Tag Archives: especulação

UE aprova pacote de crédito

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Blood transfusion bag
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Os especuladores,
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Happy fall vampire
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e desejam próximas quedas felizes.
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Economistas: Os novos oráculos.

Espantoso é que a maior parte desta gente ridiculariza os cristãos pela sua fé em Deus!

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A pior recessão económica desde a Grande Depressão poderá ser prolongada devido aos consumidores continuarem a ver poucos sinais que as perdas de postos de trabalho e a queda dos preços das casas estarão a terminar, consideram os economistas Nouriel Roubini e Robert Shiller. (…)
(Roubini e Shiller prevêem recessão mais prolongada devido à falta de confiança, Patrícia  Abreu, 13 Julho 2009, Jornal de Negócios)

Quando, em 2006, Nuriel Rubini (que os ingleses escrevem Nouriel Roubini, para poderem ler o som “u”, e os jornalistas portugueses copiam sem pensar) muito bem fundamentado previu esta crise, muito poucos quiseram saber.

(…) Hoje Roubini afirmou numa conferência em Nova Iorque que o pior da crise já está para trás, no que diz respeito às condições económicas e financeiras, e estas declarações surpreenderam os mercados, que entraram de imediato em território positivo, salienta a Bloomberg.
Depois de a CNBC noticiar as palavras de Roubini, os mercados accionistas norte-americanos e as cotações do petróleo dispararam. Os principais índices bolsistas do outro lado do Atlântico estão a ganhar terreno, muito perto de ganhos de 1%. O petróleo, por seu lado, que hoje estava a negociar em território negativo, já está no verde tanto em Londres como em Nova Iorque.
(…)
(Roubini diz que recessão acaba este ano, Carla Pedro, 16 Julho 2009, Jornal de Negócios)

Agora, qualquer afirmação sem fundamento vinda do mesmo homem é tomada como um oráculo. Haja paciência!

 

Sigam-me, não estou perdido

Follow me, I’m not lost…

 

Novo crescimento da bolha especulativa e

a falácia da recuperação económica.

 

Nas últimas duas semanas têm sido bastante comuns notícias como estas – escolhidas ao acaso nas Newsletters com que o OJE me enche a caixa de correio electrónico e até já não muito frescas –, cujos linques se indicam a seguir:

 

Bolsas à prova da Gripe
03/05/09

PSI 20 abre em alta acima dos 2%
07/05/09

Bolsa de Tóquio fecha em máximos de seis meses
07/05/09

Nova Iorque encerra a brilhar impulsionada pela banca
07/05/09

A muitos poderão estas parecer boas notícias para a Economia, mas não o são, porque – também escolhidas ao acaso e na mesma fonte – lá estão demasiadas notícias deste outro teor:

 

Platex propõe 200 em regime lay off
06/05/09

Sonae Indústria com 40 milhões de prejuízos devido a quebra nas vendas
07/05/09

Tribunal de Gaia declara Jotex insolvente
12/05/09

GM afunda em Bolsa para níveis de 1933
12/05/09

DuPont elimina mais 2.000 postos de trabalho
08/05/09

O lucro financeiro sem suporte na produção é meramente especulativo. O financiamento por parte dos governos de todo o mundo aos grandes grupos financeiros está a favorecer o tipo de negócios que conduziram a esta crise, e a agravar a situação ao fazer crescer novamente a bolha especulativa.

A crise actual tem origem num prolongado período de especulação financeira, que teve origem a seguir à primeira crise económica dos anos 90 e que atingiu o seu máximo na saída da crise do final da mesma década – a chamada “dot-com bubble”. Isto é bem perceptível, por exemplo, na comparação de preços e ganhos do índice dos mercados de acções designado MSCI World constante do gráfico seguinte – apesar de ele não ser construído para mostrar isso:

 

msci world prices-earnings

A quem interessa usar as expectativas criadas por estes lucros especulativos? A resposta a esta pergunta está inteiramente dada e demonstrada no quadro seguinte:

 

Bolha especulativa
Clique na imagem para ver maior

 

A Economia e a Finança estão hoje indissociavelmente ligadas, mas não são a mesma coisa. Impedir artificialmente que instituições financeiras completamente inviáveis, à luz dos princípios da Economia de livre mercado, claudiquem por incapacidade própria, não só não garante de forma alguma a desejada recuperação económica, como pode ainda agravar a situação de crise.

