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Traduções impedidas de livros proibidos. / Precluded translations of banned books.

Poucas pessoas saberão que livros como Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll), O Diário de Anne Frank, As vinhas da Ira (John Steibeck) ou Bichos (Colectânea de contos, Miguel Torga) estiveram proibidos num qualquer país durante algum (mais ou menos) tempo.
Para comemorar a Semana dos Livros Proibidos* publico aqui o pequeno poema To the Garden the World, do livro Leaves of Grass de Walt Whitman (um livro que também esteve proibido) e a minha tradução dele para um trabalho que foi cancelado (mais um) por falta de verba.

Few people will know that books like Alice’s Adventures in Wonderland (Lewis Carroll), The Diary of Anne Frank, The Grapes of Wrath (John Steinbeck) or Farrusco the blackbird: and other stories from the Portuguese (Miguel Torga) were once banned in some country for some (more or less) time.
To commemorate the Banned Books Week I publish here the small poem To the Garden the World from the book Leaves of Grass by Walt Whitman (a book that was once also banned), and my translation of it to Portuguese as part of a commission that has been canceled (one more) because of withdrawal on funding.

To the Garden the World

To the garden the world anew ascending,
Potent mates, daughters, sons, preluding,
The love, the life of their bodies, meaning and being,
Curious here behold my resurrection after slumber,
The revolving cycles in their wide sweep having brought me again,
Amorous, mature, all beautiful to me, all wondrous,
My limbs and the quivering fire that ever plays through them, for
reasons, most wondrous,
Existing I peer and penetrate still,
Content with the present, content with the past,
By my side or back of me Eve following,
Or in front, and I following her just the same.

Ao Jardim o Mundo

Ao jardim o mundo novamente ascendendo,
Potentes companheiros, filhas, filhos, antecipando,
O amor, a vida dos seus corpos, significado e ser,
Curioso, eis aqui a minha ressurreição após o sono,
Os ciclos girando na sua ampla varredura trazendo-me de novo,
Amoroso, maduro, tudo belo para mim, tudo maravilhoso,
Os meus membros e o fogo trémulo que sempre se mostra neles, as razões, espantosas,
Existindo eu prescruto e penetro ainda,
Satisfeito com o presente, satisfeito com o passado,
Ao meu lado ou atrás de mim segue Eva,
Ou à frente e eu seguindo-a, tanto faz.

*A expressão inglesa banned books tem sido traduzida para português como livros censurados, o que na minha modesta opinião é um erro pois em nenhum dicionário (antigo ou moderno) foi encontrada a palavra “censurar” com o significado (mesmo que informal ou figurado) da palavra ban. Muitos livros (e filmes) foram, e são ainda hoje, censurados e mesmo assim publicados, ainda que estropiados.

Vejam bem: do dia da poesia ao dia da greve geral.

Anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer,
e não há quem lhe queira valer.

Vejam bem
daquele homem a fraca figura
desbravando os caminhos do pão,
desbravando os caminhos do pão.

E se houver
uma praça de gente madura,
ninguém vem levantá-lo do chão,
ninguém vem levantá-lo do chão.

Um livro especial, um amigo, uma edição de autor,

uma bela prenda de Natal para quem tenha gosto pela escrita poética perpassada de alguma erudição literária e filosófica.

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O país era uma prisão perpétua
Com grades de ferro e medo.
Nasceu, enfim, o mês de Abril,
O pai da famosa revolução.
E a liberdade foi a Primavera
Do alvoroço de quem saíu à rua
E amorosamente a guardou.
Dia a dia foi-se aprimorando:
Perdoou a verdugos,
Perseguiu alguns idealistas,
vexou, pilhou, matou,
Proibiu liberdades discordantes,
Condecorou corruptos e libertinos,
Quis trocar o hábito do camisa negra
Por um colete vermelho pintado,
Mas optou por um róseo banquete.
A Primavera de Abril (excerto)
Afrânio Rosaes, Dissimetrias, Lisboa 2008
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As memórias reflexivas de uma vida (a do autor), das suas conexas e de um tempo (a segunda metade do séc. XX), contadas de uma forma sentida, analisada, percorrida.
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Livto Dissimetrias - capaNota: O livro só se encontra à venda em quatro livrarias – em Lisboa, na PORTUGAL; em Algés (Miraflores), na OBRAS COMPLETAS; em Vila Real (Trás-os-Montes), na BRANCO e na Papelaria EDUARDO.
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Nota 2: Pode ler-se um poema completo deste livro reproduzido aqui.