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Que nome se deve dar a quem confunde a verdade com falta de educação?

J. Sócrates, Manual do CharlatãoAté pode não se simpatizar com Soares dos Santos – eu, por exemplo, não simpatizo. O que não se pode é chamar-lhe mal-educado porque ele afirma que “truques é para o Sócrates” “Eles é que gostam de truques”, pois isso é uma verdade absolutamente comprovada:

… O Governo está a usar todos os expedientes possíveis e a uma velocidade nunca vista para contrair empréstimos nos mercados internacionais e conseguir chegar ao final do primeiro semestre sem entrar em incumprimento e ter de recorrer à ajuda externa.
Um dos instrumentos em grande ascensão é a emissão secreta de dívida, as chamadas colocações “privadas” junto de investidores, como China, Brasil e outros países com excedentes.

(Dívida pública secreta já vale 2,5 mil milhões, 24/02/2011, DN Economia)

Six (hundred) feet under.

Buraco orçamental sócrates-teixeira
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Dedicatória: A todos os optimistas e confiantes votantes PS.

OE, mentiras e vídeo.

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Podem ver aqui a letra original em japonês e aqui a tradução automática para português:

 

As milhares de histórias que eu abarrotei dentro de meu bolso.
O que devo contar hoje; Estou sob o céu noturno.


Por favor, acredite neste eu que está na sua frente, que canta estes contos de fada para você.

Repugnante!

O dinheiro enquanto dívida – Money as debt

Espantoso não é decorrer uma crise financeira, mas apenas ter demorado tanto tempo a aparecer.

Perceba porquê:

 

 

A economia irlandesa entrou em recessão no segundo trimestre do ano, tornando-se, assim, o primeiro país da Zona Euro a entrar em recessão.
Após dois trimestres consecutivos de contracção económica, a Irlanda entrou em recessão técnica, definida como dois trimestres consecutivos de contracção do PIB em cadeia. No segundo trimestre, a Irlanda contraiu-se 0,5% face aos primeiro três meses do ano, altura em que já tinha registado uma contracção de 0,3%.
Esta recessão coloca um ponto final em mais de uma década de expansão económica iniciada em meados dos anos 90 e impulsionada pelo sector exportador. Na última década, a economia irlandesa cresceu a uma média 7% ao ano, três vezes a média da Zona Euro. …
(Jornal de Negócios, Economia Irlandesa entra em recessão, por Ana Luísa Marques, publicado 25 de Setembro 2008)

… A definição técnica de recessão mais consensual entre os economistas é a de um crescimento negativo do produto em dois trimestres consecutivos. De acordo com esta definição, Portugal, nos últimos anos, não está em recessão. 2003 foi o único ano de crescimento negativo do produto: nesse ano o produto português terá diminuído 0,8%. Em 2005, cresceu 0,5%, em 2006, 1,2% e, em 2007, a economia portuguesa cresceu 1,9%. …
Estimativas num trabalho de investigadores do Banco de Portugal indicam que entre 2001 e 2005 o produto potencial português variou entre 1 e 1,5%. …
(A recessão da economia portuguesa: uma questão semântica? publicado 7 Março 2008, por Fernando Alexandre no blogue A Destreza das Dúvidas)

Oh, pá! Coitadinhos dos Irlandeses! E se nós lhes mandassemos o nosso inacreditável ministro dos impostos das finanças, para os enterrar ajudar nesta hora de crise?

… Interrogado sobre o “timing” para a adopção destas medidas, o titular da pasta da Finanças frisou que as mudanças a introduzir “não serão de curto prazo ou de emergência”.
“Sejamos claros: Portugal não está numa situação de emergência; quem está numa situação de emergência são os Estados Unidos”, vincou.  …
(Semanário, Pequenos bancos sem “funding” poderão entrar em colapso, 26 Setembro 2008)

Exactamente como se vê por aqui:

Por exemplo o Deutsche Bank, mais endividado do que a média (rácio de alavancagem de 50), tem passivos de dois biliões de euros, ou seja, mais de 80% da dimensão da economia alemã! … (Meia Hora, E se a “coisa” chega cá? por Filipe Garcia, 26 Setembro 2008, pág 19)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta o valor estimado das perdas relacionadas com a crise financeira para 1,3 milhões de milhões de dólares (quase 900 mil milhões de euros). Este valor fica 30% acima da previsão anterior. … (Meia Hora, Perdas chegam aos milhões de milhões, 26 Setembro 2008, pág 18)

