Tag Archives: aeroporto

Filmes ainda esperados para este Verão. (2)

Título em português: Os incorruptíveis contra esta droga.

.

The Alcochete Connection

.

Nota: Uma enorme endrómina que conglutina ministros e ex-ministros, aute letes e fri portes, novos aeroportos, novas pontes e linhas de tê-gê-vê, bancos de negócios, negócios de bancos e ofe chores, reais figurões e gentinha vulgar, industriais, comerciantes e afins, confederações e associações, lojas, agências e fundações… e, talvez mesmo (quiçá?), cavalos, anões e mulheres nuas. Uma co-produção luso-britânica que tem tido grandes problemas na montagem por causa do desaparecimento de partes importantes da película.

É que só não vê, quem não quiser mesmo ver: aqui, aqui, aqui e ainda aqui, aqui e aqui.

 

A verdadeira vocação de Portugal e…

a grande provisão legislativa socialista na preparação desse grandioso futuro.

 

O amigo Jorge do Fliscorno publicava, em 8 de Junho de 2007, um postal intitulado O aeroporto da Europa contendo a imagem que se reproduz aqui a seguir.

 

Portugal aeroporto da Europa

 

Acredito que foi sem intenção que o fez, desconhecedor ainda das fórmulas peterianas de pensamento deste socretino governo. É que, não são ainda passados 2 anos sobre a data daquele postal e já o dito governo aprovou o quadro legal para aproveitar a inacreditável ideia do Jorge.

DL n.º 73/2009, de 31 de Março
REGIME JURÍDICO DA RESERVA AGRÍCOLA NACIONAL(versão actualizada)
(…)
Artigo 22.º
Utilização de áreas da RAN para outros fins
(…)
l) Obras de construção, requalificação ou beneficiação de infra-estruturas públicas rodoviárias, ferroviárias, aeroportuárias, de logística, de saneamento, de transporte e distribuição de energia eléctrica, de abastecimento de gás e de telecomunicações, bem como outras construções ou empreendimentos públicos ou de serviço público;

Só que os tipos do Google Country Vocation Search, distraídos ou incultos, nunca leram a conclusão da pessoana Mensagem:

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.

 

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

 

Como toda a gente sabe, o nevoeiro é um factor muito limitante e mesmo impeditivo da utilização de um aeroporto. Assim, esta machadada na Reserva Agrícola Nacional para pouco servirá, porque actualmente a legislação PIN já permite aos amigos requerentes fazerem tudo o que querem, onde querem. Ou, haverá outros desígnios neste nevoeiro que é hoje Portugal?

O artigo 22, ali em cima,  fala em saneamento. Quiçá, a verdadeira vocação de Portugal seja a de cloaca da Europa?

Alcochete, o Freeport, o NAL e… sabe-se lá o quê mais?

“Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j’existe” (Porque duvido, penso; porque penso, existo).

 

Esta é a frase original do filósofo e matemático francês Descartes na sua obra Discours de la Méthode, a qual está na origem da muito usada expressão latina Cogito ergo sum, esta incompleta (completa seria: Dubito, ergo cogito, ergo sum) e proveniente da posterior tradução para latim da mencionada obra.

 

Assim, pode afirmar-se que é a dúvida que conduz, em última análise, ao conhecimento da existência – a própria ou a de qualquer outra coisa.

 

Grande negócio globalGrande negócio global 2

 

Vem isto a propósito da contínua relação do nome Alcochete com o do actual infausto primeiro-ministro. Sexto Empírico, um dos grandes continuadores de Pirro e do seu Cepticismo, escreve: “o fogo, que por essência queima, causa em cada um a representação de ser quente”1 e, também, “O fenómeno prevalece sobre todas as coisas, onde quer que se mostre”2. Em linguagem popular dir-se-ia: “Onde há fumo, há fogo” e “Onde está o fogo, a luz aparece” ou “Trabalho feito de noite, de dia aparece”.

 

No dia 14 de Março de 2002, três dias antes das eleições legislativas que retiraram o PS do poder, foi aprovado em Conselho de Ministros (o último da legislatura) o Decreto-Lei nº 140/2002 que reduziu a Zona de Protecção Especial (ZPE) do Estuário do Tejo e assim viabilizou a construção do Freeport em Alcochete. Era então ministro do Ambiente o actual primeiro-ministro.

 

O Freeport de Alcochete é um enorme centro comercial (o maior da Europa, segundo a sua própria publicidade), situado no “deserto” da margem Sul onde “jamais” (leia-se em francês: jamé) poderia localizar-se qualquer grande infra-estrutura, como, por exemplo, o novo aeroporto de Lisboa – isto, de acordo com o, ainda, ministro das Obras Públicas, o Eng.º Mário Lino (que é mesmo engenheiro, também segundo as suas próprias palavras). E, na verdade, o Freeport Outlet Alcochete terá chegado a estar mesmo à beira da falência em 2007, depois de anos em crise.

 

É então, também em 2007 (que coincidência!), que começam a circular notícias pondo ostensivamente em causa a localização na Ota do novo aeroporto de Lisboa (NAL) e aparece o estudo de uma alternativa à Ota da CIP (que conveniente!), entre outros,feito a pedido do primeiro-ministro, José Sócrates, o qual aponta a zona do campo de tiro de Alcochete como melhor alternativa para a localização do novo aeroporto. A este propósito leiam-se os postais anteriores deste Jardim, Lisboa – Novo Aeroporto Ou Novo “Ageitoporto”? e Lisboa – Novo Aeroporto Ou Novo “Ageitoporto”? (Parte 2).

 

Eis que de repente, não mais que de repente, prepara-se para nascer no “deserto de Alcochete”, uma espécie de Las Vegas à portuguesa. Tudo ali, ao pé umas coisas das outras, numa felicíssima coincidência. Terá o Zézito “bolado” este plano infalível? Ná! Isto requer mais do que esperteza: requer inteligência.

 

O que precisava o “Freepor” de Alcochete para vingar? Publicidade, muita publicidade? E o jeitão que dava um aeroporto mesmo ao pé? Então e não é que, por incrível(!) coincidência, é isso mesmo que está a acontecer? Ele há coisas…!

 

Interessante, muito interessante mesmo, seria saber quem são os proprietários dos terrenos na área de influência do Freeport de Alcochete e do novo aeroporto de Lisboa, em Alcochete, e quem foram os autores dos negócios (especulativos) de compra e venda desses terrenos nos últimos 4 ou 5 anos. Talvez se encontrassem informações muito elucidativas relativamente a algumas dúvidas agora “processualmente” persistentes…

 

1Hypotyposes Pirrônicas, III, 179.

2Contra os lógicos, I, 30.

O 3º par de patins 2008 vai para…

… o exmo sr. Eng. Mário Lino Soares Correia.

(outro que retirou o apelido do nome artístico, perdão, político)

Depois disto [Sócrates explica jamais do ministro] e disto [Garante primeiro-ministro | Mário Lino fica], se ainda tiver um pingo de vergonha na cara, este senhor demitir-se-á.

Tomando em consideração o seu interesse por aviões e a sua rapidez de pensamento, escolhemos este belo par de patins “a jacto”.

Jetpack Skates

Lá diz o provérbio: A vergonha de si próprio é o maior suplício da vida.