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Balanço final do XVII Congresso.

Os marmanjos da xuxa.

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Um comentário final aos resultados das legislativas 2009.

A justeza das escolhas do povo ou a surpreendente sabedoria do inconsciente colectivo.

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Como já havia referido aqui, em condições de livre escolha (ou, pelo menos, com condicionamentos moderados) observa-se com frequência uma inexplicável sabedoria nas escolhas colectivas dos povos. Terá sido, uma vez mais, o caso? Vejamos:

1. É justo ou não que um partido que não muda o seu discurso, a sua imagem e a sua liderança há… – há quanto tempo é secretário-geral Jerónimo de Sousa? – tenha sempre aproximadamente o mesmo número de votos?
A CDU aumentou um pouco a sua votação. O bom resultado eleitoral nas Europeias e a forte contestação a muitas acções do governo poderiam fazer pensar num resultado melhor. E assim seria, provavelmente, sem a concorrência directa do BE, em especial nos votos dos mais jovens. De qualquer forma, as eleições legislativas não são o ponto forte da CDU, ao contrário das autárquicas que se aproximam e nas quais – estou convicto – esta força política vai recuperar muitas das Câmaras que perdeu anteriormente para o PS.
2. É justo ou não que um partido que aproveitou (diria mesmo explorou) o enorme descontentamento (diria mesmo revolta) dos jovens com a situação de precariedade laboral para que cada vez mais predominantemente são empurrados, tenha tido mais cerca de 200.000 votos que nas eleições anteriores?
O BE teve um bom resultado eleitoral e constitui agora, cada vez mais, uma poderosa força de protesto, pois esse é o principal suporte da sua acção política, fruto da vontade colectiva da maioria dos seus militantes e apoiantes.
3. É justo ou não que um partido que assumiu com tanta coerência e determinação a defesa dos interesses da sua clientela eleitoral tenha aumentado a sua votação em cerca de 500.000 votos?
O CDS foi o partido que mais fez crescer a sua votação relativamente às eleições legislativas anteriores e, também, relativamente às previsões das sondagens – os “sondageiros” nunca mais aprendem que a maioria das pessoas que votam CDS não respondem a inquéritos por telefone sobre a sua vida e as suas preferências.
4. É justo ou não que o partido liderado agora pela militante que tanto desdenhou e criticou o anterior presidente, por este ter obtido 28,7% dos votos expressos nas legislativas anteriores, tenha agora obtido 29,1% desses mesmos votos?
O PSD foi, ou melhor, continuou a ser um partido derrotado. O que os números dizem é que nunca chegou a recuperar da má imagem que criou para si mesmo a partir da legislatura de Barroso.
5. Finalmente, é justo ou não que o partido do poder tenha perdido aquilo que o tornou (e que ainda perdura) a mais perigosa ameaça à liberdade individual e colectiva da nação desde o período da ditadura? É justo ou não que o povo obrigue agora este partido e, especialmente, este líder arrogante a governar em minoria, suportando as consequências da sua anterior (muito má) legislatura e suportando o desgaste para a imagem dos ditos a que isso inelutavelmente conduzirá?

Com este resultado, o PS não perdeu as eleições, mas muito mais do que isso: perdeu o poder, ou melhor, entrou num prolongado e intravável processo de perda do poder semelhante àquele em que o PSD entrou há cinco anos atrás.

 

Capa cd - Falling down

 

Este texto foi publicado primeiro aqui.

Os números do artigo ‘A política económica desastrosa de Sócrates’

no jornal i de 12 de Agosto de 2009.

 

Gráfico dívida pública 1973-2008

 

Alexandre Relvas, gestor de empresas, presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro, homem do PSD (obviamente), veio a público, muito bem documentado, divulgar alguns números demonstrativos do falhanço da política económica do actual governo socialista:

 

De 2005 a 2008 Portugal cresceu todos os anos claramente abaixo da União Europeia. Temos vindo a empobrecer em termos relativos desde 2005. O crescimento potencial da economia desceu para menos de 1%, o mais baixo da União.

De acordo com o World Economic Forum, Portugal perdeu competitividade. Passámos do 24º lugar do ranking internacional em 2004 para o 43º lugar em 2008.

Apesar desta evolução, as empresas aumentaram o seu endividamento, assim como as famílias. O endividamento das empresas passou de 110% do produto interno bruto em 2004 para 140% em 2008 e o das famílias, de 80% para 96% do PIB.

O endividamento externo também aumentou todos os anos ao longo desta legislatura. O défice externo, que foi de 6,1% do PIB em 2004, passou para 10,5% em 2008 e o endividamento externo de 69% do PIB em 2004 para 97,2%. O país viveu assim sempre acima das suas possibilidades, apesar do fraco crescimento económico.

Desde 2007, o país tem tido sempre mais de 400 mil desempregados, sendo a taxa de desemprego superior a 7%, apesar da promessa eleitoral de criação de 150 mil novos empregos.

A carga fiscal passou de 34,9% do PIB em 2004 para 37,5% em 2008. Face ao seu nível de vida, os portugueses pagam um nível de impostos 24,8% superior à média europeia, valor este que era de 18% em 2004.

O Estado também se endividou ao longo da legislatura. A dívida pública, que era de 58,3% do PIB, em 2004 passou para 66,4% em 2008.

 

Como seria de esperar, a reacção socialista não tardou. Carlos Santos, economista, Professor na UCP, homem do PS (obviamente), viria a publicar em resposta, poucas horas mais tarde, um texto de sua autoria em vários blogues socialistas (SIMplex, O valor das ideias, Câmara de Comuns) “O PSD e a demagogia das críticas à política económica: os erros de Alexandre Relvas”.

