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Eis o que acontece quando se transforma o dinheiro em dívida.

Lembre-se, o dinheiro é dívida desde que o padrão ouro foi retirado. O que existe actualmente em circulação no mundo não é dinheiro mas tão só promessas de pagamento de dívida, sob a forma de notas de banco, cheques, ordens de pagamento e outras promissórias.

Visualize a monstruosidade resultante – nesta sequência de imagens apenas para o grupo de países em que somos incluídos, os GIPSI-Grécia, Itália, Portugal, Espanha (Spain) e Irlanda, mas é possível explorar o sítio para visualizar outras monstruosidades ainda maiores.

Perceba, finalmente, como é que os bancos atiraram para cima dos contribuintes (de si) a monstruosidade que eles próprios criaram.
Bailouts, stimulus packages, debt piled upon debt…Where will it all end?
How did we get into a situation where there has never been more material wealth & productivity and yet everyone is in debt to bankers?
And now, all of a sudden, the bankers have no money and we the taxpayers, have to rescue them by going even further into debt!

Só podem ser masoquistas!

(Digo isto dos portugueses porque me recuso a acreditar que sejam estúpidos.)

Então, os bancos tratam-nos assim e eles continuam a entregar-se-lhes?

Deixam-se maltratar por estes bancos manhosos, mal geridos e que não cumprem a lei?

Pois, se pensar, até uma criança de 12 anos percebe:

O resgate financeiro à banca explicado às crianças

Sem tempo para grandes escritas fica aqui explicado às criancinhas com música, digo, com recurso a meios audiovisuais, o sistema de resgate financeiro aos bancos em Portugal, Espanha, Chipre, Itália e pela Europa em geral.

Disse solvabilidade, sr. Silva?

“A banca portuguesa tem um elevado grau solvabilidade, pode ter alguns problemas de liquidez, mas é uma banca segura no que diz respeito à solvabilidade”, afirmou o chefe de Estado…
(Cavaco diz que banca é segura e espera que não lhe sejam criadas dificuldades, 26 Novembro 2011, Lusa/Negócios)

Querem que explique? Então, é assim.

O Ti Canelas precisa de 5 mil euros para manter o negócio da “venda” – pagar despesas correntes e refazer as existências (stocks) – mas só tem 500. O Ti Canelas tem um problema de liquidez, isto é, em linguagem para toda a gente entender, está teso, sem chêta, liso. Mas, dos 500 euros que tem, 400 são dele e só 100 são emprestados. Como a solvabilidade é tanto maior quanto for o valor da razão entre o capital próprio e o capital alheio, pode afirmar-se que o Ti Canelas tem uma excelente solvabilidade (80%). Concluindo à Silva, a “venda” do Ti Canelas é segura… no que respeita à solvabilidade, claro.

Nota: Clique na imagem para aceder a outras doutas afirmações do sr, Silva.

You control the debt, you control everything.

Controlar a dívida é controlar tudo.

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(…) You see, the real value of a conflict, the true value, is in the debt that it creates.
You control the debt, you control everything. (…)
This is the very essence of the banking industry: to make us all, wether we be nations or individuals, slaves to debt. (…)

(…) Veja, o valor real de um conflito, o verdadeiro valor, é a dívida que cria.
Controlar a dívida é controlar tudo. (…)
Isto é a própria essência da actividade bancária: fazer de todos nós, quer sejamos nações ou indivíduos, escravos da dívida. (…)

Curar a bebedeira com mais bebida?

Enquanto o PIB mundial é de 70 biliões de dólares, o mercado de títulos é de 95.000 biliões (mais de 1.000 vezes superior), as bolsas “valem” 50.000 biliões (cerca de 1.000 vezes mais) e seus derivados “valem” 466 mil biliões (6.500 vezes mais). Uma situação insustentável. O que está por trás destes números de títulos, valores mobiliários e derivativos é um capital especulativo que é milhares de vezes maior do que a economia real. Perante esta massa de capital a taxa de lucro tende para zero de forma imparável, pois os lucros saem – no fim de contas – da economia real. O sistema capitalista vai entrar em colapso. A cada 2,4 horas move-se pelo mundo uma quantidade de dinheiro equivalente ao PIB total de um ano!

A estrutura do Banco Central Europeu facilita a especulação. Na verdade, o BCE pode emprestar a bancos privados a uma taxa de juros de 1% mas não pode fazê-lo para os Estados, que têm de recorrer às entidades privadas através da dívida pública com juros muito mais altos. Desta forma, os bancos privados podem colectar os empréstimos do BCE a taxas de juro baixas e comprar dívida pública a juros muito mais altos.
(leia o artigo completo, em espanhol)

O que fazem, então, os donos do BCE? Preparam-se para aumentar o negócio FEEF para 1 bilião de euros.

