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O resgate financeiro à banca explicado às crianças

Sem tempo para grandes escritas fica aqui explicado às criancinhas com música, digo, com recurso a meios audiovisuais, o sistema de resgate financeiro aos bancos em Portugal, Espanha, Chipre, Itália e pela Europa em geral.

Manter-se no euro é manter-se no erro para países como a Grécia e Portugal.

Seguido o conselho de Morleya wise suspense in forming opinions, a wise reserve  in expressing them and a wise tardiness in realizing them –  a redacção/publicação deste artigo foi sendo adiada até ao limite do possível.

Acreditava que viria entretanto algum homem de visão, algum economista não comprometido com o poder, denunciar o verdadeiro acto de masoquismo que é para os países como a Grécia e Portugal manterem-se na moeda única. Senhores! Passados 11 e 13 anos das respectivas entradas na dita união económica e monetária, após milhões e milhões de euros enterrados em betão de estádios e parques imobiliários, em betuminoso de autoestradas, estradas e rotundas, e em moínhos de vento*, o único sector onde estes dois pequenos países continuam a ter uma extensa oferta procurada/apreciada é o do turismo –  na sua variante sol-mar (mais as gastronomias correspondentes). O problema é que, espartilhados pelo elevado valor da moeda única, esta oferta deixou de ser concorrencial – agora,  até os gregos e os portugueses optam por comprar férias mais baratas em destinos mais exóticos.

Parece-vos exagerado o que afirmo? Então façam como eu, leiam gente que deve saber mais, ou melhor, tem obrigação de saber muito mais. Como, por exemplo, o presidente do grupo dos Conservadores e Reformistas no Parlamento Europeu, Martin Callanan:

Greece has bought itself only a little more time
20.06.12 (EUobserver)

The Greek people bought themselves a bit more time at the weekend. However, I fear that we are still kicking the now infamous can a little further down the road.

Given the current situation, it is still my opinion that it would be in the best interests of Greece, the euro zone, and national democracy if Greece were to leave the euro in as orderly a fashion as possible.

Greece continues to stare into the abyss. The last bailout was based on such optimistic projections that a third bailout will eventually become a distinct possibility given the worsening growth figures.

We cannot go on with policies that seek to buy a bit more time and prolong the inevitable. The tough decisions are going to have to be made. They can be made today, or they can be made further down the line. But the longer we wait, the worse the political, social and democratic consequences of this crisis will become.

E, como complemento, não deixem de ler também o diplomata, banqueiro e executivo (e  comentador de economia em 6  cadeias televisivas), Edward Harrison:

The euro zone is one giant vendor financing scheme
4 November 2011 (Credit Writedowns)

In a fixed exchange rate environment like the euro area, you don’t have currency fluctuation issues. So persistent current account imbalances as we see within the euro zone are really a form of vendor financing. …

Vendor financing works successfully as long as the lender makes sure the customer can pay back the loans. …

The lurid Telegraph story about German-made Porsches bought in Greece shows you an extreme example of how this works. The reality is you can’t have Germany and Spain both running current account surpluses with each other at the same time. Unless the euro zone as a whole runs a current account surplus as large as Germany and the Netherlands, then you are automatically going to have a sort of vendor financing relationship going.

The most important is that Germany’s or the Netherlands’ current account surplus matched current account deficits in Spain, Portugal, and Greece. That’s how it works. You sell more to me than I do to you and I get more cash than you do. There are always two sides to every transaction (chart from the FT below).


The large euro-area internal current account imbalances should be seen as a form of vendor financing, whereby the creditors, principally Germany, forward their customers, the debtors, trade finance in order to sell their wares.

*e nos bolsos de muitos e espertos empreiteiros, autarcas, oportunos empresários, seus familiares, amigalhaços, compadres e companheiros de… variadíssimas coisas.

O fim do euro* ou o IV Reich.

Não, não é uma pergunta, é uma constatação. Estes são os únicos dois cenários possíveis na actual conjuntura política-económica europeia.
Hoje mesmo a balança pendeu para o IV Reich quando os irlandeses demonstraram que estão quebrados aprovando em referendo o “pacto fiscal europeu“. O “tigre celta” não passa afinal de um gato castrado e sem unhas.
Restam os gregos, mas as últimas sondagens autorizadas antes da nova eleição legislativa no próximo dia 17 de Junho mostram uma grande indefinição na previsão dos resultados entre o partido favorável ao novo resgate – e consequente submissão da Grécia ao dictat alemão, e o partido que lhe é contra – e consequente saída da Grécia do euro.

