Tag Archives: 2013

Natal, Christmas, Navidad, Noël, …

Weihnachten, Kerstmis, Nollag, Jul, Karácsonyi, …

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Natividade-Alenquer-2013Presépio público, Alenquer, 2013.

Esta noite, em Belém, a cidade de David, nasceu o Salvador – sim, o Cristo, o Senhor.
Lucas 2: 11

O país dos espertalhões tranquilos.

BPN - privatizaçãoSe você ou eu subtraíssemos uma lata de conserva num supermercado seríamos detidos (acho catita este eufemismo para preso) e ficaríamos à disposição de um sistema judicial que tudo faria para nos tirar qualquer réstea de tranquilidade. Se você ou eu fossemos acusados pelo fisco de dever 1 euro (coisa que até poderia não ser verdade, como acontece com demasiada frequência) seríamos objecto de uma sanha persecutória que impossibilitaria o mais leve lampejo de tranquilidade. E, no entanto, há quem esteja acusado de coisas muito mais graves mas consiga manter-se “de consciência tranquila”, “tranquila” e até mesmo “perfeitamente tranquilo”.  Não acreditam? Então vejam (por ordem cronológica de publicação das notícias):

O ex-deputado do PS Carlos Lopes foi condenado a 11 anos de prisão pelos crimes de corrupção, peculato e falsificação de documentos, mas vai recorrer da sentença “absurda”, …  Aguardo com serenidade o desenrolar do processo, de consciência tranquila, …
(Ex-deputado do PS condenado a 11 anos de prisão, 29 Janeiro 2013, CM)

Ana Ribeiro rejeita a acusação e assegura que “não foi beliscado o interesse público, nem o das populações”, … Para a autarca, que está “tranquila“, …
(‘Anita’ do Bloco acusada, 01 Fevereiro 2013, Por:Sofia Piçarra com Lusa, CM)

O novo secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação mostrou-se esta sexta-feira «perfeitamente tranquilo» com a entrada no Executivo, …
(Franquelim Alves: Nuno Melo não disfarça embaraço, Por: tvi24/CLC, 2013-02-02)

Para estes, como muito bem diz Paulo Bento, o inventor português da “dranquilidade”: «O nosso objectivo é ganhar o nosso jogo»
Os outros (como você e eu) que se… coisem!

Portugal* como cobaia da Nova Ordem Mundial**.

Como pensa um burocrata ao serviço de um dos muitos poderes supranacionais actuais (UE, FMI ou outro qualquer)?

1. Há demasiados pensionistas em Portugal. A maioria dos pensionistas são velhos. Porque é que há tantos velhos em Portugal? Porque a maioria da população tem tido acesso gratuito ou quase gratuito nos últimos 30 anos a cuidados de saúde de (quase) todas as especialidades médicas. Então, para diminuir o número de pensionistas basta restringir o acesso da população aos cuidados de saúde. Recomenda-se, pois, que o Estado português aumente o custo de acesso da população à saúde elevando as taxas moderadoras e, para obter mais rapidamente o efeito desejado sobre o grupo populacional dos velhos, que  diminua simultaneamente as pensões.Gouvernance mondiale et l'éveil des peuples

2. Há excesso de licenciados para as necessidades do mercado de trabalho em Portugal – mesmo depois de os exportar em grandes quantidades. Porquê? Porque a maioria dos jovens tem tido acesso à prestação de ensino gratuito ou quase gratuito nos últimos 30 anos. Então, para diminuir o número de licenciados basta restringir o acesso dos jovens à educação universal gratuita. Recomenda-se, pois, diminuir a oferta gratuita de ensino reduzindo drásticamente o número de professores do ensino público, o que permitirá simultaneamente uma redução a curto prazo da despesa do Estado com os respectivos salários (a médio/longo prazo, estes professores desempregados estarão incluídos na redução de despesa prevista acima, em 1.)

Relatório do FMI propõe subida de taxas moderadoras e dispensa de 50 mil professores
09/01/13, 09:15
OJE/Lusa

*Grécia, Irlanda, …

**A Nova Ordem e a Nova Ordem Mundial

O meu nome é Cliff, Fiscal Cliff*.

5 notícias 5, no Público.

Receita fiscal acentua queda em Novembro
Sérgio Aníbal 21/12/2012

Ela viveu um ano com mil euros… e muitas trocas
Cláudia Sobral 01/01/2013

Comércio a retalho cai 5,3% em Novembro e abranda queda homóloga
Félix Ribeiro 02/01/2013

Produção industrial agrava queda em Novembro
Félix Ribeiro 02/01/2013

Quando o desemprego deixa de ser uma questão temporária
Pedro Crisóstomo 03/01/2013

*Uma boa tradução para português será: Descalabro Fiscal.

De como o nascimento do filho do carpinteiro

mudou a contagem do tempo no mundo.

