Tag Archives: depressão

Ultimamente tenho-me sentido muito assim:

D. Quixote - painel de azulejos em DaimielD. Quixote - painel de azulejos em DaimielD. Quixote - painel de azulejos em Daimiel

Tamanha foi aqui a luta contra as práticas antidemocráticas dos governos anteriores, do pseudo-engenheiro e filósofo! Para quê, afinal? O actual governo revela-se um tão implacável inimigo da vontade e da liberdade dos cidadãos como o anterior. A perseguição fiscal aumentou, a produção legislativa tornou-se mais feroz e imprudente, a prestação de cuidados primários à população diminuiu – apesar de a despesa continuar a aumentar, …

*fotografias de alguns dos painéis de azulejos que embelezam a taça da fonte da praça central de Daimiel, Castilla – La Mancha

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Fisco não se deixa enganar por cegos com declarações médicas anteriores a 2009.*

Esta abantesma, com o aval destoutra inenarrável criatura, criou este monstro. É claro que o mal existe, meu caro Pedro, tomando formas que não têm nada que ver com as que descreve. O dito monstro é o fautor da destruição da Economia portuguesa. Digo-o sem a mais leve sombra de dúvida. Reparem que digo Economia e não Finanças. Muita gente as confunde mas são bem distintas. Não falo da “crise financeira”, que é global. Falo da crise económica portuguesa, da destruição do tecido produtivo nacional por uma coerção fiscal desenfreada, um abuso de autoridade inaceitável do Estado sobre os cidadãos e as empresas.

Os estudos oficiais apontam para uma Economia “não declarativa” na ordem dos 20 a 25%, mas esta percentagem já terá atingido certamente valores na ordem dos 30 a 35%. Qualquer economista, mesmo daqueles de fala lenta,  vos dirá que assim não há gestão económica pública possível. Para dar uma imagem do que provoca a pressão fiscal em Portugal nos últimos anos, digo-vos que é como um jogo de futebol cujo árbitro vai castigando com expulsão sucessivamente todos os jogadores à medida que vai marcando faltas e mais faltas, na maior parte dos casos inexistentes. Nesta imagem, as equipas já estariam a jogar apenas com 4 ou, no máximo 5, jogadores de cada lado.

Se não prenderem o monstro, se continuar a perseguição fiscal sobre os cidadãos, se não deixarem as pessoas voltar à Economia declarativa, a espiral económica decrescente acentuar-se-á. Continuando a usar a imagem futebolística anterior, se não mudarem o árbitro o campeonato não terá mais jogos porque todos os jogadores estarão castigados – e não havendo jogos não há receitas. Ou melhor, o que acontece não é a suspensão do campeonato, porque isso seria impossível, mas é permitido aos jogadores continuarem a jogar à custa de coimas pesadas para eles (indivíduos) e para os seus clubes (empresas), que se tornam assim escravos da entidade que tem poder executivo e judiciário para estabelecer as penalizações pecuniárias (o fisco).

A Economia de um país não é o resultado da actividade de meia dúzia de grandes empresas operando com o beneplácito do Estado. A Economia (saudável) de um país é fruto da iniciativa, do trabalho, do esforço e da actividade livre de todos e de cada um dos cidadãos, tanto os que têm actividades monetarizáveis, como aqueles que não as tendo suportam os que as têm. Acho espantoso que eminentes economistas em Portugal pareçam não saber estes factos elementares.

*Notícia da Antena 1.

Nota: Já agora, não é preciso ter o dom da profecia para poder afirmar que a abantesma referida no início deste texto vai fazer ao SNS o mesmo que fez anteriormente à Economia nacional. Se o deixarem.

Portugal: da estagflação à depressão.

