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Nós, as crianças com ‘chip’ em Matosinhos e a Liberdade.

Nós é uma sátira futurista distópica, geralmente considerada o berço do género (…). O livro leva a extremos os aspectos mais totalitários e o conformismo da sociedade industrial moderna, descrevendo um Estado que acredita que o livre-arbítrio é a causa da infelicidade e que a vida dos cidadãos deve ser controlada com precisão matemática baseada nos sistemas de precisão industrial …
Nós (romance), na Wikipedia

A Junta de Matosinhos apresenta segunda-feira uma mochila escolar com um localizador de GPS dissimulado, que permite aos pais perceberem se os filhos se desviam das suas rotas normais.

O produto, que não é mais do que uma nova versão do Child Locator já comercializado, por 359 euros, pela Inosat, desde 2009 – … – estará dissimulado no saco. “Os pais só dizem aos filhos se quiserem”, assinalou ao PÚBLICO Luís Martins, da empresa de marroquinaria que o produz, …
Junta de Matosinhos quer crianças com GPS nas mochilas escolares,  01.09.2012, Abel Coentrão, no Público

“Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança”.
Benjamin Franklin, Liberdade, na Wikiquote

O primo Sócrates visto da velha Albion.

Socrates needs to get philosophical

By Open Europe blog team
On Monday, March 21, 2011

A responsabilidade dos governantes.

Jesus Cristo - tesouro de sabedoria

(Sabedoria 6:1-8)

Ouvi, pois, ó reis, e entendei; aprendei, ó vós que governais em toda a terra!
Prestai ouvidos, vós que reinais sobre as multidões e vos gloriais do número dos vossos povos!
Porque do Senhor recebestes o poder, e a soberania vem do Altíssimo, que julgará as vossas obras e examinará os vossos pensamentos.
Pois, sendo ministros do reino, não governastes com rectidão nem respeitastes a Lei, nem seguistes a vontade de Deus.
De modo terrível e inesperado, Ele vos aparecerá, pois um julgamento rigoroso será feito aos grandes.
O pequeno, com efeito, encontrará misericórdia, mas os poderosos serão examinados com rigor.
O Senhor de todos não temerá ninguém nem se intimidará com a grandeza, pois Ele criou o pequeno e o grande e de todos cuida igualmente.
Mas, para os poderosos, o julgamento será severo.

A culpa é do(a) professor(a) de português,

que não se esforçou o suficiente para ensinar o jornalista – ou opinador, ou comentarista, ou seja lá o que for.

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O Daniel Oliveira escreve a seguinte “pérola” linguística, tanto no seu blogue do Expresso, como no seu blogue pessoal: “Porque se tratam, na realidade, de dois monopólios …”.

Por duas vezes fui à caixa de comentários do segundo blogue mencionado, intentando chamar-lhe a atenção para o erro. O Daniel não deve ter reparado (cof, cof) pois não publicou nenhum dos comentários e não emendou o erro.

O Daniel é lesto a criticar os políticos e outras figuras públicas que tentam esconder as suas faltas e faz questão de as expor. Logo, o Daniel certamente nada terá a opor a que exponha aqui, neste meu modesto espaço de escrita, a sua.

Como não sou professor de português não quero entrar em explicações gramaticais sobre a distinção e a utilização dos verbos transitivos, intransitivos, reflexivos e defectivos, mas deixo aqui um linque com um resumido esclarecimento sobre a questão.

Só espero ter sido útil ao Daniel. O meu único desejo é que ele venha a escrever melhor, para que a sua mensagem também passe melhor.

Print de 'post' de Daniel Oliveira no Arrastão - 9.3.10

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Nota de pé de página: Já agora, por mera curiosidade, alguém (que até pode ser o Daniel) quer ter a amabilidade de me explicar o que significa “monopólio natural”?

Quando é que os altos responsáveis começam a ser responsabilizados?

Em Portugal, os únicos que nunca respondem por actos danosos de gestão pública são exactamente os responsáveis pela gestão pública.

