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(des)Emprego em Portugal: os números desmentem a demagogia das percentagens.

Um banhinho (frio) de realidade numérica para tirar os “amigos da laranja” do estado de semicatatónica verborreia sobre a “queda” da taxa de desemprego no terceiro trimestre deste ano.

Número de empregados em Portugal (2008-2013)*:

Anos                      Total (milhões)
2008                    5,198
2009                    5,054
2010                    4,978
2011                     4,837
2012                    4,635
2013                    4,553**

Afinal, o que não pára de cair é o número total de empregados.
Ao contrário do número de pensionistas, que não pára de aumentar.

Número de pensionistas em Portugal (2008-2012)***:

Anos                      Total (milhões)
2008                    3,368
2009                    3,423
2010                    3,473
2011                     3,535
2012                     3,585

Não há nada como uma boa série numérica para desmontar uma mistificaçãozinha estatística.

* População empregada: total e a tempo completo e parcial (Pordata)
** Taxa de desemprego cai pela primeira vez em cinco anos (Público)
*** Pensionistas: total, da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações (Pordata)

Presente de Cesar 1Presente de Cesar 2

Apelo do Movimento FERVE – Fartos d’Estes…

e notícia do desprezo demonstrado por membros do governo para com os trabalhadores precários.

Dando continuidade à tarefa de apoio à divulgação das iniciativas e acções do grupo de trabalho (e movimento de cidadania) FERVE, que este blogue iniciou no dia 19 de Dezembro de 2007 com o postal intitulado Um dia seremos todos precários se não formos solidários, vem divulgar-se o seguinte apelo que nos chegou via correio electrónico:

Recebemos um contacto por parte da Sérgia Carneiro, produtora da televisão SIC, solicitando testemunhos de pessoas licenciadas que estejam a desempenhar actividades profissionais que exijam habilitações académicas inferiores às que possuem. (exemplo: licenciado/a a trabalhar em call center)
Estes testemunhos serão incluídos numa reportagem alargada sobre precariedade laboral, a ser emitida nos jornais da SIC e da SIC Notícias.
Contacto: sergiacarneiro@sic.pt
Obrigada pela vossa colaboração!
Pelo FERVE;
Cristina Andrade

FERVE
Fartos/as d’Estes Recibos Verdes
http://www.fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com

Aproveita-se este ensejo para fazer eco de uma outra mensagem recebida anteriormente, cujo teor é o seguinte:

A TSF emitiu a grande reportagem intitulada “A Escola da Vida”, sobre os Centros Novas Oportunidades (CNO’s).
Entre outros assuntos, foi abordado o facto de uma maioria dos/as trabalhadores/as dos CNO’s desenvolverem a sua actividade profissional a recibo verde.
Para estupefacção do FERVE – Fartos/as d’Estes Recibos Verdes constata-se que:
Vieira da Silva, Ministro do Trabalho, afirma que não tem informação de que a maioria das pessoas trabalhem a recibos verdes.
Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação, refere que a situação da contratação a recibos verdes existe e espera que se possa resolver, apesar de considerar que a situação não é fácil, motivo pelo qual não tem uma solução no bolso.
Clara Correia, presidente da Agência Nacional para a Qualificação, considera que trabalhar a recibo verde não é sinónimo de precariedade.
Podem ouvir a reportagem aqui:
http://www.tsf.pt/online/common/include/
streaming_audio_radio.asp?audio=/2008/02/noticias/22/rep22.asx

Como? O sr. ministro do trabalho não sabe como são contratados os funcionários dos CNO’s? Uma declaração de ignorância absolutamente inadmissível para quem tem a responsabilidade máxima na aplicação justa da legislação laboral em Portugal.

Princípio de Boyle

Aplicação da Lei de Boyle

A sr.a ministra da avaliação, perdão, da educação, está melhor informada e sabe da situação. Sabe, mas “espera que se possa resolver”. Se? A si mesma? Mais afirma que “a situação não é fácil”. Pois! Para os que se encontram a trabalhar naquela situação de ilegalidade formal, de facto, não deve ser fácil. Mas para a sr.a ministra foi bem fácil fingir que não tem qualquer responsabilidade no assunto. Mas tem. Tem conhecimento de uma ilegalidade laboral num organismo que está dentro da esfera de acção do seu ministério, logo – no mínimo – é conivente (leia-se co-responsável) com essa ilegalidade.

Quanto à sr.a presidente da Agência Nacional para a Qualificação, nem vale a pena comentar. O que diz é o cúmulo do descaramento. Quiçá, talvez um dia ainda venha a ter oportunidade de experimentar a não precariedade de trabalhar a recibo verde…