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Um Estado extorsionário comandado por estúpidos.

Muitos portugueses pensam ainda que são governados por bandidos. Estão equivocados. Vejamos porquê.
Como toda a gente sabe, um bandido é um indivíduo que obtém um ganho causando aos outros um prejuízo. Ora, isto não constitui explicação suficiente para os casos a seguir descritos:

Uma média de 12 milhões de vendas anuais revelavam-se insuficientes. Os 23 milhões de euros de passivo acumulado pela Throttleman e Red Oak levaram então a que, em Novembro de 2012, ambas avançassem para o “Processo Especial de Revitalização”, um mecanismo criado pelo Estado para ajudar empresas em dificuldades.

Aceite pelo tribunal o “Plano de Recuperação”, vida nova? Errado. As Finanças interpõem um recurso judicial que impediu a recuperação de arrancar. Há um ano. Apesar das Finanças e da Segurança Social terem assegurado o ressarcimento de 100% da dívida em 150 prestações, acrescidas de juros a uma média de 6,25%, as Finanças não aceitaram que os juros antigos e as coimas fossem perdoados em 80%.

A Throttleman andou 12 meses a lutar com as Finanças em recursos judiciais e depois o processo encalhou no Tribunal Constitucional. Entretanto, a gestão tornou-se impossível. Há dias anunciou o pedido de insolvência. Tinha 200 trabalhadores. As Finanças (e todos os outros) vão agora receber zero ou pouco mais. (excerto deste artigo no JN)

Nas Finanças, evidentemente, começaram a levantar problemas porque não tínhamos pago o imposto de selo tendo em conta a data de assinatura do contrato e apresentaram logo o valor da multa a pagar. À pessoa da AT que atendia o nosso colaborador, foi apresentado um e-mail dos advogados referindo que tínhamos de fazer o pagamento do imposto de selo segundo a data de início de contrato, com excertos do DL relevante – que isto para se lidar com a AT tem de se ir preparado e perder tempo e gastar recursos em inutilidades como andarmos a corresponder-nos com os advogados por ninharias. O funcionário da AT não perdeu mais tempo, não leu o que escreveu o nosso advogado, aceitou o depósito de uma das cópias do contrato, carimbou as restantes e ficou tudo tratado.
Em suma: a AT tentou aldrabar-nos exigindo o pagamento de uma multa que não deveria ser exigida, sabendo que não havia razão para a sua exigência. Como percebeu que não resultaria, deixou-nos ir e que não tornássemos a pecar. (excerto deste postal no blogue O Insurgente)

StupidityO que falta para explicar estes casos é a lei fundamental da estupidez humana, segundo o historiador de Economia Carlo Maria Cipolla: Uma pessoa [humana ou jurídica] estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer prejuízo.

Não é difícil compreender de que forma o poder político, económico ou burocrático aumenta o potencial nocivo de uma pessoa estúpida.

As acções do bandido seguem um modelo de racionalidade. Racionalidade perversa, se assim quisermos, mas sempre racionalidade.

Como está implícito na Terceira Lei Fundamental, uma criatura estúpida persegui-lo-á sem razão, sem um plano preciso, nos tempos e nos lugares mais improváveis e impensáveis.

Com um sorriso nos lábios, como se fizesse a coisa mais natural do mundo, [digam lá se ao ler isto não vos vem ainda à ideia esta imagem?] o estúpido surgirá inopinadamente para lhe dar cabo dos seus planos, destruir a sua paz, complicar-lhe a vida e o trabalho, fazer-lhe perder dinheiro, tempo, bom humor, apetite e produtividade – e tudo isto sem malícia, sem remorsos e sem razão. Estupidamente.
(in As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, Carlo Cipolla, Padrões Culturais Editora)

Nisto, também, o Pedro se revela, cada vez mais, um continuador e imitador do José.

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De como a estupidez institucionalizada destrói a liberdade conquistada.