As taxas de juro do mercado monetário continuam em forte alta, revelando que os bancos estão cada vez mais relutantes em emprestar dinheiro entre si, à medida que cresce o pessimismo sobre a aprovação do plano para combater a crise nos Estados Unidos. … (Meia Hora, Euribor não pára de alcançar recordes, 26 Setembro 2008, pág 18)

Oh , pá! Coitados dos alemães! Os portugueses têm mesmo sorte, como aliás se pode ver a seguir:

Crise chega à banca portuguesa
A economia parou. Não há liquidez no sistema, os bancos estão sem liquidez e a venda de activos é lenta. Por outro lado, não há poupança para substituir o endividamento externo dos bancos nacionais. E a banca praticamente depende da liquidez cedida pelo banco central, que este ano é 23 vezes superior à do ano passado. …
(Semanário, Pequenos bancos sem “funding” poderão entrar em colapso, 26 Setembro 2008)

Portugal está efectivamente em recessão económica.

Mas porque o negam tão desesperadamente Teixeira e Constâncio?

 

Avestruz

 

No passado dia 3 de Março de 2008, no decurso da sua intervenção na conferência “As Grandes Reformas Nacionais” promovida pela Associação Industrial do Minho, o economista Miguel Cadilhe afirma que Portugal se encontra em “recessão grave” desde 2002/2003 e defende que “o mau desempenho económico” do país deveria levar o Governo a accionar as cláusulas de excepção do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC).1

 

No dia seguinte, 4 de Março, O ministro das Finanças classifica de “gratuita”, “alarmista” e sem fundamentação técnica a afirmação de Miguel Cadilhe de que “Portugal está em recessão económica grave”. […] Convidado a comentar a afirmação do antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva, Teixeira Santos, que se encontra em Bruxelas numa reunião de ministros das Finanças da União Europeia, disse aos jornalistas que essa afirmação não tem nada a ver com a realidade da economia do país.2

 

Há apenas 4 dias atrás, 15 de Julho de 2008, Luís Reis Ribeiro escreve no Diário Económico que Os alarmes soaram mas os economistas ainda evitam a palavra recessão. Com o desemprego a subir há dois meses consecutivos e o índice de produção industrial no valor mais baixo desde 1992, soaram os alarmes na europa. mas os Economistas ainda recusam a expressão. […] Os países mais pequenos e dependentes do comércio externo, como é o caso de Portugal, estão especialmente vulneráveis neste jogo. Fora da zona euro, o cenário é mais delicado: a Dinamarca entrou mesmo em recessão técnica no primeiro trimestre deste ano (dois trimestres seguidos de contracção do PIB), o Reino Unido para lá caminha, têm dado a entender vários observadores.3

 

 

No mesmo dia, 15 de Julho de 2008, O governador do Banco de Portugal afastou […] a hipótese de uma recessão económica em Portugal e até na Europa. Mas admite que, a nível mundial, a situação está a piorar a olhos vistos.7

 

Mas, afinal, está Portugal em recessão ou não? Sendo a Economia apenas uma ciência social, sem padrões exactos e universais, tudo depende dos conceitos e modelos escolhidos na análise.

 

Use-se, por exemplo, a definição de recessão da Cisco Investments:

 

A significant decline in activity spread across the economy, lasting longer than a few months. It is visible in industrial production, employment, real income, and wholesale-retail trade. The technical indicator of a recession is two consecutive quarters of negative economic growth as measured by a country’s GDP.

Tradução: Um declínio significativo em todas as actividades económicas, com duração de alguns meses. É visível na produção industrial, no emprego, no rendimento real e no comércio grossista e retalhista. O indicador técnico de uma recessão são dois trimestres consecutivos de crescimento económico negativo medido pelo PIB de um país.

