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As pequenas alegrias do 10 de Junho*

Portugal por Oliver

*O Dia de Portugal

Dívida pública: 2 notícias 2.

Draghi aponta troca de dívida de Portugal como exemplo dos progressos dos países sob programa
09.10.2012, SIC Notícias

Juros da dívida portuguesa sobem em todos os prazos
09 Outubro 2012, Raquel Godinho, Jornal de Negócios

A história da esperteza do português Francisco.

Suponhamos que um português chamado Francisco, a quem todos tratam por Chico, decide contrair um empréstimo de 100 mil euros para pagar várias dívidas que foi acumulando ao longo de alguns anos em que os gastos foram sempre superiores aos rendimentos.

O Chico pede então um empréstimo de 100 mil euros ao único banco que ainda lhe concede crédito: o BCE – Banco dos Custos Empurrados. O crédito é concedido por um prazo de 7 anos sujeito a uma taxa de juros de 5,7% ao ano.

Faça-se aqui o cálculo simples dos custos deste empréstimo ( sem correcções à taxa de juro aplicada nem contabilização de despesas associadas ao risco do cliente):

100 000 x 0,057 x 7 = 39 900 € (total de juros)

100 000 + 39 900 = 139 900 € (total a pagar)

Mas o Chico não muda de vida – mantém o carro de alta cilindrada, continua a comer em restaurantes caros, a comprar os gadjets electrónicos mais recentes e roupas de marca, … -, não diminuindo as despesas. Tenta aumentar os seus rendimentos cobrando mais aos seus clientes, mas aqueles reagem diminuindo o recurso aos seus serviços.

Logo que tem que começar a pagar o novo empréstimo, o Chico não é capaz de satisfazer os montantes exigidos para a sua amortização. O banco percebe que o Chico é incapaz de pagar as prestações resultantes daquele empréstimo, com aquele prazo, e propõe-lhe aumentar o prazo de pagamento do empréstimo para 15 anos com juros a uma taxa média de 4,4% ao ano.

100 000 x 0,035 x 15 = 66 000 € (novo total de juros)

100 000 + 66 000 = 166 000 € (novo total a pagar)

O Chico sai do banco muito contente com a sua esperteza. Quando conta aos amigos a proeza eles passam a chamar-lhe  Chico esperto.

A lógica da incompetência.

1.º As empresas públicas portuguesas estão sobre-endividadas e são incapazes de gerar receita para pagar a dívida. Como pode ver-se aqui, por exemplo:

As empresas públicas adstritas à Direcção-Geral do Tesouro apresentavam, com referência a 2009, um endividamento de 25 mil milhões de euros, cerca de 15% do PIB. Durante o ano, a dívida cresceu 13%. … (ler mais)

2.ª O défice do Estado português voltou a aumentar – mais 4% relativamente ao mesmo período do ano passado – em contraciclo com os outros 4 países do sul da Europa. Tal como pode ler-se nesta notícia:

… Em Portugal, o défice do subsector Estado aumentou cerca de 4% face aos primeiros sete meses de 2009, ano em que a administração pública acumulou o maior défice em 35 anos. … (ler tudo)

3.º As dificuldades do Estado português para se financiar através da emissão e venda de dívida pública aumentam, mesmo com taxas de juro cada vez mais elevadas. Conforme é claramente explicitado aqui:

25.08 – o Instituto de Gestão e Crédito Público efectuou dois leilões de Dívida Pública. …
Obrigações do Tesouro (4,2%) a 6 anos — 750 a 1.250 milhões €
A procura foi de 1.344 milhões € é certo mas o resultado é que, o IGCP, só colocou 629 milhões €. A uma taxa média de 4,371% quer dizer, 4,1% acima da “proposta”. …
Obrigações do Tesouro (4,8%) a 10 anos — 750 a 1.250 milhões €
A procura foi de 1.177 mas, o IGCP, apenas colocou 672 milhões € a uma taxa média de 5,312% quer dizer, a uma taxa superior à “proposta” em 9,63%. …
(ler completo)

Em face desta situação, o que faz este governo? Toma medidas de contenção da despesa? Racionaliza a gestão da coisa pública? Nada disso. Muito pelo contrário, como reporta a seguinte notícia:

Ordem para gastar: governo autoriza endividamento de empresas públicas
Publicado em 01 de Setembro de 2010, no jornal i
Governo já autorizou excepções na Edia, Águas de Portugal. Na Estradas de Portugal a dívida deve disparar mais de 30% este ano. O PEC fixava um tecto anual de 7% …

Para quem tem dificuldades em entender a subvertida lógica subjacente a estas opções, recomenda-se a leitura do livro de Rob Livro: Incompetence, R. Grant - capaGrant intitulado Incompetence, sumariamente descrito assim na Wikipedia:

Incompetence is a dystopian comedy novel by Red Dwarf co-creator Rob Grant, first published in 2003 with the tag line “Bad is the new Good”. It is a murder mystery and political thriller set in a near-future federal Europe where no-one can be “prejudiced from employment for reason of age, race, creed or incompitence [sic]”. Consequently, much of the population demonstrates an extreme lack of competence in their occupations. …

Uma vez mais, este governo coloca (dando o exemplo) Portugal bem à frente na senda da antecipação do futuro próximo de uma Europa Federal onde a “incompitência” não pode ser causa de discriminação no emprego. Uma inestimável demonstração prática de suporte ao programa “educacional” Novas Oportunidades (e das licenciaturas ao domingo).