Enquanto as grandes economias em recessão prolongada (como os EUA, o Japão e alguns países dentro da própria UE) estão a hiperinflacionar (em desespero de causa) para tentar evitar cair em estagflação (ou mesmo em depressão económica),

Gráfico: Securities Holding and Bank Reserves - Cumulative differences.

clique nas imagens para as ver maiores*

Gráfico: Adjusted Monetary Base 2010-11 - FED

as pequenas economias estagflacionárias presas na armadilha da moeda única (como Portugal, a Grécia e a Irlanda, p. ex.) já caminham inelutavelmente para essa mesma depressão – sendo nesta altura perfeitamente irrelevante se entretanto pediram ou não resgate ao FEEF/FMI.

Quem usa ler-me sabe que até ao presente nunca defendi a saída de Portugal da moeda única europeia. Mas, essa parece ser agora, de facto, a única solução para o seguinte dilema: uma profunda e prolongada depressão económica ou a perda total da soberania nacional.

Uma vez mais – e já é a terceira – um governo socialista conduziu este país à beira da insolvência. Só que desta vez não se limitaram a gastar demais e a destruir algumas actividades económicas seleccionadas a mando de Bruxelas, mas demoliram a própria base económica da nação. A acreditar no provérbio popular, “à primeira cai toda a gente, à segunda cai quem quer, à terceira cai quem é parvo”. Deixo aqui à consideração popular estoutro (proverbial) dilema.

*As imagens foram copiadas ambas daqui, onde estão explicadas e têm referenciadas as respectivas fontes.

Nota: Desde 14 de Maio de 2008 (sim, 2008) que debalde  se vem fazendo aviso sobre a certeza deste desfecho em consequência da errada política económica (social e fiscal) do governo socialista agora (felizmente) demissionário. Ficam aí em baixo os linques para quem tiver tempo e paciência para ler.

A emigração e os falsos números do desemprego em Portugal.
zedeportugal 14-05-2008

E vão dois…
zedeportugal 21-02-2009

A recessão já aí está, a depressão virá.
zedeportugal 14-03-2009

Economistas: Os novos oráculos.
zedeportugal 20-07-2009

O Caminho da Depressão*
zedeportugal 14-07-2010

Em tempo de crise os portugueses investem…
zedeportugal 12-08-2010

O Caminho da Depressão*

Jornal de Negócios 9-Jul-2010 - 1ª página
notícia sem linque directo – 1ª página do JdN de 9-7-2010
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Quando foi afirmado aqui pela 1ª vez, em 14-05-2008, que Portugal se encontrava já em recessão económica e caminhava para a depressão, muitos foram os que zombaram.

Quando, 8 meses depois, em 14-01-2009, se disse aqui que o país se encontrava já em plena situação de insolvência relativamente à sua dívida externa, foram menos os que zombaram.
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Quando, passados mais 2 meses, em 14-03-2009, se reafirmou aqui a marcha inexorável para o estado pré-comatoso da Economia portuguesa e de outros países europeus – ainda não era conhecida a chamada “crise da Grécia” – os zombadores já não se manifestaram.

Hoje, 14-07-2010, passados mais 1 ano e 4 meses, aqui volta a afirmar-se: caso não venham a ser feitas a breve prazo profundas mudanças estruturais na política económica deste país, o descalabro económico nacional é inevitável. Fica a aguardar-se serenamente a reacção dos zombadores a esta declaração.
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Os sucessivos erros da política económica e fiscal  dos governos chefiados por José Sócrates Sousa, tendo como ministro “dos impostos” (porque das Finanças nunca o foi)  Fernando Teixeira dos Santos, quase destruíram por completo a estrutura fundamental  de suporte da Economia portuguesa – os pequenos e médios empresários/comerciantes/agricultores e os trabalhadores independentes – em nome de uma falsa justiça fiscal que já nada tem para redistribuir e de uma pretensa capacidade de realização que vive de favorecimentos e compadrios.
 
Os que trabalham têm vindo a ver as suas vidas a ser destruídas há já bastante tempo. Os sindicatos continuam a atraiçoar os seus associados para manter a todo o custo estes falsos socialistas no poder. Será, pois, preciso que a destruição chegue também aos que (ainda) têm emprego para que este povo manso se revolte finalmente.
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*Jogo de palavras com o título da obra do economista Friedrich Hayek, O Caminho da Servidão, que pode descarregar, por exemplo, da lista “Outros livros” na barra lateral do blogue Democracia Directa – Visão Cristã.