E, quem vai pagar este novo “investimento” dos senhores da UE? Vá lá, esta vocês sabem responder agora…

Parece que o mundo está a mudar… outra vez.

Bolha1. A Banca portuguesa (e não só) afunda-se novamente em problemas.

Alegada burla que pode ascender a 80 milhões de euros com a conivência da administração do Banco motiva mega-operação da Polícia Judiciária que envolve buscas em vários locais e que já fez um detido. …
(Investigação BPN – Mega operação da PJ faz novas detenções, 26 Outubro ’10, RTP Notícias)

Hum! A propósito: Isto é capaz de afectar negativamente o negócio da venda do banco, não?

A Fitch cortou o rating do banco Montepio Geral de A- para BBB-, mantendo o rating do banco sob vigilância negativa, que indica uma revisão da nota dada ao banco, possivelmente para novo corte. …
(Fitch corta rating do Montepio de A- para BBB-, 21 de Outubro de 2010, Diário Digital)

Ops! A propósito: Como vai o negócio de aquisição do Finibanco?

A agência de notação financeira Fitch baixou, em dois níveis, a sua classificação de longo prazo para o espanhol Banco Popular e um nível na classificação de curto prazo. …
(Fitch corta “rating” do espanhol Banco Popular, Marta F. Reis/Lusa ,14 de Julho de 2010, jornal i)

Esta é notícia mais antiga, mas nem por isso menos actual. O Banco Popular espanhol – e o seu correspondente em Portugal – é o banco comercial (todos os outros são as chamadas Caixas de Crédito) mais afectado pela crise do imobiliário em Espanha – e também por cá (Banco Popular Portugal, SA é a nova designação do Banco Nacional de Crédito Imobiliário). A necessidade desesperada de (re)financiamento é bem patente na agressividade e nas super-condições das novas campanhas publicitárias, como a “PME Power” e a “Depósito Ouro” por exemplo. Quem vos avisa…

2. Os governos socialistas por essa Europa estão a cair ou já caíram.

Primeiro, foram os alemães que substituíram os sociais-democratas pelos liberais na coligação governativa.

A seguir, os ingleses trocaram o quase perpétuo governo trabalhista pela coligação de conservadores com liberais.

Agora, é o compañero Zapatero que, aqui mesmo ao lado, está à beira da despedida – ou de ser despedido – da governação.

Então, e o incrível primo-ministerial líder da lusa gente? Ainda não deu por nada? Terá ficado distraído após o idílico encontro com o seu grande amigo Chavez? Tantos assessores e ninguém o avisa para que ele venha fazer o seu discurso virtual-optimista?

Os contribuintes portugueses estão muito felizes

por poderem salvar, novamente, a Banca Portuguesa Nacionalizada (BPN), teixeiramente guiados aos ridentes amanhãs deste luso-socialismo de mercado.

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Can anyone lend me ten billion quid?
Why do you look so glum, was it something I did?
So I caused the second great depression, what can I say?
I guess I got a bit carried away
If I say I’m sorry, will you give me the money? ()
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a música foi achada aqui

O Estado como cobrador e promotor da banca nacional.

(Na continuação deste postal anterior: O maior mediador imobiliário de Portugal é o fisco.)


As casas são o bem penhorado mais vendido pelo Fisco, mas o organismo liderado por Guilherme d’Oliveira Martins coloca em causa a eficácia desta medida. “A quase totalidade das cobranças realizadas não reverterá a favor do Estado, mas de terceiros, pelo que este meio processual apresenta-se como o mais dispendioso e o menos eficiente na directa realização dos interesses do Estado”. Isto porque as casas penhoradas e vendidas estão, muitas vezes, hipotecadas a favor dos bancos, pelo que o dinheiro da venda deverá ser entregue a estas instituições financeiras.

(Tribunal de Contas critica venda de casas penhoradas pelo Fisco, Paula Cravina de Sousa, 11/02/10, Diário Económico)

Eis o Estado como cobrador ao serviço da banca.

G. Orwell - Animal Farm

Ora, como é claramente afirmado no preâmbulo* do Decreto-Lei nº.321-B/90, de 15 de Outubro – uma das muitas leis do arrendamento urbano que foram sendo sucessivamente redigidas desde 1974 em Portugal:


Há que reconhecer que a política de habitação, após 1974, apesar de todos os benefícios políticos emergentes da Lei n.º 46/85, de 20 de Setembro, continua limitada, condicionada e circunscrita ao mercado de aquisição de casa própria, com todas as suas consequências políticas, económicas e sociais.
Assim, para a satisfação de uma necessidade básica constitucionalmente reconhecida, ao povo português não é, praticamente, dada qualquer alternativa credível senão a aquisição de casa própria.

