Tag Archives: económico

Itália: não é possível continuar a esconder o descalabro económico.

Com uma dívida monumental de 1,9 mil biliões de euros, correspondente a 120% do PIB, e uma contracção económica crescente, a Itália não pode mais esconder o enorme descalabro económico-financeiro em que caíu – tal como prevíamos aqui no Jardim há 2 meses.

O primeiro-ministro Monti, um tecnocrata mas também um político muito experiente, acaba de passar a outro a batata quente que é o Ministério da Finanças italiano.

É o fim do euro (e de tudo o mais que lhe está associado), pelo menos tal como o conhecemos hoje.

Nota: Entretanto, nos EUA – cuja Economia permaneceu estreitamente ligada à italiana desde o final da 2.ª Guerra Mundial, facto a que não será alheia a coisa deles – continua a festa da flexibilização quantitativa (baseada numa fantástica teoria económica de que Krugmann é um dos mais conhecidos divulgadores, a qual, contrariando a própria lei da oferta e da procura, defende que o simples aumento da massa monetária potencia globalmente a Economia apenas pela via do crescimento do consumo ou da procura da prestação de serviços). Estes norte-americanos são ainda mais loucos que os romanos O capitalismo internacional parece empenhado em tornar verdade aquilo que não pareceria possível: a profecia de Marx. Não custa mesmo nada este tipo ter uma boa parte de razão no que diz.

Manter-se no euro é manter-se no erro para países como a Grécia e Portugal.

Seguido o conselho de Morleya wise suspense in forming opinions, a wise reserve  in expressing them and a wise tardiness in realizing them –  a redacção/publicação deste artigo foi sendo adiada até ao limite do possível.

Acreditava que viria entretanto algum homem de visão, algum economista não comprometido com o poder, denunciar o verdadeiro acto de masoquismo que é para os países como a Grécia e Portugal manterem-se na moeda única. Senhores! Passados 11 e 13 anos das respectivas entradas na dita união económica e monetária, após milhões e milhões de euros enterrados em betão de estádios e parques imobiliários, em betuminoso de autoestradas, estradas e rotundas, e em moínhos de vento*, o único sector onde estes dois pequenos países continuam a ter uma extensa oferta procurada/apreciada é o do turismo –  na sua variante sol-mar (mais as gastronomias correspondentes). O problema é que, espartilhados pelo elevado valor da moeda única, esta oferta deixou de ser concorrencial – agora,  até os gregos e os portugueses optam por comprar férias mais baratas em destinos mais exóticos.

Parece-vos exagerado o que afirmo? Então façam como eu, leiam gente que deve saber mais, ou melhor, tem obrigação de saber muito mais. Como, por exemplo, o presidente do grupo dos Conservadores e Reformistas no Parlamento Europeu, Martin Callanan:

Greece has bought itself only a little more time
20.06.12 (EUobserver)

The Greek people bought themselves a bit more time at the weekend. However, I fear that we are still kicking the now infamous can a little further down the road.

Given the current situation, it is still my opinion that it would be in the best interests of Greece, the euro zone, and national democracy if Greece were to leave the euro in as orderly a fashion as possible.

Greece continues to stare into the abyss. The last bailout was based on such optimistic projections that a third bailout will eventually become a distinct possibility given the worsening growth figures.

We cannot go on with policies that seek to buy a bit more time and prolong the inevitable. The tough decisions are going to have to be made. They can be made today, or they can be made further down the line. But the longer we wait, the worse the political, social and democratic consequences of this crisis will become.

E, como complemento, não deixem de ler também o diplomata, banqueiro e executivo (e  comentador de economia em 6  cadeias televisivas), Edward Harrison:

The euro zone is one giant vendor financing scheme
4 November 2011 (Credit Writedowns)

In a fixed exchange rate environment like the euro area, you don’t have currency fluctuation issues. So persistent current account imbalances as we see within the euro zone are really a form of vendor financing. …

Vendor financing works successfully as long as the lender makes sure the customer can pay back the loans. …

The lurid Telegraph story about German-made Porsches bought in Greece shows you an extreme example of how this works. The reality is you can’t have Germany and Spain both running current account surpluses with each other at the same time. Unless the euro zone as a whole runs a current account surplus as large as Germany and the Netherlands, then you are automatically going to have a sort of vendor financing relationship going.

The most important is that Germany’s or the Netherlands’ current account surplus matched current account deficits in Spain, Portugal, and Greece. That’s how it works. You sell more to me than I do to you and I get more cash than you do. There are always two sides to every transaction (chart from the FT below).


The large euro-area internal current account imbalances should be seen as a form of vendor financing, whereby the creditors, principally Germany, forward their customers, the debtors, trade finance in order to sell their wares.

*e nos bolsos de muitos e espertos empreiteiros, autarcas, oportunos empresários, seus familiares, amigalhaços, compadres e companheiros de… variadíssimas coisas.

Novo Tratado Europeu sem Referendo? Não! Nein! Non! No!

Em face do perigo de excesso de velocidade em direcção ao domínio alemão da União Europeia, sob o beneplácito de uma França idioticamente útil, veiculado nas notícias seguintes,

PSD: alteração pontual dos tratados deve ser “rapidíssima”

Rompuy: maior integração europeia pode ser rápida

é forçoso concordar – nunca pensei vir a dizê-lo alguma vez – com o stop referendário por que clama Pacheco Pereira.

