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O efeito Constâncio (agora em Frakfurt).

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou hoje que o custo associado à construção da sua nova sede em Frankfurt derrapou para um total próximo de 1,2 mil milhões de euros. O custo derrapou 40% face ao orçamentado inicialmente. …
(Nova sede do BCE vai custar mais de mil milhões, 21 Setembro 2012, Hugo Paula, Negócios)

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Curar a bebedeira com mais bebida?

Enquanto o PIB mundial é de 70 biliões de dólares, o mercado de títulos é de 95.000 biliões (mais de 1.000 vezes superior), as bolsas “valem” 50.000 biliões (cerca de 1.000 vezes mais) e seus derivados “valem” 466 mil biliões (6.500 vezes mais). Uma situação insustentável. O que está por trás destes números de títulos, valores mobiliários e derivativos é um capital especulativo que é milhares de vezes maior do que a economia real. Perante esta massa de capital a taxa de lucro tende para zero de forma imparável, pois os lucros saem – no fim de contas – da economia real. O sistema capitalista vai entrar em colapso. A cada 2,4 horas move-se pelo mundo uma quantidade de dinheiro equivalente ao PIB total de um ano!

A estrutura do Banco Central Europeu facilita a especulação. Na verdade, o BCE pode emprestar a bancos privados a uma taxa de juros de 1% mas não pode fazê-lo para os Estados, que têm de recorrer às entidades privadas através da dívida pública com juros muito mais altos. Desta forma, os bancos privados podem colectar os empréstimos do BCE a taxas de juro baixas e comprar dívida pública a juros muito mais altos.
(leia o artigo completo, em espanhol)

O que fazem, então, os donos do BCE? Preparam-se para aumentar o negócio FEEF para 1 bilião de euros.

E, quem vai pagar este novo “investimento” dos senhores da UE? Vá lá, esta vocês sabem responder agora…

‘The Higher They Climb,The Harder They Fall’*

*’Quanto mais alto se sobe, maior é a queda’


… Under such a plan, assuming the EFSF contributes €400bn, the total bail-out resources would be about €2,000bn. Higher leverage, a lower first loss piece of, say, 10 per cent, would increase available funds to €4,000bn. …

The EFSF does not have €440bn. After existing commitments to Greece, Ireland and Portugal, its theoretical resources are at best about €250bn, …
The EFSF must borrow money from the markets, relying on its own CDO-like structure, backed by a cash first loss cushion and guarantees from eurozone countries. …
The ECB, the provider of protected debt, has capital of about €5bn, supporting about €140bn in bonds issued by beleaguered eurozone nations, purchased as part of market operations to reduce their borrowing costs. … While the eurozone central banking system has capital of about €80bn that could be available to support the ECB’s operations, this adds to the incremental leverage under such a plan.

The circular nature of the idea is surreal. Highly leveraged vehicles, in part backed by weakened nations such as Spain and Italy, would undertake the “rescue” of the same countries and their banks. This would be akin to an entity selling insurance against its own default. This would only work if all commitments were fully backed by real cash and savings, which of course nobody actually has.

Super-charged eurozone fund won’t solve crisis (*)
By Satyajit Das, September 28, 2011, Financial Times

(*) Fundo da eurozona sobrealimentado não resolverá a crise – mas aumentará exponencialmente o desastre quando falhar.

(Lyrics/Letra)

A história da esperteza do português Francisco.

Suponhamos que um português chamado Francisco, a quem todos tratam por Chico, decide contrair um empréstimo de 100 mil euros para pagar várias dívidas que foi acumulando ao longo de alguns anos em que os gastos foram sempre superiores aos rendimentos.

O Chico pede então um empréstimo de 100 mil euros ao único banco que ainda lhe concede crédito: o BCE – Banco dos Custos Empurrados. O crédito é concedido por um prazo de 7 anos sujeito a uma taxa de juros de 5,7% ao ano.

Faça-se aqui o cálculo simples dos custos deste empréstimo ( sem correcções à taxa de juro aplicada nem contabilização de despesas associadas ao risco do cliente):

100 000 x 0,057 x 7 = 39 900 € (total de juros)

100 000 + 39 900 = 139 900 € (total a pagar)

Mas o Chico não muda de vida – mantém o carro de alta cilindrada, continua a comer em restaurantes caros, a comprar os gadjets electrónicos mais recentes e roupas de marca, … -, não diminuindo as despesas. Tenta aumentar os seus rendimentos cobrando mais aos seus clientes, mas aqueles reagem diminuindo o recurso aos seus serviços.

Logo que tem que começar a pagar o novo empréstimo, o Chico não é capaz de satisfazer os montantes exigidos para a sua amortização. O banco percebe que o Chico é incapaz de pagar as prestações resultantes daquele empréstimo, com aquele prazo, e propõe-lhe aumentar o prazo de pagamento do empréstimo para 15 anos com juros a uma taxa média de 4,4% ao ano.

100 000 x 0,035 x 15 = 66 000 € (novo total de juros)

100 000 + 66 000 = 166 000 € (novo total a pagar)

O Chico sai do banco muito contente com a sua esperteza. Quando conta aos amigos a proeza eles passam a chamar-lhe  Chico esperto.

