode declarar obrigatório, em geral ou para determinados grupos da população, o seguro contra doença e acidentes.

Como repararam, a palavra ‘gratuito’ não consta de nenhum dos artigos transcritos. Mas, a assistência médica é (ou era, à data em que pude experimentá-la apesar de estrangeiro residente), de facto, gratuita, excepto para uma ou duas especialidades bem definidas (na altura, a medicina dentária não era gratuita).

Como é que tal é possível? Para perceber basta ler os artigos 111.º 112.º e 113.º, respeitantes ao cumulativo sistema de segurança social suíço, os quais não transcrevo aqui dada a sua extensão.
(se está mesmo interessado pode ler aqui (em google docs) ou descarregar daqui (em pdf) o texto em português da Constituição Federal Suíça)

É que os suíços, ao contrário dos portugueses, não exigem que o Estado “tome conta” deles. Eles preferem tomar conta de si mesmos – como faz qualquer adulto responsável e livre – e ainda fazem questão de escrever isso na sua própria Constituição:

Art. 6º Responsabilidade individual e colectiva
Toda a pessoa é responsável por si mesma e contribui, conforme a sua capacidade, para a consecução das tarefas no Estado e na sociedade.

Dir-vos-ia isto, e mais ainda, se achasse que valia a pena; se os portugueses quisessem levar a sério, como gente crescida, a discussão sobre o seu próprio futuro, em liberdade e com responsabilidade. Enfim, coisas parvas que me passam pela cabeça…

Aux armes, citoyens! / Às armas, cidadãos!

Formez vos bataillons ! Marchons ! Marchons !
Qu’un sang impur abreuve nos sillons !
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Formai vossos batalhões ! Marchemos ! Marchemos !
Que um sangue impuro penetra a terra do nosso sustento !
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(Satisfazendo o pedido insistente de uma amizade de longa data, aqui ponho a Marselhesa, na voz inesquecível da corajosa Piaf)

O presidente da República recomenda o livro de Vital Moreira

e Gomes Canotilho, Os poderes do Presidente da República (Coimbra Editora, 1991) às personalidades* – a quem chama “comentadores estivais” – que  solicitam a sua intervenção na pouca-vergonha crise institucional e funcional das magistraturas do Ministério Público.

O completo esclarecimento dos “comentadores estivais” e da demais populaça que tem os olhos postos na excelsa figura de v. ex.ª O idiota, de Dostoievski - capaobrigam a perguntar ainda: A obra que recomenda deve ser usada como livro de texto ou de consulta? Como manual ou sebenta?

Já agora permita-me, daqui deste humilde jardim e com todo o respeito que v.- ex.ª merece, sugerir-lhe como leitura estival a magistral obra de Dostoievsky, O Idiota.
(para poupar tempo a v. ex.ª, sempre tão ocupado a ir e a vir, basta clicar aqui para descarregar o livro em ficheiro pdf)

*Paulo Rangel, João Cravinho, Ana Gomes, José Miguel Júdice e Fernando Nobre.

Still / Tranquilo.

Find rest my soul, in Christ alone…
In quietness and trust…
I will soar with you above the storm…
I will be still and know you are God.
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