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Os profetas do pê ésse dos últimos dias.

PS - Partido Sócrates… Ana Benavente critica “o autoritarismo da actual liderança”. “Tornou-se autocrata, distribuindo lugares e privilégios, ultrapassando até o “centralismo democrático” de Lenine. Alimentando promiscuidades que recuso”…

“O PS hipotecou o seu papel na sociedade portuguesa e deixou-nos sem perspectivas de um futuro melhor. Assumiu o papel que antes pertencia aos centristas do PSD, ocupou o seu espaço e tornou o país mais pobre, política e economicamente.”

(Autoritarismo do PS de Sócrates ultrapassa “centralismo democrático” de Lenine, por Nuno Simas, 07.02.2011, Público)

… O partido vai pagar duramente estes anos de José Sócrates. Os erros são tantos, e de tal maneira graves, que põem em causa a independência nacional. Estamos cada vez mais dependentes do exterior e o PS vai ser penalizado por ter feito muitas asneiras, mas também por não ter feito nada, até à última hora, para as corrigir.

(Henrique Neto. “Seguro deve avançar contra Sócrates”, por Luís Claro, publicado em 08 de Fevereiro de 2011, jornal i)

A escravização de Portugal e de todas as nações europeias.

Isto é, só por si, um inaceitável abuso do governo sobre os cidadãos do país:

1984 não deveria ser um manual de instruçõesOs Estados Unidos e o Governo português estabeleceram um acordo para a cedência de dados biométricos e biográficos de portugueses constantes no Arquivo de Identificação Civil e Criminal, avança o «Diário de Notícias» (DN), na edição deste domingo. O FBI quer ainda aceder à base de dados de ADN portuguesa, com a justificação da luta contra o terrorismo. De acordo com o DN, o acordo está finalizado e aguarda apenas aprovação pela Assembleia da República. …
(Governo cede dados de portugueses aos EUA, 02-01-2011, Portugal Diário)

Se se lhe juntar isto – que é uma análise absolutamente realista dos acontecimentos actuais feita por um deputado europeu independente – será fácil ver o futuro próximo que por cá podemos esperar:

… « L’aide  apportée à l’Europe peut s’apparenter à celle du plan Marshall après la guerre ou à celle de pays colonisateurs qui, après la décolonisation, donnaient de l’argent aux pays indépendants pour qu’ils continuent à s’approvisionner chez eux. Maintenant ces pays, en Afrique, achètent chez les Chinois qui s’y sont installés. L’Europe risque de subir le même sort. Qui paie commande… » …
(La Chine en Europe : un «Plan Marshall » de colonisation? 04-01-2011, blog Bruno Gollnisch)

Aquele que desiste da sua liberdade a troco de promessas de segurança  por parte de um qualquer poder, torna-se rapidamente um escravo.

O fim-de-semana em que Portugal foi vendido.

Ou, a esperteza de Boliqueime e o negócio da China.


Poucos parecem ter dado por isso mas, durante este fim de semana, de forma discreta, Portugal foi transformado em entreposto comercial chinês na Europa.

O negócio – que terá(?) sido iniciado em Julho de 2009 – foi concluído ontem, sábado 6 de Novembro de 2010, pelos presidentes da maxi-ditatorial República da China e da ex-soberana República Portuguesa.

O presidente português – que não tem quaisquer poderes para isso – vendeu uma parte da dívida pública de Portugal à China. O que terá dado como garantia não se sabe ao certo (irá saber-se alguma vez?) mas segundo alguns terá sido o complexo portuário-petrolífero de Sines.

Pacto de Mefistófeles com Fausto

Para além do p-zombie Silva, quantos mais estarão metidos neste mefistofélico negócio? Terão os portugueses consciência da gravidade do que se passou este fim de semana? E, já agora, onde se terão sumido os assanhados críticos dos primo-ministeriais negócios venezuelanos?

Oração: Senhor, tem piedade da gente de bem que vive ainda nesta lusa terra. Senhor, tem misericórdia deste povo e livra-o do mal, de todo o mal que o vem assolando e oprimindo. Senhor, conduz homens bons ao poder e dá a este povo a sabedoria de os escolher. Senhor, não os (nos) abandones apesar das suas (nossas) iniquidades.

Notícias relacionadas:

China pondera comprar dívida pública portuguesa
Nuno  Carregueiro, 28 Outubro 2010, Jornal de Negócios

Negócios da china em Portugal começam pela banca
por Cláudia Garcia, 06 de Novembro de 2010, jornal i

Presidente chinês garante: “O futuro é promissor”
por João Henriques, 07/11/2010, DN Economia

O direito ao trabalho e uma visão do Estado social.