Em qualquer dos casos, a Europa da igualdade das nações, da democracia dos povos, da cidadania participativa e da livre iniciativa abortou: morreu antes mesmo de nascer.

O resto é o que toda a gente pode ir acompanhando pelas notícias: Portugal está de rastos, a Itália está de gatas, a Espanha foi de joelhos ao tapete com o Bankia, o representante da França logo que foi eleito apressou-se a prestar vassalagem à Furherin, a qual recomenda a entrega do ouro ao bandido, digo, o “Pacto de Redenção” aos (ainda?) países do sul da Europa, o Reino Unido está cada vez mais isolado, e os restantes países… nem piam.

*Leitura aconselhada sobre este assunto: a série completa de artigos sob o título genérico “Fim do euro” de Pedro Braz Teixeira, no blogue Cachimbo de Magritte.

Nota: E, com este artigo chegou, finalmente, o momento de desvendar a algumas pessoas amigas mais curiosas que tiveram a amabilidade de ir perguntando em que local foi tirada a fotografia de apresentação do autor deste blogue (o itinerante jardineiro Zé de Portugal): trata-se de Schloss Charlottenbourg, o palácio de Frederico I, o 1.º rei da Prússia, dinastia e Estado que estiveram na origem do 1.º Império Alemão propriamente dito – Deutsches Reich, Kaiserlich Deutsches Reich ou Kaiserreich. O resto… bem, vocês sabem: é a Deutschlandlied, a História recente da Europa e das 2 Grandes Guerras.

Where the domain of finance is

The Economist:
European economy guide – Polarised prospects, May 10th 2012
The euro crisis – The Greek run, May 19th 2012
Europe’s biggest fear – A run they cannot stop, May 25th 2012

Novo Tratado Europeu sem Referendo? Não! Nein! Non! No!

Em face do perigo de excesso de velocidade em direcção ao domínio alemão da União Europeia, sob o beneplácito de uma França idioticamente útil, veiculado nas notícias seguintes,

PSD: alteração pontual dos tratados deve ser “rapidíssima”

Rompuy: maior integração europeia pode ser rápida

é forçoso concordar – nunca pensei vir a dizê-lo alguma vez – com o stop referendário por que clama Pacheco Pereira.

MAIS DO QUE NUNCA CONVÉM COMEÇAR A PREPARAR UM REFERENDO SOBRE O NOVO TRATADO EUROPEU

Mas (re)clamar com títulos em maiúsculas não chega, ó Pacheco. É indispensável fazer alguma coisa, encetar alguma acção, avançar com alguma iniciativa. O que pensa o Pacheco fazer, para além do ruído habitual?

Nota: Estes (como também a Suécia e a Dinamarca) é que toparam os alemães logo desde o princípio e não perderam, nem fazem intenções de perder, a sua soberania económica – ou outra qualquer. (Eles não se esquecem que a 1.ª estrofe do hino alemão – embora na forma oficial actual só cantem a 3.ª estrofe – começa com a afirmação Deutschland, Deutschland über alles, Über alles in der Welt.)

Todos os Impérios sempre tiveram uma ‘moeda única’.

Há 1800 anos atrás (211 a.C.) uma outra República criava uma outra moeda única que viria a ser, alguns anos mais tarde, “a principal moeda em circulação no Império” que essa República havia entretanto dominado.

Ontem, dia 9 de Novembro de 2011, a sr.ª Kasner – que usa indevidamente o apelido Merkel – deixou claro que se vê a si mesma como a líder de um Novo Império do Ocidente (Ein Neues Westreich, der vierte Deutsche Reich) – se alguma dúvida existisse ainda:

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou hoje que as fronteiras entre a política doméstica e europeia já perderam a definição na zona euro, (…)
“Doméstico é tudo o que está dentro da zona da moeda única. A Grécia já não pode decidir sozinha se quer ou não realizar um referendo”, (…)
(“Moeda única acabou com políticas domésticas”, por Lusa, 09/11/2011, DN Economia)

Isto, somente vinte e dois anos após poder passar-se, enfim, livremente por esta porta:

E este, ali em baixo, é o mapa do Império nas suas fronteiras actuais. Mas, ao contrário de todos os Impérios anteriores, a República imperialista que domina não combateu uma única batalha e não perdeu um único soldado na conquista: de modo incrível, todos os dominados se entregaram de livre vontade… à força do seu poderio económico.

Estamos no ano 50 2011 antes depois de Cristo. Toda a Gália Europa está ocupada pelos romanos germanos… Toda? Não! Uma aldeia confederação habitada por irredutíveis gauleses helvécios resiste ainda e sempre ao invasor. (adaptação do texto introdutório em todos os livros de BD da série Astérix o Gaulês)

E depois ainda dizem que os saloios são os suíços. Pois, pois…

Leitura complementar: Iniciativa Europeia de Cidadania: O instrumento para democratizar a União Europeia autoritária.