Esperar-se-ia um contraditório, um desmentido dos números apontados por Relvas, mas afinal o resultado é este:

 

Alexandre Relvas diz que José Sócrates não cumpriu a promessa da criação de 150000 novos empregos. Pois não. …

Alexandre Relvas diz que o défice externo subiu para 10,8% em 2008! Pois subiu! Tem toda a razão. …

O Dr. Relvas diz que a dívida pública subiu para 66% em 2008. E mais uma vez tem razão. …

 

Os números são uma arma terrível contra a demagogia. É que não há volta a dar-lhes: 37,5% de alguma coisa é sempre maior do 34, 9% da mesma coisa, e a coisa é, no caso, a carga fiscal dos portugueses. Do mesmo modo, 66,4%  de uma coisa é também sempre maior do que 58,3% da mesma coisa, e a coisa é, neste caso, a dívida pública portuguesa.

Quanto aos 133 mil empregos que, afirma o Dr. Carlos Santos, “no final do primeiro trimestre de 2008, de acordo com o INE, já tinham sido criados”, só pode tratar-se de um número quântico principal (dado ser o único, ao que sei, que “pode tomar como valor qualquer número positivo”), pois o número de desempregados inscritos em Centros de Emprego era, de acordo com os números do IEFP, de 486 mil em Novembro de 2004 e de 489 mil no final de Junho de 2009. Ora, isto significa em cálculo aritmético simples (486000-489000=-3000) mais 3 mil pessoas desempregadas (e registadas nos Centros de Emprego).

E este números nem sequer tomam em consideração que a população activa diminuiu no intervalo de tempo indicado e não incluem mais alguns milhares de desempregados colocados à pressa em múltiplos programas de formação do IEFP nos últimos meses.

Daqui só pode concluir-se uma de duas coisas: ou o governo apresenta números falsos quando afirma ter criado 133 mil empregos, o que seria impensável por parte de um governo da República, ou o governo utiliza um número quântico principal, n, “cujo valor define a energia do átomo de hidrogénio”.

Isto já não é “programa tecnológico”; trata-se, como podem constatar, de um “programa científico” que o PS certamente se prepara para aplicar aos portugueses já a partir de Outubro próximo, caso os portugueses voltem a votar neles.

Este texto foi publicado primeiro aqui.

O 1º ministro promete 2 fábricas brasileiras,

(que talvez venham a instalar-se no Alentejo), por cada 25000 empresas portuguesas efectivamente perdidas.

 

Ricos e pobres

O primeiro-ministro, José Sócrates, destacou hoje a importância para a economia portuguesa do investimento que a empresa brasileira de aeronáutica Embraer vai fazer em Évora… (Público, Sócrates diz que projecto da Embraer em Évora marca nova era na indústria portuguesa, 26.07.2008, Lusa)

Ou talvez não…

A Embraer, …, admitiu, este sábado, numa nota de rodapé de um comunicado distribuído durante a celebração de um contrato que visa a instalação de duas fábricas no Alentejo, que as estimativas para o projecto em Portugal podem estar comprometidas. … (JN, Embraer admite não cumprir expectativas de projecto em Évora, 28 Julho 2008)

Confrontem-se os ganhos supostos com estas perdas certas:

Mais de 15 mil pequenos empresários de construção civil fecharam as portas em 2007. E, dados ainda não confirmados, referem que, só na primeira metade do ano corrente, o número já terá engrossado outros 10 mil. Estes valores foram ontem avançados pela Associação Nacional de Pequenas e Médias Empresas (ANPME) e constam de uma carta enviada aos secretários de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades e da Administração Local, à qual o DN teve acesso. Segundo a mesma fonte, num universo calculado de 70 mil pequenos empresários, a actual crise imobiliária afectou já cerca de 25 mil. No sector, encontram-se igualmente desempregados 60 mil trabalhadores por conta de outrem. … (DN, Indústria de construção perdeu 15 mil empresas num ano, 22 de Julho de 2008, Márcio Candoso)

Um impressionante balanço negativo para o governo de José Sousa (que prefere ser chamado de Sócrates).

O 1º ministro promete 2 fábricas brasileiras,

(que talvez venham a instalar-se no Alentejo), por cada 25000 empresas portuguesas efectivamente perdidas.

 

Ricos e pobres

O primeiro-ministro, José Sócrates, destacou hoje a importância para a economia portuguesa do investimento que a empresa brasileira de aeronáutica Embraer vai fazer em Évora… (Público, Sócrates diz que projecto da Embraer em Évora marca nova era na indústria portuguesa, 26.07.2008, Lusa)

Ou talvez não…

A Embraer, …, admitiu, este sábado, numa nota de rodapé de um comunicado distribuído durante a celebração de um contrato que visa a instalação de duas fábricas no Alentejo, que as estimativas para o projecto em Portugal podem estar comprometidas. … (JN, Embraer admite não cumprir expectativas de projecto em Évora, 28 Julho 2008)

Confrontem-se os ganhos supostos com estas perdas certas:

Mais de 15 mil pequenos empresários de construção civil fecharam as portas em 2007. E, dados ainda não confirmados, referem que, só na primeira metade do ano corrente, o número já terá engrossado outros 10 mil. Estes valores foram ontem avançados pela Associação Nacional de Pequenas e Médias Empresas (ANPME) e constam de uma carta enviada aos secretários de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades e da Administração Local, à qual o DN teve acesso. Segundo a mesma fonte, num universo calculado de 70 mil pequenos empresários, a actual crise imobiliária afectou já cerca de 25 mil. No sector, encontram-se igualmente desempregados 60 mil trabalhadores por conta de outrem. … (DN, Indústria de construção perdeu 15 mil empresas num ano, 22 de Julho de 2008, Márcio Candoso)

Um impressionante balanço negativo para o governo de José Sousa (que prefere ser chamado de Sócrates).