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O holocausto dos professores.


O pior é sentir que nunca mais vou ser a mesma. Pode parecer exagero. Mas é mesmo assim: eu, que não tinha medo, não voltarei a sentir-me segura. Não apenas na escola, mas no país.

Chorei, horas, até já nem saber que chorava. E insisto: não foi só por causa do horário zero, daquele murro no estômago que é ler que não há alunos para nós. Foi também por sentir que algo em mim se quebrara, de forma irremediável.

Há duas semanas, o meu marido, que tem uma licenciatura e duas pós-graduações, era o trabalhador precário e eu a que tinha a situação estável, que nos permitiu ter uma filha, começar a pagar uma casa e fazer planos. Agora ele continua precário e eu sou ex-estável. É assustador.

(Adormeceram professores e acordaram sem turmas, por Graça Barbosa Ribeiro, com base em conversas com os entrevistados, em 23.07.2012 no Público)

Primeiro o sistema deitou fora os que (dizia um qualquer despacho, num dado momento sobre uma determinada licenciatura) não tinham habilitação própria,
e eles não disseram nada,
porque tinham habilitação própria.
Então o sistema deitou fora os que tinham habilitação própria mas não fizeram a profissionalização,
e eles não disseram nada,
porque eles tinham feito a profissionalização (e muitos até tinham “cursos de ensino”!).
Então o sistema deitou fora os que tinham feito a profissionalização mas não tinham vínculo,
e eles não disseram nada,
porque eles tinham vínculo.
Então agora o sistema deitou-os fora a eles,
e nesta altura repararam
(que como nunca falaram por ninguém)
já não havia ninguém para falar por eles.
(Baseado no poema E Não Sobrou Ninguém, 1937, da autoria do pastor Martin Niemöller)

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Trabalhadores descartáveis NÃO!

Uma petição para a concessão de direitos mínimos aos trabalhadores a recibos verdes.

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Apelo recebido por e-mail:

Como sabem desde sempre que trabalho a recibos verdes. Não existe trabalhador mais desprotegido que o trabalhador dito “independente” a recibos verdes.
Não temos direito a férias, a estar doentes, licenças maternidade/paternidade, etc… não recebemos subsídios de qualquer ordem (baixa, desemprego, maternidade, etc.), não temos uma inspecção-geral do trabalho que nos informe ou apoie (é só para os trabalhadores dependentes), recebemos ordens de todos e temos horários para cumprir como todos.
Somos obrigados a pagar todos os meses a segurança social, mesmo que fiquemos 5 meses sem receber um tostão. Somos obrigados, no final da prestação do serviço, a entregar o recibo verde em como recebemos (segundo a lei) mesmo que não tenhamos recebido – o único elemento de prova que temos em nosso poder que nos serve de garantia de recebimento ou não – irónico não é?! Se as empresas não nos quiserem pagar (e existem muitas assim) para as finanças, quem está em falta somos nós, os trabalhadores independentes que prestaram o serviço, não receberam mas também não prestaram contas desse serviço (quer tenham ou não recebido).
Por tudo isto, peço-vos, minhas amigas e meus amigos, familiares, a recibos verdes ou não, assinem esta petição por todos nós e, quer resulte ou não, pelo menos tentamos.
Muito obrigada e beijinhos para todos, …
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O Jardim no Deserto adere a esta causa e solicita a todos os blogues amigos a sua divulgação. Para quem quiser usar, deixa-se aqui em baixo um logotipo e um lema. Clique na imagem para abrir a petição. O endereço é: http://www.petitiononline.com/recverde/petition.html
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Contra os trabalhadores descartáveis
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Reduzir… a injustiça
Reutilizar… os nossos direitos
Reciclar… estes governantes
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