A crise económica e social tem origem na crise de valores.

Já havia sido dito aqui, num outro contexto: vem agora a evidência demonstrá-lo.

 

Perito em Ética

A crise serve de justificação para muita coisa. Quem o diz são os empresários. Um estudo da consultora Ernst&Young, levado a cabo junto de dois mil executivos europeus, revela que boa parte destes profissionais considera aceitável cometer actos ilegais nesta fase recessiva. …
(Empresários: subornar e mentir é aceitável em tempo de crise, em 20-05-2009 no Portugal Diário)

 

Para um quarto dos gestores ouvidos pela consultora Ernst & Young seria aceitável subornar clientes para superar a actual recessão.
O estudo, que ouviu dois mil gestores de 22 grandes empresas europeias, mostra que cerca de metade destes Executivos considera aceitável ter um ou mais comportamentos pouco éticos em tempos de crise. …

(25% dos gestores subornaria clientes para sobreviver à crise, Rita Paz em 20/05/09 no Económico)

 

Poderá ser-se levado a pensar que as pessoas terão deixado de distinguir entre o que está certo e o que está errado. Para se perceber que esse pensamento é completamente falso, basta atentar nalguns comentários destas notícias:

 

(no Económico)

pois é…, | 20/05/09 15:37
não é por acaso que se dão as crises financeiras! Até se pode inferir que mesmo em tempos de não crise estas práticas se passaram…daí a crise ter aparecido!

 

ADiasAlves, Porto | 20/05/09 15:50
O problema que esteve na origem do descalabro actual da economia, a amoralidade que justificou o “vale tudo” e a ganância dos CEOs (e outros), continua lá, bem vivo!
Exigem-se maiores poderes para a regulação, para os accionistas e para o BoD com actuação decidida perante problemas éticos, doutro modo a confiança vai-se…
Só que sem confiança não há bolsa nem mercados que resistam… voltaremos ao descalabro que os contribuintes estão agora a pagar (e vão continuar).

 

(no Portugal Diário)

SERVEM-SE DE TUDO….| 2009-05-20 / 22:11 | Por: emanuel santos
para meter o dinheiro ao bolso! Aprenderam bem a lição, têm um grande professor no governo. Não admira com tanto desemprego a baixarem salários aos seus empregados, encostando-os á parede! Neste momento esta gente sem escrúpulos servem-se de todos os truques para “zelarem” pela vidinha. O governo que continue a dar “ajudas” a estes srs. e a tirar da boca aos mais necessitados!!!!!!

 

O “LIXO”| 2009-05-20 / 16:05 | Por: Nuno Rapaz
Este “lixo”, como o outro – o normal, vai demorar tempo a limpar. A notícia só peca por dar a entender que os empresários só pensam nas acções descritas em tempo de crise… Puro engano. E, provavelmente, são essas práticas causadoras de uma crise que ultrapassa, em muito, uma mera crise financeira.

 

Afinal, as pessoas não só sabem muito bem distinguir o certo do errado, como têm uma consciência agudíssima de que a falta de valores éticos está na origem da crise económica.

E parecem saber, também, que o exemplo vem de cima:

 

A Comissão Europeia (CE) considera que Portugal infringiu as leis comunitárias da concorrência ao adjudicar por ajuste directo, e não por concurso público, todos os programas governamentais ligados ao Plano Tecnológico da Educação. Está em causa a distribuição gratuita ou a preços reduzidos de mais de um milhão de computadores a alunos e professores – incluindo os 500 mil ‘Magalhães’ que o Executivo de José Sócrates prometeu distribuir pelos alunos do 1.º Ciclo. …
(Comissão Europeia considera Magalhães ilegal, por Luís Rosa, em 22 Maio 09 no Sol)

 

Q.E.D. ou, como dizem os juristas ingleses, I rest my case.

 

15Mas, se vos mordeis e devorais uns aos outros, cuidado, não sejais consumidos uns pelos outros. (Gálatas 5)

A recessão já aí está, a depressão virá.

