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Um cheiro a podridão no Terreiro do Paço

Será novamente o pântano ou uma enorme fossa séptica*?

corrupto

Num destes dias passei pela primeira vez, desde que o trânsito ali reabriu, num táxi, frente ao Terreiro do Paço, a caminho do Cais do Sodré. Nem queria acreditar no que estava a ver – um misto de desolação com uns bocados de plástico pacóvios pelo meio. A coisa é indescritível – no meio das obras há uma instalação, que se situa visualmente a meio caminho entre carrinhos de choque das feiras e contentores para recolha de recicláveis, com uns arbustos de árvores raquíticos a saírem lá de dentro – numa referência ecológica bacoca. (…)**

É verdadeiramente impressionante a expansão do ecologismo de pacotilha nos tempos mais recentes: um grupo de idiotas que pensam que ser ecologista é vestir roupas das lojas Natura Selection, atravessar uma ponte rodoviária a pé uma vez por ano e ir comer umas “sandochas” embrulhadas em celofane a um “Centro de Interpretação Ambiental”.

(…), o que está a ser feito na Ribeira das Naus e no Terreiro do Paço é um espelho do poder arbitrário, da falta de bom senso e, estou em crer, de uma grande dose de incompetência. Uma zona nobre da cidade de Lisboa está entregue a pinderiquices, a projectos de intervenção que causam polémica generalizada, tudo feito por obra e graça de uma Sociedade Frente do Tejo, criada pelo Governo perante a passividade de António Costa, e que, muito curiosamente, vai poder contratar empreitadas e adquirir bens e serviços por ajuste directo, sem concurso público, até 5.120 milhões de euros, um valor cinco vezes superior ao limite máximo previsto no Código dos Contratos Públicos. Não há um cheiro a podridão em tudo isto?**

Então não há? E, quando começar a destapar-se um bocadinho mais o que está por debaixo da laje do regime, então o fedor vai ser mesmo excruciante.

*Para ser mais coerente com o actual “estado de engenharia sanitária”.

**Um cheiro a podridão no Terreiro do Paço, Manuel Falcão, 23-06-2009, Meia-Hora.