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Os dilemas do Gaspar.

O generoso GasparDéfice orçamental atinge 8.145 milhões perto do limite anual
23/11/12, OJE/Lusa
O défice da administração central e da Segurança Social atingiu os 8.145 milhões de euros em Outubro, segundo os critérios relevantes para a Troika. …
… Os critérios da Troika não incluem os impactos dos pagamentos de dívidas atrasadas do Serviço Nacional de Saúde (menos 1.408 milhões de euros) nem a receita da transferência dos fundos de pensões da banca (mais 2.784 milhões de euros).

Quebra na receita dos impostos indiretos atinge 5,2%
23/11/12, OJE/Lusa
… No início do ano, vários produtos e serviços (por exemplo, a restauração) subiram de escalão do IVA, passando para a taxa normal (23%), e o Governo esperava que a receita deste imposto aumentasse este ano.

Receita fiscal caiu 4,6%
23/11/12, OJE/Lusa
… No caso dos impostos directos, a receita do IRS cresceu 2,7% até outubro – muito menos do que estava a crescer na primeira metade de 2012. Este abrandamento está relacionado em parte com o efeito do corte do subsídio de férias a funcionários públicos e pensionistas (que, consequentemente, não pagaram IRS relativo a esses rendimentos).
Quanto ao imposto sobre o rendimento das empresas, a receita com o IRC caiu 19,9%, uma variação muito mais negativa do que o previsto pelo Governo. …

Itália a caminho do desastre económico.

Ao contrário do que aconteceu com a Grécia, cujo descalabro financeiro foi sendo anunciado quase diariamente, a muito maior e mais grave crise em Itália quase passa despercebida nos meios de comunicação social – e não só em Portugal. (Pergunto-me porquê?)


Mas, se se procurar com atenção, as (más) notícias lá vão aparecendo, embora com a informação muito pouco desenvolvida. Vejam-se em baixo 4 pequenas notícias que, por si só, deveriam fazer soar todos os alarmes na cabeça de qualquer jornalista de Economia (para não falar já da chusma de “comentadores especializados” que por aí pairam):

Desemprego em Itália bate recorde em janeiro

Itália de novo em recessão com PIB a contrair 0,7%

Dívida de Itália bate novo recorde

Itália gasta metade da poupança orçamental. Em quê?

As notícias acima, embora significativas não referem, no entanto, a verdadeira causa do desastre económico italiano próximo. Ao contrário desta:

Luxury on the cheap

Nota: Se após ler a última notícia não perceber imediatamente porquê e se o termo corporate raider não lhe diz absolutamente nada, experimente ver o filme Pretty Woman tomando mais atenção às actividades de Richard Gere do que às de Julia Roberts. 😉

A implosão do mercado imobiliário em Portugal,

mais do que anunciada, e a incompetência cega de quem governa.

O problema é tão óbvio que só não vê quem é ceguinho, ou quem não quer ver – o povo, na sua despolidez, chama estúpidos aos primeiros e trapaceiros aos segundos. Vejamos, pois, para não nos arriscarmos a ser confundidos nem com uns, nem com outros:

Crise no imobiliário

Afinal as pessoas pobres com maus empréstimos não podem comprar uma casa. Quem diria?

– 1º aviso

Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

Diário Económico

Turbulência chega a Espanha e ameaça Portugal

Luís Reis Ribeiro

O regulador da bolsa espanhola anunciou que existem pelo menos 14 fundos expostos ao ‘subprime’.

A crise financeira dos créditos de alto risco (‘subprime’) chegou a Espanha, o principal cliente das exportações portuguesas e principal investidor directo estrangeiro em Portugal.