 

Veja-se, ponto por ponto:

 

1. Haverá em Portugal um declínio significativo de todas as actividades económicas? Veja-se o que afirma o Informação Estatística > Publicações”>relatório da Síntese Económica de Conjuntura do INE respeitante a Junho de 2008:

 

Actividade económica: O indicador de actividade económica apresentou uma forte desaceleração em Maio, retomando a trajectória descendente iniciada em Janeiro e atingindo o valor mais baixo do último ano. A informação proveniente dos Indicadores de Curto Prazo, disponível para Maio, apontou para um menor dinamismo da actividade económica em todos os sectores: serviços, indústria e construção. […] O índice de volume de negócios nos serviços abrandou significativamente em Maio, retomando o movimento de Março e apresentando o crescimento homólogo mais baixo desde Junho de 2006 (0,7%, menos 2,8 p.p. que no mês anterior). Refira-se que a variação homóloga mensal do índice total passou de 4,6% em Abril para 0,0% em Maio. O índice de volume de negócios na indústria transformadora também desacelerou de forma significativa em Maio (3,4 p.p.), retomando o movimento observado em Março, ao apresentar um crescimento homólogo nominal de 2,5% (mínimo desde Fevereiro de 2006). […] O índice de produção da indústria transformadora passou de uma taxa de variação homóloga de 1,0% em Abril para -1,6% em Maio, retomando a trajectória descendente observada desde Maio de 2007 e atingindo o valor mais baixo desde Julho de 2005. O comportamento apresentado em Maio deveu-se ao movimento no mesmo sentido registado em todos os agrupamentos industriais. Note-se que este índice passou de uma variação homóloga mensal de 4,0% em Abril para -5,3% em Maio. […] Consumo: Em Maio, o indicador quantitativo do consumo privado reforçou o movimento descendente dos dois meses anteriores, atingindo o valor mais baixo desde Agosto de 2006, em resultado da desaceleração quer do consumo corrente, quer do duradouro. […] Investimento: os licenciamentos de novos fogos e habitações apresentaram em Maio diminuições significativamente mais intensas que no mês anterior atingindo o valor mínimo desde Fevereiro de 2001 e Setembro de 2003, respectivamente. […] O indicador referente ao material de transporte retomou em Maio o movimento descendente observado desde o início do ano, passando a situar-se abaixo da média da respectiva série. […] as vendas de veículos comerciais pesados têm vindo a desacelerar desde o início do ano, apresentando crescimentos homólogos de 8,8% e 4,6% em Maio e Junho, respectivamente. […] As vendas de veículos comerciais ligeiros reforçaram a trajectória descendente observada desde Julho transacto. Assim, a sua taxa de variação homóloga passou de -20,2% em Maio para -38,1% em Junho, enquanto a sua variação homóloga mensal passou de -21,2% para -59,5% nos mesmos períodos.O indicador de máquinas e equipamentos, disponível até Junho, abrandou significativamente, prolongando o movimento descendente observado desde o final de 2007 e atingindo o valor mais baixo desde Setembro de 2006. […] Mercado de Trabalho: Segundo o IEFP, as ofertas de emprego registadas ao longo do mês nos centros de emprego retomaram a acentuada trajectória descendente observada desde o início do ano, passando de uma variação homóloga de 1,4% em Abril para -3,5% em Maio e atingindo o mínimo dos últimos três anos. O desemprego registado ao longo do mês tem vindo a aumentar significativamente desde Fevereiro, observando-se variações homólogas de 5,3% em Abril e de 7,7% em Maio (máximo desde Junho de 2005). […] Em Junho, a inflação mensal foi de 3,4%, mais 0,6 p.p. que em Maio, prolongando o movimento ascendente anterior e atingindo o valor mais elevado dos últimos dois anos. Destacam-se os contributos positivos para a aceleração do índice total da classe de “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas”, com um contributo de 0,4 p.p. 4 […]

 

Está demonstrado que há.

 

2. Terá continuado no 2º trimestre de 2008 (Abril, Maio e Junho) a variação negativa no crescimento do PIB já verificada no 1º trimestre?

 

Não foi ainda possível encontrar dados oficiais sobre a variação do PIB neste 2º trimestre de 2008, mas pode prever-se com uma margem de erro normalmente muito pequena que O Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal, no segundo trimestre de 2008, terá crescido 0,8% em termos homólogos contra o crescimento de 0,9% no primeiro trimestre deste ano, segundo o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica, que, na sequência desta sua estimativa, cortou a previsão de crescimento da economia portuguesa em 2008 para 1,2%, contra 1,8% antes, prevendo ainda que o PIB de Portugal cresça 1,5% em 2009.5

 

Se vier a confirmar-se a previsão do crescimento do PIB no 2º trimestre de 2008 em 0,8%, isso significará que houve uma variação negativa de 0,1% relativamente ao 1º trimestre, e uma variação negativa de 0,8% relativamente ao período homólogo de 2007 (1,6%).