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Milionários

“A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, supervisor bolsista, acaba de entregar no Ministério Público uma queixa-crime contra o Banco Comercial Português (BCP). Em causa estão ainda os ex-gestores do BCP, liderados por Jorge Jardim Gonçalves, acusados de entre 2000 e 2002 terem actuado, através de veículos off-shores, com a finalidade de manipular o mercado, lesando os investidores, nomeadamente, os pequenos accionistas. …” (Público, CMVM entrega queixa-crime contra o BCP na Procuradoria, Cristina Ferreira, 27.06.2008 – 13h20)

Que perguntas deveria a notícia fazer e não faz?

1. A CMVM entrega em 2008 uma queixa-crime contra os actos praticados pelo BCP entre 2000 e 2002, isto é, 8 anos após o início da sua ocorrência: Será que a CMVM e o Banco de Portugal cumpriram as suas funções de supervisão?

2. Quem era o responsável máximo pelo correcto funcionamento da CMVM, isto é, o seu presidente entre 2000 e 2002? E quem era o governador do Banco de Portugal à mesma data?

A resposta à 1ª pergunta é óbvia: Não!

A resposta à 2ª pergunta é: Fernando Teixeira dos Santos, o actual ministro dos impostos, perdão das finanças português, e Vitor Ribeiro Constâncio, o (ainda) governador do Banco de Portugal.

Teixeira Santos

Vitor Constancio

Conclusão (indefectível): Ou os actos praticados pelo BCP eram completamente desconhecidos de Fernando Teixeira dos Santos e de Vítor Constâncio, e devem ser-lhes movidos processos disciplinares por incompetência funcional no desempenho dos seus altos cargos, ou – nem quero pensar que tal possa ser verdade – esses actos eram-lhes conhecidos e eles devem ser acusados do crime de corrupção.

Nota à parte: Este Fernando Teixeira dos Santos ainda vai substituir o Vitor Ribeiro Constâncio como Governador do Banco de Portugal.

O 5º par de patins 2008 vai para…

… esse mesmo que estão a pensar: o sr. ministro do Ambiente.

 

Estão passados quatro dias após as terríveis cheias ocorridas na passada segunda-feira, dia 18 de Fevereiro, sem que o ministro do Ambiente tenha assumido as suas inegáveis responsabilidades.

Aliás, o sr. Nunes Correia foi ainda mais longe na desresponsabilização – na sua e na de outros que anteriormente havia acusado.

“Sexta, 22 de Fevereiro 2008

Notícias.rtp.pt

Lisboa, 19 Fev (Lusa) – O ministro do Ambiente, Nunes Correia, afirmou hoje que não quis responsabilizar as autarquias pelas cheias ocorridas segunda-feira na Área Metropolitana de Lisboa, argumentando que as suas declarações foram “mal interpretadas”.

“Não houve intenção de responsabilizar as autarquias, a última coisa que me passaria pela cabeça seria apontar este ou aquele como culpados, não haveria nisso nenhuma vantagem“, disse hoje Nunes Correia em conferência de imprensa no Ministério do Ambiente. …”. (ler tudo)

Não assumindo, pois, qualquer responsabilidade decorrente do cargo que ocupa (mas de que não se ocupa), e encontrando-se o país inundado, é com grande propriedade que lhe outorgo este belo par de patins… flutuantes!

Patins flutuantes

Prevendo alguma dificuldade na utilização de tão engenhoso dispositivo por parte de v.exª, deixo aqui também o linque para um vídeo contendo as instruções de uso.

http://www.micronautical.com/WALKING_ON_WATER.html

Quiçá, poderá mesmo o sr. ministro socorrer algum português ainda submerso apoiado neste suporte tão útil nas presentes circunstâncias?

“Ubique mors est” [a morte está em toda a parte] (Séneca).

O 2º par de patins 2008 vai para…

… o exmo sr. dr. Correia de Campos.

 

Reconheço que a ideia da distribuição de patins aos poderosos em queda é uma excelente ideia (não obstante ser minha), e que os modelos escolhidos são altamente cobiçáveis. Ainda assim, não esperava que passadas apenas 24 horas sobre a atribuição anterior, houvesse já um novo e muito merecedor candidato – e logo de tão alto coturno governativo. Isto promete…

Tendo em conta o alto cargo de voscência escolhemos um modelo com as cores da nacionalidade. Esperamos que sejam do seu agrado e que o conduzam direitinho aos tribunais onde responderá pelas vidas a cuja perda a sua política está a conduzir.

