Tag Archives: grécia

Castigat ridendo mores.*

A propósito da vitória do Syriza nas eleições gregas, democráticas, livres e justas, do passado domingo, 25 de Janeiro de 2014, e das declarações pouco democráticas que muitos governantes europeus, incluindo o primeiro ministro português, têm vindo a produzir sobre o assunto. / Thinking about the victory of the Syriza party in the democratic, free and fair Greek elections of the past Sunday, January 25, 2014, and the undemocratic statements that many European rulers, including the Portuguese prime-minister, have been producing on the subject.

Greek masks - Tragedy and ComedyExcerto do monólogo de Praxágora da peça “A Assembleia de Mulheres” de Aristófanes

PRAXÁGORA: [disfarçada de homem.] O meu país é-me tão querido a mim como vos é a vós, e eu gemo, e estou pesaroso com o que nele está a acontecer. Provavelmente nem um em dez dos que governam é honesto e todos os outros são maus. Se nomearem chefes novos eles farão ainda pior. É difícil corrigir o vosso humor rabugento; vocês temem aqueles que vos amam e atiram-se aos pés daqueles que vos atraiçoam. Houve um tempo em que não tínhamos assembleias, e então todos julgámos Agyrrio um homem desonesto; agora os termos estão estabelecidos, aquele que ganha dinheiro acha que tudo está como deve ser, e aquele que não ganha, declara que todos os que vendem os seus votos merecem morrer. Quando estivemos a discutir a aliança parecia que tudo iria acabar para Atenas se ela caísse. Logo que se fez, ficamos vexados e zangados e o orador que tinha causado a sua adopção foi obrigado a fugir para sua segurança. Vocês votam para vós mesmos salários tirados dos dinheiros públicos e só se preocupam com os vossos interesses pessoais; por isso o Estado coxeia…

Excerpt of the monologue of Praxagora from the play “The Ecclesiazusae” by Aristophanes.

PRAXAGORA: [Disguised as a man.] My country is as dear to me as it is to you, and I groan, I am grieved at all that is happening in it. Scarcely one in ten of those who rule it is honest, and all the others are bad. If you appoint fresh chiefs, they will do still worse. It is hard to correct your peevish humour; you fear those who love you and throw yourselves at the feet of those who betray you. There was a time when we had no assemblies, and then we all thought Agyrrhius a dishonest man; now they are established, he who gets money thinks everything is as it should be, and he who does not, declares all who sell their votes to be worthy of death. When we were discussing the alliance, it seemed as though it were all over with Athens if it fell through. No sooner was it made than we were vexed and angry, and the orator who had caused its adoption was compelled to seek safety in flight. You vote yourselves salaries out of the public funds and care only for your own personal interests; hence the state limps along…

 *Significado no Dicionário de Latim. / Meaning on Latin Phrases & Quotes.

Text source: / Tradução expedita a partir de: A monologue from the play “The Ecclesiazusae” by Aristophanes

Manter-se no euro é manter-se no erro para países como a Grécia e Portugal.

Seguido o conselho de Morleya wise suspense in forming opinions, a wise reserve  in expressing them and a wise tardiness in realizing them –  a redacção/publicação deste artigo foi sendo adiada até ao limite do possível.

Acreditava que viria entretanto algum homem de visão, algum economista não comprometido com o poder, denunciar o verdadeiro acto de masoquismo que é para os países como a Grécia e Portugal manterem-se na moeda única. Senhores! Passados 11 e 13 anos das respectivas entradas na dita união económica e monetária, após milhões e milhões de euros enterrados em betão de estádios e parques imobiliários, em betuminoso de autoestradas, estradas e rotundas, e em moínhos de vento*, o único sector onde estes dois pequenos países continuam a ter uma extensa oferta procurada/apreciada é o do turismo –  na sua variante sol-mar (mais as gastronomias correspondentes). O problema é que, espartilhados pelo elevado valor da moeda única, esta oferta deixou de ser concorrencial – agora,  até os gregos e os portugueses optam por comprar férias mais baratas em destinos mais exóticos.

Parece-vos exagerado o que afirmo? Então façam como eu, leiam gente que deve saber mais, ou melhor, tem obrigação de saber muito mais. Como, por exemplo, o presidente do grupo dos Conservadores e Reformistas no Parlamento Europeu, Martin Callanan:

Greece has bought itself only a little more time
20.06.12 (EUobserver)

The Greek people bought themselves a bit more time at the weekend. However, I fear that we are still kicking the now infamous can a little further down the road.

Given the current situation, it is still my opinion that it would be in the best interests of Greece, the euro zone, and national democracy if Greece were to leave the euro in as orderly a fashion as possible.

