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Dilma, you have a problem!

Rio de Janeiro, Junho 20, 2013, 'Primavera Tropical', Foto FP

Brasil, Rio de Janeiro: O povo desfila no centro do Rio de Janeiro, no dia 20 de Junho de 2013, em um protesto fazendo parte daquilo que é agora chamado a “Primavera Tropical” contra a corrupção e os altos preços. Os brasileiros ocuparam de novo as ruas em um novo dia de protestos massivos por todo o país pedindo melhores serviços públicos e lamentando a pesada despesa com a organização do Campeonato do Mundo. Mais de 1 milhão de pessoas se comprometeram através das redes sociais a marchar em 80 cidades por todo o Brasil, mostrando que a acção contestatária que dura já há 2 semanas até ao presente – a maior já vista no país nos últimos 20 anos – não dá sinais de diminuir.
(tradução expedita do texto em inglês da legenda da agência FP a que pode aceder clicando na imagem)

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A quaresma de Jesus Cristo e o despertar político global.

Ou, de como Jesus é o paradigma de todos aqueles que lutam pela libertação dos povos da (chamada) ordem estabelecida.

Deve ter sido mais ou menos por altura do início deste período que hoje designamos por quaresma[1] que o Sinédrio condenou Jesus à morte, transformando-o num foragido na sua própria terra.[2]

(Mas, já antes disso ele era perseguido por quase todos os poderes políticos e religiosos do seu tempo[3]. E, mesmo isso não o impediria de entrar triunfantemente em Jerusalém pouco tempo depois, no Dia de Ramos.)

Perante isto, Jesus afasta-se (uma vez mais) de Jerusalém com os discípulos e procura refúgio em Efraim, a Norte, junto ao deserto.[4] E, quando volta a Jerusalém para celebrar a sua última Páscoa tem o cuidado de não pernoitar aí mas nos arredores, em Betânia[5] ou no Monte das Oliveiras.[6]

O mais significativo, contudo, é que durante todo este período de tempo Jesus, o conjecturado fora-da-lei, apareça todos os dias em público e as alegadas autoridades tenham esperado a calada da noite para o prenderem (como fazem sempre as polícias políticas):

Então Jesus falou para aquela gente: Serei por acaso algum bandido perigoso, que vos fosse preciso armarem-se com espadas e paus para me levarem preso? Todos os dias estava convosco a ensinar no templo e não me prenderam. (Mateus 26: 55-56)


[1] A Páscoa dos judeus estava próxima, e muitos daquela província entraram em Jerusalém antes da data para poderem proceder primeiro à cerimónia da purificação. (João 11: 55)

[2] Os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o supremo conselho para discutir o caso. Que vamos fazer?, perguntavam-se uns aos outros. … Um deles, Caifás, que naquele ano era supremo sacerdote, disse: Vocês não percebem nada. Deixem este homem morrer pelo povo. Porque é que se há-de perder toda a nação? … A partir daí, começaram a planear a morte de Jesus. (João 11: 47, 49-50, 53)

[3] Então os dirigentes judaicos tornaram a pegar em pedras para o apedrejar. Jesus perguntou: Por ordem de Deus fiz muitas obras boas. Por qual dessas obras querem agora matar-me? … Uma vez mais procuravam prendê-lo. Ele, porém, afastou-se e deixou-os. Atravessou o rio Jordão até ao local onde João andara primeiro a baptizar, e muitos o seguiam. (João 10: 31-32, 39-40)

[4] Jesus já não andava manifestamente em público. Saindo de Jerusalém, dirigiu-se para a proximidade do deserto, para a localidade de Efraim, onde ficou com os discípulos. (João 11: 54)

[5] Entrou, pois, em Jerusalém e dirigiu-se para o templo. Reparou atentamente em tudo à sua volta e foi-se embora, pois a hora já ia adiantada naquela tarde, retirando-se para Betânia com os dozes discípulos. (Marcos 11, 11)

[6] Todos os dias Jesus ia ao templo ensinar, e as multidões começavam a juntar-se logo pela manhã para ouvir. E ao fim do dia voltava ao Monte das Oliveiras para aí passar a noite. (Lucas 21: 37)

Plano C – O combate da Cidadania.

Ora vejamos:

O plano A (dos Alarves) falhou e deixou os cidadãos com as calças na mão. O plano B (dos Betinhos) falhou e vai deixar os cidadãos com as cuecas na mão. Parece que já não haverá nada a perder por experimentar o plano C… O que acham?

Você acredita na democracia?

Os diabos também acreditam e tremem. Você acredita no sindicalismo? Os deputados trabalhistas [socialistas] também acreditam; e tremem como um rapa em queda. Você acredita no Estado? … Você acredita na centralização do império? … Você acredita na descentralização do império? … Você acredita na irmandade dos homens; …? … Você grita “O mundo para os trabalhadores!” …? O que nós precisamos é de uma designação que declare, não que as modernas traição e tirania são más, mas que são literalmente intoleráveis e que nós tencionamos agir de acordo com isso. Eu penso mesmo que “Os Limites” seria um nome tão bom como outro qualquer. Seja como for, algo nasceu entre nós tão forte como um pequeno Hércules e faz parte dos meus preconceitos querer baptizá-lo. Faço este anúncio a possíveis padrinhos e madrinhas.

