Tag Archives: nova-escravatura

Democracia, isto?

Votei e tornaram-me escravo fiscalA democracia é o governo dos homens livres.

Os escravos não existem politicamente.

A escravatura fiscal é uma forma de escravatura como qualquer outra.

Jovens a recibo verde passam a descontar mais

por Margarida Bon de Sousa (jornal i)

O cobrador do fraco.

O governo opta definitivamente por transformarIntimidation a administração tributária em empresa de cobranças difíceis. Tendo como suporte uma legislação iníqua que permite executar antes mesmo de julgar – muitas vezes com base em acusações feitas a partir de pressupostos falsos – e com poder para transformar pequeníssimas importâncias devidas em enormes encargos através da imposição de multas desproporcionadamente elevadas. Tudo coisas que resultam particularmente bem com aqueles que não têm capacidade para se defender – os mais fracos. Tudo feito em nome da justiça. E, tudo financiado com os próprios impostos. (Um masoquismo do tipo o assaltado financiar as acções do assaltante.)

Fisco avança para cobrança coerciva de propinas em atraso
Administração Tributária já cobra taxas moderadoras e portagens
Por Redacção, 2012-12-03

Fiscocracia à portuguesa* e os salteadores da farda pedida.

 

 

Fisco vai cobrar dívidas em Operações Stop

 

 

Ainda há por aí algum imbecil com ideias de apelidar esta gente de liberais?

Quanto tempo faltará para que nos entrem novamente casa adentro a horas mortas?

Nota: Como (quase) sempre nos postais deste blogue, as imagens também têm linques para textos a propósito.

*Uma síntese entre a cleptocracia e a plutocracia.

Notícias citadas nos postais lincados (não vão perder-se, por qualquer razão):
Como o fisco vai utilizar as operações stop para cobrar dívidas
05/06/2012, Dinheiro Vivo
Estado injecta 4,3 mil milhões no BCP e BPI e nomeia gestores
Maria Teixeira Alves, 05/06/12, Económino

Lacaios Secretários de Estado do Novo Império Alemão encontram-se com (Ras)Putin do Novo Império Russo.


Putin defends Russia’s human rights record

Um velho provérbio de origem chinesa afirma que uma imagem vale mais que mil palavras. Nem sempre é verdade: há imagens que não valem sequer o tempo de as olharmos e outras ultrapassam em significado quaisquer palavras que pretendam descrevê-las. Como esta.

Glossário: Império Alemão, Rasputin, Provérbios chineses

Leitura complementar: A notícia lincada neste post e os comentários germanófilos que gera. (para os que ainda! dizem que exagero)

O fim do euro* ou o IV Reich.

Não, não é uma pergunta, é uma constatação. Estes são os únicos dois cenários possíveis na actual conjuntura política-económica europeia.
Hoje mesmo a balança pendeu para o IV Reich quando os irlandeses demonstraram que estão quebrados aprovando em referendo o “pacto fiscal europeu“. O “tigre celta” não passa afinal de um gato castrado e sem unhas.
Restam os gregos, mas as últimas sondagens autorizadas antes da nova eleição legislativa no próximo dia 17 de Junho mostram uma grande indefinição na previsão dos resultados entre o partido favorável ao novo resgate – e consequente submissão da Grécia ao dictat alemão, e o partido que lhe é contra – e consequente saída da Grécia do euro.

Em qualquer dos casos, a Europa da igualdade das nações, da democracia dos povos, da cidadania participativa e da livre iniciativa abortou: morreu antes mesmo de nascer.

O resto é o que toda a gente pode ir acompanhando pelas notícias: Portugal está de rastos, a Itália está de gatas, a Espanha foi de joelhos ao tapete com o Bankia, o representante da França logo que foi eleito apressou-se a prestar vassalagem à Furherin, a qual recomenda a entrega do ouro ao bandido, digo, o “Pacto de Redenção” aos (ainda?) países do sul da Europa, o Reino Unido está cada vez mais isolado, e os restantes países… nem piam.