Greece continues to stare into the abyss. The last bailout was based on such optimistic projections that a third bailout will eventually become a distinct possibility given the worsening growth figures.

We cannot go on with policies that seek to buy a bit more time and prolong the inevitable. The tough decisions are going to have to be made. They can be made today, or they can be made further down the line. But the longer we wait, the worse the political, social and democratic consequences of this crisis will become.

E, como complemento, não deixem de ler também o diplomata, banqueiro e executivo (e  comentador de economia em 6  cadeias televisivas), Edward Harrison:

The euro zone is one giant vendor financing scheme
4 November 2011 (Credit Writedowns)

In a fixed exchange rate environment like the euro area, you don’t have currency fluctuation issues. So persistent current account imbalances as we see within the euro zone are really a form of vendor financing. …

Vendor financing works successfully as long as the lender makes sure the customer can pay back the loans. …

The lurid Telegraph story about German-made Porsches bought in Greece shows you an extreme example of how this works. The reality is you can’t have Germany and Spain both running current account surpluses with each other at the same time. Unless the euro zone as a whole runs a current account surplus as large as Germany and the Netherlands, then you are automatically going to have a sort of vendor financing relationship going.

The most important is that Germany’s or the Netherlands’ current account surplus matched current account deficits in Spain, Portugal, and Greece. That’s how it works. You sell more to me than I do to you and I get more cash than you do. There are always two sides to every transaction (chart from the FT below).


The large euro-area internal current account imbalances should be seen as a form of vendor financing, whereby the creditors, principally Germany, forward their customers, the debtors, trade finance in order to sell their wares.

*e nos bolsos de muitos e espertos empreiteiros, autarcas, oportunos empresários, seus familiares, amigalhaços, compadres e companheiros de… variadíssimas coisas.

Foi você que pediu previu uma conta congelada?

Quem puder ler, leia.

No passado domingo, dia 13 de Maio de 2012, Paul Krugman, o laureado economista que previu – e se fartou de avisar sobre – a corrente crise financeira e consequente recessão económica, escreveu um artigo com o título Eurodämmerung (tradução: euroanoitecer) no seu blogue de opinião pessoal no New York Times. (Se tem dificulade em entender o inglês, pode ler basicamente a mesma coisa em italiano aqui)

Dois dias depois, anteontem terça-feira, dia 15 de Maio de 2012, o Jornal de Negócios trouxe à estampa uma notícia  com o título Gregos retiraram 700 milhões de euros de depósitos só esta segunda-feira .

Quem tiver entendimento, entenda.

Um conto de Natal grego.

Há lugares no mundo que parecem ter especial capacidade para atrair pessoas e acontecimentos excepcionais.

Era uma vez uma cidadezinha de província chamada Bereia (ou Beroia) situada na Macedónia, no Norte da Grécia, cerca de 70 Km a Oeste da grande urbe portuária de Tessalónica. Nada a distinguiria provavelmente de outras pequenas cidades da região não fosse o caso de vir mencionada no Novo Testamento.
A história, conforme está descrita, conta-se em poucas palavras. Numa das suas viagens apostólicas, Paulo e Silas instalaram-se por algum tempo na grande cidade de Tessalónica para pregar o Evangelho, chegando a atrair à conversão “um grande número de crentes gregos e mulheres de elevada categoria social”. Isto provocou inveja nos judeus de Tessalónica que conjuraram uma agitação na cidade por forma a poderem prender os apóstolos. Mas os seus anfitriões conduzira-nos às escondidas para a cidade de Bereia onde os judeus “tinham sentimentos mais nobres do que os de Tessalónica e acolheram a palavra com maior interesse”.

Bereia chama-se agora Veria (ou Veroia) e continua a ser uma cidadezinha de província com apenas cerca de 50 mil habitantes. Mas a singularidade da sua gente volta a ser notícia. A história é novamente de registo breve mas tem um profundo impacto social.

Aproximadamente dois anos de cortes salariais, despedimentos e aumentos de impostos têm esmagado os padrões de vida numa Grécia estropiada pela dívida e o país enfrenta um desemprego recorde e um quarto ano de recessão em 2012. Ao nível pessoal, isto significa que muitos em Veria não podem pagar pelos serviços básicos como a electricidade, que acaba por ser-lhes cortada.
É aí que o grupo activista “Cidadãos de Veria” entra em cena. O grupo volta a ligar ilegalmente a electriciade às famílias carentes, desafiando directamente o fornecedor dominante no país, a Empresa Pública de Electricidade [a EDP lá do sítio].
“Ao cortar a electricidade, (a empresa) castiga crianças pequenas, pessoas idosas e, em geral, todos aqueles que não podem viver sem ela”, diz o activista Nikos Aslanoglou. “Decidimos que tinhamos que voltar a ligar a electricidade a estas pessoas. Nós não estamos escondidos, toda a gente sabe quem nós somos”. (traduzido daqui)

Posfácio: Hey Mama Life, do álbum From Mighty Oaks de Ray Thomas.


