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As pequenas alegrias do 10 de Junho*

Portugal por Oliver

*O Dia de Portugal

Fa(c)tos consumados não servem a ninguém.

porque sim, não é resposta!… gostaria de contar um episódio que protagonizei e do qual me lembro sempre que ouço alguns dizerem que não vale a pena discutir o acordo por ele ser irreversível. Já tenho anos suficientes para ter visto enterrar muitas coisas consideradas irreversíveis. Em 1984, estava eu no início da minha carreira jornalística, escrevi uma carta aberta a José Ramos-Horta que terminava assim: «Um dia hei-de abraçá-lo num Timor livre e independente.» O jornal onde eu trabalhava tinha uma linha editorial de apoio à integração de Timor na Indonésia precisamente por a considerar irreversível.
Afinal não era irreversível. E vinte anos depois dessa carta aberta, em 2004, pude abraçar de facto Ramos-Horta – já então galardoado com o Nobel da Paz e exercendo as funções de primeiro-ministro do seu país, num Timor livre e independente.
Os timorenses souberam resistir.
Nós devemos continuar a resistir também. Em nome daquilo em que acreditamos. Por isso dedico este livro à minha filha Joana, aqui presente. Porque nós, os mais velhos, somos fiéis depositários de valores culturais que temos o dever de legar às gerações futuras. E nenhum valor cultural é tão nobre e tão inestimável como a nossa língua.

O que torto nasce nunca se endireita
por Pedro Correia

Até o politicamente correcto* precisa de uma consoante muda.

Vogais e consoantes politicamente incorrectas do acordo ortográfico, Pedro Correia - livro, apresentação

* O que é o politicamente correcto?

A ilegalidade do AO90 começa no desrespeito pelas regras da acentuação em português.

Consulte-se uma qualquer gramática de Português actualizada sobre as regras de acentuação ortográfica e poderá ver-se aí que as palavras esdrúxulas ou proparoxítonas “acentuam-se sempre com acento agudo quando a vogal é aberta e com acento circunflexo quando a vogal é média”.

Pergunte-se então aos “indefetíveis” defensores do AO90 como é possível ler-se fátura onde está escrito “fatura”, adótado em “adotado”, afétivo em “afetivo”, afétuoso em “afetuoso”, bátista em “batista”, infécioso em “infecioso”, anticoncétivo em “anticoncetivo”, coátivo em “coativo”, colétivo em “coletivo”, concéção em “conceção”, confécionar em “confecionar”, espétador em “espetador”, desafétado em “desafetado”, desinfétante em “desinfetante”, detétive em “detetive”, efétivar em “efetivar”, frátura em “fratura”, indefétível em “indefetível”, infétado em “infetado”, inspécionar em “inspecionar”, intercétado em intercetado, introspétivo em “introspetivo”, invétivar em “invetivar”, lécionar em “lecionar”, létivo em “letivo”, objétivo em “objetivo”, pára-choques em “para-choques”, percétivo em “percetivo”, perspétiva em “perspetiva”, prospétivo em “prospetivo”, recétivo em “recetivo”, reflétivo em “refletivo”, respétivo em “respetivo”, retrospétiva em “retrospetiva”, vétorial em “vetorial”?*

AO90 - disparates

Como farão os professores de português para ensinar isto nas escolas? Darão aos alunos uma imensa lista de vocábulos que são excepção à regra gramatical? E ninguém pára isto? Ninguém desliga o “interrutor” (sim, parece mentira mas “interrutor” é o neovocábulo acordístico para interruptor) aos iluminados crâneos que inventaram esta monumental fraude linguística?

*E, há muitos mais exemplos para quem quiser dar-se ao trabalho de procurar aqui.

A (última) Oportunidade para não vir a dar em doido com a escrita.

Por favor, leia com atenção o pequeno texto seguinte nas duas formulações apresentadas:

1. No tocante à corrução e aspectos conexos, perfilha-se a conceção de que somente após recepção de mais elementos informativos de fato e de direito se poderá adotar medidas com carácter permanente neste setor.

2. No tocante à corrupção e aspetos conexos, perfilha-se a concepção de que somente após a receção de mais elementos informativos de facto e de direito se poderá adotar medidas com caráter permanente neste sector.

Acha que a frase está correcta ou incorrectamente escrita segundo o novo Acordo Ortográfico? São quatro as hipóteses possíveis: a) A frase está incorrectamente escrita em 1 e 2; b) A frase está correctamente escrita em em 1 e incorrectamente em 2; c) A frase está correcta em 2 e incorrecta em 1; d) A frase está correctamente escrita em ambas as formulações.

Não sei que alínea escolheu, mas provavelmente não terá sido a d). Pois é essa exactamente a hipótese que está certa: – A frase está correctamente escrita em ambas as formulações pois as “palavras corrupção, aspecto, concepção, recepção, facto, carácter e sector contam-se entre aquelas cuja grafia, com c ou p, é facultativa, segundo a al. c) da Base IV do Acordo” (cf. aqui).

Isto é ou não é coisa de doidos? Pois esta loucura começou este ano a ser ensinada nas escolas deste país.

Pode ainda tentar evitar-se isto? Pode, mas esta é mesmo a (sua) última oportunidade. Basta ir ali acima ao logotipo que está na coluna lateral esquerda e clicar em “assinar” para descarregar um formulário bem pequenino (em pdf). Depois, é só imprimi-lo, preencher, meter dentro de um envelope e enviar pelo correio para o endereço que está indicado no próprio formulário. Se preferir, veja aqui o processo todo explicado de como fazer (até há outras hipóteses de envio do fomulário para quem não queira usar os CTT).

