Tag Archives: economia

Colonialismo, neocolonialismo ou colonialismo económico?

O paradigma da relação de Portugal com a Alemanha.

made in germany portuguese cork

“O colonialismo é um exercício de dominação que envolve a subjugação de um povo a outro. Uma das dificuldades em definir colonialismo é que é difícil de o distinguir de imperialismo. …”
(tradução imediata de um excerto da definição constante aqui)

“neocolonialismo – a dominação de um país pequeno ou fraco por um país grande ou forte sem assumir directamente o seu governo.”
(tradução imediata da última definição constante aqui)

“Dito de forma simples, o colonialismo económico é um colonialismo, mas apenas em termos de negócios ou Economia. (…) Tipicamente, os países poderosos investem capital em nações subdesenvolvidas e o retomam com lucro. … Normalmente, tais investimentos pelos países mais ricos têm condições, sendo um dos exemplos mais comuns dessas condições a venda de recursos públicos, como os serviços de abastecimento de águas, a empresas privadas. …”
(tradução imediata de um excerto do texto explicativo constante aqui)

Advertisements

A destruição e a morte nunca trarão bem algum.

Mais pobreza nos AçoresEm terra onde cresce a pobreza incineram-se incineravam-se até há pouco tempo centenas de vitelos todas as semanas. Em nome da “correcção dos mercados“.(*)

A destruição da capacidade produtiva do país continua a mando de Bruxelas. Agora E assim tem sido também nos Açores. Foi exactamente assim que aqui no continente destruíram os olivais e nos obrigaram a importar azeite de baixa qualidade;  destruiram os pomares para nos obrigar a importar fruta desenxabida; destruíram as vinhas e nos obrigaram a importar vinhos mais caros e de qualidade inferior aos nosso; foi assim que destruíram a frota de pesca costeira e nos obrigaram a importar peixe congelado. Se os açorianos forem nesta conversa vão acabar a comprar leite, queijo e carne de vaca aos senhores do império europeu – a Alemanha, a Áustria, a Holanda, …

(*)”Corrigir” os mercados relativamente a um produto de oferta abundante é como chicotear as ondas para as obrigar a mudar de direcção. Os mercados não se corrigem, conquistam-se. Esta gente segue acefalamente os ditames dos senhores do império europeu em vez de lhes seguir o exemplo: manter ou aumentar a produção para inundar e dominar o mercado, vendendo a dumping se for necessário, durante o tempo que for necessário . Como é que se explica a esta gente que os 50 euros que pagam os exportadores de carne por cada vitelo têm mais valor para o seu futuro do que os 75 euros que paga a UE para destruir os animais? Alguns dos mais conceituados analistas económicos são actualmente unânimes quanto à real origem da actual crise financeira dos países do Sul da Europa: o aumento do financiamento da dívida desses países pelo BCE (e a unanimidade acaba aqui), segundo alguns (R. Koo’s Balance Sheet Recession) para que esses países suportassem o aumento das exportações da Alemanha que lhe permitiria a saída da crise (profunda) do princípio dos anos 2000, segundo outros para que as economias super-aquecidas dos países periféricos suportassem a quebra das importações da Alemanha durante esse mesmo período, segundo outros ainda por outras razões mais complexas.

Nota de correcção: Este artigo viu o seu texto alterado poucas horas depois da sua publicação aqui (mantendo-se, ainda assim, o texto anterior com sinal de rasurado) tomando em consideração a correcção feita pelo jornal Público quanto a actualidade desta sua notícia: http://www.publico.pt/economia/noticia/milhares-de-vitelos-com-15-dias-abatidos-nos-acores-a-troco-de-subsidio-da-ue-1611484

Este postal mantém, no entanto, confirmadamente, a sua actualidade no que respeita ao agravar das situações de pobreza no arquipélago açoriano.

Carta a Gaspar.

Aberta, para que – não dispondo eu de alguém de confiança por quem a enviar – qualquer pessoa a possa levar.

.