Take the pride from a man
You’re left without a meaning,
Take the wings from a bird, how can it fly?
Give him hope, give him trust and
a little understanding,
Give him back his pride, you’ll be satisfied.

A grega democracia, a imperialista UE e a ‘grant’ implosão…

1. Sequência noticiosa:

Grécia vai ter referendo sobre acordo de perdão da dívida
31 de Outubro, 2011, Lusa/SOL

Europa e Banco Mundial preocupados com referendo
1 de Novembro, 2011, SOL com AP

Grécia demite chefias militares
1 de Novembro, 2011, SOL

Grécia: Merkel, Sarkozy, UE e FMI reunidos na quarta-feira
1 de Novembro, 2011, Lusa / SOL

(A propósito, uma singela questão já aqui posta antes.)

2. Vídeo de implosão:

A Grécia prepara-se para uma guerra?

Uma notícia publicada numa revista grega sobre defesa e armamento (o endereço em inglês é helenic defense) refere que a Grécia está prestes a adquirir aos EUA 400 (quatrocentos) tanques M1A1 Abrams (veja imagem abaixo copiada do correspondente artigo na Wikipedia)

e, ainda, 20 (vinte) carros de assalto anfíbios de última geração AAV-7A1, que equipam actualmente o corpo de Marines norte americano e custam a módica quantia de 1,6 milhões de euros… cada. (veja imagem em baixo copiada do artigo da Wikipedia)

Tudo conforme escrito e documentado aqui e aqui.

Nota: Recorda-se que a Grécia terá actualmente uma dívida externa superior a 350 mil milhões de euros.

O sr. Coelho, a D. Grécia, a moeda (única): queda ou esmagamento?

… “Não posso fazer mais do que esta manifestação de confiança em que a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e o próprio governo grego possam encontrar mecanismos que retirem esta incerteza e instabilidade do nosso horizonte” …

O primeiro-ministro manteve ontem que “o que Portugal pode fazer de melhor é concentrar-se no trabalho que sabe que tem de realizar de forma que as pessoas percebam que, aconteça o que acontecer lá fora, Portugal está a cumprir o seu programa com sucesso”. …

“Angústia” sobre crise do euro leva governo a admitir “complicações”
por Bruno Faria Lopes, Publicado em 14 de Setembro de 2011 (jornal i)

Nota: Repare-se, contudo, na diferença em subtileza e inteligência entre o discurso deste e o do anterior.

Economia ao fundo: Zona euro.(actualização)

Em 17 de Dezembro de 2009 foi publicada aqui no Jardim esta imagem ilustrativa do jogo das economias da zona euro.

Passados que são agora 1 ano e 7 meses publica-se a mesma imagem devidamente actualizada.


Estranho jogo este da Economia global, hum?

Por exemplo, ler por ordem e concluir:
1. FMI pede que Itália tome medidas decisivas contra dívida (13/07/2011)
2. Itália paga juro mais elevado em 11 anos para emitir dívida (28/07/2011)
3. FMI alerta França para riscos de contágio da crise da dívida (27/07/2011)
4. …

Afinal, Portugal e a Grécia são mesmo muito diferentes.

MamarEnquanto na Grécia são muitos a mamar pouco cada um, em Portugal são poucos a mamar muito cada um.

O seu a seu dono: Há que reconhecer que o José S. terá acertado nesta. (finais de post alternativos 1. e 2. conforme a sua preferência)

1. Vitória de Pirro para um relativista hegeliano que acredita na identidade dos opostos. Como Hegel escreve, “o caminho para oeste e o caminho para leste são (um e) o mesmo”.

2. É que é muito difícil errar sempre, pá!

Nota: Fica aqui o linque de uma notícia que pode ser interessante, especialmente se conjugado (ah, sempre quis usar esta expressão tão apreciada pelos jurisconsultos) com o linque da imagem usada.

Entretanto em Atenas, ontem…

Atenas, vigília frente ao Parlamento, 15Jun11
Após dia de protestos, manifestantes gregos mantêm vigília em frente ao Parlamento, em Atenas
.
Confrontos com a polícia em Atenas, 15Jun11
Manifestantes entram em confronto contra a polícia, em Atenas, na Grécia
.
Manifestantes protestam frente ao Parlamento em Atenas, 15Jun11
Manifestantes protestam em frente ao Parlamento durante greve contra pacote de medidas de austeridade, em Atenas, na Grécia
.