Tag Archives: défice

Adivinhe quem disse hoje:

“O défice público é apenas a ponta do iceberg”;

“Está totalmente cortado o financiamento externo, estamos fora do mercado, a única excepção é o Banco Central Europeu (BCE)”;

“estamos de joelhos perante o BCE, esperando que não altere a sua política que nos permite ir vivendo”.

Se a sua resposta foi Medina Carreira, errou.

Veja aqui.

Em tempo de crise os portugueses investem…

em grandes automóveis:

.Wallis - beach porche crash

As vendas de carros em Portugal aceleram em 2010 e Porsche prevê “ano recorde”
19/07/2010, Vera Monteiro/Agências, News 352
A venda de automóveis de luxo em Portugal acelerou no primeiro semestre, com a Porsche e a Jaguar a registarem um crescimento acima dos 50 por cento, face ao período homólogo, segundo os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP). (…)

A informação pode imediatamente confirmar-se aqui:

SERVIÇO PÚBLICO: O comércio externo está surdo aos delírios prospectivos de José Sócrates
publicado Quarta-feira, Agosto 11, 2010 por O Impertinente
(…)com base nos dados disponíveis referentes ao período de Março a Maio, o aumento do défice ter-se-à ficado a dever essencialmente ao aumento das importações de automóveis (+381 milhões) e combustíveis para refinar (+626 milhões). Em contrapartida, a importação de máquinas e outros bens de capital reduziu-se em 105 milhões (…)

Reafirmando aquilo que já aqui foi dito antes: este é sem qualquer dúvida O Caminho da Depressão.

Os socialistas ‘dos bolsos rotos’ e a nova agressão fiscal.

Numa cena do filme de Bertolucci intitulado 1900, que vi há muitos anos atrás, ouve-se uma frase que nunca esqueci: Olmo Dalcò, o rapazinho filho de um trabalhador rural comunista, diz ao seu amigo Alfredo Berlinghieri, filho de um grande proprietário rural, a propósito da sua crónica falta de dinheiro, “sou socialista dos bolsos rotos”.
Socialismo (a agressão do)Enquanto anda toda a gente entretida a discutir os aumentos de impostos  previstos no PEC para 2011, desde o final do ano passado, muito discretamente, o governo – provavelmente nas pessoas do seu primeiro ministro e do seu ministro das Finanças – ordenou uma nova agressão fiscal sobre os contribuintes. Poucas notícias sobre o assunto têm saído nos jornais mas, por exemplo, muitos cidadãos automobilistas terão já notado (alguns por seu próprio prejuízo) também um aumento da pressão fiscalizadora das polícias de trânsito, num recrudescer do que vulgarmente é designado por “caça à multa” no início deste ano.
Tal como o Olmo, também os gestores socialistas da coisa pública em Portugal, o Estado, têm os bolsos rotos e, por isso, cada vez estão a ir mais ao bolso dos portugueses. Como, se os impostos não aumentaram ainda? Através de uma renovada fúria cega e indiscriminada de penhoras, coimas e multas.
Mas, o resultado dessa agressão vai ser pífio e só servirá para aumentar, ainda mais, a conflitualidade social (a qual virá a transformar-se num sorvedouro de recursos por causa dos gastos crescentes com a segurança pública). Porquê? Porque o universo de incidência destas cobranças é agora incomparavelmente menor e os continuadamente perseguidos já possuem muito pouco – nalguns casos, mesmo nada – de que o Estado se possa apropriar.
O que acontecerá a seguir, com elevado grau de probabilidade, já o venho prevendo desde há muito e este será o momento de o publicar*.

(a continuar)

*Se o houvesse feito antes, poucos estariam dispostos a aceitar dada a animosidade que este governo conseguiu fazer veicular nos meios de comunicação contra os contribuintes acusados (condenados e executados sem produção de prova) de faltosos – denunciados, perseguidos e expostos na praça pública como perigosos criminosos na Idade Média –, falsidade esta que o tempo e os sucessivos abusos contra muitos dos menos favorecidos foram sucessivamente desfazendo.