Welfare State shoesWe live in a country where the poorest members of society are literally trapped. We pay them millions not to work, simply maintaining them at subsistence level like prisoners of the state. (…) A million of those out of work have been jobless for a decade or more. They see their chances of getting a job in the future as so remote as to be barely worth considering. The chances of their children ever finding work are beginning to look slim too. The neighbourhoods in which they live are falling apart. The squalor is palpable; crime rampant; local schools are very often failing or ‘sink’ schools. If you think I’m exaggerating, choose any area with a high level of welfare-dependency and go and look for yourself. (…)
(How eugenics poisoned the welfare state, Dennis Sewell, 28 November 2009, Spectator.co.uk)
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Tradução:
Vivemos num país em que os membros mais pobres da sociedade estão literalmente aprisionados. Pagamos-lhes milhões para não trabalharem mantendo-os simplesmente ao nível da subsistência como prisioneiros do Estado. (…) Muitos dos que se encontram sem trabalho estão desempregados há uma década ou mais. Eles vêem as suas hipóteses de arranjar um emprego tão remotas que nem vale a pena tomá-las em consideração. As hipóteses dos seus filhos alguma vez arranjarem um emprego começam também a ficar a ficar ténues. Os bairros onde vivem estão a cair aos bocados. A miséria é palpável; a criminalidade desenfreada; as escolas locais são o mais das vezes falhadas ou “sumidouros” educativos. Se pensam que estou a exagerar, escolham uma zona qualquer com alto nível de dependência da assistência social e vão ver por vocês mesmos. (…)
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Se fosse publicada aqui apenas a tradução alguém desconfiaria que o texto se refere à realidade britânica?
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Porque não adiro à moda dos carros eléctricos

Carros electricos de feirae dos automatismos domésticos.

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Num dia do princípio desta semana acordei e, sobressaltado, verifiquei que o despertador digital eléctrico estava surdo e apagado. Concluí que a electricidade estava a faltar-me em casa havia muito, pois o aparelho tem um acumulador que lhe permite continuar ligado durante algum tempo em caso de falha de corrente na tomada.
Às apalpadelas, lá procurei o relógio de pulso em cima da mesinha de cabeceira e verifiquei, aliviado, que o meu despertador biológico interno estava bem regulado e me tinha acordado a horas.
Levantei-me às escuras, pois os estores eléctricos das janelas não funcionam sem… electricidade. Verifiquei, como já calculava, que se quisesse tomar banho teria que usar água fria, pois o sistema solar-eléctrico de aquecimento não tinha funcionado durante toda a noite.
Concluídas as frias abluções matinais, dirigi-me à cozinha e verifiquei que a máquina de café automática – eléctrica, pois claro – não tinha produzido a confortante bebida. Tomar o pequeno almoço frio, em resultando do não funcionamento do fogão eléctrico, acabou-me com qualquer réstea de boa disposição.
Antes de sair de casa tentei ligar para o serviço de comunicação de avarias da EDP, mas o telefone também é daqueles sem fios que têm uma base que precisa de corrente eléctrica para funcionar.
Saí, para confirmar que o carro eléctrico não tinha carregado as baterias durante a noite e ia ter que chamar um táxi para chegar ao trabalho a horas.

Ná! Estava a brincar. As únicas descrições verdadeiras são as respeitantes ao despertador e ao telefone.
Os elevadores dos estores são manuais, o aquecimento da água do banho é feito por um esquentador a gás propano a partir de depósito próprio, não tenho máquina de café automática, o fogão é misto, eléctrico e a gás, e o carro tem um motor de combustão interna, autónomo, e o depósito (quase) sempre com bastante combustível.

Penso que seria fastidioso contar-vos aqui as dificuldades que tive para obter a assistência da EDP, pois a maior parte dos que me lêem já saberão (infelizmente) como tal se processa. Quero apenas referir que (ao contrário do que possam estar a pensar) fiquei muito satisfeito pela ocorrência, a qual tomei como um sério aviso, uma boa lição. Mais dependências do abastecimento de electricidade no país do monopólio EDP… não, muito obrigado!

Pareto e a saída do pântano económico em Portugal. (3)

(continuação daqui)

Balança
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Antes de apresentar a solução terei, porém, que falar novamente de Pareto.
No caso presente, uma solução só o será de facto se a sua aplicação obedecer ao postulado do Óptimo (ou Eficiência) de Pareto:

Given a set of alternative allocations of, say, goods or income for a set of individuals, a change from one allocation to another that can make at least one individual better off without making any other individual worse off is called a Pareto improvement. An allocation is defined as Pareto efficient or Pareto optimal when no further Pareto improvements can be made.
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Como já dissemos antes, a Economia precisa de território para se instalar e funcionar. Isto não deveria requerer nenhuma demonstração especial, dado ser a Economia feita por e para as comunidades humanas, e estas necessitarem de espaço para se instalar e para explorar. Contudo, (e ainda a propósito de Pareto e da sua Distribuição) há quem julgue ter descoberto uma Nova Economia na Cauda Longa das curvas da Oferta e da Procura que não precisa de existir no espaço físico, mas apenas no espaço virtual. Estes teóricos, eles próprios com a cabeça já no virtual, deveriam sujeitar-se a (apenas) uma semana experimental em que tentariam sobreviver somente com música, vídeos e… refeições virtuais.
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Podemos agora voltar à nossa própria questão.
Espaço sem actividade económica é coisa que não falta agora em Portugal – muito graças a… a… inqualificáveis “políticas de desenvolvimento agrícola” subsidiadas pela CEE, agora chamada UE.
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E gente? Temos gente?

