Tag Archives: crescimento

Afinal, os portugueses não são mesmo europeus.

A prova? Ei-la:

Confiança dos europeus está em máximos de 32 meses
Cristina Barreto, 28/10/10, Económico

Portugueses ficaram menos confiantes em Outubro
Mafalda Aguilar, 28/10/10, Económico

Ora, isto levanta uma questão difícil: Se não são europeus, o que serão, então, os portugueses? Árabes? Africanos? Extra-terrestres?

Sair da crise em grande: Portugal ou Espanha?

Tierra a la vista

.

A primeira das duas nações, portuguesa ou espanhola, a libertar-se do socialismo atrairá massa monetária e investimento em tal quantidade que sairá da crise como um golfinho salta da água.

.

Serão uma vez mais os espanhóis os primeiros a perceber esta evidência?

 

O novo paradoxo macro económico.(2)

(…) Desta perspectiva, o mais recente aumento do apetite pelo risco demonstrado pelos investidores indica que a liquidez está a desempenhar um papel mais importante na determinação dos preços à medida que os investidores se transferem de depósitos para activos de risco mais elevado, à procura de maior retorno. (…)
As autoridades foram bem claras: é muito cedo para por um fim ao período do dinheiro fácil.
Os principais riscos? Por um lado, a recuperação em “W” – que está na base da previsão central da Schroders – pode levar ao arrefecimento dos activos de risco já que faria regressar os receios de um período prolongado de baixo crescimento como aconteceu no Japão. Por outro, existe o perigo de uma bolha nos mercados financeiros, uma vez que as taxas de juros tão baixas forçam um número crescente de investidores a sair de depósitos para opções mais rentáveis. (…)

(Banco central e economia real criam risco de bolha, 05/10/09, OJE/Schroders)

O preço do petróleo está a subir pelo terceiro dia consecutivo depois de um relatório da indústria ter demonstrado uma descida dos stocks de combustíveis e crude nos EUA, o maior consumidor a nível mundial.
O petróleo ultrapassou a barreira dos 71 dólares por barril depois do Instituto Americano do Petróleo ter indicado que as reservas de «fuel» caíram 2,91 milhões de barris na semana passada, enquanto as de crude recuaram 254 mil barris. (…)

(Petróleo sobe pela 3ª sessão consecutiva, TVI24 – Redacção/MD, 07-10-2009)

Depois não venham os socialistas e quejandos dizer que a culpa é do capitalismo, ou dos mercados (ou outra coisa qualquer, que não o seu próprio ordoliberalismo) e que não se podia prever – ou que ninguém os avisou e voltou a avisar.

Uma imagem da (in)capacidade de produzir riqueza em Portugal.

Nota prévia: Este quadro é basicamente o mesmo que o Jorge publicou aqui e aqui – com a origem e os acrescentos que ele próprio indica -, mostrando o contínuo da variação do crescimento do PIB em Portugal entre 1976 e 2009, a que foi acrescentada apenas informação correspondente a alguns períodos de recessão do PIB das principais economias mundiais com início dos EUA.

 

(450x398) Variação crescimento PIB Portugal 76-2009

clique na imagem para ver maior
.

Algumas extrapolações possíveis directamente a partir do gráfico (pressupondo a correcção dos dados e da sua representação, alguns dos quais não foi possível confirmar):

1) A variação do crescimento do PIB em Portugal é fortemente influenciada pela variação do PIB das principais Economias mundiais, confirmando a extrema abertura e dependência externa da Economia portuguesa*;

2)  Os dois valores mais baixos de crescimento do PIB português neste intervalo (1984 e 2009) situam-se ambos em legislaturas  do (ou com o) partido socialista;

3) As inflexões positivas (recuperação) da taxa de crescimento da Economia portuguesa situam-se sempre em legislaturas do (ou com o) partido social democrata;

4) A entrada de Portugal no sistema de moeda única europeia não aparenta qualquer expressão na capacidade de criação de riqueza em Portugal;

5) O período de variação positiva mais forte do PIB português corresponde aos governos de iniciativa presidencial, constituídos entre finais de 1978 e 1980.