Patins para o M. da Saúde

O segundo candidato já está encontrado. Embora neste caso fosse desnecessário, sendo por demais conhecidas e sentidas pelos portugueses as acções do contemplado, não posso deixar de explicitar a razão última da nossa atribuição.

1º A (cruel) declaração da sua nefanda acção:

“Correia de Campos satisfeito com reforma

Aos protestos por causa do encerramento de vários serviços de saúde, o ministro que tutela esta pasta, Correia de Campos, responde que a reforma dos cuidados de saúde primários está a correr melhor do que ele próprio pensava. …” (na TSF online)

2º. Os avisos premonitórios que ignorou completamente:

“Buzinão de protestos para Correia de Campos ouvir

… Entre os presentes ouviam-se as histórias reais vividas com familiares. “O meu sogro teve um princípio de enfarte e se não fosse os primeiros socorros na urgência já não havia nada a fazer. Depois fomos para Coimbra e estivemos lá sete horas à espera”, contava Maria Isaura Gomes. …” (no Jornal de Notícias)

3º. A consequência (fatal) da sua acção nefasta:

“Governo responsável por morte de idosa na urgência

O bastonário da Ordem dos Médicos responsabiliza, esta quinta-feira, o Governo e o primeiro-ministro pela morte de uma idosa no Hospital de Aveiro, atribuindo a situação à sobrecarga da urgência, e ilibou a unidade de saúde e os profissionais.

O bastonário em exercício salienta que a Ordem «tem denunciado as dramáticas consequências para o Serviço Nacional de Saúde e para os doentes do estranhamente acelerado encerramento dos recursos disponíveis para o atendimento de proximidade em situações de urgência/emergência». …” (na TSF online)

Captisque res magis mentibus, quam conseleratis similis visa [o caso parece ser mais próximo da loucura que do crime] (Titus Livius)

 

Os 1ºs pares de patins 2008 vão para…

… os exmos senhores dr.s António Nunes e Francisco Ferreira.

Este blogue decidiu fazer, durante todo este ano, uma benemérita campanha de distribuição de pares de patins a todos os que, inevitavelmente, vão ser afastados de lugares de poder.

Esperamos, sinceramente, que os destinatários apreciem os modelos que lhes destinamos e compreendam estarmos a guardar os melhores pares para os cargos mais elevados.

Patins ASAE 1Patins ASAE 2

Os primeiros contemplados já estão, pois, encontrados. Passaremos a explicar detalhadamente porquê:

1º. A falta tornada pública dos dois responsáveis máximos da entidade fiscalizadora:

“Na madrugada do dia 1 de Janeiro, na festa de Réveillon do Casino do Estoril, os cinzeiros continuavam nas mesas do Salão Preto e Prata e o inspector-geral e sub-inspector da ASAE continuaram a fumar, segundo noticia o DN. O dirigente da ASAE, António Nunes, entende que não violou a lei, porque esta não incluiu os casinos. A Direcção Geral de Saúde garante que sim. …” (no Portugal Diário, e também no Público, no Jornal de Notícias e outros)

2º. A imediata aplicação da lei em, pelo menos, duas situações de idêntico incumprimento:

“Pelo menos dois autos foram hoje levantados no país devido ao incumprimento da nova legislação sobre o tabaco, que entrou em vigor e proíbe o fumo em recintos fechados. Os dois casos foram registados em Aveiro e Olhão. …” (no Público, e também no Portugal Diário e outros)

3º. A posição ética e legalmente insustentável dos prevaricadores:

“… Sobre as dúvidas manifestadas pelo máximo responsável da ASAE relativamente ao âmbito de aplicação da nova lei, Luís Rebelo considerou que a legislação “é clara” quanto à proibição de fumar nos casinos e salas de jogos. “Não pode haver dúvidas quanto à aplicação da lei sobretudo ao nível das entidades responsáveis pela sua fiscalização”, disse. …” (no Jornal de Notícias)

“… António Nunes é um amanuense das leis, a raça mais vulgar dos portugueses. Por sinal, a que precisa de maior remodelação.” (no Diário de Notícias)

Malum consilium consultori pessimum [Um mau intento sê-lo-á sobretudo para o seu autor] (Aulus Gellius)