Estará, então, tecnicamente confirmada a recessão.

 

Finalmente, a resposta à pergunta colocada em subtítulo deste postal: Mas porque o negam tão desesperadamente Teixeira e Constâncio?

Em primeiro lugar estarão a dizer o que lhes manda Bruxelas, cujo estado de alienação da realidade se aprofunda visivelmente de dia para dia.

Em segundo lugar – e principalmente – não querem de modo nenhum admitir o total falhanço da política económica deste governo PS de Sócrates, que tem explorado sem pejo, com pesados impostos e um sem número de outras obrigações, os pequenos e médios empresários, a classe média que constitui a base produtiva deste país, optando por favorecer os grandes grupos financeiros cuja massa crítica de capital lhes permite obter lucro apenas especulando e sem nada produzir.

 

Incompetência é a inabilidade de alguém de desempenhar adequadamente uma determinada tarefa ou missão.6

 

1Cadilhe: Portugal está em “recessão grave” desde 2002/2003, no Público em 04.03.2008, por Victor Ferreira.

2Afirmação de Cadilhe é “gratuita” e “alarmista”, no Notícias.rtp.pt em 04.03.2008. (vd. tb. Ministro das Finanças rejeita afirmação de Cadilhe sobre recessão grave em Portugal, no Público em 04.03.2008, Lusa)

3Os alarmes soaram mas os economistas ainda evitam a palavra recessão, no Diário Económico em 15.07.2008, por Luís Reis Ribeiro.

4Síntese Económica da Conjuntura – Junho de 2008, relatório mensal do INE (transcrições parciais).

5Católica revê em baixa previsão de crescimento da economia portuguesa, no Diário Económico em 9.07.2008, por Rita Paz.

6Conceito de Incompetência, na Wikipedia.

 

7Constâncio não acredita em recessão em Portugal nem na Europa, no Agência Financeira em 15.07.2008 por Paula Gonçalves Martins.

 

Os amigos do Fisco, de Teixeira, ou…

 

…como é fácil despertar as facetas mais mesquinhas do povo português – calúnia, despeito, inveja.

 

A Calúnia de Apeles

A Calúnia de Apeles – Sandro Botticelli, 1494-5

 

Tudo começa na leitura desta notícia no Agência Financeira:

 

Ministro das Finanças arguido por abuso de poder

2008/06/29 12:15 Redacção/MD

Fábrica de construção de móveis abriu falência após a Administração Fiscal ter votado contra o plano de recuperação da empresa

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, foi constituído arguido num processo de inquérito por abuso de poder, noticia o «Correio da Manhã». Em causa está uma queixa-crime apresentada pelo administrador de uma fábrica de construção de móveis de Gondomar, Fago, que abriu falência após a Administração Fiscal ter votado contra o plano de recuperação da empresa, que tinha uma dívida fiscal de 200 mil euros. …

 

Até aqui, nada de mais. O texto da notícia é factual e não opinativo. Já o comentário que se mostrava destacado no momento da leitura da notícia, esse está cheio de opinião (e de auto-promoção, mas isso agora não vem ao caso).

 

2008-06-30 10:42

200 mil euros (ler)

Mas a firma deve 200 000,00 ao fisco e o gajo ainda tem a lata de protestar?

O gajo devia era de ter vergonha na cara e pagar os impostos a tempo e horas como eu faço (como todos nós deviamos fazer).

E pensar que há pessoas a concordar com um sujeito destes só me faz desacreditar que alguma vez seremos um país desenvolvido. E que se calhar a culpa não é dos sucessivos governos que só fazem borradas, mas acima de tudo do povinho que vê como um herói, um vulgar chico esperto que tenta aldrabar o fisco, e com isso todos nós. [sublinhado do transcritor]

 

É preciso atentar no sublinhado. A personalização do “povinho” enquanto o outro (diferente dele), cuja esperteza acaba por aldrabá-lo a ele e a “todos nós”. Fantástico exercício de inconsciência, de inconsistência, de incoerência e de afastamento de responsabilidade. De um lado o “povinho (esperto) e do outro lado “todos nós” (vítimas). Era imprescindível responder.