(continua)

Nota: Descubra a resposta no próximo post.

Este texto foi publicado também aqui.

O virtual Portugal de sucesso de sócrates e teixeira… (2)

o falhanço da política económica do governo e a quase impossível sobrevivência dos mais pobres no Portugal real.

Apocalipse (now)

“… Pobreza aumenta em Portugal – As estimativas mais recentes do INE apontam para que, em Portugal, existam cerca de dois milhões de pobres, isto é, 20% da população nacional. Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, instituição responsável pela maior rede de acção social do país revela que “em 2007 o aumento de pessoas carenciadas ou em situação social muito precária aumentou de forma brutal”. …” (Diário Económico, Portugal é dos mais afectados pela subida do preço da comida, Luís Ribeiro e Miguel Pacheco, 2008-04-15 00:05)

“A inflação está a atacar os portugueses onde mais dói. O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou, ontem, que a inflação homóloga subiu para 3,1%, em Março, com os aumentos mais expressivos a ocorrerem nos produtos alimentares, nos transportes e na habitação, exactamente os gastos que mais pesam nos orçamentos familiares. … Os preços de Habitação, Água, Electricidade, Gás e Outros Combustíveis subiram 4%, face a Março do ano passado. Os Produtos Alimentares e Bebidas Não Alcoólicas aumentaram 3,6% e os Transportes sofrem um acréscimo de 2,3%. … Analisando com mais detalhe as subcategorias de produtos e serviços monitorizadas pelo organismo, verifica-se que, só na alimentação, a que mais peso tem na inflação geral, Pão e Cereais aumentaram 9% e que Leite, Queijo e Ovos sofrem um acréscimo de 13,5% face aos preços verificados há 12 meses. …” (Jornal de Notícias, Preços voltam a aumentar nas despesas essenciais, Leonel de Carvalho, 15 de Abril de 2008)

Como se não bastasse, estes aumentos assustadores, em especial para os cerca 2 milhões de portugueses que tem um rendimento mensal inferior a 250 euros por mês ou para os 500 mil que estão desempregados, são ainda agravados por outros factores.

“Os portugueses utilizam 20 por cento do orçamento com alimentação, enquanto os restantes europeus gastam apenas 15 por cento, sendo dos que mais sofrem com a inflação na União Europeia, revela a edição desta terça-feira do Diário Económico. …” (TSF Online, Portugueses entre os que mais gastam em alimentação, 08:49 / 15 de Abril 08)

Significa isto que os mais pobres são mais penalizados com os aumentos dos bens essenciais. Ser pobre é duplamente penalizante.

E após estes três anos de grandes sacrifícios dos portugueses, o país não estará mais rico?
Pois lamento, mas a resposta é não. Leu bem: não!

“… De acordo com o Diário Económico, no último ano, a economia portuguesa aumentou a dependência em relação às importações de alimentos, o que deixou Portugal ainda mais sujeito às flutuações de preços nos mercados globais. … Em 2007, as importações de cereais e sementes cresceram 34 por cento, as do leite 22 por cento e as do açúcar 35 por cento, o que significa que, em pleno choque de preços agrícolas, Portugal comprou ao estrangeiro mais 14 por cento do que em 2006. … Sendo a economia portuguesa uma das mais expostas da Europa ao choque mundial nos preços dos bens alimentares, só nos últimos três anos, os preços dos alimentos subiram, a nível global, 83 por cento. …” (TSF Online, Portugueses entre os que mais gastam em alimentação, 08:49 / 15 de Abril 08)

É um tremendo falhanço da política económica do governo ao longo de mais de três anos. Não se trata, pois, de uma consequência conjuntural, mas de um verdadeira falência estrutural.
O sr. ministro dos impostos e da fiscalidade fez umas contas de merceeiro entre o haver e o dever das despesas do Estado e conseguiu fechar o balancete com um prejuízo menor que os seus antecessores. Alguém devia explicar-lhe (e ao chefe dele, mas com desenhos para ele perceber) a diferença entre Economia e Contabilidade. Ou… talvez seja preferível os portugueses tentarem escolher melhor da próxima vez que forem votar.