Luís Mira Amaral, gestor e ex-ministro da Indústria, frisa que se ocorrerem problemas mais sérios em Espanha isso afectará logo “as exportações nacionais de minerais e materiais destinados à construção”. …”

– 2º aviso

Terça- feira, 2 de Outubro de 2007

OJE – O Jornal Económico

Falências no imobiliário em Espanha

SEIS das empresas do grupo imobiliário espanhol Llanera, de Valência, pediram ontem a protecção do Tribunal de Comércio, para evitarem a falência. …

O atraso acumulado na venda de alguns empreendimentos, empurrou a Llanera para uma situação de falta de liquidez. O grupo viu-se assim incapaz de honrar os compromissos com cerca de quatro centenas de fornecedores, que reclamam uma dívida acumulada de três milhões de euros. …”

Agência Financeira

“Segundo mediadoras

Mercado de habitação está parado

Editorial

O mercado imobiliário português está parado. Há casas novas que demoram mais de um ano a vender e casas usadas mais caras do que a média das casas novas.

A disfunção do mercado imobiliário é evidente. Como acontece em alturas de crise, as casas de luxo, dirigidas a uma classe média-alta, são as que se vendem mais depressa (apesar dos preços), enquanto os apartamentos que têm por alvo a classe média, que representa a maioria da população portuguesa, permanecem sem comprador. …”

No entanto, as agências imobiliárias florescem como cogumelos em Portugal!

– 3º aviso

Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Agência Financeira

“Crise hipotecária

Espanhóis vendem em Portugal para pagar dívidas em Espanha

Editorial

Banca espanhola dificulta concessão de crédito

Os grandes grupos imobiliários espanhóis como a Martinsa/Fadesa, Hercesa, Lar Crea, Ferrovial/Habitat, Reyal Urbis e a MadriLisboa (empresa nacional que representa investidores espanhóis) estão a vender parte ou a totalidade dos activos que detêm em Portugal, diz o «Semanário Económico».

Estes são apenas alguns dos maiores grupos que estão a formalizar a venda dos activos. Mas o movimento inclui pequenos grupos de investidores que aplicaram as suas poupanças em Portugal. …”

Perante este quadro, o que fazem os altos responsáveis (responsáveis, logo responsabilizáveis) pela economia da nação?

O Ministro das Finanças continua a fazer a única coisa que sabe: a Jihad fiscal, a guerra santa contra os que trabalham – assim duplamente explorados. Está-se mesmo a ver, que os problemas económicos deste país ficarão todos resolvidos quando todos os portugueses tiverem sido investigados, sacados, multados, penhorados… Então não?

O presidente do Banco de Portugal aplaude a actual vampiresca política fiscal e elogia o “desempenho do Governo”.

O ministro da Economia encontra-se no Portugal Virtual (completamente desligado da realidade) a dizer coisas como, “está a caminhar no bom sentido”, “as empresas estão a levar a economia para a frente”, “mais emprego”, “maior poder de compra”, e a gastar o dinheirinho sacado aos contribuintes em campanhas de “imagem” para Portugal.

Incompetentes, mas espertos: quando as coisas correm bem, o mérito é todo deles; quando correm mal, a culpa é sempre dos outros – ou da conjuntura, ou da má sorte, ou do destino, ou doutra coisa qualquer. E, por este andar, a coisa vai correr cada vez pior… pró indígena, porque para eles será sempre o Eldorado.

Estes governantes socialistas andam há três longos anos a explorar intensivamente os portugueses que trabalham, a exigir sacrifícios a quem produz a riqueza para alimentar aqueles que nada produzem (os especuladores, a pesadíssima máquina administrativa do Estado e outros parasitas) e, afinal, a economia nacional está de rastos.

Os mais altos responsáveis pela economia de Portugal (dois ministros e um governador) demonstram não ser capazes de mudar o (mau) paradigma de gestão da coisa pública. Quem não tem capacidade para desempenhar as funções que lhe são confiadas, deve honradamente demitir-se ou, não o fazendo, ser substituído.

Ilusão das riquezas9Aquele que ama o dinheiro nunca se saciará do dinheiro, e aquele que ama a riqueza, a riqueza não virá ao seu encontro. Também isto é ilusão. 10Onde abundam os bens, abundam os que os devoram. E que vantagem tem o dono dos bens além de vê-los com os seus olhos? …” (Eclesiastes 5)