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Cavaco Silva – Sem comentários.

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Mais 5 anos disto?

Entre dois males não há que escolher.

Transcrevo a seguir parte de mais um dos (poucos) textos de outrem que gostaria de ter escrito.

Caribdis


Como Ulisses, outrora, Portugal está hoje entre Cila e Caríbdis. A diferença –descomunal, assinale-se – é que enquanto o herói homérico se propunha seguir adiante, passando o mais incólume possível entre os dois perigos, Portugal, pelo contrário, como que seduzido pela vertigem do abismo, acomoda-se e abandona-se aos fluxos e refluxos do vórtice, num regime que tem tanto de estúpido quanto de suicida. Assim, onde o grego via uma passagem, o português descobre uma moradia. O resultado está à vista e é fatal, tanto na mitologia quanto na história: Ulisses ultrapassou Cila e Caríbdis e lá foi à vida dele; Portugal anda de Cila para Caríbdis e de Caríbdis para Cila, e não vai a lado nenhum, fora a morte certa e lenta. Para fugir das mandíbulas escancaradas de Cila, corre para Caríbdis; experimentando os horrores voraginosos de Caríbdis, retorna a Cila; e assim sucessivamente, numa espécie de suplício absurdo e colectivo, digno de causar inveja aos Sísifos e Tântalos do antigamente. Ou seja, onde a lucidez e a prudência de Odisseu urdiam escapar, a parvoíce e a toleima portuguesas mandam escolher. Diante de Cila e Caríbdis, a tripulação helénica sabe que tem que evitar ambos e passar adiante; a tripulação lusa o mais que consegue é embasbacar e ir a votos para eleger qual o perigo menor onde se entregar em naufrágio. De tal modo que onde a Odisseia relatava uma viagem, a de Odisseu, a Lusisseia (chamemos-lhe assim, ao naufrágio dos Lusos) transcreve, substancialmente, um regime: o regime alimentar de Cila e Caríbdis. À custa, como é evidente, da tansice, da cegueira e da pusilanimidade dos tais Lusos. Pois, com a regularidade típica das marés, e o intervalo cíclico de quatro anos, os náufragos tontos ora fornecem pasto a Cila, ora propiciam forragem a Caríbdis.

Entre o Pinóquio e a Bruxa
Publicada por dragão em 7/23/2009
no Dragoscópio

A indignidade de não reconhecer uma derrota.

Comissão Nacional de Eleições

Resultados do partido socialista nas eleições europeias de 13 de Junho de 2004:
44, 53% dos votos expressos, 12 deputados europeus eleitos.

Resultados do partido socialista nas eleições legislativas de 20 de Fevereiro de 2005:
45,03% dos votos expressos.

 

Eleições europeias 2009

Resultados do partido socialista nas eleições europeias de 7 de Junho de 2009:
26,58% dos votos expressos, 7 deputados europeus eleitos.

Qualquer líder honesto, de qualquer partido político honesto, em qualquer país onde se realizem actos eleitorais honestos, consideraria este resultado uma pesada derrota.
Ao contrário, o grande ego líder, do enorme partido designado socialista, deste pequenino país chamado Portugal considera este resultado “decepcionante”.
E o grande desbocado cabeça de lista para o parlamento europeu do desbotado róseo partido considera que este resultado é consequência de “três aspectos menos positivos destas eleições”.

É claro que só reconhecem a indignidade aqueles que sabem o que significa a palavra dignidade. Parecem ser cada vez menos…

 

Eleições europeias:

perguntas-chave para esclarecimento dos eleitores.

 

O gratuito Meia Hora publicava ontem (1 de Junho de 2009) o resultado de um questionário a cinco dos cabeças de lista portugueses às eleições para o parlamento europeu.

Nota: O jornal só se encontra disponível on-line em formato pdf: pode descarregá-lo aqui.

Do conjunto de perguntas e respostas faz-se aqui destaque das seguintes:

Meia Hora (2ª pergunta): Acha que devem ser dados mais ou menos poderes ao Parlamento Europeu?

Vital Moreira: O Tratado de Lisboa aumenta consideravelmente os poderes do Parlamento Europeu e estou desde o início com o Tratado de Lisboa.