*Leitura aconselhada sobre este assunto: a série completa de artigos sob o título genérico “Fim do euro” de Pedro Braz Teixeira, no blogue Cachimbo de Magritte.

Nota: E, com este artigo chegou, finalmente, o momento de desvendar a algumas pessoas amigas mais curiosas que tiveram a amabilidade de ir perguntando em que local foi tirada a fotografia de apresentação do autor deste blogue (o itinerante jardineiro Zé de Portugal): trata-se de Schloss Charlottenbourg, o palácio de Frederico I, o 1.º rei da Prússia, dinastia e Estado que estiveram na origem do 1.º Império Alemão propriamente dito – Deutsches Reich, Kaiserlich Deutsches Reich ou Kaiserreich. O resto… bem, vocês sabem: é a Deutschlandlied, a História recente da Europa e das 2 Grandes Guerras.

(mais) Uma boa ideia para a Economia portuguesa.

O calhau pediu, o fisco pariu.

Há uma série de problemas por resolver no sistema económico-financeiro:

– O Banco de Portugal prevê já uma contracção da Economia de 3,1% este ano.

– O número oficial da taxa de desemprego já se situa nos 13,6%, não obstante todos os truques do governo para o contrariar.

– Os bancos estão descapitalizados e uma boa parte dos portugueses já só tem lá conta porque a tal são obrigados para pagamentos ou recebimentos.

Então, a Administração Fiscal responde com esta ideia de pasmar:

O Fisco vai controlar todos os pagamentos realizados nos terminais de pagamento automático, através de cartões de crédito e débito, independentemente do valor, (…)
O objectivo desta portaria é o combate à fraude e evasão fiscal através do cruzamento de dados.
(Finanças vigiam compras com cartão, 02 Fevereiro 2012, Jornal de Negócios)

O Jardim no Deserto não poderia deixar de se associar a este novo desígnio nacional das boas ideias e, por isso, deixa aqui em baixo uma série clássica delas que culmina com a aprendizagem da dança ao modo grego.

MayDay 2010: dá a volta à precariedade.

May Day 2010 - cartaz
.

Ser precário é eventualmente fazer estágios de profissionalização para animar as estatísticas do governo.
Ser precário é não ter a certeza de arranjar trabalho amanhã.
Ser precário é não ter direito ao subsídio de desemprego, mesmo quando já se trabalhou muito e agora não se tem trabalho.
Ser precário é ser obrigado a fazer descontos mesmo quando não se ganhou dinheiro.
Ser precário é receber um salário de miséria e engrossar o cabedal das empresas de trabalho temporário, muitas delas nas mãos dos boys e dos manda-chuvas dos grandes partidos.
Ser precário é não ser contabilizado nas já extensas listas dos desempregados.
Ser precário é trabalhar sem contrato e poder sempre ser despedido sem justa causa.
Ser precário é estar sistematicamente «à experiência», por muito comprovadamente experiente que se seja.

Ser precário é não poder ter filhos, porque os patrões não gostam de grávidas, nem de mães competentes, nem de pais demasiado presentes.

Ser precário é não ter a certeza de poder pagar a renda, é ter a certeza de que o dinheiro não dá para todas as facturas.
Ser precário é ter de comer menos e menos vezes por dia, excepto quando a família ou os amigos se compadecem.

Ser precário é ter vontade de ir para a rua gritar.
Ser precário é ser obrigado a ir para a rua gritar.
Ser precário é decidir ir para a rua gritar.


Ser precário é, de súbito, ter consciência de que se todos dermos as mãos e batermos os pés, O MUNDO TREME.
.
Calcula-se que os trabalhadores precários sejam actualmente mais de 1 milhão e 500 mil. Se apenas 1 em cada 10 for à manifestação serão 150 mil pessoas unidas no mesmo protesto – 150 mil… “eles” vão dar por isso.
.