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O preço de dizer a verdade?

Esta reportagem do jornalista Pedro Rosa Mendes terá resultado no seu despedimento, segundo se diz nalguns blogues.

A ser verdade, é gravíssimo. Mas, infelizmente, não será nada de admirar. Pois, como sabemos, desde há muito que os governantes  em Portugal não têm pejo em usar qualquer meio para se protegerem de uma verdade que os incomoda.

Actualização (às 19 horas):

É mesmo como se dizia, está confirmado. O jornalista Pedro Rosa Mendes foi mesmo “dispensado”, segundo ele mesmo,“… porque a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola” .

Pedro Rosa Mendes, como repórter de guerra, relatou todas as sensações por si vividas por terras africanas, nomeadamente em Angola e Moçambique. Numa viagem de costa a contra-costa, de mais de 10 000 quilómetros, o autor viu e assistiu a realidades novas e diferentes, ouviu histórias e conviveu com gentes em lugares de acesso praticamente proibido por causa de uma guerra sem tréguas, mesmo correndo o risco de “desaparecer sem deixar rasto”. Chocado com a realidade que lhe vai entrando pelos olhos dentro, Pedro Rosa Mendes diz sobre Angola (onde foi pela primeira vez em 1995) que o “surpreendeu o grau de destruição que é total e sobretudo o grau de destruição pessoal de cada indivíduo, do homem enquanto ser humano”.

Dica para gente sem ideias que escreva em jornais.

Wikileaks logo - keep us strong and governments open.Alguém consegue ver a ligação entre o que se está a passar no Norte de África e a exposição à opinião pública dos telegramas diplomáticos norte-americanos pela Wikileaks?

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Haverá alguém por essas redacções com um pouco de ambição e um quanto baste de cultura, capaz de sacudir o torpor da preguiça anquilosante que invadiu o jornalismo em Portugal? Depois queixam-se que os jornais estão a desaparecer! Na verdade, o que está a desaparecer neste país, de modo acelerado, é a inteligência, sendo o seu vazio depois convenientemente preenchido pelo politicamente correcto “socratóide”.

Fazer jornalismo verdadeiro é tentar ver sempre um bocadinho mais além do que aquilo que vos põem à frente dos olhos.

Governo prepara nova agressão fiscal às empresas.

Boot lick cards - Cartões para lambe-botasOntem, ao ler este post da Helena Matos pensei que ela estava a exagerar. Só bastante mais tarde, ao deparar com estes dois títulos:

Empresas declaram prejuízos só para fugir ao Fisco
Por:Redacção/CPS|09- 08- 2010, em TVI 24 e Agência Financeira

Paradigma fiscal de ‘Ghob’
Por:Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto, 09 Agosto 2010, no Correio da Manhã

percebi que a Helena teria, muito provavelmente, razão.

A síntese noticiosa TVI 24/Agência Financeira acima referida reporta-se a uma notícia de fundo do jornal Público, do jornalista João Ramos de Almeida, o qual após “contactos do PÚBLICO junto de dirigentes da administração fiscal” escreve coisas como estas:

(…) uma grande parte das empresas podem estar a subavaliar a sua facturação e sobrevalorizar os seus custos, de forma a reduzir ou mesmo anular os seus resultados, para não pagar impostos sobre os resultados (…) sobretudo nas pequenas empresas, muitas das despesas pessoais dos donos ou sócios das empresas passam como custos da empresa (…)

O jornalista do Público é o autor das afirmações que são acima transcritas? Ou limita-se a escrever o que lhe disseram os “dirigentes da Administração Fiscal”? Quiçá, terá tirado um curso de juiz nas Novas Oportunidades? Ou é mesmo só uma lambidela à bota do poder?

Quanto à crónica do Correio da Manhã, o conhecimento pormenorizado que o “Director-Adjunto” demonstra ter da história fiscal dos contribuintes ali mencionados afasta qualquer dúvida relativamente ao que, e quem, a fundamenta.

E, por cá continua esta “festa” da “justiça” fiscal. Tal como nas outras áreas da “justiça”, deve dizer-se por uma questão de… justiça. Os tais “dirigentes da Administração Fiscal” são os juízes em causa própria; julgam com base em indícios e pressupostos, fornecem graciosamente os seus juízos aos senhores jornalistas que os divulgam junto da opinião pública, na esperança do retorno de algum capital político que suporte uma nova agressão fiscal.

É assim como que uma espécie de justiça popular camuflada… coisa proibida em qualquer Estado de Direito.

Anedotas que se contam por aí.

Laugh/Rir

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