A Língua é sua, é nossa, é do povo, repito, É DO POVO, não dos idiotas que fizeram esta aberração a que chamaram depois Acordo Ortográfico… Aliás, acordo só se foi lá entre eles, porque aos portugueses nunca ninguém perguntou se estavam de acordo – com este, como com tantos outros “Acordos” feitos em seu nome.

DESTA VEZ O POVO PODE OPOR-SE. ENTÃO OPONHA-SE!

A caminho de um Portugal sem portugueses.

De acordo com o relatório do Eurostat de 7 de Setembro, só nos países da União Europeia estão emigrados 1 milhão de portugueses. São, nada mais nada menos que 10% da população do país. Representam 20% da população activa portuguesa. (informação apanhada aqui)

Quantos são os portugueses emigrados no resto do mundo? De novo a “sangria da pátria”, como nos anos 1950-60… os tais anos do fascismo e do colonialismo.

Revolução Liberal 1820

 

Dizem-nos (os parasitas do Estado e do contribuinte) que Portugal é, agora, uma democracia. A desparasitação urge. Fora com eles dos lugares de poder. Já!

Aux armes, citoyens! / Às armas, cidadãos!

Formez vos bataillons ! Marchons ! Marchons !
Qu’un sang impur abreuve nos sillons !
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Formai vossos batalhões ! Marchemos ! Marchemos !
Que um sangue impuro penetra a terra do nosso sustento !
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(Satisfazendo o pedido insistente de uma amizade de longa data, aqui ponho a Marselhesa, na voz inesquecível da corajosa Piaf)

Os portugueses ficaram definitivamente apátridas.

A minha Pátria é a língua portuguesaFernando Pessoa.

Madredeus ao vivo

Apesar disso e das 87.742 assinaturas com que já contava a petição Manifesto Em Defesa da Lingua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico, Cavaco Silva promulgou o Acordo Ortográfico.

Depois de venderem o mar e também a terra, a gente e também a Fé, finalmente venderam aquilo que pareceria impossível: a lusa Língua.

A História os julgará e o Povo, apesar de já lhe terem vendido também a soberania.

Novecentos anos de História não se apagam com decretos e traição, nem com subsídios e centros comerciais.

Nota aos meus amigos e leitores brasileiros, cabo-verdianos e outros lusófonos: Este acordo não é mau apenas para os portugueses. Toda a lusofonia perde com a perda da lusa referência. Toda a uniformização é empobrecedora. Uma Língua viva está sempre a divergir e a criar singularidades – doutra forma estará morta.

A lutar pela própria existência de Portugal!

Que melhor maneira haverá de comemorar o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas?

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No to Lisbon Treaty – Europa Libera

Final declaration (June 8, 2008): From this day until June 12th this blog’s only activity will be the moderation of new comments. No more information will be added, unless it’s something of extreme importance. The comments will now be taken to the knowledge of the largest possible number of Irish voters on the referendum. Dishonest and paltry ways left the Irish alone to take this huge decision, with this heavy responsibility. Please, be brave and vote NO to this undemocratic way to build Europe.

(tradução) Declaração Final (8 de Junho, 2008): Desde este dia até 12 de Junho, a única actividade deste blogue será a moderação de novos comentários. Não se adicionará nova informação, a não ser que seja algo de extrema importância. Os comentários serão agora levados ao conhecimento do maior número possível de votantes irlandeses no referendo (ao tratado dito de Lisboa). Manobras desonestas e mesquinhas deixaram os irlandeses sozinhos perante esta tremenda decisão, com esta enorme responsabilidade. Por favor, sejam corajosos e votem NÃO a esta maneira nada democrática de construir a Europa.

Se houver que demonstrar a diferença entre um verdadeiro e um falso português, usem-se estas duas maneiras bem distintas de apreciar Portugal e os seus símbolos:

1. (138) HERÓIS DO MAR
am.ma 10-06-2008 GTM 1 @ 00:53

praça dos descobrimentos

2. dia da raça, de camões e das imbecilidades
10 Junho 2008 | por pedro vieira, o irmaolucia

Só hoje pude compreender completamente o significado mais profundo e o alcance profético do último poema da Mensagem de Fernando Pessoa, Nevoeiro:

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a Hora!

Nota: Mais alguém terá reparado que os “heróis” da selecção nacional(?) de futebol são: um jogador brasileiro (naturalizado) chamado Pepe; um jogador brasileiro (naturalizado) chamado Deco; um treinador brasileiro (não naturalizado) chamado Scolari?

Nota 2: As nações também morrem, por vezes até de desgosto.

(Pequenas correcções e acrescento da nota 2 pelas 12:00 horas)

Não ao Tratado de Lisboa – Europa Libera (2)

Eles prometem “Uma Europa mais democrática e transparente“.

Eles, são os MEP’s (Members of the European Parliament), isto é, os membros do parlamento europeu.

Eles são os esclarecidos, os iluminados, os que tomam as decisões por nós, os nossos grandes irmãos (em inglês, big brothers).

Nós somos os cidadãos europeus, os membros de coisa nenhuma importante, os incapazes de perceber as leis, os tratados e todas estas coisas feitas em nosso nome e para o nosso bem. Nós somos os idiotas que os pusemos lá a Eles com os nossos votos.

Por toda a Europa, os governos dos diversos países negaram às suas Nações o direito de se pronunciarem sobre a mudança da sua soberania, faltando à palavra dada, nalguns casos, noutros ultrapassando preceitos constitucionais. Isto é, no mínimo, traição às respectivas Pátrias.

O que significará a palavra democracia para estas criaturas? E a palavra honra? E a palavra honestidade?