 

zedeportugal 2008-06-30 18:20

Uma resposta ao Zé (2008-06-30 10:42) (ler)

Caro amigo Zé: vê-se que ainda não percebeu a coisa mais importante. Deixe-me explicar-lhe. Suponhamos que o meu amigo se lembra de dizer que o Manel lhe deve 10000 euros. Se não for verdade, o Manel manda-o dar uma volta e não paga. Se for verdade o Zé leva o Manel a tribunal e tenta provar que a dívida existe mesmo.

Ora, isto não é assim com a DGCI, que toda a gente conhece por Finanças. Suponhamos que as Finanças de repente se lembram de dizer que o Zé deve 10000 euros. Mesmo que tal não seja verdade, o Zé vai ter que pagar os 10000 euros e, só depois, pode tentar que lhe seja devolvido a falsa dívida. Como? Começa por reclamar, o que pode não dar resultado. Então, o amigo Zé vai ter que levar as Finanças a tribunal para tentar provar que a dívida é falsa, que é mentira aquilo de que foi acusado. Percebeu? O problema é que, mesmo sendo a dívida falsa, se o Zé não tiver os 10000 euros para a pagar, o fisco penhora-lhe qualquer coisa, que pode até ser de muito maior valor e irrecuperável. Quando o Zé vier a provar que afinal não tinha dívida nenhuma, o mais provável é que o bem penhorado já tenha sido vendido e as Finanças não lho devolvem. Se o bem for uma empresa, como é o caso da presente notícia, o Zé perdeu tudo o que poderia ter ganho com a sua actividade, durante todo o tempo que durar o processo em que tem que provar que foi falsa ou injustamente acusado, e perdeu a própria empresa. E as Finanças, a que ficam obrigadas por terem destruído o seu ganha-pão, provavelmente a sua vida? A nada Zé, a nada!

Acusar é muito fácil, mas num verdadeiro Estado de direito ninguém poderia ser condenado e executado sem prova da acusação. Não acha, Zé?

 

Mas afinal, bem vistas as coisas, o tal Zé é capaz de ter alguma razão. “É que se calhar a culpa não é dos sucessivos governos que só fazem borradas, mas acima de tudo do povinho” de quem eles são apenas o reflexo.

 

Este não é um caso isolado. Muitos outros têm sido denunciados, como os que constam desta outra notícia no Público, apenas a título de exemplo:

 

PGR analisa queixas-crime contra equipa das Finanças e director dos Impostos

12.02.2008 – 08h52 Vítor Costa

A Procuradoria-Geral da República (PGR) está a analisar três queixas-crime por abuso de poder apresentadas por contribuintes contra o ministro das Finanças, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, o director-geral dos Impostos, e vários directores distritais de finanças e funcionários da Direcção-Geral dos Impostos (DGCI). …

 

Ainda bem que a sociedade civil começa a reagir aos abusos das instituições. Já que o Estado não respeita os cidadãos e os próprios cidadãos não se acham uns aos outros merecedores de respeito, pode ser que a Justiça venha a fazer alguma diferença e… alguma justiça.

Oxalá estes indivíduos que protagonizam esta forma de governar abusiva, intolerante, lesiva dos direitos dos cidadãos e sem respeito pela lei, venham a passar o resto dos seus dias a responder por isso. Que assim seja.

 

Teixeira dos Santos – o apelo?

O ministro das finanças é tão amigo dos (investidores) portugueses!

Foi com grande comoção que li esta notícia:

“Finanças apelam a investidores para avaliarem riscos
2007/09/27 18:23 Paula Gonçalves Martins
O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, fez esta quinta-feira um apelo aos investidores, para avaliarem bem os seus investimentos, antes de os fazerem.O responsável fez um «apelo aos investidores para fundamentarem as suas decisões, avaliarem os riscos e avaliarem a sua capacidade de enfrentar condições menos favoráveis no mercado».
…”