Significa isto que a maioria da população foi obrigada a recorrer ao crédito bancário para aquisição de casa própria, um verdadeiro negócio da China para a banca nacional conseguido à custa do empobrecimento dos antigos proprietários de imóveis de arrendamento, de uma enorme degradação do parque habitacional nacional pré-existente e de uma explosão urbanística desnecessária e completamente desequilibrada.

É (foi e continua a ser) o Estado como promotor da banca.

 

*Este preâmbulo é uma excelente síntese histórica da legislação sobre arrendamento urbano em Portugal desde 1867 até à sua própria data, 1990.

A grande corporação bancária em Portugal.

Me engana que eu gostoImaginem que firmam um contrato de prestação de serviços que estabelece determinadas condições e custos correspondentes. Imaginem que passado algum tempo, a parte contratada decide, unilateralmente, mudar as condições e os custos dessa prestação de serviços. Imaginem que, para além disso, a parte contratada não vos avisa dessa mudança. Imaginem, finalmente, que concederam à parte contratada acesso a cobrança directa na vossa conta bancária do custo dos tais serviços contratados e ela o faz sem vos avisar antes, sem vos enviar qualquer factura ou nota de cobrança, pelo que vocês só sabem o montante cobrado… depois da cobrança.

Isto é possível? Não só é possível, como – pelos vistos – parece ser completamente legal.

Como muitos já terão percebido (por experiência própria) fala-se aqui da actividade bancária, apenas na sua vertente mais simples da guarda do vosso dinheiro – cujo uso e usufruto fica, na maior parte dos casos, completamente e discricionariamente à disposição do guardador, o banco.

Imaginem, para cúmulo, que se a vossa conta estiver sem ser movimentada há muito tempo e não dispuser do montante necessário para cobrir os tais custos acrescidos (de que não foram avisados), a parte contratada cobra-se a si mesma e transforma, sem vos avisar, esse montante em débito (dívida) e começa a cobrar  o que muito bem entende (de juros) sobre esse débito.

E isso, é possível? Espantosamente, tudo leva a crer que sim.

E não reclamou o indígena? Claro, por várias vezes.

1º reclamação, 22 de Outubro de 2008, resposta do BdP em 19 de Dezembro de 2008:

Na sequência da reclamação de V. Exa. e do procedimento previsto pelo Decreto-Lei n.º 156/2005, de 15 de Setembro, foi-nos comunicado pela instituição de crédito que se encontra esclarecido e resolvido com V. Exa. o assunto que deu origem à referida reclamação.

Com esta comunicação fica encerrada a intervenção do Banco de Portugal no processo de reclamação.

2ª reclamação, 14 de Janeiro de 2009, resposta do BdP em  8 de Abril de 2009:

Na sequência da reclamação de V. Exa. e do procedimento previsto pelo Decreto-Lei n.º 156/2005, de 15 de Setembro, foi-nos comunicado pela instituição de crédito que se encontra esclarecido e resolvido com V. Exa. o assunto que deu origem à referida reclamação.

Com esta comunicação fica encerrada a intervenção do Banco de Portugal no processo de reclamação.

(Não, não é engano: é igualzinha à anterior. Será uma minuta?)

3ª reclamação, 28 de Agosto de 2009, resposta do BdP em 15 de Setembro de 2009:

… analisada a matéria objecto da reclamação e ouvida a entidade reclamada, de acordo com o procedimento previsto no Decreto-Lei n.º 156/2005, de 15 de Setembro, não foram colhidos indícios de que a mesma entidade tenha violado normas específicas da actividade das instituições de crédito ou quaisquer outros elementos que justifiquem a actuação do Banco de Portugal.

Com esta comunicação fica concluído o processo de reclamação iniciado por V. Exa..

Eis as respostas que o Banco de Portugal dá ao cidadão queixoso, ao contribuinte que o sustenta: “foi-nos comunicado pela instituição de crédito que se encontra esclarecido e resolvido o assunto” (uma mentira) ou “ouvida a entidade reclamada, …, não foram colhidos indícios de que a mesma entidade tenha violado norma específicas” (colhidos indícios?!).

Ainda bem que estes senhores muito bem pagos lá estão a zelar denodadamente pelos interesses dos portugueses (se não de todos, pelo menos de alguns de grande qualidade):

BdP abre inquérito a Armando Vara, diz imprensa

Banco de Portugal averigua mas não pode suspender