Tag Archives: politicamente correcto

Traidores de si mesmos e da sua cultura.

Muito pior do que as piruetas contradições e esquivas do malogrado secretário de Estado da Cultura

«O facto de [o Acordo Ortográfico] ser irreversível não quer dizer que não seja corrigível»
– Francisco José Viegas, “Correio da Manhã”, 30/10/2011

«O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, garantiu hoje que não haverá qualquer revisão do acordo ortográfico»
– Agência Lusa, 24/4/2012

só mesmo a (pouco) elegante cambalhota lealdade  do grande defensor dos interesses do governo de Sócrates cidadão português para com o respectivo antecessor.

«Antes de ser provedor falou no novo Acordo Ortográfico como um “abastardamento da língua portuguesa”. Já foi adoptado pela provedoria. Custa- -lhe escrever com as novas regras?

Aqui na provedoria, o meu antecessor adoptou-o e eu considerei que seria, no mínimo, pouco elegante alterar esta posição. Tanto mais que a provedoria, mesmo sendo um órgão de Estado independente, tem uma ligação muito forte à Assembleia da República. Assim, escrevemos da mesma maneira.

Mas como faz no dia-a-dia?

Continuo a escrever fora do acordo ortográfico e as senhoras secretárias mudam os textos para a formulação actual.»
– José de Faria Costa, entrevista ao Jornal i, 2/12/2013

Frases de René de Chateaubriand no Citador

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Fa(c)tos consumados não servem a ninguém.

porque sim, não é resposta!… gostaria de contar um episódio que protagonizei e do qual me lembro sempre que ouço alguns dizerem que não vale a pena discutir o acordo por ele ser irreversível. Já tenho anos suficientes para ter visto enterrar muitas coisas consideradas irreversíveis. Em 1984, estava eu no início da minha carreira jornalística, escrevi uma carta aberta a José Ramos-Horta que terminava assim: «Um dia hei-de abraçá-lo num Timor livre e independente.» O jornal onde eu trabalhava tinha uma linha editorial de apoio à integração de Timor na Indonésia precisamente por a considerar irreversível.
Afinal não era irreversível. E vinte anos depois dessa carta aberta, em 2004, pude abraçar de facto Ramos-Horta – já então galardoado com o Nobel da Paz e exercendo as funções de primeiro-ministro do seu país, num Timor livre e independente.
Os timorenses souberam resistir.
Nós devemos continuar a resistir também. Em nome daquilo em que acreditamos. Por isso dedico este livro à minha filha Joana, aqui presente. Porque nós, os mais velhos, somos fiéis depositários de valores culturais que temos o dever de legar às gerações futuras. E nenhum valor cultural é tão nobre e tão inestimável como a nossa língua.

O que torto nasce nunca se endireita
por Pedro Correia

Até o politicamente correcto* precisa de uma consoante muda.

Vogais e consoantes politicamente incorrectas do acordo ortográfico, Pedro Correia - livro, apresentação

* O que é o politicamente correcto?

As leis anti-tabágicas: Brevíssima demonstração do grau de inteligência dos comissários europeus.

Tendo em conta os bons resultados das proibições anteriores,

Women in Europe smoke most globally, and numbers are increasing
(Na Europa, a maioria das mulheres fuma e o número de fumadoras continua a aumentar)
19-01-2011
[Report of the Regional Office for Europe – World Health Organization]

Ashton 100 higly-paid Eurocratsa Comissão Europeia pretende tornar ainda mais restritivas as leis anti-tabágicas.

EU seeks move toward tougher smoking laws
EU executive calls for tougher smoking laws with bigger warnings, bans on some flavors
By Raf Casert, Associated Press | Associated Press – Wed, Dec 19, 2012

Como os países da UE não têm neste momento outros problemas mais relevantes, estes burocratas de má qualidade ocupam-se e gastam o dinheiro dos contribuintes com estes assuntos sem qualidade, sem importância ou sem utilidade.

Declaração: Não sou fumador.

Portugal: o verdadeiro problema será a fome ou o amianto?

Veio a senhora Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, dizer na passada quarta-feira para a televisão que o maior problema dos portugueses nesta altura é o empobrecimento.

Que descaramento! Que insensibilidade esta de “usar a fome como arma política e promover o retrocesso social”! Que ignorância! Se esta senhora se tivesse dado a maçada de consultar o partido ecologista Os Verdes ou o seu grupo de pressão Quercus, ficaria a saber que o verdadeiro atentado à vida dos portugueses é a existência de amianto nos edifícios públicos.