Um exemplo singelo. Uma história verdadeira. Abril, 39 anos depois…

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Teoria Geral da Estupidez Humana - capaEm viagem, quatro e meia da tarde. Um telefonema, um pedido para adiar uma obrigação cerca de duas horas. Povoação mais próxima, a Golegã. Lanchar, revisitar a linda Matriz de portais manuelinos… sobrava o tempo necessário para visitar a Casa-Estúdio Carlos Relvas. Cinco minutos a pé desde a praça central. Entrada no jardim da Casa-Estúdio às cinco e vinte da tarde. “As actividades do dia já terminaram” – diz a funcionária na recepção. “O horário diz que está aberto até às seis” – respondo. Com pouca vontade (para não dizer de má vontade) a cicerone lá nos conduz ao interior. Entrada pelo piso baixo, salas de trabalho, biblioteca e sala de espera para os convidados do fotógrafo. Subida ao piso superior, um enorme estúdio fotográfico de paredes e tectos em vidro suportados por estrutura de ferro, cheio de luz natural. Alinhadas, algumas máquinas fotográficas construídas pelo próprio artista. “ O meu amigo Henrique Sousa(1)  vai ficar maravilhado quando lhe mostrar estas «meninas»” – pensei enquanto sacava da minha modesta Fuji digital. “É proibido tirar fotografias” – ouço a funcionária dizer ao meu lado. “COMO!” – respondi, pensando não ter entendido bem. “É proibido tirar fotografias” – repetiu a criatura.

É a liberdade que distingue um grego de um bárbaro. (2)
Jean Sirinelli

(1) Coleccionador de máquinas fotográficas e entusiasta fotógrafo amador.
(2) Experimentem aplicar esta frase aos acontecimentos presentes dentro da chamada Zona Euro e perceberão que não se trata de uma mera questão conjuntural, mas antes de um profundo (e inultrapassável) choque cultural.

O holocausto dos professores.


O pior é sentir que nunca mais vou ser a mesma. Pode parecer exagero. Mas é mesmo assim: eu, que não tinha medo, não voltarei a sentir-me segura. Não apenas na escola, mas no país.

Chorei, horas, até já nem saber que chorava. E insisto: não foi só por causa do horário zero, daquele murro no estômago que é ler que não há alunos para nós. Foi também por sentir que algo em mim se quebrara, de forma irremediável.

Há duas semanas, o meu marido, que tem uma licenciatura e duas pós-graduações, era o trabalhador precário e eu a que tinha a situação estável, que nos permitiu ter uma filha, começar a pagar uma casa e fazer planos. Agora ele continua precário e eu sou ex-estável. É assustador.

(Adormeceram professores e acordaram sem turmas, por Graça Barbosa Ribeiro, com base em conversas com os entrevistados, em 23.07.2012 no Público)

Primeiro o sistema deitou fora os que (dizia um qualquer despacho, num dado momento sobre uma determinada licenciatura) não tinham habilitação própria,
e eles não disseram nada,
porque tinham habilitação própria.
Então o sistema deitou fora os que tinham habilitação própria mas não fizeram a profissionalização,
e eles não disseram nada,
porque eles tinham feito a profissionalização (e muitos até tinham “cursos de ensino”!).
Então o sistema deitou fora os que tinham feito a profissionalização mas não tinham vínculo,
e eles não disseram nada,
porque eles tinham vínculo.
Então agora o sistema deitou-os fora a eles,
e nesta altura repararam
(que como nunca falaram por ninguém)
já não havia ninguém para falar por eles.
(Baseado no poema E Não Sobrou Ninguém, 1937, da autoria do pastor Martin Niemöller)

A capação dos cães e a estupidez do politicamente correcto.

Até onde pode chegar a estupidez do politicamente correcto, neste caso sob a forma da sua subespécie o eugenicamente correcto?

Há uns meses atrás, um outro conhecido meu – português, a este chamemos-lhe P para poupar tempo e escrita – decidiu adoptar um cão, respondendo ao apelo da publicidade institucional politicamente correcta. E, segundo me contou recentemente, foi-se horrorizando em crescendo.

Não querendo (por enquanto) alongar a história pelas manigâncias das (assim chamadas) associações de defesa dos animais, atenho-me por agora contar-vos, devidamente autorizado por quem ma contou, aquela que ele considerou a mais revoltante resposta a uma proposta de adopção de um cão num canil municipal.
Em Outubro deste ano P foi ver o cão que está anunciado aqui(1)  e que se mostra na imagem em baixo:

Confirmou no local aquilo que até na fotografia se vê: que o cão estava doente. Pediu para falar com o veterinário mas, no lugar dele veio ao seu encontro um assessor (assim se terá apresentado) de um qualquer vereador. Perguntou-lhe o meu conhecido se o cão em referência já tinha sido visto pelo veterinário e se este já teria mandado fazer algum tipo de testes laboratoriais ao bicho, pois se encontrava visivelmente doente. Foi-lhe respondido (pelo tal assessor) que o canil não tinha verba para fazer testes, nem para tratar os animais. Uma afirmação que, só por si, é um descarado atentado à saúde pública. No entanto, o canil exige a quem adopte um animal que assine um termo de responsabilidade por ele. Então, o P (que também é de parvo) prontificou-se a pagar do seu bolso os testes que o veterinário considerasse indispensáveis para apoiar um diagnóstico da doença que afligia o canídeo, na condição de poder adoptá-lo inteiro, isto é sem ser capado. Nem pensar! O cão só sai daqui esterilizado. – terá redarguido o assessório. Mas, então… o canil não tem verba para tratar os animais, mas tem verba para pagar a esterilização? É assim. É a lei! – disse o tal. Não é verdade. A lei só obriga a esterilizar os animais das raças consideradas perigosas. Ah, pois! Não é a lei mas são os regulamentos municipais.
Vejamos a lógica da coisa. Eles têm no canil um animal sexualmente activo e doente. Não o tratam por alegada falta de verba. O animal será, pois, entregue em adopção doente. Mas, quem o adoptar tem que assinar um termo de responsabilidade por ele. Mais, antes de o entregarem para adopção, capam-no – e para isso, pelos vistos, já passa a haver verba. A pessoa que assume a responsabilidade pelo animal é assim forçada a aceitá-lo, para além de doente, castrado.

Mas que gente é esta? – exclama por fim o meu conhecido. E aqui, ele esclarece que fala tanto dos que impõem as estúpidas normas, como dos que as aceitam.

De facto, é preciso admitir que parecem estar bem uns para os outros.

O problema do politicamente correcto não é o seu aparecimento enquanto ideia nefasta na cabecinha de uma criatura qualquer – que ninguém está livre de ter ideias estúpidas. O problema, como digo, é essa criatura querer – e poder! – impor a todos os outros essa ideia prejudicial como sendo boa, ou sensata, ou higiénica, em suma, correcta.

(1) Fica guardada uma imagem (print) do anúncio referido, precavendo eventuais apagamentos.

O lixo do Lidl e a estupidez do politicamente correcto.

Até onde pode chegar a estupidez do politicamente correcto, neste caso  sob a forma da sua subespécie, o ecologicamente correcto?

O meu colega e amigo Inglês (chamemos-lhe assim para preservar a sua privacidade) dava hoje sinais de estar extremamente aborrecido, coisa que não lhe é usual. Só quem o conhece bem consegue notar, porque levanta muito a sobrancelha esquerda quando nos olha e porque resmunga com todo o serviço no restaurante ou no café.

Cheio de curiosidade convidei-o para tomar um drink ao final do dia, sabendo-o um fraco bebedor que ao segundo copo está pronto a “cantar” tudo. Fiquei então a conhecer a história toda que passo a contar-vos de forma muito sucinta.

O Inglês é muito amigo da colega MM – diz ele. Traduzindo para português corrente, tem um fraquinho por ela. A MM vai mudar de casa e o Inglês ofereceu imediatamente a sua ajuda. Há dois ou três dias atrás ela pediu-lhe que ele lhe arranjasse umas caixas de cartão para ir encaixotando coisas. Assim que pôde o Inglês passou pela loja do Lidl perto de casa para pedir as caixas. Mas o rapazola cheio-de-si-chefe-de-turno desse dia na loja não lhe apetecia maçar-se e disse-lhe que as caixas já tinham ido todas para o triturador (ou compactador, não percebi bem porque o meu amigo começava a entaramelar um pouco a língua com a bebida). O Inglês não se deu por vencido e nessa mesma tarde telefonou para o número de apoio ao cliente da cadeia de lojas e fez o mesmo pedido. Foi-lhe dito lá por quem o atendeu que iria tratar do assunto e que depois ele seria informado por e-mail da decisão. E foi.

Eis a resposta que recebeu do apoio ao cliente em Portugal da cadeia alemã de lojas de baixo preço (e não só), cujo print acabou de me enviar:

clique na imagem para ver maior

Afinal, o Inglês tem razão para estar chateado. Resta-lhe a consolação que, ainda ontem (ou já foi anteontem?) o Camarão mandou a Frau à Mérquele.

Na eventualidade de aparecer por aqui algum politicamente correcto “apoiante” da política de tratamento dos lixos (e dos clientes) da referida cadeia de baixo preço (e não só) recomendo-lhe a leitura do seguinte excerto de um documento de uma Comissão Científica Independente sobre a questão do controle de resíduos:

Quando se trata um problema de controlo de resíduos é necessário que essa abordagem siga uma hierarquia:

i) Em primeiro lugar é necessário verificar se não será possível evitar a produção do resíduo, por exemplo utilizando produtos fabricados de forma diferente, ou prolongando o tempo de vida útil do produto.

ii) Em segundo lugar é necessário verificar se não é possível encontrar uma nova serventia para esse produto, em que grande parte das suas propriedades ainda possam ser rentabilizadas, …

iii) Finalmente quando não é possível aproveitar grande parte do valor do produto podemos tentar a terceira alternativa, ou seja aproveitar a matéria prima que o constitui, em alguns casos para fabricar produtos idênticos, … Neste caso estamos perante uma operação que actualmente se denomina reciclagem.