Senhor ministro Vítor Gaspar,

Dirijo-lhe esta porque o vejo, tal como o governo de que faz parte, tão distante dos cidadãos como estava o famoso general Garcia lá pelas montanhas do Oriente e, tal como ele, encurralado na escolha entre lutar só contra os interesses instalados ou colaborar com a potência federal.

Não tem a presente como objectivo censurar a sua governação, apesar dos seus reconhecidamente medíocres resultados, mas oferecer-lhe ajuda, pois quero acreditar nas suas boas intenções. Também sei perfeitamente que, muito provavelmente, tenderá a não levar a sério a minha oferta, o que será um erro. Mas, também nisto, o aceitar ou não é escolha sua e nada mais há que eu possa fazer, na minha insignificância, para além de oferecer e garantir que a oferta é feita com séria intenção.

Coloco-me, pois, à sua disposição para lhe propor uma inversão da actual espiral recessiva com apenas três medidas, a saber:
– Uma que trará resultados imediatos no relançamento da Economia;
– Outra, que equilibrará rapidamente as contas da Segurança Social;
– Outra ainda, que fará o refinanciamento imediato do erário público.

Nenhuma dessas medidas prevê aumento de impostos ou novos impostos sobre os cidadãos, mais confiscos de parcelas salariais, quebras contratuais nas PPP, taxas sobre capitais ou outras medidas de financiamento com efeitos negativos para o relançamento da actividade económica. Antes pelo contrário.

Gostaria de deixar muito claro que não me dirijo a si em representação de alguém, para além de mim mesmo e de Deus, que não me movem quaisquer interesses comerciais, corporativos ou ideológicos, e que não pretendo posições de poder, influência ou enriquecimento fácil.  Mas, também, que não darei conhecimento das medidas deste quadro de acção gratuitamente, que elas terão um custo, pois não seria de modo algum justo indicar caminhos capazes de resgatar um país sem qualquer compensação.

Por último, quero ainda deixar bem claro que não aceitarei falar com intermediários, qualquer que seja a sua posição no governo ou fora dele, mas apenas com o senhor ministro Vitor Gaspar, em pessoa. Para me fazer saber da sua disponibilidade use, por favor, o e-mail que consta da minha breve descrição pessoal neste blogue onde publico a carta. Fico ao dispor.

Os melhores cumprimentos.

Os dilemas do Gaspar.

O generoso GasparDéfice orçamental atinge 8.145 milhões perto do limite anual
23/11/12, OJE/Lusa
O défice da administração central e da Segurança Social atingiu os 8.145 milhões de euros em Outubro, segundo os critérios relevantes para a Troika. …
… Os critérios da Troika não incluem os impactos dos pagamentos de dívidas atrasadas do Serviço Nacional de Saúde (menos 1.408 milhões de euros) nem a receita da transferência dos fundos de pensões da banca (mais 2.784 milhões de euros).

Quebra na receita dos impostos indiretos atinge 5,2%
23/11/12, OJE/Lusa
… No início do ano, vários produtos e serviços (por exemplo, a restauração) subiram de escalão do IVA, passando para a taxa normal (23%), e o Governo esperava que a receita deste imposto aumentasse este ano.

Receita fiscal caiu 4,6%
23/11/12, OJE/Lusa
… No caso dos impostos directos, a receita do IRS cresceu 2,7% até outubro – muito menos do que estava a crescer na primeira metade de 2012. Este abrandamento está relacionado em parte com o efeito do corte do subsídio de férias a funcionários públicos e pensionistas (que, consequentemente, não pagaram IRS relativo a esses rendimentos).
Quanto ao imposto sobre o rendimento das empresas, a receita com o IRC caiu 19,9%, uma variação muito mais negativa do que o previsto pelo Governo. …

Façamos o seguinte para o Natal

Divulgo aqui a seguinte mensagem que vem circulando pelo Facebook:

“Façamos o seguinte para o Natal: Compremos os presentes a pequenas empresas e artesãos: À vizinha que vende por catálogo ou pela internet, a artesãos que conheçamos, à amiga que tem uma loja no bairro, ao pasteleiro que faz os doces artesanais, ao rapaz que tem uma banca no mercado… Façamos o dinheiro chegar às pessoas comuns e não às grandes multinacionais. Assim haverá mais gente a ter um melhor Natal. Se achas que é uma boa proposta, copia e cola no teu mural. Apoiemos a nossa gente. :)”

E acrescento:

Em vez de ir às grandes superfícies comerciais comprar produtos industriais de qualidade duvidosa, vá ter com a vizinha ou conhecida que você sabe estar a passar por dificuldades – por desemprego ou falência dela e/ou do(s) familiar(es) mais próximo(s) – e peça-lhe para lhe fazer os bolos e fritos de Natal; vá a feiras de artesanato comprar os presentes – se procurar há de tudo, desde brinquedos, roupas e sapatos até livros, cadernos e enfeites natalícios.

Não dê trocos anonimamente em campanhas de “arredondamento” – que as grandes cadeias aproveitam para fazer publicidade a si mesmas, usando o seu dinheiro e a sua boa vontade – mas vá ter com pessoas suas conhecidas, inteire-se das necessidades delas e ajude-as pessoalmente a ultrapassar alguma ou algumas dessas necessidades; ou, se não tem mesmo disponibilidade para o fazer – mas não se esqueça que a dádiva mais importante é o seu cuidado pelas necessidades do seu semelhante – faça as suas doações a pessoas de confiança que dedicam o seu tempo a acções de ajuda dos mais necessitados – nas igrejas, nos centros paroquiais, lares de terceira idade, hospitais, etc.; e, por favor, saiba a verdade e não ajude a engordar o monstro.

A Economia está no estado em que está porque a maioria dos economistas se esqueceu do mais básico princípio econométrico (que são as mais básicas operações aritméticas): dar (adicionar) é crescimento e vida, tirar (subtrair) é contracção e morte.

Leitura recomendada ao coelho antes da visita da mehr-kelle*.

clique para ver o resumo (em alemão)

Nota: Caso não consiga ler em alemão, que seria o mais recomendável, o livro existe também traduzido para português com o título A Vaca – veja aqui.

*Deve ler-se sem sotaque alemão. (Experimente também traduzir no Google.)

Porque matam os profetas e pagam aos charlatães?

Ninguém está interessado em saber a verdade sobre si mesmo e sobre o seu futuro. O que as pessoas querem é que alguém lhes invente uma personagem e um futuro, falsos mas agradáveis. Querem mesmo ser enganadas! Gostam realmente de andar iludidas!

Esta é a razão porque tanta gente procura e paga a astrólogos, tarólogos, videntes, cartomantes, ideólogos políticos e económicos, e a outros “adivinhos“, mas odeiam e destroem, logo que podem, os anunciadores da verdade.

Porque os ídolos domésticos dão falsos oráculos, os adivinhos têm visões enganadoras, anunciam sonhos mentirosos, pronunciam coisas fraudulentas; por isso, eles se afastam como um rebanho, andam errantes, porque não têm pastor.
Zacarias 10, 2

Nota: Levei anos para constatar uma coisa tão simples… Que pequena inteligência, que desilusão de mim mesmo!

Foi você que pediu previu uma conta congelada?

Quem puder ler, leia.

No passado domingo, dia 13 de Maio de 2012, Paul Krugman, o laureado economista que previu – e se fartou de avisar sobre – a corrente crise financeira e consequente recessão económica, escreveu um artigo com o título Eurodämmerung (tradução: euroanoitecer) no seu blogue de opinião pessoal no New York Times. (Se tem dificulade em entender o inglês, pode ler basicamente a mesma coisa em italiano aqui)

Dois dias depois, anteontem terça-feira, dia 15 de Maio de 2012, o Jornal de Negócios trouxe à estampa uma notícia  com o título Gregos retiraram 700 milhões de euros de depósitos só esta segunda-feira .