Tradução expedita de um excerto do ensaio de G. K. Chesterton: The New Name (o texto origunal encontra-se aqui – tente descobrir onde)


Breve conto da democracia portuguesa e o seu único futuro possível.

Personifique-se a democracia portuguesa como Decia Poresa para poder contar-se a sua história de forma simples.
A Decia Poresa tem agora 37 anos de idade. Mas, sendo adulta, não consegue bastar-se a si mesma, isto é, ser economicamente independente. Tal como acontece a muitas pessoas reais em Portugal. A culpa, diga-se assim, não é sua.
A Decia é filha de um pai chamado Antigo Regime que prosperava quando ela nasceu. Mas a menina Poreza não nasceu muito saudável. Tinha uma grave hipertrofia lateral esquerda. Uma doença cujo difícil tratamento levou a que pai vendesse ao desbarato, no primeiro ano após o seu nascimento, todas as grandes herdades mais afastadas que possuía – Angola, Moçambique, Guiné e outras – mais por não ser capaz de cuidar delas do que por precisar do dinheiro, diga-se. Com o tempo melhorou muito da sua doença mas nunca se curou totalmente.
A Decia teve uma infância e uma primeira juventude um bocado atribuladas e a sua educação foi bastante descurada. Quando tinha apenas 12 anos de idade foi admitida na escola de um clube de gente abastada chamado CEE, logo com direito a bolsa de estudos. No entanto, nunca perdeu o hábito de fazer birras e faltar às suas obrigações, no que foi sendo sempre desculpada por causa da sua primordial doença.
Ao fazer 25 anos, jovem vistosa embora bastante ignorante, convenceu os padrinhos, membros mais velhos do clube que lhe tinha suportado os estudos secundários, a subsidiarem-lhe estudos superiores e, posteriormente, vários estágios profissionais. O que eles fizeram, mas com condições, porque a jovem dava já sinais de ser algo estouvada. Verdade seja dita que lhes era fácil vê-lo, pois a Decia fazia quase tudo o que os outros lhe diziam e nunca pensava pela sua cabeça.
Depois de sair da alçada do seu primeiro tutor, um tal Ramalho, as escolhas sentimentais da Decia nunca foram grande coisa. Valia-lhe que lá ia conseguindo livrar-se das más companhias sem grandes problemas. Até que um dia, estava quase a fazer 30 anos, envolveu-se com um tipo de muitas e grandes promessas que vestia armani e calçava prada, e que descaradamente a abusou e a espoliou completamente.
A Decia está agora muito endividada em resultado principalmente da sua tempestuosa relação anteiror, felizmente já terminada. Está muito revoltada. Mas, como andou sempre a fazer o que outros lhe diziam, não aprendeu a fazer escolhas responsáveis sobre a sua própria existência enquanto teve liberdade.
O que decide então fazer nesta turbulência emocional que a toma cada vez mais? Protestar, recusar-se a cumprir as suas obrigações, como fazia quando era ainda criança e adolescente. Sem perceber que já ninguém liga nenhuma aos seus protestos, nem os seus antigos padrinhos que se encontram a braços com os seus próprios problemas económicos e com os de outras Decias (ou Grecias) como ela.

Será uma greve geral um acto de democracia?

Democracia significa, literalmente, governo do povo. Quem governa manda, não protesta. Quem paga manda, não protesta.
Imagine-se que toda a energia e todo o esforço organizador postos ao serviço desta greve geral tinham sido usados para inundar as Assembleias Legislativas nacional e europeia com propostas legislativas destinadas a mudar as leis que exploram e oprimem os cidadãos.
Mas… é possível fazer-se isso? É! Dá trabalho? Dá, muito. E ainda é preciso ser paciente, persistente, serenamente indómito. É aqui que começa a verdadeira democracia e não nas manifestações de rua.
Quer dizer que não são necessárias manifestações de rua? São, infelizmente. Os instalados, os privilegiados, nunca querem ceder, partilhar, o poder. São eleitos pelo povo mas não servem os interesses de quem os elegeu, antes os seus próprios e de forma muito óbvia.*

*Um dia, perguntaram a um menino de 5 anos que eu conheço desde o berço o que queria ser quando fosse grande. O miúdo respondeu que queria ser governador. A seguir alguém se lembrou de lhe perguntar porquê. Ele respondeu, então, para espanto de todos os presentes (e gáudio de alguns): – Ora, porque o governador governa-se!

Bom conselho (do Chico).

15 de Outubro | Manifestação global | a Democracia sai à rua!

15 de Outubro: Manifestação global

Todos pela Liberdade.

TODOS PELA LIBERDADE, CONCENTRAÇÃO À FRENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA – 11 DE FEVEREIRO, ÀS 13H30

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Todos pela Liberdade - Manifesto
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