*a principal razão pela qual será ineficaz a tentativa de retoma económica a partir do investimento em grandes obras públicas, como tem sido afirmado por diversos economistas de diversos quadrantes políticos.

Comentário final: A avaliação de uma prestação de serviço público é feita, não pelas palavras auto-elogiosas, mas pelos resultados obtidos. Seria útil que o actual senhor ministro dos Impostos das Finanças e do Despesismo da Economia pudesse esmiuçar explicar os resultados da sua prestação nesta legislatura aos portugueses.

Este post foi também publicado aqui.

Um novo paradoxo macro económico.

O preço do petróleo mantém-se em níveis máximos de sete meses, ainda impulsionado pela queda inesperada de reservas nos EUA e também pela revisão em alta da perspectiva de consumo. …
(Petróleo mantém máximos com queda de stocks e maior procura, 11-06-2009, Portugal Diário)

Tal como aconteceu o ano passado, os preços do petróleo crescem com a aproximação do terceiro trimestre, em pleno Verão. Esta é uma situação anómala, a não ser que se estejam a comprar reservas com muito maior antecedência do que em anos passados – coisa difícil de acreditar dado que a capacidade de armazenamento/refinagem não terá aumentado. A justificação oficial para esta ocorrência em 2008 era a crise financeira, que do imobiliário já tinha alastrado aos accionistas e obrigacionistas e estaria a “empurrar” muito do investimento para este mercado, provocando a sua inflação. Bom! Então e agora? A desculpa oficial parece ser a oposta, a da (muito propalada, pouco fundamentada) recuperação económica, que estará a impulsionar o consumo. Parece que tudo pode ser verdade: qualquer coisa e o seu contrário.

As previsões em Economia valem o que valem: são meros exercícios de aplicação de um modelo anterior a uma situação nova. O problema é que desta vez não existe nenhum modelo anterior que se adapte ao figurino.

The paradox of thrift

É pacifico (pelo menos entre académicos e outra gente pensante) que se experimenta actualmente um paradoxo macro económico. Uns dizem-no paradoxo da produtividade, outros paradoxo da abundância e outros dão-lhe outras designações. O que importa reter é que existe um paradoxo novo, que ultrapassa os paradoxos clássicos “da produtividade“, “da abundância“, “da poupança” (ou de thrift, segundo Keynes) ou “de Jevon“.

O que acontece, dito de forma simples, é a demonstrada  incapacidade da Economia global manter um crescimento estável (solid growth) com base nos recursos, nas tecnologias (Know how) e nos modelos de desenvolvimento actualmente existentes.

Na prática, isto pode significar uma mundialização de uma recessão persistente do tipo daquela que tem afectado a Economia japonesa quase ininterruptamente desde 1991. Uma “recessão de crescimento“, para usar a terminologia dos economistas.

Se nenhuma das premissas acima descritas se alterar, algumas consequências a curto/médio prazo não são difíceis de prever – e aqui serão mencionadas apenas as económicas, não as sociais:

1. Continuação do aumento do preço do petróleo, que desta vez não voltará a baixar (pelo menos de forma tão significativa);

2. Incapacidade para recuperar o anterior nível de trocas comerciais internacionais (comércio mundial);

3. Diminuição da produção global e consequente aumento do desemprego;

4. Excesso de massa monetária e inflação galopante na medida em que a procura aumentar e a oferta diminuir, especialmente no que toca a bens alimentares e outros de primeira necessidade.

5. Regresso a economias de troca, proximidade e sobrevivência, que originará forte redução do volume das receitas fiscais (que já é patente) e aumento da dívida pública, seguido do inevitável aumento de impostos (já aconteceu em Espanha) e da consequente diminuição do investimento privado.

Para que possa verificar-se no futuro a validade da primeira destas previsões, respeitante ao preço do petróleo bruto, coloca-se aqui na barra lateral a partir de hoje o gráfico contínuo da variação dos preços do petróleo da oil-price.net. Arrisca-se mesmo um maior grau de pormenor na previsão, afirmando que até ao final deste ano os preços do petróleo bruto serão iguais ou superiores aos do pico ocorrido no mês de Julho de 2008, de 135,25€ por barril de Brent.

Alea jacta est.