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Censura pura e dura em Itália.

A Itália vem atravessando problemas económicos e de financiamento público bastante mais graves do que a Espanha. Contudo, ao contrário da abundância de notícias sobre o aprofundamento da crise espanhola, encontrar informação sobre o agravamento da situação económico-financeira italiana é presentemente muito difícil. Porquê? Boa parte da explicação pode ser encontrada nesta nota noticiosa de que faço a seguinte transcrição parcial, traduzida o mais exactamente possível (na medida das minhas capacidades de tradução do italiano):

Falando hoje no Festival de Jornalismo de Peruggia 2012, a ministra da Justiça Paola Severino fez declarações sobre a questão da informação referindo três pontos fundamentais: controle sobre blogues e facebook; filtragem de escutas; punição de jornalistas, editores e empresas em casos de (considerados como) publicidade camuflada. A ministra anunciou que estão em estudo novas regras para (a actividade d)os blogues. Eis as declarações da ministra Severino publicadas pelo jornal Corriere: «Os blogues podem causar mais danos que os jornais» disse a Severino, fazendo referência a legislação europeia que visa impedir que os fornecedores do desrviço de internet possam mudar-se para países onde a malha legal é mais larga. «Os cidadãos têm o direito de falar uns com os outros, mas devem seguir as regras», disse a ministra criando um grande alvoroço no mundo digital (…). « Escrever num blogue não autoriza a escrever qualquer coisa, sobretudo no que respeita aos direitos dos outros. Os blogues têm capacidade para difundir o pensamento mas isso não deve tornar-se uma liberdade de escolha», repetiu a Severino que apontou prever para muito breve uma regulamentação. (…) E conclui com um aviso: «Saibam que aquilo que fazem aos outros pode ser-vos feito a vós. Comecem a regulamentar-vos a vós mesmos». Um aviso que soa mais como uma ameaça. …

Como é fácil depreender destas afirmações ( e das que se lhes seguem), a comunicação social italiana já está fortemente condicionada (com ameaça de mais restrições punitivas) e estão em curso acções legislativas inibidoras da liberdade de expressão na blogosfera e nas redes sociais. Orwell só se terá enganado na data da sua distopia. Imaginem a brevidade com que serão importadas estas medidas para Portugal, uma vez aprovadas na Itália e noutros países da UE…

Dica para gente sem ideias que escreva em jornais.

Wikileaks logo - keep us strong and governments open.Alguém consegue ver a ligação entre o que se está a passar no Norte de África e a exposição à opinião pública dos telegramas diplomáticos norte-americanos pela Wikileaks?

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Haverá alguém por essas redacções com um pouco de ambição e um quanto baste de cultura, capaz de sacudir o torpor da preguiça anquilosante que invadiu o jornalismo em Portugal? Depois queixam-se que os jornais estão a desaparecer! Na verdade, o que está a desaparecer neste país, de modo acelerado, é a inteligência, sendo o seu vazio depois convenientemente preenchido pelo politicamente correcto “socratóide”.

Fazer jornalismo verdadeiro é tentar ver sempre um bocadinho mais além do que aquilo que vos põem à frente dos olhos.

Chegou o Opera Unite.

Imagine que pode criar uma enorme Rede Local (LAN – Local Area Network) sem cabos, sem placas de rede, sem configurações de acesso… usando apenas um browser como servidor e a internet como meio.
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Acha que não é possível? Veja, então, os vídeos seguintes:
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O que é possível, para já, fazer com isto? Os serviços pré-definidos anunciados como já funcionando são os seguintes:
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[1] Partilha de ficheiros (File Sharing), [2] leitor de música/video (Media Player), streaming a partir da sua própria biblioteca, [3] partilha de fotografias (Photo Sharing), [4] alojamento web (Web Server) alojar sítios inteiros que ficam disponíveis para acesso na internet, [5] serviço de chat directo (The Lounge) e, ainda, [6] mensagens ou recados instantâneos (Fridge), uma espécie de post-it virtuais onde os amigos podem deixar mensagens.
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Poderá este software, com estas funcionalidades, substituir as redes sociais já existentes, como o Twitter e o Facebook, ou os depósitos de música e vídeos, como o You Tube?
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É muito improvável. Para que serve, então? Para começar, será muito útil a todos aqueles a quem dá muito jeito ter acesso a muita informação espalhada por vários computadores (como por exemplo, o de casa, o do escritório e o portátil) a partir de uma simples sessão de internet. Gente que não tenha os conhecimentos, a paciência ou simplesmente o tempo disponível para configurar um software como o Hamachi – técnicos de informática (que costumam transportar muitas ferramentas em grandes discos portáteis), conferencistas, negociantes, …
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Se juntarmos, depois, a tudo isto a utilização do Opera mini, desenvolvido especialmente para funcionar em telemóveis e palm-tops,  então as possibilidades começam a ser muitas e muito interessantes.
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E depois, quem é que tem os computadores sempre ligados, com a ligação internet sempre activa e um browser sempre aberto? Só os profissionais (os servidores), espera-se, porque isso é muito pouco recomendável em termos de segurança – e não só.
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Outras leituras sobre o mesmo tema, ou temas relacionados:
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