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Establishing a Christian community – The parable of the wooden floor.

Perdoem-me os meus leitores portugueses mas este texto tinha que ser escrito originalmente em inglês e eu estou com pouco tempo agora para o traduzir. A tradução ficará dependente de haver pedidos para isso nos comentários. (Para vos compensar, a 1.ª imagem aí mais abaixo tem um linque para 1 notícia acerca da mais extraordinária comunidade cristã que conheço na actualidade – Mar Musa, na Síria.)

A Christian community is like a wooden floor. Once in a while the Lord, in the endless walk through His Infinite dominions, passes by the one that was once His most beautiful and cherished property, Terra, and decides to have a look. Not that He doesn’t know what is going on there or what to expect (just remember He is the head of the most perfect intelligence agency of the Universe – something literally out of this world – called Omniscience.) Even so He hopes to find, and knows He will find every time, some need for edification even in the middle of the constant practice of destruction.

He walks through the gardens lamenting every poisoned fountain and lake, every garbage dump, every overthrown woodland, … Finally He enters the house and sees, with indescribable sadness, the grease of greed covering the walls and the heavy dust of indifference as a thick carpet over the floor. Many rooms are pitch dark, its windows walled with the bricks of hate, and many corridors closed with the bars of Mar Musaintolerance. But, suddenly He passes by a well-lighted room, its windows and doors opened, and sees aligned in groups against the white-painted walls lots of wooden planks and joists. ‘The room is clearly asking for a soft, beautiful floor’ – He thinks.

The Lord then calls His Son, the Master carpenter, and asks Him to build that floor. The Son, whose greatest wish is to please the Father, immediately accepts the commission. First, He inspects carefully the planks and the joists one by one. He does this to decide what tools will be needed. He sees that some of the joists are fragile at some point, and they need to be cut, and that some of the planks are roughly sawed, and they need to be adjusted and planed. Carefully, He takes aside one plank which is seriously warped: He will cut it into small pieces to finish the floor along the walls (the Master does not reject any board, He just finds a way to use it). Subsequently, He goes to His tidy toolbox and takes the exact tools He needs for the work. (The tools are only useful in the Master’s hand.)

Then, He starts working slowly and gently as He knows the boards do not appreciate the sharp blades of the cutting tools, like the Word and the Truth, the long scraping and sanding of the abrasive tools, like Constant Love and Patient Service, or the holes caused by the drilling tools, like Justice and Forgiveness. When all the lumber is prepared, He starts making the base structure of the floor using the strong joists. Next, upon this foundation He joins the planks firmly side by side using the rabbets that He previously made on them, however not forgetting to leave between the boards a narrow but crucially important gap that prevents them of ruining the floor by pushing or pressing each other. Finally, He ends the work by polishing carefully the surface of the floor until it shows a soft glow.

The Son and Master carpenter can now call His Father and Lord of the house. And the Lord comes quickly and stands greatly pleased on the splendid wooden floor that His own Son built.

Note: This text has been revised and corrected on September 21, 2013 thanks to the collaboration of David Fisher, to whom I am grateful.

Jesus Carpenter 2

O presente recusado.

Uma parábola do tempo actual.

Um dia, um pai amantíssimo chamou um dos seus servos, que tinha adoptado como filho, e disse-lhe:
– Sei que frequentas a casa de uma família que também me conhece. Brevemente te darei um presente para lhes levares em meu nome.
O servo, curioso, perguntou: Que presente será esse, senhor?
O pai respondeu-lhe: – Um pouco da minha água-de-vida* que dá alento, alegra o coração e restaura o corpo. Mas diz à família que visitas somente que lhes levarás um presente, sem dizeres o que é.
Quando o servo voltou a visitar aquela família disse-lhes tal como o pai e senhor lhe havia recomendado. Mas, na sua ingenuidade, acabou por lhes dizer também que preparassem os cálices, o que, obviamente, desvendou completamente o pretenso segredo sobre o presente.
O pai veio a saber do seu deslize mas não lhe disse nada porque sabia que o seu servo e filho não tinha feito por mal.
Passado um tempo, o servo disse ao senhor e pai que iria visitar de novo aquela família e gostaria de levar o presente do pai. O pai já sabia muito bem o que iria acontecer mas deu-lhe o presente para ele levar.
O servo foi e quando chegou à casa deles veio o mordomo ter com ele e disse-lhe:
– Não posso permitir-lhe que dê aquele presente à família a quem sirvo porque alguns dos seus membros mais antigos vieram falar comigo e me disseram que se ofenderiam, porque são radicalmente contra toda a espécie de bebidas espirituosas.
O servo não cabia em si de espanto mas, porque estava em casa alheia e por respeito para com o mordomo, e para com alguns membros da família de quem gostava muito, acatou a ordem.
Quando voltou a falar com o pai e ia contar-lhe o sucedido ele disse-lhe que já sabia. Então o servo perguntou ao pai:
– O que devo fazer, senhor? Sei que deves estar zangado comigo, por não ter feito bem o que me mandaste, e aborrecido com aquela família por ter recusado o teu presente. Se for da tua vontade, não voltarei aquela casa.
O pai demorou a responder-lhe e finalmente disse-lhe:
– Vai. Mas, da próxima vez que os visitares não entres, fica à porta e espera que o mordomo venha falar contigo.
O servo não ficou muito feliz mas fez como o senhor e pai lhe havia ordenado. O mordomo não veio logo falar com ele, fê-lo esperar, mas pela porta entretanto aberta o servo podia ouvir as suas palavras exortando a família a receber o presente que lhes havia sido enviado e tentando fazê-los compreender a grave falta que seria recusar um tal presente vindo de quem vinha.
Quando o mordomo veio finalmente à porta, o servo cumprimentou-o e foi-se embora sorrindo, porque sabia que o pai iria ficar contente quando lhe contasse o que tinha ouvido.

Epílogo: (publicado em 24-01-2011 pelas 20:30) Não obstante reconhecer o erro da família que serve e saber da parte de quem vem aquele que o visita , o mordomo, temeroso de perder o seu emprego, enviou uma mensagem ao servo proibindo-o de falar do presente de seu pai na presença daquela família, caso voltasse a visitá-la. O servo ficou muito triste e, não querendo incomodar o seu senhor novamente com aquele assunto que por certo o magoaria profundamente, pediu conselho ao filho legítimo de seu pai adoptivo sobre o que deveria fazer. O seu irmão e senhor disse-lhe que respondesse ao mau anfitrião, o mordomo, com as seguintes palavras:

Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se essa casa for digna, a vossa paz desça sobre ela; se não for digna, volte para vós. Se alguém não vos receber nem escutar as vossas palavras, ao sair dessa casa ou dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
Mateus 10: 12-14

*Tradução literal do termo francês eau-de-vie, do latim aqua vitae, que designa as bebidas espirituosas em geral.