 

Como dizem, aliás, num assomo de honestidade, os autores deste estudo (pág. 14) encomendado pelo Citi Bank, destinado a tentar provar, pelo contrário, que os sinais dos mercados bolsistas indiciam uma recuperação da Economia:

 

The biggest risk to our outlook is a worse and more extended downturn for the global economy and corporate earnings than we currently forecast. Valuations discount recession, but not depression and deflation.

 

A ironia do boicote à compra de combustíveis,

e a falácia da liberalização do preço dos ditos.

Nos últimos dias assistiu-se a uma movimentação dos consumidores no sentido de concertarem uma acção de boicote à aquisição de combustíveis em determinadas empresas revendedoras. Os blogues terão dado boa ajuda. Depois da onda passar (1,2,3,4) e da espuma começar a desfazer-se*, parece que o consenso se quedou na ideia de boicotar as aquisições de combustíveis na Galp durante período indeterminado (até ver, em português corrente).

boicote combustiveis

boicote galp

A iniciativa parece ser razoável, dado que os preços praticados por esta empresa são aparentemente tomados como referência por todas as outras. O Jardim no Deserto participa com muito gosto na divulgação desta campanha (até porque o seu autor já de há muito que tomou esta mesma decisão, para si e para todos aqueles que confiam nas suas escolhas), sem a atitude temerosa do JPG do Apdeites, mas também sem o excesso de optimismo que muitos outros aparentam ter. É preciso perceber que existem grandes limitações a esta acção.

Em primeiro lugar, é fundamental eliminar desta equação uma premissa falsa, ou, pelo menos, pouca esclarecida para grande conveniência do poder político. O preço dos combustíveis não é, nas actuais condições de mercado, um preço verdadeiramente livre (ou liberalizado, como dizem). Nem poderia ser. Porquê? Porque este é, nas condições actuais, um bem cujo consumo não pode ser substituído por outro. Isto torna rígido (ou inelástico) o crescimento da curva da procura, ou seja, qualquer variação no preço resulta numa variação nula ou quase nula na quantidade procurada.

O que as verdadeiras, mais sólidas, economias de tipo liberal (entre as quais não se conta, evidentemente, a portuguesa) têm vindo a procurar é tornar dinâmicos os preços do petróleo e seus subprodutos, recorrendo à armazenagem (as chamadas reservas estratégicas) e à tentativa de negociar no momento mais favorável – o que só é possível, ainda assim, se as quantidades oferecidas excederem num determinado momento as procuradas, coisa que parece já não ser possível.

Em segundo lugar, dada a inflexibilidade anteriormente referida e o facto da Galp deter a quase totalidade do fornecimento e distribuição ao retalho, os volumes totais comercializados pela empresa pouco variarão. Como a margem de comercialização do retalho é provavelmente a mais pequena das componentes do preço, tenho sérias dúvidas quanto à exactidão da estimativa das perdas diárias em 13 milhões de euros, avançada por alguns jornais.

*Assistiu-se a alguma discussão quanto à precedência da iniciativa nas caixas de comentários de alguns blogues.

Lisboa – Novo Aeroporto ou novo “Ageitoporto”?

(Parte 2)

Que poderosos interesses financeiros se movem por detrás desta decisão?

 

O problema da escolha da localização do novo aeroporto é que esta já estava enferma – de uma grave falta de democraticidade – mesmo antes de começar a colocar-se. Num país onde se praticasse a democracia, o(s) governo(s) teriam procedido do seguinte modo:

1º. Recepção do diagnóstico da necessidade da construção de um novo aeroporto, feito por entidade pública competente e isenta de outros interesses na questão;
2º. Condução do assunto perante a assembleia de representantes eleitos (a Assembleia da República, no caso português) para discussão e deliberação de execução;
3º. Encomenda de estudos aprofundados – não apenas económicos ou de construção – a entidades técnicas, públicas ou privadas, isentas de outros interesses na questão;

 

O Novo Aeroporto de Lisboa e a escassez de petróleo
por Demétrio Carlos Alves

1- INTRODUÇÃO
A questão do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) tem sido muito discutida, mas estas discussões têm incidido quase exclusivamente nas questões: 1) da localização; 2) da oportunidade do investimento face a restrições económicas e orçamentais; 3) da problemática ambiental no próprio sítio da sua implantação.
Contudo, há outras vertentes que têm estado praticamente ausentes do debate público. Uma delas é absolutamente fundamental: trata-se da questão energética no mundo pós Pico Petrolífero (peak oil). A outra é a questão ambiental no que respeita ao impacte atmosférico dos gases de escape dos aviões.