O fim da dominação dos falsos socialistas incompetentes.

Foi possível, finalmente, dar uma leitura (ainda que parcial e rápida) ao Memorando de Entendimento nos Condicionamentos Económicos Específicos da Política Económica para Portugal, estabelecido com o FMI/BCE/EU com vista a permitir o empréstimo para resgate da dívida pública portuguesa – aproveitando gratamente a tradução feita pela equipa do blogue Aventar.

A primeira e mais importante conclusão que é possível tirar, é aquela expressa no título do presente texto: a de que acabou a dominação dos falsos socialistas incompetentes que conduziram a Administração Pública portuguesa à insolvência, o país à estagnação económica e uma parte substancial do povo à penúria.

Ao contrário do que acontece usualmente neste país, os responsáveis pelo descalabro são reconhecidos como tal e podem mesmo ser apontados. São eles os (ainda) primeiro-ministro e ministro da Finanças – ajudados até certa altura pelos (tristemente famosos) Pino e Lino. Estes indivíduos são responsáveis pela destruição da subsistência, nalguns casos da vida, de muitos milhares de pessoas. Só no limitado âmbito dos meus relacionamentos conheço duas dezenas de casos. Estes indivíduos têm que prestar contas, têm que ser levados à justiça pelas associações representativas daqueles que destruíram (e continuam a destruir) de forma deliberada e calculista.

Lê-se e ouve-se por aí que as condições deste Memorando obrigam à suspensão da democracia. Não é verdade. Esta é a segunda mas não menos importante conclusão. O que este Memorando faz é suspender o actual pseudo-socialismo cleptocrático. Qualquer pessoa que conheça o significado da palavra sabe que a democracia foi suspensa em Portugal pelo primeiro governo de José Sousa, vulgo Sócrates, em 2005. (Seria essa, aliás, a razão que conduziria à fundação deste blogue, mas esse assunto será explanado num dos textos seguintes.)

É preciso sabDemon possessed pigs.er olhar para além das aparências. Sócrates e a sua camarilha vão usar todos os truques e enganos para tentarem iludir (e iludir-se quanto) aquilo, que já sabem (sim, eles já sabem), irá acontecer. Eles são mestres nas artes das aparências. Mas a realidade é esta: toda a dominação tem um fim e esta dominação sobre os portugueses acabou.

Então, os espíritos malignos saíram do homem e entraram nos porcos, e a vara, cerca de uns dois mil, precipitou-se do alto no mar e ali se afogou.
Marcos 5, 13

A terceira conclusão não é, infelizmente, tão positiva como as anteriores. É mais um aviso. As medidas preconizadas no Memorando não resolvem o problema estrutural da falta de crescimento da Economia portuguesa. Sendo isto uma coisa tão óbvia, é caso para perguntar se não será também deliberada da parte daquelas Economias que pretendem (sem rebuço, sequer) dominar a União. É que, depois de convencerem os governantes destes país, com falas mansas e subsídios, a demolir durante trinta anos as actividades produtivas básicas para a subsistência – a agricultura e as pescas – e as indústrias básicas tradicionais – os têxteis e o calçado –, estão agora a criar as condições para a colonização completa do país pelas poderosas empresas industriais e comerciais alemãs e espanholas, principalmente (já iniciada, aliás: basta atentar na origem dos bens que os portugueses compram).

Desta forma, o caminho de Portugal não será diferente do da Grécia e da Irlanda – a total dependência económica e a total submissão política. Ou, em alternativa, a saída da moeda única.

Uma sociedade que troca um pouco de liberdade por um pouco de ordem acabará por perder ambas, e não merece qualquer delas.
Thomas Jefferson (1743-1826), carta a James Madison
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O BCE chega-se à frente…

um bocadinho mais para a beira do abismo.

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O Banco Central Europeu (BCE), que tinha já adquirido 67 mil milhões de euros em títulos de dívida pública dos países periféricos até à semana passada, voltou a fazer aquisições «enérgicas» esta semana…
O responsável lembrou que a ajuda do BCE aos países em dificuldades é «temporária», não podendo prolongar-se por muito mais tempo. …

Afinal, até existem investidores que se dedicam apenas a comprar emissões falidas, embora os investidores, perdão, os especuladores particulares o façam sempre a forte desconto e nunca à entrada de um ciclo económico fraco. Será certamente para tomar decisões corajosas como esta que foi contratado o grande guru português da gestão monetária, Vitor Constâncio.

Placas tectónicas e falhas geológicasNa linguagem da Tectónica dir-se-ia assim: se ao longo de uma falha não existirem pequenos deslizamentos ou ajustamentos, que provocam pequenos sismos, a tensão tende a acumular-se e, a certa altura, provocará, com grande probabilidade, um forte deslizamento que resultará num terramoto.

Adivinhe quem disse hoje:

“O défice público é apenas a ponta do iceberg”;

“Está totalmente cortado o financiamento externo, estamos fora do mercado, a única excepção é o Banco Central Europeu (BCE)”;

“estamos de joelhos perante o BCE, esperando que não altere a sua política que nos permite ir vivendo”.

Se a sua resposta foi Medina Carreira, errou.

Veja aqui.