Os sinais são bem claros e só não os vê quem não quer vê-los.

 

Desespero, desemprego

clique na imagem para ver a sua origem

 

Basta estar atento às notícias:

Investimento imobiliário nacional caiu 46% em 2008, diz a JLL
(OJE, 10/03/2009)

 

Impresa perdeu 26,9 milhões
(OJE, 13/03/2009)

 

Montepio com lucro a cair 44,9%
(OJE, 13/03/2009)

 

BCE admite deflação em meados do ano
(OJE, 13/03/2009, Álvaro Mendonça)

 

Alemanha irá contrair 3,7% este ano
(OJE, 13/03/2009)

Ou ler com atenção quem sabe e faz trabalho de análise económica:

Economia : Ao fim de 4 anos de governo de Sócrates, o desemprego atinge 574,2 mil portugueses e apenas 262,3 mil recebem subsídio de desemprego
(O Rio, 20/02/2009, Eugénio Rosa)

Mas já nem é preciso ler: basta estar atento ao que vai acontecendo a amigos e conhecidos um pouco por toda a parte. Assim:

 

O meu amigo L (chamemos-lhe assim) é um engenheiro informático com 50 anos de idade que trabalhava há muitos anos numa empresa multinacional de tele-comunicações. Digo trabalhava porque foi agora “convidado” a sair – estranho eufemismo para designar um despedimento. Conheço-o e sei que é um profissional competente. Aliás, a empresa investiu neste homem centenas de horas de formação e louvou-lhe o desempenho por várias vezes. No seu lugar fica uma estagiária…

Para poupar(?) nos vencimentos, este empregador deita fora o enorme investimento que fez nos seus melhores trabalhadores e todo o seu capital de experiência e saber fazer.

Quando uma grande empresa multinacional toma decisões tão estúpidas “por causa da crise”, então não resta a menor dúvida quanto ao que irá acontecer à Economia em Portugal e na generalidade dos países da Europa: entrará numa inevitável depressão, como aliás já de há muito se previa aqui, aqui e aqui.

 

Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no facto de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões. (Bertrand Russel)

 

E vão dois…

Ao que dizem, não há dois sem três.

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O Governo letão é o segundo a cair na Europa por causa da crise económica, depois da queda do Executivo islandês, a 23 de Janeiro. …
… A Letónia enfrenta uma grave crise económica e o Executivo enfrentou uma forte contestação popular no início do ano, mas sobreviveu a uma moção de censura no Parlamento, a 3 de Fevereiro. …

(Público, Governo da Letónia demite-se, 20-02-2009)

Lisboa, 13 fev (Lusa) – A economia portuguesa teve a segunda maior contração entre os países da zona do euro no quarto trimestre de 2008 em comparação ao trimestre anterior, de acordo com os dados do gabinete europeu de estatísticas (Eurostat) divulgados nesta sexta-feira. …
(Lusa, Economia lusa registra 2ª maior queda da zona do euro, 13-02-2009)

Moedor de dinheiro

 

A economia portuguesa, agora oficialmente em recessão, registou o terceiro pior desempenho, no quarto trimestre de 2008, entre os países membros da União Europeia que têm os seus números disponíveis. Portugal ocupa o terceiro lugar tanto numa análise homóloga como contra os números do trimestre anterior. …
… Com contracções mais acentuadas que a portuguesa está apenas Itália que mostrou uma diminuição homóloga de 2,6% e a Letónia, onde o PIB diminuiu 10,5%. …

(Jornal de Negócios, Economia portuguesa regista terceiro pior desempenho entre os países da UE, Lara Rosa, 13-02-2009)

Então vamos lá contar: em primeiro lugar está a Itália (e vai um)  que tem uma Economia demasiado grande para cair já; em segundo lugar está a Letónia (e vão dois) que já entrou em pré-insolvência; em terceiro lugar está Portugal (e vão três)… o tal país cujo primeiro-ministro garante ser imune à crise.

Os portugueses podem (evidentemente!) estar descansados.