MAIS DO QUE NUNCA CONVÉM COMEÇAR A PREPARAR UM REFERENDO SOBRE O NOVO TRATADO EUROPEU

Mas (re)clamar com títulos em maiúsculas não chega, ó Pacheco. É indispensável fazer alguma coisa, encetar alguma acção, avançar com alguma iniciativa. O que pensa o Pacheco fazer, para além do ruído habitual?

Nota: Estes (como também a Suécia e a Dinamarca) é que toparam os alemães logo desde o princípio e não perderam, nem fazem intenções de perder, a sua soberania económica – ou outra qualquer. (Eles não se esquecem que a 1.ª estrofe do hino alemão – embora na forma oficial actual só cantem a 3.ª estrofe – começa com a afirmação Deutschland, Deutschland über alles, Über alles in der Welt.)

Todos os Impérios sempre tiveram uma ‘moeda única’.

Há 1800 anos atrás (211 a.C.) uma outra República criava uma outra moeda única que viria a ser, alguns anos mais tarde, “a principal moeda em circulação no Império” que essa República havia entretanto dominado.

Ontem, dia 9 de Novembro de 2011, a sr.ª Kasner – que usa indevidamente o apelido Merkel – deixou claro que se vê a si mesma como a líder de um Novo Império do Ocidente (Ein Neues Westreich, der vierte Deutsche Reich) – se alguma dúvida existisse ainda:

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou hoje que as fronteiras entre a política doméstica e europeia já perderam a definição na zona euro, (…)
“Doméstico é tudo o que está dentro da zona da moeda única. A Grécia já não pode decidir sozinha se quer ou não realizar um referendo”, (…)
(“Moeda única acabou com políticas domésticas”, por Lusa, 09/11/2011, DN Economia)

Isto, somente vinte e dois anos após poder passar-se, enfim, livremente por esta porta:

E este, ali em baixo, é o mapa do Império nas suas fronteiras actuais. Mas, ao contrário de todos os Impérios anteriores, a República imperialista que domina não combateu uma única batalha e não perdeu um único soldado na conquista: de modo incrível, todos os dominados se entregaram de livre vontade… à força do seu poderio económico.

Estamos no ano 50 2011 antes depois de Cristo. Toda a Gália Europa está ocupada pelos romanos germanos… Toda? Não! Uma aldeia confederação habitada por irredutíveis gauleses helvécios resiste ainda e sempre ao invasor. (adaptação do texto introdutório em todos os livros de BD da série Astérix o Gaulês)

E depois ainda dizem que os saloios são os suíços. Pois, pois…

Leitura complementar: Iniciativa Europeia de Cidadania: O instrumento para democratizar a União Europeia autoritária.

As novas invasões bárbaras.

O novo governo da Grécia, liderado por um alemão:


O vice-presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Berd) e ex-diretor-geral da Comissão Europeia, Horst Reichenbach, será o líder do grupo de trabalho, criado por proposta do presidente do Executivo da UE, José Manuel Durão Barroso, e em consultas com o Conselho Europeu e o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou.

(UE cria grupo de trabalho para prestar socorro técnico à Grécia, 20/07/2011, UOL Notícias – Economia)

Ah, mas Portugal é diferente da Grécia! É mesmo?


De acordo com os dados do departamento de gestão da risco de Crédito e Caución, foram registados 2.677 novos processos de falência no país entre Abril e Junho. Ou seja, mais 18 por cento do que no primeiro trimestre, mas mais 71 por cento do que em igual período do ano passado.

(Níveis de insolvência atingem recorde histórico, 02.08.2011, Público – Economia)

A ignorância da História faz com que os ignorantes, sejam eles indivíduos ou povos, voltem a cometer os mesmos erros do passado. Porque, tanto a cupidez, como a estupidez humanas em nada mudaram.


Por esta altura, os Germanos coexistiam pacificamente com o império: os utensílios e moedas encontrados em túmulos germanos provam a existência de relações comerciais entre as duas civilizações, principalmente nas regiões entre o Elba e o Mediterrâneo, ao longo do vale do Reno, e pelo Vístula e mar Negro.

As relações entre bárbaros e romanos não se limitavam, contudo, à esfera comercial e cultural … A sucessiva falta de mão-de-obra no campo obrigava o império a permitir a entrada destes povos, formando assim assentamentos caracterizados distintamente: os federados, ligados a Roma por um contrato, aos quais era permitida a preservação dos costumes, organização social e política, em troca da prestação de serviço militar. No decorrer do século IV, estes tratados de federação aumentavam substancialmente, na tentativa de vencer a crise que se aproximava.

A estrutura administrativa do Império Romano dependia fortemente dos tributos que impunha aos novos vencidos …

Na tentativa de contrapor a crise, foi organizado um pesado sistema de impostos …
(Excertos do artigo sobre as invasões bárbaras na Wikipedia)

Tanto jornalista, tanto especialista, tanto economista, tanto gestor, tanta luminária (de vidro fosco, certamente) e ainda não perceberam o que está a acontecer, o que nos estão a fazer?

Fiquem, então, atentos ao próximo artigo aqui no Jardim. A coisa é até muito simples, como verão. A questão é: quererão ver? Porque não há maior cego do que aquele que não quer ver – já lá diz o provérbio.

Muito más notícias para a Economia portuguesa.

Governo falharia objectivos mesmo sem crise financeira – Compromisso Portugal
De Nuno André Pereira Martins (LUSA) – há 2 dias
(Epa-Europeian Pressphoto Agency)

Há muito mais gente a abandonar Portugal
24.07.2009 – 08h51 Clara Viana
(Público)