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2014

berlaymont-UE_headquarters_BruxelsUm título lacónico para um postal lacónico, 2014, assim só, ao modo de 1984.

Com o fim de 2013 veio também o fim da dúvida. (Não confundir dúvida com dívida.) Com o fim da dúvida veio também o fim do seu benefício. Dois anos e meio após ter tomado posse, a actual legislatura, com o respectivo governo, acabou por se tornar uma imagem (ainda mais sinistra) da legislatura precedente, e do seu governo (de muito má memória). Não só segue um rumo idêntico, como ainda aprofundou a agressão legislativa, e executiva, sobre os cidadãos. O leviatão europeu, a besta antiga resurgida, continua a estar muito contente os kapos designados neste “bom aluno” da União.

The history of European integration is a textbook case in how a simple economic treaty can be gradually transformed into an all-encompassing non-democratic supranational federal leviathan. Indeed, the Lisbon Treaty should be a warning to Americans who dream of remaking the United States in Europe’s image.

Leitura complementar: Pensamento. (14)

Lembram-se da ‘bolha imobiliária’ que ‘nunca existiu’ em Portugal?

'Bolha' imobiliária em PortugalBem, é só para avisar que está quase, quase, a rebentar.

Investimento no imobiliário português cai 40% em 2012
13/02/13, OJE

Bancos têm 20 mil casas novas para venda
01 Abril 2013, Jornal de Negócios Online

Os bancos têm milhões e milhões de euros presos a imobiliário que não cessa de desvalorizar. O que resulta disto?

Estado pode ter de voltar a injectar dinheiro na banca, diz Moody’s
11/04/13, OJE/Lusa

Mas, o Estado já não tem capacidade para mais resgates. O que irá acontecer, então, provavelmente?

Chipre representa novo modelo de resgate dos bancos, diz o presidente do Eurogrupo
25/03/2013, PÚBLICO

Ulrich: “O que aconteceu aos bancos no Chipre pode acontecer em Portugal”
Fernando Ulrich, Natacha Cardoso, 16/04/2013, Dinheiro Vivo

Depois não digam que não foram avisados.

Nota: Há até quem venha avisando, fundamentadamente, de há mais tempo a esta parte.

O síndrome de Nicósia.

O rapto de Europa na moeda grega de 2 eurosTal como no aconteceu com as vítimas de Estocolmo, os países CGPEI (Chipre, Grécia, Portugal, Espanha e Itália) estão sequestrados pela aliança de três poderes que os gere de facto, designada por “troika” (FMI – Fundo Monetário Internacional, BCE – Banco Central Europeu e CE – Comissão Europeia), e não cessam, ainda assim, de tentar agradar-lhe e identificar-se com esses poderes.

Após o que os referidos poderes forçaram que acontecesse em Chipre, há uma série de questões que os portugueses deveriam colocar-se.

1. Estará Portugal falido?
Bom, essa parece ser a opinião generalizada, dado que quanto a isso estarão de acordo os extremos do espectro político português.

Pelas minhas contas estamos falidos

A explicação da dívida e de porque não a vamos pagar

2. Mas, opiniões políticas à parte, haverá dados económicos que confirmem essa falência nacional?
Pois parece que sim. Vejam no artigo cujo linque está colocado a seguir.
(Não tenho tempo para traduzir, mas isso não importa porque o mais importante mesmo é olhar os gráficos e ver a linha, sempre descendente, que corresponde a Portugal)

A Graphical Walk-Through Of An ‘Un-Fixed’ Europe

3. Estarão as suas poupanças seguras nos bancos portugueses?
Bem, em vez de eu lhe estar a dizer, porque não avalia por si mesmo com base na breve recolha noticiosa (das muitas possíveis) cujos linques ponho aí em baixo?

Banco Popular perde 2.461 milhões em 2012

Lucro do BBVA diminui 44,2% devido a provisões para o imobiliário

Lucro do CaixaBank cai 78,2% com dotações e provisões

Depois não digam que não foram avisados.

A União Europeia está a cair aos bocados (Soapbox Opera).

Facto:
European shares fell on Wednesday to their lowest close in seven-weeks after dismal demand at a German bond auction sparked fresh debt crisis contagion worries

Análise de um gestor de peso nos mercados:
Richard Batty, strategist at Standard Life Investments, part of the Standard Life Group, which administers 196.8 billion pounds of assets, said the weak demand was a surprise.
“It is now getting to the stage where investors are becoming concerned about Germany paying more of the bill for the euro zone.

Análise de Ricardo Arroja sobre o mesmo assunto, no Insurgente:
o banco central alemão, que tem por hábito reter uma parte das suas emissões (que destina às suas próprias reservas), terá decidido, de acordo com a teoria especulativa do FT, ficar com um terço da sua emissão. Agora, porquê e para quê? …

Em suma, o Bundesbank está a preparar-se para o “default” das dívidas periféricas, para o desmembramento da zona euro e até, imagine-se onde isto pode chegar, para a falência do próprio BCE. …

Mais um aviso, claríssimo:

On Wednesday, Greece’s central bank also called on Mr. Samaras and other leaders of the new coalition government to step up the pace of reforms, warning that the country faced a disorderly exit from the euro.

Síntese final (A Sopabox Opera, do álbum Crisis? What Crisis? dos Supertramp):

I hear only what I want to hear
But, I have to believe in something
Have to believe just the one thing
I said, “Father Washington, you’re all mixed up
Collecting sinners in an old tin cup
Well, spare a listen for a restless fool
There’s something missing when I need your rules”