Quem tiver entendimento, entenda.

Quer explicar, doutor Gaspar, porque é que as exportações crescem e o PIB contrai?

Exportações aumentam 15,1% e importações caem 3,6%
Publicado em 2012-01-09 (Jornal de Notícias)

Exportações aumentam mais de 10%
Por Redacção, 2012-04-09 (Agência Financeira)

Fitch. PIB português vai cair 3,7% em 2012, mais austeridade é “provável”
Por Agência Lusa, publicado em 27 Mar 2012 (jornal i)

OCDE: Portugal tem maior queda do PIB em 34 países
Por Redacção, 2012-04-05 (Agência Financeira)

Ou então, dado vossência estar provavelmente muito ocupado a fazer demagogia, digo, política, talvez possa pedir ao seu amigo e colega doutor Catroga – homem a quem não escapam os mais ínfimos pêlos, digo, pormenores – que venha fazê-lo em seu lugar?

Nota: Caso não dê jeito a nenhuma de vossências vir a público esclarecer esta pilosa, digo, delicada questão, eu tenho cá uma teoria… Acham que diga?

Fisco não se deixa enganar por cegos com declarações médicas anteriores a 2009.*

Esta abantesma, com o aval destoutra inenarrável criatura, criou este monstro. É claro que o mal existe, meu caro Pedro, tomando formas que não têm nada que ver com as que descreve. O dito monstro é o fautor da destruição da Economia portuguesa. Digo-o sem a mais leve sombra de dúvida. Reparem que digo Economia e não Finanças. Muita gente as confunde mas são bem distintas. Não falo da “crise financeira”, que é global. Falo da crise económica portuguesa, da destruição do tecido produtivo nacional por uma coerção fiscal desenfreada, um abuso de autoridade inaceitável do Estado sobre os cidadãos e as empresas.

Os estudos oficiais apontam para uma Economia “não declarativa” na ordem dos 20 a 25%, mas esta percentagem já terá atingido certamente valores na ordem dos 30 a 35%. Qualquer economista, mesmo daqueles de fala lenta,  vos dirá que assim não há gestão económica pública possível. Para dar uma imagem do que provoca a pressão fiscal em Portugal nos últimos anos, digo-vos que é como um jogo de futebol cujo árbitro vai castigando com expulsão sucessivamente todos os jogadores à medida que vai marcando faltas e mais faltas, na maior parte dos casos inexistentes. Nesta imagem, as equipas já estariam a jogar apenas com 4 ou, no máximo 5, jogadores de cada lado.

Se não prenderem o monstro, se continuar a perseguição fiscal sobre os cidadãos, se não deixarem as pessoas voltar à Economia declarativa, a espiral económica decrescente acentuar-se-á. Continuando a usar a imagem futebolística anterior, se não mudarem o árbitro o campeonato não terá mais jogos porque todos os jogadores estarão castigados – e não havendo jogos não há receitas. Ou melhor, o que acontece não é a suspensão do campeonato, porque isso seria impossível, mas é permitido aos jogadores continuarem a jogar à custa de coimas pesadas para eles (indivíduos) e para os seus clubes (empresas), que se tornam assim escravos da entidade que tem poder executivo e judiciário para estabelecer as penalizações pecuniárias (o fisco).

A Economia de um país não é o resultado da actividade de meia dúzia de grandes empresas operando com o beneplácito do Estado. A Economia (saudável) de um país é fruto da iniciativa, do trabalho, do esforço e da actividade livre de todos e de cada um dos cidadãos, tanto os que têm actividades monetarizáveis, como aqueles que não as tendo suportam os que as têm. Acho espantoso que eminentes economistas em Portugal pareçam não saber estes factos elementares.

*Notícia da Antena 1.

Nota: Já agora, não é preciso ter o dom da profecia para poder afirmar que a abantesma referida no início deste texto vai fazer ao SNS o mesmo que fez anteriormente à Economia nacional. Se o deixarem.