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2014

berlaymont-UE_headquarters_BruxelsUm título lacónico para um postal lacónico, 2014, assim só, ao modo de 1984.

Com o fim de 2013 veio também o fim da dúvida. (Não confundir dúvida com dívida.) Com o fim da dúvida veio também o fim do seu benefício. Dois anos e meio após ter tomado posse, a actual legislatura, com o respectivo governo, acabou por se tornar uma imagem (ainda mais sinistra) da legislatura precedente, e do seu governo (de muito má memória). Não só segue um rumo idêntico, como ainda aprofundou a agressão legislativa, e executiva, sobre os cidadãos. O leviatão europeu, a besta antiga resurgida, continua a estar muito contente os kapos designados neste “bom aluno” da União.

The history of European integration is a textbook case in how a simple economic treaty can be gradually transformed into an all-encompassing non-democratic supranational federal leviathan. Indeed, the Lisbon Treaty should be a warning to Americans who dream of remaking the United States in Europe’s image.

Leitura complementar: Pensamento. (14)

Quando é que um financiador do PS e cônsul honorário do governo PS, afinal não é do PS?

Como nasce e morre no mesmo dia uma (má) notícia sobre o partido do Governo.

 

No dia 15 de Setembro de 2007, pelas 9 horas e 19 minutos, o serviço Última Hora – Publico.pt noticiava, pela mão de Nuno Amaral, num artigo com o título Polícia do Brasil solicita ajuda à PJ para investigar ligações do PS à “máfia dos bingos”:

“…

O coordenador do gabinete de comunicação da Polícia Federal (PF), Bruno Ramos, disse ao PÚBLICO que, no âmbito desta acção, foi solicitada “uma cooperação judicial e policial directa” a Portugal para averiguar o “eventual envolvimento de portugueses e alguns elementos ligados ao Partido Socialista” com o caso. …

Dois dos 25 implicados nesta megaoperação são empresários portugueses. Um deles, Licínio Soares Bastos – que chegou a ser nomeado cônsul honorário pelo Governo de José Sócrates -, foi o principal financiador da campanha do PS no Brasil, em 2005, e era proprietário da sede do PS no Rio de Janeiro.

Contactado pelo PÚBLICO, Vitalino Canas, o porta-voz do PS, referiu desconhecer esta investigação. “Se existe, sobre ela vigora o segredo de justiça. A confirmar-se, o PS aguarda serenamente o resultado desse processo”, afirmou. A PJ remeteu para mais tarde esclarecimentos sobre este caso. …”.

Monkey News

No mesmo dia, pelas 15 horas, o noticioso Portugal Diário actualizava o resumo desta mesma notícia, escrevendo:

“…

No entanto, já neste sábado à tarde, o mesmo Vitalino Canas desmentiu à RTP a existência de qualquer investigação: «Quero desmentir total e energicamente que haja qualquer investigação por parte de qualquer polícia sobre o partido socialista. O PS não tem qualquer ligação a qualquer máfia». …”.

 

Ainda no mesmo dia, pelas 16 horas e 36 minutos, o já referido serviço noticioso Última Hora – Público.pt publicava um texto sobre o mesmo assunto, agora referenciado como sendo da agência Lusa e completamente alterado relativamente ao original matinal, sob o título Operação furacão: Vitalino Canas nega que PS esteja a ser investigado. Escreve-se agora o seguinte:

“…

Vitalino Canas acusou o PÚBLICO de “travar um combate político” contra os socialistas, considerando que a notícia se “insere numa linha editorial hostil que o PÚBLICO tem desenvolvido nos últimos tempos”.

“O PÚBLICO está aparentemente a entrar em combate político contra o PS e nós agimos desmentindo sempre que temos que desmentir”, sustentou.

O processo em causa – sublinhou – apenas “diz respeito a pessoas individuais”. “A justiça tem de averiguar e eventualmente condená-los”, acrescentou. …”.

 

Coitadinho do PS, hostilizado pelo jornal Público, que afinal se limita a transcrever na notícia as declarações do coordenador do gabinete de comunicação da Policia Federal (PF) do Brasil, Bruno Santos. E o PS lá tem que desmentir (que maçada…) as afirmações transcritas com verdade no jornal. Um titânico “combate político” entre o fraco partido do governo e o poderosíssimo diário! David contra Golias! O que vale é que esta liberdade de escrever, com verdade, o que outros dizem, está a acabar, com a aprovação do novo estatuto dos jornalistas… pelos verdadeiros membros do PS – e só por eles, mesmo.

Os outros, o “cônsul honorário pelo governo português -, o principal financiador da campanha do PS no Brasil e proprietário da sede do PS no Rio Janeiro”, não são do PS: são “pessoas individuais” que “a justiça tem de averiguar e eventualmente condená-los”.

E assim, num só dia, o PS liquidou uma verdade inconveniente.

 

“… 14. Por isso, o direito se retirou e a justiça se manteve longe, porque a verdade tropeçou na praça e a sinceridade não tem acesso; 15. com isso a verdade desapareceu e quem se desvia do mal acaba por ser roubado. Deus viu isso tudo e pareceu-lhe mau, pois já não existe o direito. …” (Isaías 59)