É de fazer vir as lágrimas aos olhos, tal cuidado e tanta preocupação pelo povo português pelos investidores portugueses. Um coração de ouro – literalmente.
E que abnegação, não se coibindo de vir a público com esta franqueza, sujeito à ingratidão dos investidores, que terão afirmado em resposta (segundo me contaram, que eu não sei – isto são conversas lá entre eles):
€€€: “Mas quem é este *****, para vir armar-se em paternalista a dar conselhos aos outros?”
$$$: “Deve ter a mania que é oráculo; é pena que só fale depois dos acontecimentos, o ********!”
£££: “Pois, bem pode limpar as mãos à parede, tanta ***** tem feito.”
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Uma cambada de ingratos, pensei eu. A dizerem mal desta boa alma! Nunca ouvi ninguém do povo a dizer mal dele! O povo, que é maldicente por natureza, não fala mal dele e isso só pode ser por uma de duas razões: ou gosta mesmo do fulano, ou tem medo dele. É a primeira hipótese, de certeza! A boa justiça fiscal que ele tem mandado fazer, garante isso. Nada de perseguições aos contribuintes, nem multas exageradas, nem prepotência, nem saque repetido de importâncias já regularizadas, nem condenação com base em pressupostos e sem prova de culpa, nem execução sumária e hipotecas desproporcionadas, enfim, nada dessas coisas todas que criariam um clima de amedrontamento e injustiça legalizada.
É, também, tocante a forma como este coração generoso vem defender os trabalhadores as instituições bancárias, ciente das suas dificuldades e fragilidades económicas e sociais. Um grande bem-haja, cá do Zé!
E não ligue aos provocadores que escrevem coisas como estas:
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“Opinião
2007-09-28 – 09:00:00
O Calcanhar de Aquiles
O círculo vicioso
Politicamente (o que significa social e economicamente) estamos numa encruzilhada sem sinalização. Quer dizer: perdidos. E não há PSD que nos salve. Sócrates combate o défice (o inimigo mais fácil de derrotar) pelo método do merceeiro, com a obstinação com que D. Quixote combatia moinhos. Mas não liga a menor atenção aos outros grandes inimigos do bem-estar social.
Em pouco mais de dois anos, o Governo agravou substancialmente as condições de vida dos Portugueses e nada se incomoda com isso. E, porque as suas preocupações foram transformadas em obsessão, promete piorar. Para quê, afinal? Sarkozy apresentou o seu 1.º orçamento de estado e mandou às malvas as regras instituídas por todos os papagaios do combate ao défice. Os impostos baixam, mas há mais crescimento económico. Com a baixa dos impostos, aumenta a confiança dos investidores e das famílias. Há mais transacções. Maior rendimento das empresas. E, surpresa das surpresas, até o défice e a dívida pública baixam.
Alguém será capaz de explicar isto a todos os Ferreira Leite e Teixeira Santos cá da terra? (continue a ler) …”

Ele há gente capaz de dizer tudo. Só com uma rolha é que eles se calam! Ou isso, ou uma sindicânciazinha da DGCI – de certeza que se consegue imputar-lhes uma falta (zinha) qualquer, mesmo que mais tarde se venha a provar incorrecta.

TS: Ó Pereira, inspecciona lá aí o que é que podemos arranjar contra estes senhores que não se calam…

“O LUCRO É UM ROUBO
4. Escutem, exploradores do necessitado, opressores dos pobres do país!
5. Vocês ficam maquinando: “Quando vai passar a festa da lua nova, para podermos por à venda o nosso trigo? Quando vai passar o sábado para abrirmos o armazém, para diminuirmos as medidas, aumentarmos o peso e viciarmos a balança,
6. para comprarmos os fracos por dinheiro, o necessitado por um par de sandálias e vendermos o refugo do trigo?
…” (Amós 8 )

“O DIREITO É PARA DEFENDER OS POBRES

20. Não explorem o imigrante nem o oprimam, porque vocês também foram imigrantes.
21. Não maltratem as viúvas nem os órfãos,
22. porque se os maltratarem e eles clamarem a Mim, Eu escutarei o clamor deles.
23. A minha ira inflamar-se-á e eu vos farei perecer: as vossas mulheres ficarão viúvas e os vossos filhos órfãos.
24. Se emprestarem dinheiro a alguém do meu povo, um pobre que vive ao vosso lado, não se comportarão como agiotas: não devem cobrar juros.
…” (Êxodo 22)