O três princípios constituem a conhecida sigla dos 3 Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

Dada a grande perda de trabalho e tecnologia incorporada na maioria dos produtos quando passamos da segunda para a terceira opção, importa aqui questionar-nos se os esforços necessários à implementação das duas primeiras hipóteses estão ser encarados de forma igual à actualmente dedicada à reciclagem. …

Leitura complementar sobre outras iniciativas de cariz social da empresa Lidl & Cia.

A grega democracia, a imperialista UE e a ‘grant’ implosão…

1. Sequência noticiosa:

Grécia vai ter referendo sobre acordo de perdão da dívida
31 de Outubro, 2011, Lusa/SOL

Europa e Banco Mundial preocupados com referendo
1 de Novembro, 2011, SOL com AP

Grécia demite chefias militares
1 de Novembro, 2011, SOL

Grécia: Merkel, Sarkozy, UE e FMI reunidos na quarta-feira
1 de Novembro, 2011, Lusa / SOL

(A propósito, uma singela questão já aqui posta antes.)

2. Vídeo de implosão:

O seu crime é distribuir rosas brancas em clínicas abortistas.

Mary Wagner é uma mulher canadiana de 36 anos de idade, de compleição física franzina, que já foi presa várias vezes, desde 1999, pela polícia canadiana pelo crime de oferecer rosas às mulheres que aguardam na sala de espera de clínicas abortistas do Canadá.

Mary Wagner : fixem o nome desta mulher!
Publicada por Orlando Braga em 16 de Setembro de 2011,
no blogue 60 minutos.

Trece de septiembre de 2011: Mary Wagner, católica de 36 años, es condenada a 40 días de cárcel. Otra vez. Ya ha perdido la cuenta de las veces que ha sido arrestada desde la primera, el 1 de febrero de 1999. Pero a ella no le importa: en la cárcel de mujeres ya la conocen, y aprovecha esas estancias para evangelizar. Y para consolar a las presas que han abortado.

Este martes, el juez William Bassel de Toronto la declaró culpable de “un uso y disfrute ilegal” de las instalaciones de la clínica abortista de Bloor West, cerca de Toronto. Y de “retrasar el desarrollo del negocio”.

En agosto la detuvieron de nuevo: dos policías ante un centro abortista. Mientras se decidían a llevársela ella rezaba el rosario sentada en la acera. …

La detienen por repartir rosas en centros abortistas
16 septiembre 2011, Religion en Libertad

Veja (e ouça) também: Deixa-Me Viver,Mamã – Let Me Live, mommy.

Be stupid

Uma marca italiana de vestuário lançou uma campanha publicitária que “aposta em ideias relacionadas com estupidez“.

Stupid is Spreading - cartaz publicidade

Algumas más línguas pretendem que se terá inspirado nas brilhantes ideias saídas dos executivos políticos portugueses desde 2005.

“Novela” PT-Telefónica: Vivo já está a perder quota de mercado
Terça feira, 20 de Julho de 2010, ExameExpresso

PT pede €7,5 mil milhões à Telefónica
Anabela Campos e João Vieira Pereira
Segunda feira, 26 de Julho de 2010, ExameExpresso

Ele há línguas capazes de dizer quase tudo…

Anteriormente escritas sobre este mesmo assunto aqui no Jardim: Porque manda o governo vetar a venda da Vivo? (30-06-2010), A nova ordem económica: capitalismo de Estado ou socialismo de mercado?  (03-07-2010).

O calendário gregoriano, os mercados e a persistência nos erros.

Não obstante os abundantes esclarecimentos sobre a inexistência de um ano zero no calendário gregoriano e o consequente início de novos séculos, milénios ou décadas nos anos com números terminados em um (ao início do século 1 atribuiu-se o ano 1, logo o início do século 21 teve forçosamente início no ano 2001), os jornalistas não terão aprendido nada e voltam a declarar o início da segunda década deste novo século neste ano de 2010.

O primeiro ano da segunda década deste século NÃO É 2010, será 2011.

Infelizmente, a persistência no erro (que transforma a ignorância em estupidez) não é exclusiva dos jornalistas:

FED defende mais regulação para proteger sistema financeiro
Economia
04/01/10, 07:55
OJE/Lusa

Bolha especulativa - ilustração

O título jornalístico mais estúpido de 2009.

Jesus é de esquerda ou de direita?

Crentes dos dois lados da barricada analisam o discurso de Jesus e dão-nos a (sua) resposta.

Capa da revista Visão