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O Pedro Coelho não passa, afinal, de um ladrão.

Peter rabbit watches the gardener workingEm defesa do hortelão, que se farta de trabalhar para produzir as hortaliças e os legumes… (1)

Quando Beatrix Potter escreveu em 1893 a famosa história de Pedro Coelho não lhe raiaria a fímbria do pensamento que estava simultaneamente a criar uma horrível distopia, a qual viria a tornar-se realidade muitos anos depois num outro jardim “à beira-mar plantado“.

Peter rabbit flopsy bunniesA história é simples e resume-se num ápice. Pedro Coelho (seguramente com a ajuda de um grupo de amigalhaços… do alheio) entra no jardim, aproveitando a distracção do hortelão que se encontrava ocupado a expulsar um bando de ratos que estavam a destruir-lhe tudo, para se empanturrar (e empanturrar os amigalhaços pois, como toda a gente sabe, não há empanturramentos de borla) à custa do que vai roubando.

E, o Pedro Coelho continua a gamar na horta, confiante no final clássico da história, aquele em que ele consegue fugir para se refugiar na casa da mama, digo, mamã. Mas, o Pedro Coelho que se cuide, pois os finais das histórias tendem a ser instáveis, em especial quando há muita gente a querer que sejam alterados. Pode muito bem vir a acontecer ao Pedro Coelho a mesmíssima coisa que a autora do conto refere ter acontecido ao paizinho dele.

(1) e do motorista que os transporta até ao mercado, e do pequeno comerciante que os vende, e do mecânico que repara a camioneta do motorista, e do professor que ensina os filhos deles, e dos aposentados que se fartaram de trabalhar para criar todos estes filhos da pátria, e… em geral, de todos os que trabalharam e trabalham para poderem comer sem roubar.

Lições da directora do FMI sobre o dever moral* de pagar impostos.

Crise na Grécia – Christine Lagarde: os pais das crianças gregas “têm de pagar os seus impostos”
26.05.2012, PÚBLICO

Exonération d’impôts pour le salaire annuel de 380 989 euros de Christine Lagarde au FMI
06 Juillet 2011, Infomedia, TOUT SUR LES IMPOTS
(Tradução do título: Isenção de impostos sobre o salário anual de 381 mil euros de Chistine Lagarde no FMI)

*dos pobres, obviamente (clique na imagem).

Nota: Ficamos a saber também que ao abrigo da Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, de 1946, os socialistas António Guterres (Alto Comissário da ONU para os Refugiados) e Jorge Sampaio (Alto Representante da ONU para o Diálogo das Civilizações) também estão isentos de impostos sobre os respectivos proventos, cujos montantes exactos não foi possível apurar mesmo após busca aturada. O de Guterres não será certamente inferior ao do seu antecessor Ruud Lubbers (167 mil dólares anuais, entre 2001 e 2005); o montante total auferido por Sampaio é mais difícil de determinar, mas segundo as tabelas salariais para os altos cargos da ONU em 2012 (ficheiro Excel 41Kb) o salário base situar-se-á entre os 170 e os 190 mil dólares anuais, ao qual deverá ser acrescentada uma quantia significativa (que não pudemos apurar) para viagens e outras despesas.

Nota2: As notícias acima lincadas foram encontradas via Aventar, nesta e nesta entradas, respectivamente.

Arrependimento é coisa de pobre.

Tal como a culpa , não é verdade seu Jorge?

Jorge Coelho diz não estar arrependido de nenhuma parceria lançada pelo Governo de que fez parte.
O CEO da Mota-Engil, Jorge Coelho, considera que “o modelo das parcerias público-privadas (PPP) é um excelente modelo, …
(“Tem de haver um equilíbrio geracional nas PPP”, 22 Maio 2012, Negócios)

Jorge Coelho, ex-ministro do Equipamento Social do PS, recebeu na Mota-Engil em 2011, como presidente do conselho de administração e da comissão executiva da construtora, 634 600 euros em remunerações fixas e variáveis.
Coelho sofreu um corte de 9,3%, em relação aos 700 mil euros que recebera no ano anterior. …
(Jorge Coelho ganha 634 mil na Mota-Engil, 20 Março 2012, CM)

CGD, EDP, Galp, PT, …

TIAC condena nomeações políticas na Administração Pública e empresas do Estado
Luís Bernardo, 27/07/2011, TIAC

Se isto não é fazer poucochinho da gente…

Sócrates sobre Passos: “para dançar tango são precisos dois e eu não tive parceiro durante meses”

… então, não sei o que será.

notícia apanhada aqui

Mais hipocrisia não, por favor!

hipocrisia [definição na Diciopédia, Porto Editora]

substantivo feminino

– fingimento de boas qualidades para ocultar os defeitos;

– fingimento; falsidade.

(do grego hypokrisía, «dissimulação»)

Hipocrisia política

“… “Fazem dos trabalhadores, especialmente os mais jovens, uma bola de trapos, que passam de contratado a prazo, recibos verdes, contratado a prazo, recibos verdes” – diz a bloquista Mariana Aiveca.

O partido quer soluções para uma situação que considera escandalosa e que o Governo não resolve nem na sua própria casa.

“Só a administração central, tem 117 mil pessoas a recibo verde” – acrescenta Mariana Aiveca. …” (Rádio Renascença, Informação, Bloco interpela governo sobre precaridade, ML/Paulo Magalhães e Ana Carrilho, 10-04-2008 0:13)

Primeiro-ministro fala de «injustiças gritantes e abusos declarados»

Há situações envolvendo recibos verdes que «são injustiças gritantes e abusos declarados», disse, referindo-se ainda à mesma matéria, lembrando que, por isso mesmo, o Governo quer «punir os falsos recibos verdes». …” (Agência Financeira, Sócrates: «Exagero de recibos verdes tem que acabar», Marta Dhanis, 2008/04/22 19:43)

 

Outras definições complementares:

desvergonha substantivo feminino

– falta de vergonha; descaramento; impudência; atrevimento; petulância; desfaçatez.

demagogia substantivo feminino

– submissão excessiva da actuação política ao agrado das massas populares; processos servis de captar o favor popular; abuso da democracia.

Leitura complementar:

No blogue MARCA DOR

Tuesday, April 26, 2005, posted by MARCA DOR @ 2:37 AM