A dívida externa portuguesa vai continuar a crescer 10% ao ano.

Em média.

Constancio sopra

Pensem numa grande família em que os gastos são superiores aos rendimentos há muitos anos. Essa é a imagem da nação portuguesa.

… Daqui a dois anos, diz o banco [de Portugal], a factura anual que Portugal terá de pagar ascenderá a praticamente 10 mil milhões de euros, um valor que poderá contribuir para limitar futuras tentativas dos agentes económicos nacionais de pedir mais crédito ao estrangeiro.
(Endividamento externo volta a bater recordes, 13.01.2010, Público)

Imaginem, agora, que os chefes dessa família só pensam em gastar ainda mais. Essa é a imagem do governo português.

O ministro das Finanças considera que o endividamento externo não é um problema central da economia portuguesa, mas antes um reflexo da fraca competitividade do país, que pode ser melhorada com uma aposta no investimento público. …
(“Investimento público é central” para combater problema do endividamento externo, Pedro Romano, 28 Janeiro 2010, Negócios)

O que deverá fazer cada um dos membros desta família dada como exemplo? Isto é o que cada português(a) tem que pensar muito a sério, mais cedo ou mais tarde – e, quanto mais tarde pior, acreditem.

Bote ao fundo

Internal deficits are sometimes blamed for external deficits, especially if both are chronic.

Socrates*, Idiocrates** ou Mediocrates***?

“O nosso ridículo cresce na proporção em que dependemos dele” (Pierre Laclos)

 

O primeiro-ministro, José Sócrates, reiterou hoje que, apesar da crise financeira, o Governo português irá conseguir atingir os seus objectivos para o orçamento, ficando o défice público nos 2,2% este ano, o valor mais baixo do actual regime democrato. … (Diário Económico, Governo garante que défice de 2008 ficará nos 2,2%, Pedro Duarte, 2008-10-08)

Sócrates capaceteSocrates projectos

 

A economia nacional vai paralisar em 2009 com uma taxa de crescimento praticamente nula (0,1%), de acordo com as Previsões Económicas Mundiais ontem apresentadas pelo FMI. Esta foi a quarta revisão em baixa do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) feita pelos economistas do Fundo desde o início do ano. … (Diário Económico, Economia portuguesa vai estagnar no próximo ano, Sofia Lobato Dias, 2008-10-09)

O Governo vai propor, no Orçamento de Estado para 2009, uma baixa «substancial» do IRC. … (Agência Financeira, Governo baixa IRC no Orçamento de 2009, Mónica Freilão, 2008/10/08)

O PIB não crescerá, ele baixa os impostos e mesmo assim garante a manutenção do défice público. Só pode ser… alta engenheiria?

*Socrates (pain assessment), entrada na Wikipedia.

**Idiocrates, entrada na Uncyclopedia.

***Mediocrates, entrada na Uncyclopedia.

Teixeira dos Santos – o apelo?

O ministro das finanças é tão amigo dos (investidores) portugueses!

Foi com grande comoção que li esta notícia:

“Finanças apelam a investidores para avaliarem riscos
2007/09/27 18:23 Paula Gonçalves Martins
O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, fez esta quinta-feira um apelo aos investidores, para avaliarem bem os seus investimentos, antes de os fazerem.O responsável fez um «apelo aos investidores para fundamentarem as suas decisões, avaliarem os riscos e avaliarem a sua capacidade de enfrentar condições menos favoráveis no mercado».
…”

