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The American (bad) Dream.

Milhares pedem à Casa Branca que os seus estados possam sair dos EUA
Por Joana Azevedo Viana, publicado em 13 Nov 2012 (jornal i)

Biggest Winner From Obama Reelection? “Guns And Ammo”
Submitted by Tyler Durden on 11/13/2012 (Zero Hedge blog)

O lixo do Lidl e a estupidez do politicamente correcto.

Até onde pode chegar a estupidez do politicamente correcto, neste caso  sob a forma da sua subespécie, o ecologicamente correcto?

O meu colega e amigo Inglês (chamemos-lhe assim para preservar a sua privacidade) dava hoje sinais de estar extremamente aborrecido, coisa que não lhe é usual. Só quem o conhece bem consegue notar, porque levanta muito a sobrancelha esquerda quando nos olha e porque resmunga com todo o serviço no restaurante ou no café.

Cheio de curiosidade convidei-o para tomar um drink ao final do dia, sabendo-o um fraco bebedor que ao segundo copo está pronto a “cantar” tudo. Fiquei então a conhecer a história toda que passo a contar-vos de forma muito sucinta.

O Inglês é muito amigo da colega MM – diz ele. Traduzindo para português corrente, tem um fraquinho por ela. A MM vai mudar de casa e o Inglês ofereceu imediatamente a sua ajuda. Há dois ou três dias atrás ela pediu-lhe que ele lhe arranjasse umas caixas de cartão para ir encaixotando coisas. Assim que pôde o Inglês passou pela loja do Lidl perto de casa para pedir as caixas. Mas o rapazola cheio-de-si-chefe-de-turno desse dia na loja não lhe apetecia maçar-se e disse-lhe que as caixas já tinham ido todas para o triturador (ou compactador, não percebi bem porque o meu amigo começava a entaramelar um pouco a língua com a bebida). O Inglês não se deu por vencido e nessa mesma tarde telefonou para o número de apoio ao cliente da cadeia de lojas e fez o mesmo pedido. Foi-lhe dito lá por quem o atendeu que iria tratar do assunto e que depois ele seria informado por e-mail da decisão. E foi.

Eis a resposta que recebeu do apoio ao cliente em Portugal da cadeia alemã de lojas de baixo preço (e não só), cujo print acabou de me enviar:

clique na imagem para ver maior

Afinal, o Inglês tem razão para estar chateado. Resta-lhe a consolação que, ainda ontem (ou já foi anteontem?) o Camarão mandou a Frau à Mérquele.

Na eventualidade de aparecer por aqui algum politicamente correcto “apoiante” da política de tratamento dos lixos (e dos clientes) da referida cadeia de baixo preço (e não só) recomendo-lhe a leitura do seguinte excerto de um documento de uma Comissão Científica Independente sobre a questão do controle de resíduos:

Quando se trata um problema de controlo de resíduos é necessário que essa abordagem siga uma hierarquia:

i) Em primeiro lugar é necessário verificar se não será possível evitar a produção do resíduo, por exemplo utilizando produtos fabricados de forma diferente, ou prolongando o tempo de vida útil do produto.

ii) Em segundo lugar é necessário verificar se não é possível encontrar uma nova serventia para esse produto, em que grande parte das suas propriedades ainda possam ser rentabilizadas, …

iii) Finalmente quando não é possível aproveitar grande parte do valor do produto podemos tentar a terceira alternativa, ou seja aproveitar a matéria prima que o constitui, em alguns casos para fabricar produtos idênticos, … Neste caso estamos perante uma operação que actualmente se denomina reciclagem.

O três princípios constituem a conhecida sigla dos 3 Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

Dada a grande perda de trabalho e tecnologia incorporada na maioria dos produtos quando passamos da segunda para a terceira opção, importa aqui questionar-nos se os esforços necessários à implementação das duas primeiras hipóteses estão ser encarados de forma igual à actualmente dedicada à reciclagem. …

Leitura complementar sobre outras iniciativas de cariz social da empresa Lidl & Cia.

Faz hoje 255 anos,

– seriam umas 9 e meia da manhã – que Lisboa foi assolada por um fortíssimo terramoto, o qual terá causado para cima de 10 mil mortos.

Terramoto de lisboa em 1755No ano seguinte, neste mesmo dia 1 de Novembro, a população de Lisboa iniciaria – dizem muitos historiadores que de modo espontâneo – a tradição de pedir “Pão por Deus”, para minorar a paupérrima situação em que haviam ficado os mais pobres na sequência do terrível sismo, em especial as crianças órfãs.

Esta tradição alargou-se a todo o país e até meados do séc. XX continuou a servir, em muitos casos, para minorar as necessidades de gente mais pobre. Nos anos 80, contudo, os portugueses foram abandonando este uso humilde e trocaram-no pelo novo-riquismo consumista do anglo-saxónico halloween, no que foram muito “ajudados” (“levados”) pela campanha que os comerciantes promoveram, apoiada por uma comunicação social ignorante e pretensiosa.

Nesta década de 80, dos 1 º e 2º governos cavaquistas, da entrada na CEE (agora UE) e da respectiva subsidiação, os portugueses, vaidosos, convenceram-se que eram uma nação de jovens, ricos e cheios de sucesso. Hoje, descobriram que Portugal é um país de velhos, pobre e muito mal sucedido. Um dia haverão de descobrir, também, – não por si mesmos, mas porque alguém “importante” lhes dirá – que perderam uma parte da sua memória colectiva, do seu património cultural e da sua capacidade de sobrevivência, ao negarem a tradição do peditório de “Pão por Deus” neste dia de Todos-os Santos.