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Um cheiro a podridão no Terreiro do Paço

Será novamente o pântano ou uma enorme fossa séptica*?

corrupto

Num destes dias passei pela primeira vez, desde que o trânsito ali reabriu, num táxi, frente ao Terreiro do Paço, a caminho do Cais do Sodré. Nem queria acreditar no que estava a ver – um misto de desolação com uns bocados de plástico pacóvios pelo meio. A coisa é indescritível – no meio das obras há uma instalação, que se situa visualmente a meio caminho entre carrinhos de choque das feiras e contentores para recolha de recicláveis, com uns arbustos de árvores raquíticos a saírem lá de dentro – numa referência ecológica bacoca. (…)**

É verdadeiramente impressionante a expansão do ecologismo de pacotilha nos tempos mais recentes: um grupo de idiotas que pensam que ser ecologista é vestir roupas das lojas Natura Selection, atravessar uma ponte rodoviária a pé uma vez por ano e ir comer umas “sandochas” embrulhadas em celofane a um “Centro de Interpretação Ambiental”.

(…), o que está a ser feito na Ribeira das Naus e no Terreiro do Paço é um espelho do poder arbitrário, da falta de bom senso e, estou em crer, de uma grande dose de incompetência. Uma zona nobre da cidade de Lisboa está entregue a pinderiquices, a projectos de intervenção que causam polémica generalizada, tudo feito por obra e graça de uma Sociedade Frente do Tejo, criada pelo Governo perante a passividade de António Costa, e que, muito curiosamente, vai poder contratar empreitadas e adquirir bens e serviços por ajuste directo, sem concurso público, até 5.120 milhões de euros, um valor cinco vezes superior ao limite máximo previsto no Código dos Contratos Públicos. Não há um cheiro a podridão em tudo isto?**

Então não há? E, quando começar a destapar-se um bocadinho mais o que está por debaixo da laje do regime, então o fedor vai ser mesmo excruciante.

*Para ser mais coerente com o actual “estado de engenharia sanitária”.

**Um cheiro a podridão no Terreiro do Paço, Manuel Falcão, 23-06-2009, Meia-Hora.

O tratamento de resíduos perigosos também necessita de luvas.

E, pelos vistos, luvas é coisa que não falta por aí… Basta escolher.

Luvas tipo chefe
Luvas tipo chefe
Luvas de procedimento
Luvas de procedimento Grande
Luvas vale tudo
Luvas vale tudo

Um brevíssimo resumo da história de uma teimosia… só aparentemente gratuita.

 

21-12-2004

… O PÚBLICO tentou contactar as cimenteiras mas não foi possível obter comentários ao anúncio feito por Sócrates de retomar a co-incineração. Carlos Abreu, da Secil, recusou-se também a pronunciar-se sobre o interesse que as cimenteiras possam ter em resíduos que não incluem óleos e solventes. … (Resíduos industriais: soluções do PS e do PSD não se excluem, por Ana Fernandes, no Público)

 

11-08-2007

… Em comunicado, a associação ambiental salienta ainda que “este concurso público apenas surgiu depois da Quercus ter feito ver ao Governo que não poderia enviar aqueles resíduos para co-incineração sem que antes lançasse um concurso público, uma vez que o tratamento teria de ser pago pelo Orçamento Geral do Estado”.

O comunicado sublinha que este concursou revelou que a co-incineração nas cimenteiras da Sécil e da Cimpor, como tem defendido o governo, “custaria ao Estado mais 7 milhões de euros”. … (Resíduos perigosos de Sines: Quercus denuncia concurso irregular, no Esquerda)

 

15-01-2009

… «A concorrência e os concursos públicos servem para alguma coisa, servem para baixar o preço que o Estado paga e servem para travar o cambalache e a corrupção, motivos que, pelos vistos, não incomodam o PS», alegou o ex-secretário de Estado do Ambiente.

José Eduardo Martins sustentou que José Sócrates «quando era ministro do Ambiente já revelou esta aversão aos concursos públicos, ao dar o negócio da co-incineração às cimenteiras sem concurso público». … (Oposição em bloco contesta dispensa de concurso público, por Lusa, no Sol)

 

Ele há coisas que dão que pensar, não há?