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A crise do imobiliário está agora definitivamente instalada em Portugal.

Subprime sequel - Consequências do subprimeHá três anos atrás aconteceu nos EUA, e as consequências estão muito bem descritas no texto que transcrevo a seguir (mas não traduzo por falta de tempo):

… “You see all these expensive-looking houses ?  They are in fact poorly built, cookie-cutter houses, way over-priced, bought with money out of nowhere (…) by people living in a dream, from paycheck to paycheck, in a false paradise of high credit, materialism and excessive spending. If they lose their jobs, as many are doing, they will be lucky to get half their money back on their houses.
… But the lost jobs will not come back, so there is no real basis for a return to prosperity. (…) There is a kind of Government aid which can do more harm than good to the people it is supposed to help, by trapping them in their dependence on it…
… “The economy is hanging on a thread, yet most people think everything will be fine in a year’s time. They think it is lovely if the Government just prints or digitalizes more and more money. Five per cent of the people, or less, understand just how grave the situation is, and less than one per cent see religion as playing any part in their country’s downfall. People look only for band-aids, not for deep or real solutions. …

(Rampant Unreality, posted August 29, 2010 on Thought and Action blog)

Pois bem! As instituições financeiras portuguesas (e outras na Europa, como se mostrará numa das peças noticiosas que irão ser apontadas a seguir), apenas conseguiram adiar – ou iludir por algum tempo? – a crise no imobiliário.
Agora, não é apenas uma crise de créditos não cobráveis, mas uma completa estagnação do sector motivada pelo arrefecimento (quase congelamento) da Economia e uma concentração insustentável de património não negociável, a não ser com perdas. Não esquecer que são os bancos e o Estado os proprietários da maior parte do imobiliário neste país. É que, em em matéria de problemas financeiros (dívidas, investimentos em depreciação, etc), adiar é sempre sinónimo de agravar – e não é preciso ser nenhum génio da Economia para saber isto.
Crise agravada também, e muito, pelo saque do Estado sobre o imobiliário feito através da péssima legislação produzida entretanto pelos governos socialistas: o aumento brutal da carga fiscal (IMI), a criação de mais custos e taxas (a seu favor, claro) no arrendamentos urbanos (NRAU), a concorrência desleal da Administração Fiscal no mercado do imobiliário (leilões e mais leilões de imóveis hipotecados), etc. – questões que foram sendo referidas aqui, neste blogue, ao longo dos últimos 3 anos, por diversas ocasiões.

Crise: casas já não se vendem como vendiam
Filipa Serejo, TVI, 2010-08-27 (Agência Financeira)

Portugal tem à venda mais de 381 mil imóveis
Elisabete Felismino, 28/08/10, Diário Económico

Países nórdicos deverão enfrentar crise no sector imobiliário
19 Agosto 2010, Diogo Cavaleiro, Jornal de Negócios

Só os tolos, conduzidos pelos optimistas incompetentes, ainda acham que dentro de pouco tempo a crise está debelada.
Cegos conduzidos por outros cegos.

Economia portuguesa: o estertor final.

SobreendividamentoOu, como diz o povo na sua desagradável boçalidade, o “peido mestre”.

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A economia portuguesa vai crescer menos do que se previa há três meses, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI). Vai, basicamente, estagnar durante dois anos, (…)
o produto interno bruto (PIB) deverá crescer apenas 0,3% este ano (a previsão em Janeiro era de 0,5%) e 0,7% em 2011 (antes apontava para 0,9%). (…)

(FMI corta crescimento e diz que Portugal está estagnado, Luís R. Ribeiro, 21 de Abril de 2010, jornal i)

Em pleno processo de criação de dívida para pagamento de dívida. Ou, fazendo uso do mais imagético vernáculo, a “balões de oxigénio”.

A entidade que gere a dívida do Estado colocou 575 milhões de euros de Bilhetes do Tesouro com uma maturidade de três meses, (…)
(Portugal coloca mais dívida no mercado do que o inicialmente previsto, Susana  Domingos, 21 Abril 2010, jornal de negócios)

Nos Bilhetes a três meses, a taxa média ponderada fixou-se em 0,476% contra os 0,414% registados no leilão anterior, de Dezembro.
nos Bilhetes do Tesouro a nove meses, o juro quase duplicou para 1,079% face aos 0,653% pagos no leilão anterior, de Novembro do ano passado. (…)

(Portugal paga mais caro para vender dívida, Pedro Latoeiro, 21/04/10, diário económico)

A rendibilidade exigida pelos investidores para comprarem no mercado Obrigações do Tesouro portuguesas, com uma maturidade de 10 anos, está em máximos de 2008. O juro das OT atingiu os 4,816%. (…)
(Custo da dívida pública portuguesa dispara para máximo de 2008, 21 Abril 2010, jornal de negócios)

No entanto, os dois estarolas, de seus nomes Sousa e Santos, continuam a afirmar que está tudo sob contrôle…

Nota: De entre as várias provocações que este postal contém, das quais esperava reacção, há uma que não consigo manter, pelo que tenho que me corrigir a mim mesmo: a palavra “extertor”, que estava posta no título, não existe na língua portuguesa. A palavra correcta é estertor. Permanece, assim, o mistério não resolvido – porque é que nenhuma das cento e tal visitas diárias deste blogue tirou um minuto para me apontar o erro em comentário. Será que não me lêem?