Afinal, Ele não é só o princípio e o fim mas, também, tudo o que está pelo meio.

Calendário 2013

BOM ANO NOVO

Os dilemas do Gaspar.

O generoso GasparDéfice orçamental atinge 8.145 milhões perto do limite anual
23/11/12, OJE/Lusa
O défice da administração central e da Segurança Social atingiu os 8.145 milhões de euros em Outubro, segundo os critérios relevantes para a Troika. …
… Os critérios da Troika não incluem os impactos dos pagamentos de dívidas atrasadas do Serviço Nacional de Saúde (menos 1.408 milhões de euros) nem a receita da transferência dos fundos de pensões da banca (mais 2.784 milhões de euros).

Quebra na receita dos impostos indiretos atinge 5,2%
23/11/12, OJE/Lusa
… No início do ano, vários produtos e serviços (por exemplo, a restauração) subiram de escalão do IVA, passando para a taxa normal (23%), e o Governo esperava que a receita deste imposto aumentasse este ano.

Receita fiscal caiu 4,6%
23/11/12, OJE/Lusa
… No caso dos impostos directos, a receita do IRS cresceu 2,7% até outubro – muito menos do que estava a crescer na primeira metade de 2012. Este abrandamento está relacionado em parte com o efeito do corte do subsídio de férias a funcionários públicos e pensionistas (que, consequentemente, não pagaram IRS relativo a esses rendimentos).
Quanto ao imposto sobre o rendimento das empresas, a receita com o IRC caiu 19,9%, uma variação muito mais negativa do que o previsto pelo Governo. …

OE 2013: the game.

Excertos de mais um daqueles (raros) textos que gostaria de ter escrito. Uma metáfora certeira de José Mendonça da Cruz.

Estou aqui muito contente, nesta noite insone, a jogar aos Estados. Hoje estou a jogar o nível CC, Chular o Cidadão, um nível em que o Estado tem que se alimentar e tudo em redor são carne e gorduras. … Primeiro, assumi o personagem Fisco. O Fisco é o braço armado do CC e é muito divertido de protagonizar. Comecei e fiz um aumento geral de impostos de uma taxa média de 30% para a nova de 60%. Taxei os automóveis a 200% em vez dos 100% do costume, impus sobre o pernicioso tabaco uma taxa moderadora de 300%, dobrei o valor das multas em geral, lancei sobre os imóveis um imposto igual a um duodécimo do valor total de cada imóvel, porque duodécimo me pareceu uma expressão boa. … Comprei 17 000 Mercedes série S e  12 000 Audis A8 para fortalecer a minha dignidade e a dos meus. Nadei em dinheiro e fiquei muito contente. Mas foi sol de pouca dura. Na janela dos «Agentes Económicos», o fundo passou a amarelo enquanto na janela «Receita» IRS, IRC e IVA iniciaram uma queda a pique. Como o meu Estado glutão mantinha as despesas perdulárias com que o jogo sempre arranca, percebi que tinha que gastar menos em algum lado, se não ficava eu falido e o jogo por ali. … A minha folhinha de Excel mostrava sinais de nervosismo, a janela da «Receita» não dava sinais de melhoras, o fundo dos «Agentes Económicos» virava do amarelo ao laranja e abriu-se-me num pop-up aterrorizante uma janela no ecrã. Dizia «Segurança Social» e piscava em vermelho intermitente. Já que assim me vinha assustar decidi começar a cura por aí. Cliquei na linha Idade da Reforma e subi-a. Subi-a para os 80 anos. Sendo a esperança de vida de 75 pareceu-me justo garantir aos beneficiários 5 anos de vida ociosa. … Ainda na janela «Segurança Social», cliquei a linha Subsídio de Desemprego e tomei uma decisão forte: aboli o subsídio de desemprego para todos os menores de 30 anos. No trem de vida moderno sobreleva e é conhecida a tendência dos filhos para permanecerem em casa dos pais. Seja, os pais os ajudarão. … Entusiasmado, exultante mesmo, decidi então que obteria uma vitória histórica no jogo. Como? Ora, mandando, que é o que um Estado CC faz. Por isso, mandei os empresários investir, mandei gastar mais uns milhares de milhões num banco novo e mandei-o investir alguns milhares, mandei a gasolina ser barata e deixei a electricidade ser cara, mandei a população activa trabalhar mais 3 horas por dia sem receber, mandei os empresários produzir e enriquecer, mandei as pessoas consumir mais mesmo sem dinheiro, mandei os restaurantes servir refeições mesmo sem clientes, e mandei toda a gente celebrar-me mesmo sem razão. Mas o jogo era muito rudimentar e não computou, a janela «Reacções» explodiu e o computador bloqueou. …

O meu querido joguinho de Excel
publicado por José Mendonça da Cruz aos18 de Outubro de 2012
no blogue Corta-Fitas.