Paulo Rangel: Naturalmente, acho que devem ser dados mais poderes. O primeiro passo desse reforço de poderes deve ser a entrada em vigor do Tratado de Lisboa. Aí já se consagra um reforço substancial dos poderes do Parlamento.

MH (3ª p): É a favor da criação de um exército europeu?

VM: O Tratado de Lisboa prevê uma cooperação reforçada para a criação de uma força de defesa comum no seio da União.

PR: Sou favorável a um reforço da política europeia de defesa. Penso que, para já, poderia criar-se uma força armada unicamente para usar em missões de paz (e de protecção civil) internacional.

EUFOR

MH (5ª p): Qual a sua posição em relação à entrada da Turquia na União Europeia?

VM: Sim, se e quando cumprir os critérios de adesão, o que não se afirma previsível nos próximos anos.

PR: O PSD apoia a adesão, mas reconhece que o estado em que se encontra o país implicará negociações muito longas. Achamos que deviam iniciar-se já negociações para parcerias de cooperação reforçada com a Turquia.

Qual é mesmo a diferença de posições destes dois candidatos?

– Ambos pretendem a entrada imediata em vigor do Tratado de Lisboa, sem referendo popular;

– Ambos defendem a criação de forças armadas da união europeia, sem consulta popular e antes da existência de um verdadeiro Estado Federal que garanta a isenção do seu controle;

– Ambos preconizam a adesão da Turquia à união, desde que seja dia de S. Nunca (à tarde, porque de manhã não lhes dá jeito nenhum).

Pois é! Parecem duas versões da mesma música, repetitiva e de fraca qualidade monofónica.

Aqueles que quiserem que o seu voto faça alguma diferença irão votar num dos outros candidatos. Aqui no Jardim não se tomam partidos (literalmente) mas aconselham-se aqueles que são de esquerda a votar num dos partidos da esquerda (mesmo esquerda) e os que são de direita a votar num dos partidos de direita (mesmo direita).

É urgente mudar esta música. Ou, pelo menos, pô-la a tocar em estereofonia.

Está oficialmente aberta a caça ao voto!

Independente_capa 18_02_2005

“O primeiro-ministro acaba de anunciar, numa conferência de imprensa com o ministro das Finanças na Presidência do Conselho de Ministros, uma descida de impostos. O imposto escolhido foi o IVA, cuja taxa normal desce de 21% para 20%. …” (Agência Financeira, Governo baixa IVA para 20%, Paula Gonçalves Martins, 2008/03/26 15:38)

Podem usar-se as armas definidas na lei: discursos aproveitando qualquer ajuntamento com mais de duas pessoas (seja lá para o for), entrevistas sobre a vida e os hábitos pessoais dos candidatos, comentários aos jornalistas nos corredores da Assembleia da República (ou quaisquer outros, tem é que ser em corredores!), faladuras durante deslocações aos bairros degradados, lares de terceira idade e outros locais com muitos coitadinhos, etc..
As munições permitidas são, para além das usuais promessas mentirosas com qualquer calibre, outras como golpes baixos, facadas pelas costas, insinuações venenosas e todas as já habituais.

Atenção às excepções:
1. É estritamente proibido usar munições do tipo apupo, vaias e similares, mas apenas quando dirigidos ao candidato José Sousa (vulgo Sócrates), actual primeiro-ministro. Em todos os restantes casos podem ser usadas.
2. É também absolutamente proibido o uso da munição do tipo mentira óbvia de grande calibre, excepto ao candidato já referido em 1.

“… O primeiro-ministro José Sócrates afirmou esta sexta-feira em Bruxelas que é «leviano e irresponsável» falar em baixar os impostos, sem se conhecer ainda os dados da economia portuguesa do ano passado e os indicadores dos primeiros meses deste ano, avança a «Lusa». …” (Agência Financeira, Quem fala em baixar impostos é «leviano e irresponsável», Editorial/LF, 2008/03/14 13:58)

Nota pós-texto: Apenas uma pequena curiosidade adicional.
(Diário de Notícias, Freeport aguarda falência ou apenas dias melhores, Eva Cabral e Isaltina Padrão, 09.02.07)