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O fim do euro* ou o IV Reich.

Não, não é uma pergunta, é uma constatação. Estes são os únicos dois cenários possíveis na actual conjuntura política-económica europeia.
Hoje mesmo a balança pendeu para o IV Reich quando os irlandeses demonstraram que estão quebrados aprovando em referendo o “pacto fiscal europeu“. O “tigre celta” não passa afinal de um gato castrado e sem unhas.
Restam os gregos, mas as últimas sondagens autorizadas antes da nova eleição legislativa no próximo dia 17 de Junho mostram uma grande indefinição na previsão dos resultados entre o partido favorável ao novo resgate – e consequente submissão da Grécia ao dictat alemão, e o partido que lhe é contra – e consequente saída da Grécia do euro.

Em qualquer dos casos, a Europa da igualdade das nações, da democracia dos povos, da cidadania participativa e da livre iniciativa abortou: morreu antes mesmo de nascer.

O resto é o que toda a gente pode ir acompanhando pelas notícias: Portugal está de rastos, a Itália está de gatas, a Espanha foi de joelhos ao tapete com o Bankia, o representante da França logo que foi eleito apressou-se a prestar vassalagem à Furherin, a qual recomenda a entrega do ouro ao bandido, digo, o “Pacto de Redenção” aos (ainda?) países do sul da Europa, o Reino Unido está cada vez mais isolado, e os restantes países… nem piam.

*Leitura aconselhada sobre este assunto: a série completa de artigos sob o título genérico “Fim do euro” de Pedro Braz Teixeira, no blogue Cachimbo de Magritte.

Nota: E, com este artigo chegou, finalmente, o momento de desvendar a algumas pessoas amigas mais curiosas que tiveram a amabilidade de ir perguntando em que local foi tirada a fotografia de apresentação do autor deste blogue (o itinerante jardineiro Zé de Portugal): trata-se de Schloss Charlottenbourg, o palácio de Frederico I, o 1.º rei da Prússia, dinastia e Estado que estiveram na origem do 1.º Império Alemão propriamente dito – Deutsches Reich, Kaiserlich Deutsches Reich ou Kaiserreich. O resto… bem, vocês sabem: é a Deutschlandlied, a História recente da Europa e das 2 Grandes Guerras.

Para quem ainda não tinha percebido, a perda de soberania é isto.

Os burocratas do suseranococcígeo império germano-franco ordenam aos seus vassalos do feudo da lusitânea que:

1.º Retirem privilégios salariais aos servos daquela gleba:

Bruxelas não descarta corte permanente de subsídios de férias e Natal
03 Abril 2012, Lusa/Jornal de Negócios

Comissão Europeia aponta mira aos trabalhadores mais protegidos
Luís Reis Pires, 03/04/12, Diário Económico

2º. Cobrem mais pelo uso dos moínhos luxuosos a esses mesmos servos perdulários:

Bruxelas diz que Portugal precisa de fazer mais para resolver défice tarifário
03 Abril 2012, Miguel  Prado, Jornal de Negócios

Até que a realidade deixe de teimar em contrariar as previsões dos referidos burocratas do suserano coccígeo-império germano-franco:

Bruxelas: Aumento do desemprego em Portugal é ‘surpreendente’
3 de Abril, 2012, Lusa, Jornal Sol

(mais) Uma boa ideia para a Economia portuguesa.

O calhau pediu, o fisco pariu.

Há uma série de problemas por resolver no sistema económico-financeiro:

– O Banco de Portugal prevê já uma contracção da Economia de 3,1% este ano.

– O número oficial da taxa de desemprego já se situa nos 13,6%, não obstante todos os truques do governo para o contrariar.

– Os bancos estão descapitalizados e uma boa parte dos portugueses já só tem lá conta porque a tal são obrigados para pagamentos ou recebimentos.

Então, a Administração Fiscal responde com esta ideia de pasmar:

O Fisco vai controlar todos os pagamentos realizados nos terminais de pagamento automático, através de cartões de crédito e débito, independentemente do valor, (…)
O objectivo desta portaria é o combate à fraude e evasão fiscal através do cruzamento de dados.
(Finanças vigiam compras com cartão, 02 Fevereiro 2012, Jornal de Negócios)

O Jardim no Deserto não poderia deixar de se associar a este novo desígnio nacional das boas ideias e, por isso, deixa aqui em baixo uma série clássica delas que culmina com a aprendizagem da dança ao modo grego.

O Último Primeiro de Dezembro*

e o Admirável Mundo Novo dos Estados Unidos da Europa.

End War.

A União Europeia (UE) saudou o início de uma nova era nesta terça-feira com a entrada em vigor do tratado de Lisboa, que traz consigo a esperança do bloco se tornar uma força mais poderosa no palco mundial. …
(Tratado de Lisboa sinaliza nova era no bloco, diz União Europeia, Timothy Heritage – Reuters, 1 de dezembro de 2009, Estadao.com.br)

Os presidentes dos dois maiores grupos políticos do Parlamento Europeu (PE) realçaram, em Bruxelas, a “boa nova” que significa a entrada em vigor do Tratado de Lisboa hoje, dia em que os 27 entram “numa nova dimensão”. …
(Tratado faz UE entrar numa nova dimensão, Agência Lusa, 2009-12-01, JM.online)

O futuro aí, pá. Não tás mesmo já a ver?
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Sem independência não há liberdade.

*Título indecentemente roubado deste post do Paulo Morais no Blasfémias.
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Se lê inglês, veja também este post no No to Lisbon Treaty – Europa Libera.
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