“[O] Governo parece brincar com a saúde dos portugueses”, acusam. “Estão em causa não só aspectos ambientais, mas também de segurança dos utilizadores dos edifícios como os funcionários públicos e os clientes que usam os vários serviços disponíveis pela administração”

A história do politicamente correcto (seguida de 1 exemplo actual).

Exemplo, em 2 notícias apenas:

BE quer procriação medicamente assistida também para mulheres sozinhas
22.12.2011 – 18:39 Por Catarina Gomes

… “uma mulher sozinha, seja qual for a sua orientação sexual, ou uma mulher casada com outra mulher, sejam férteis ou inférteis, devem poder concretizar o desejo de ser mães sem que para isso sejam obrigadas a uma relação que contraria a sua identidade”.
… , o BE quer ainda que seja autorizado recurso à maternidade de substituição, que agora é ilegal, desde que seja de forma gratuita.

Epilépticos terão de ir a juntas médicas para manterem isenção nas taxas moderadoras
28.12.2011 – 08:40 Por Alexandra Campos

O novo regime de taxas moderadoras vai “burocratizar muito” os pedidos de isenção para os doentes com formas graves de epilepsia, obrigando-os a requerer uma junta médica para a avaliação da sua incapacidade, …
…, quando têm crises no meio da rua, quase são obrigados a ir às urgências pelas pessoas que os socorrem. Vão ter que pagar taxas moderadoras? Isto é um bocado perverso” …

A capação dos cães e a estupidez do politicamente correcto.

Até onde pode chegar a estupidez do politicamente correcto, neste caso sob a forma da sua subespécie o eugenicamente correcto?

Há uns meses atrás, um outro conhecido meu – português, a este chamemos-lhe P para poupar tempo e escrita – decidiu adoptar um cão, respondendo ao apelo da publicidade institucional politicamente correcta. E, segundo me contou recentemente, foi-se horrorizando em crescendo.

Não querendo (por enquanto) alongar a história pelas manigâncias das (assim chamadas) associações de defesa dos animais, atenho-me por agora contar-vos, devidamente autorizado por quem ma contou, aquela que ele considerou a mais revoltante resposta a uma proposta de adopção de um cão num canil municipal.
Em Outubro deste ano P foi ver o cão que está anunciado aqui(1)  e que se mostra na imagem em baixo:

Confirmou no local aquilo que até na fotografia se vê: que o cão estava doente. Pediu para falar com o veterinário mas, no lugar dele veio ao seu encontro um assessor (assim se terá apresentado) de um qualquer vereador. Perguntou-lhe o meu conhecido se o cão em referência já tinha sido visto pelo veterinário e se este já teria mandado fazer algum tipo de testes laboratoriais ao bicho, pois se encontrava visivelmente doente. Foi-lhe respondido (pelo tal assessor) que o canil não tinha verba para fazer testes, nem para tratar os animais. Uma afirmação que, só por si, é um descarado atentado à saúde pública. No entanto, o canil exige a quem adopte um animal que assine um termo de responsabilidade por ele. Então, o P (que também é de parvo) prontificou-se a pagar do seu bolso os testes que o veterinário considerasse indispensáveis para apoiar um diagnóstico da doença que afligia o canídeo, na condição de poder adoptá-lo inteiro, isto é sem ser capado. Nem pensar! O cão só sai daqui esterilizado. – terá redarguido o assessório. Mas, então… o canil não tem verba para tratar os animais, mas tem verba para pagar a esterilização? É assim. É a lei! – disse o tal. Não é verdade. A lei só obriga a esterilizar os animais das raças consideradas perigosas. Ah, pois! Não é a lei mas são os regulamentos municipais.
Vejamos a lógica da coisa. Eles têm no canil um animal sexualmente activo e doente. Não o tratam por alegada falta de verba. O animal será, pois, entregue em adopção doente. Mas, quem o adoptar tem que assinar um termo de responsabilidade por ele. Mais, antes de o entregarem para adopção, capam-no – e para isso, pelos vistos, já passa a haver verba. A pessoa que assume a responsabilidade pelo animal é assim forçada a aceitá-lo, para além de doente, castrado.

Mas que gente é esta? – exclama por fim o meu conhecido. E aqui, ele esclarece que fala tanto dos que impõem as estúpidas normas, como dos que as aceitam.

De facto, é preciso admitir que parecem estar bem uns para os outros.

O problema do politicamente correcto não é o seu aparecimento enquanto ideia nefasta na cabecinha de uma criatura qualquer – que ninguém está livre de ter ideias estúpidas. O problema, como digo, é essa criatura querer – e poder! – impor a todos os outros essa ideia prejudicial como sendo boa, ou sensata, ou higiénica, em suma, correcta.

(1) Fica guardada uma imagem (print) do anúncio referido, precavendo eventuais apagamentos.