2- INFLUÊNCIA DO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS NA PROCURA DO TRANSPORTE AÉREO
A procura de transportes aéreos está intimamente ligada ao nível das tarifas, à frequência e à diversidade de ligações.

4- OS CUSTOS DO PETRÓLEO E SEUS DERIVADOS – IMPACTES SOBRE O TRANSPORTE AÉREO E INFRA-ESTRUTURAS AEROPORTUÁRIAS
As linhas aéreas americanas consumiram 18,5 mil milhões de galões [5] (84,1 mil milhões de litros) em 2004. Daqui pode-se deduzir que aproximadamente 20% da produção de refinados é constituída por jet fuel para a aviação civil.

Em Portugal, e de uma forma muito intensa, os custos da factura energética são já tremendos, como se poderá constatar no Quadro 4.

Quadro 4
Se seguíssemos a tendência apontada pelo Gráfico 1, embora esta ilação não seja rigorosa, teríamos o petróleo a US$ 80 por barril daqui por doze meses…”

 

4º. Publicação e discussão pública desses estudos, contendo várias hipóteses e sem designação de preferências por parte do poder para evitar movimentos especulativos;
5º. Consulta popular, provavelmente restringida ao conjunto dos municípios envolvidos nas hipóteses de localização, porque seriam esses os cidadãos directamente afectados pela escolha e não outros – cujos interesses passarão até pela melhoria de serviço nos outros aeroportos existentes na sua região;
6º. Finalmente, com todas as consultas feitas, todas as preferências manifestadas, o executivo tomaria uma decisão única, preparando nesse momento todas as acções legais respeitantes ao interesse público dos terrenos necessários para a infra-estrutura, por forma a não ficar na dependência da vontade e propriedade de terceiros.

Agora é tarde. O poder e o interesse público estão completamente à mercê do interesse privado, da especulação, das pressões institucionais (e outras) e de toda a espécie de tentativas de corrupção – ou jeitinhos, falando à portuguesa.

Jornal PÚBLICO
Associação Comercial do Porto vai avançar com estudo sobre Portela+1
19.06.2007 – 10h13m, Margarida Gomes, Filomena Fontes

O presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira, aproveitou ontem a brecha aberta pelo ministro das Obras Públicas, Mário Lino, para anunciar que já encetou contactos, junto da universidade e de empresas da região, para pôr em marcha um estudo alternativo à Ota e a Alcochete do novo aeroporto de Lisboa, que passa pela solução Portela+1.”

 

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Blog CABALAS
“Segunda-feira, Junho 4
Novo aeroporto de Lisboa, onde?

E, o que é estranho em toda esta discussão é que aparentemente se deitaram fora algumas soluções aparentemente muito mais vantajosas, a de manter a Portela associando-lhe a pista de Alverca.

Aeródromo de Alverca

 

 

Tudo isto tem custos, enormes custos. Uma coisa que os portugueses – não todos, felizmente, mas a maioria, infelizmente, governantes incluídos – parecem não conseguir perceber, é que a esperteza é uma forma muito degradada e distorcida da inteligência, cujas consequências a médio ou longo prazo são onerosas e penosas.

Camelos

E assim, lenta mas seguramente, nestes novos tempos (ao contrário de outros cuja glória ainda nos é dado recordar), vamos construindo um futuro cada vez pior para Portugal.

 

“UMA CIDADE ALICERÇADA NA INJUSTIÇA

9. Ouçam isto, chefes … ; prestem atenção, governantes … , vocês que têm horror ao direito e entortam tudo o que é recto;

10. constróem (as cidades) … com perversidade.

11. Os vossos chefes proferem sentença a troco de suborno; os vossos sacerdotes ensinam a troco de lucro e os vossos profetas fazem oráculos a troco de dinheiro. E ainda ousam apoiar-se em Deus, dizendo: Por acaso, Deus não está no meio de nós? Nada de mau nos pode acontecer!” Miqueias 3