É de fazer vir as lágrimas aos olhos, tal cuidado e tanta preocupação pelo povo português pelos investidores portugueses. Um coração de ouro – literalmente.
E que abnegação, não se coibindo de vir a público com esta franqueza, sujeito à ingratidão dos investidores, que terão afirmado em resposta (segundo me contaram, que eu não sei – isto são conversas lá entre eles):
€€€: “Mas quem é este *****, para vir armar-se em paternalista a dar conselhos aos outros?”
$$$: “Deve ter a mania que é oráculo; é pena que só fale depois dos acontecimentos, o ********!”
£££: “Pois, bem pode limpar as mãos à parede, tanta ***** tem feito.”
.
Uma cambada de ingratos, pensei eu. A dizerem mal desta boa alma! Nunca ouvi ninguém do povo a dizer mal dele! O povo, que é maldicente por natureza, não fala mal dele e isso só pode ser por uma de duas razões: ou gosta mesmo do fulano, ou tem medo dele. É a primeira hipótese, de certeza! A boa justiça fiscal que ele tem mandado fazer, garante isso. Nada de perseguições aos contribuintes, nem multas exageradas, nem prepotência, nem saque repetido de importâncias já regularizadas, nem condenação com base em pressupostos e sem prova de culpa, nem execução sumária e hipotecas desproporcionadas, enfim, nada dessas coisas todas que criariam um clima de amedrontamento e injustiça legalizada.
É, também, tocante a forma como este coração generoso vem defender os trabalhadores as instituições bancárias, ciente das suas dificuldades e fragilidades económicas e sociais. Um grande bem-haja, cá do Zé!
E não ligue aos provocadores que escrevem coisas como estas:
.

“Opinião
2007-09-28 – 09:00:00
O Calcanhar de Aquiles
O círculo vicioso
Politicamente (o que significa social e economicamente) estamos numa encruzilhada sem sinalização. Quer dizer: perdidos. E não há PSD que nos salve. Sócrates combate o défice (o inimigo mais fácil de derrotar) pelo método do merceeiro, com a obstinação com que D. Quixote combatia moinhos. Mas não liga a menor atenção aos outros grandes inimigos do bem-estar social.
Em pouco mais de dois anos, o Governo agravou substancialmente as condições de vida dos Portugueses e nada se incomoda com isso. E, porque as suas preocupações foram transformadas em obsessão, promete piorar. Para quê, afinal? Sarkozy apresentou o seu 1.º orçamento de estado e mandou às malvas as regras instituídas por todos os papagaios do combate ao défice. Os impostos baixam, mas há mais crescimento económico. Com a baixa dos impostos, aumenta a confiança dos investidores e das famílias. Há mais transacções. Maior rendimento das empresas. E, surpresa das surpresas, até o défice e a dívida pública baixam.
Alguém será capaz de explicar isto a todos os Ferreira Leite e Teixeira Santos cá da terra? (continue a ler) …”

Ele há gente capaz de dizer tudo. Só com uma rolha é que eles se calam! Ou isso, ou uma sindicânciazinha da DGCI – de certeza que se consegue imputar-lhes uma falta (zinha) qualquer, mesmo que mais tarde se venha a provar incorrecta.

TS: Ó Pereira, inspecciona lá aí o que é que podemos arranjar contra estes senhores que não se calam…

“O LUCRO É UM ROUBO
4. Escutem, exploradores do necessitado, opressores dos pobres do país!
5. Vocês ficam maquinando: “Quando vai passar a festa da lua nova, para podermos por à venda o nosso trigo? Quando vai passar o sábado para abrirmos o armazém, para diminuirmos as medidas, aumentarmos o peso e viciarmos a balança,
6. para comprarmos os fracos por dinheiro, o necessitado por um par de sandálias e vendermos o refugo do trigo?
…” (Amós 8 )

“O DIREITO É PARA DEFENDER OS POBRES

20. Não explorem o imigrante nem o oprimam, porque vocês também foram imigrantes.
21. Não maltratem as viúvas nem os órfãos,
22. porque se os maltratarem e eles clamarem a Mim, Eu escutarei o clamor deles.
23. A minha ira inflamar-se-á e eu vos farei perecer: as vossas mulheres ficarão viúvas e os vossos filhos órfãos.
24. Se emprestarem dinheiro a alguém do meu povo, um pobre que vive ao vosso lado, não se comportarão como agiotas: não devem cobrar juros.
…” (Êxodo 22)