Previsões do tempo (de crise) para o Sul da União.

E alguns esclarecimentos breves sobre cartas meteorológicas.
(clique nas imagens para ver)

A tempestade tende agora a afastar-se da Grécia e a intensificar-se sobre a Itália.

Itália: Desemprego dispara para os 8,3%
31 de outubro de 2011, Expresso (Economia)

Brevemente estará, forte, sobre a Espanha.

Geopotencial

Desemprego em Espanha atinge 4,36 milhões
3 de novembro de 2011, Expresso (Economia)

E, em seguida, virá a posicionar-se sobre Portugal. Inevitavelmente.

Desemprego jovem atinge os 27,1% da população
Portugal entre os piores
01 Novembro 2011, Correio da Manhã

Alguém elegeu estes dois marmanjos

para governarem a União Europeia?

 (Philippe Wojazer/Reuters)

Sarkozy e Merkel querem uma taxa Tobin e um novo governo para a zona euro
16.08.2011 – 17:22 Por PÚBLICO

Não é preciso ser profeta para perceber que isto vai acabar mal. Muito mal.

As novas invasões bárbaras.

O novo governo da Grécia, liderado por um alemão:


O vice-presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Berd) e ex-diretor-geral da Comissão Europeia, Horst Reichenbach, será o líder do grupo de trabalho, criado por proposta do presidente do Executivo da UE, José Manuel Durão Barroso, e em consultas com o Conselho Europeu e o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou.

(UE cria grupo de trabalho para prestar socorro técnico à Grécia, 20/07/2011, UOL Notícias – Economia)

Ah, mas Portugal é diferente da Grécia! É mesmo?


De acordo com os dados do departamento de gestão da risco de Crédito e Caución, foram registados 2.677 novos processos de falência no país entre Abril e Junho. Ou seja, mais 18 por cento do que no primeiro trimestre, mas mais 71 por cento do que em igual período do ano passado.

(Níveis de insolvência atingem recorde histórico, 02.08.2011, Público – Economia)

A ignorância da História faz com que os ignorantes, sejam eles indivíduos ou povos, voltem a cometer os mesmos erros do passado. Porque, tanto a cupidez, como a estupidez humanas em nada mudaram.


Por esta altura, os Germanos coexistiam pacificamente com o império: os utensílios e moedas encontrados em túmulos germanos provam a existência de relações comerciais entre as duas civilizações, principalmente nas regiões entre o Elba e o Mediterrâneo, ao longo do vale do Reno, e pelo Vístula e mar Negro.

As relações entre bárbaros e romanos não se limitavam, contudo, à esfera comercial e cultural … A sucessiva falta de mão-de-obra no campo obrigava o império a permitir a entrada destes povos, formando assim assentamentos caracterizados distintamente: os federados, ligados a Roma por um contrato, aos quais era permitida a preservação dos costumes, organização social e política, em troca da prestação de serviço militar. No decorrer do século IV, estes tratados de federação aumentavam substancialmente, na tentativa de vencer a crise que se aproximava.

A estrutura administrativa do Império Romano dependia fortemente dos tributos que impunha aos novos vencidos …

Na tentativa de contrapor a crise, foi organizado um pesado sistema de impostos …
(Excertos do artigo sobre as invasões bárbaras na Wikipedia)

Tanto jornalista, tanto especialista, tanto economista, tanto gestor, tanta luminária (de vidro fosco, certamente) e ainda não perceberam o que está a acontecer, o que nos estão a fazer?

Fiquem, então, atentos ao próximo artigo aqui no Jardim. A coisa é até muito simples, como verão. A questão é: quererão ver? Porque não há maior cego do que aquele que não quer ver – já lá diz o provérbio.

Os sapos que a NATO não consegue engolir.

Sapo asiático - Kaloula pulchraOs próximos Senhores do Mundo
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Reviravolta esperada na Geo-Política Mundial no século XXI
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Centro Europeu propõe criação de um G4 que substitua o actual G7. No clube dos 4 “grandes” entraria a China, a par da actual hiperpotência, os EUA, a União Europeia e o Japão. Um “choque” no 60º aniversário de Bretton-Woods.

O declínio do peso da actual “troika” que comanda os negócios e finanças do mundo e a ascensão da China e de outros países emergentes da Ásia e da América Latina, exigem uma revisão profunda da ordem geo-económica nascida em Bretton Woods em 1944. …

(o artigo completo aqui)